Capitulo
XXII
Lauren
Pela nossa contagem normal, a cada vez que passos
eram escutados pelo corredor, Fay e Seth haviam sido levados. Eu nunca tive uma
educação religiosa, quando mais nova às vezes ia na igreja perto de casa porque
ali me sentia em paz, cheguei à fazer catecismo, mas depois de um tempo Deus
parou de fazer sentido para mim, pois os padres falavam de sua justiça e
bondade ao mesmo tempo que ao meu redor só existia o oposto disso. Existia uma
teoria e a prática era totalmente diferente.
Mas naquele momento, me lembrando do que eu havia
passado quando leveram Derek, Savannah e a mim para fora das celas, eu rezei
por Fay e Seth, rezei para que os dois tivessem força para passar por isso, que
ficassem bem, mesmo não sabendo se Deus existia ou se ele cuidava também de seres
como nós.
Depois de um longo tempo, passos foram escutados
eu fiquei atenta ao barulho para saber para onde os passos levavam, eles
pararam próximo a minha cela, meu coração acelerou e então uma porta foi aberta
a minha porta.
— De
joelhos! — Escutei a voz de Declan.
Eu
na mesma hora ia peita-lo, mas me lembrei do que ele tinha falado, sobre
machucar Savannah e então me ajoelhei e fiquei na posição que ele tinha dito
que deveriamos ficar.
—
Adoro pessoas obedientes. — Ele respondeu e dois guardas entraram na cela,
colocado as luvas em minhas mãos e me algemando.
Eu
nada respondi, senti o capuz sendo colocado em meu rosto e então fui erguida
sendo levada por um caminho que não me foi familiar, não é como se eu
conhecesse totalmente o castelo, mas subimos mais andares do que em qualquer
outra vez que estive ali.
Isso
não era bom, bem, me diga algo que era bom naquele lugar? Mas Fay e Seth não
terem voltado e isso, eu receava que alguma coisa estava acontecendo. Eu tinha
um plano que se desse certo poderia livrar Derek e Savannah de tudo isso, meu
receio era que, mesmo que desse certo e eu conseguisse libertar Derek e
Savannah, existia um preço a ser pago com isso, mas eu pagaria, se era para
libertar os dois, eu assim o faria.
Enquanto
caminhava, sem saber para onde estava indo eu me lembrei de tudo o que
aconteceu comigo, todas as coisas ruins, o abandono as palavras rudes do meu
pai falando que minha mãe tinha ido embora por não aguentar uma filha maluca
como eu, ele falando que pegaram uma criança estragada, todas as vezes que ele
me bateu, Kevin... Senti meu corpo retrair com aquelas lembranças e então um
ódio grande começar a tomar conta de mim, eu precisava daquilo, eu precisava me
entregar às sombras para estar preparada.
Os
amigos de Kevin, as risadas, o cheiro do alcool, as vozes de Declan e eu ali
sendo carregada pelos dois guardas apenas tornavam as lembranças mais reais. O
medo, a dor, o nojo... Meus punhos já estavam cerradas e eu sentia apenas o
ódio tomar conta de mim, tomar conta totalmente de mim naquele momento, eu
seria capaz de matar um com minhas mãos. Eu tinha conseguido me encher
totalmente de trevas.
Depois
de um longo percurso finalmente paramos, me colocaram sentada em uma cadeira,
diferente da anterior essa parecia ser mais confortável, prenderam meus braços
e então tiraram a venda dos meus olhos. Ao invés da prisão ou da sala de
tortura, eu estava agora em uma espécie de sala de reuniões.
—
Lauren! — Fay entrou por uma outra entrada, ela estava com os braços presos e
assim como eu foi colocada em outra cadeira, que ficava à minha esquerda,
outras usa cadeiras, essas duas mais confortável, estavam na sala, uma à minha
direita e outra na minha frente, formando uma espécie de cruz, ao redor de uma
mesa.
—
Você está bem? — Perguntei ao ver seus olhos marejados.
—
Sim... Lauren me desculpa... Mas eles iam matar Seth... Ou mataram... — Fay
começou a chorar, eu não senti compaixão, eu não conseguia sentir isso naquele
momento.
— Reunião em família. — Ariel
falou entrando junto com um homem que eu sabia ser Macsen, o pai dela.
—
Finalmente todos juntos, é uma pena que tenha demorado tanto para se unir à
família Lauren. — Macsen disse se sentando à minha frente. — Seja bem vinda à
família, é um prazer conhece-la.
— Eu
não posso dizer o mesmo. — Respondi olhando para ele, enquanto Ariel se sentava
de frente para Fay.
Macsen
por um instante ficou sem saber o que respondeu e então sorriu.
— O
mesmo gênio da família... Em breve se acostumará comigo. — Ele respondeu. —
Somos iguais.
—
Hum... Eu não acho, definitivamente, eu sou muito mais interessante que você. —
Disse de forma irônica e pela cara de Macsen ele não estava gostando nada
disso.
—
Respeite-o ou farei questão de eu mesma acabar com você. — Ariel vociferou e eu
apenas dei de ombros.
—
Que isso filha? Esses não são os modos que você aprendeu. — Macsen falava de
forma aveludada e elegante como se nada pudesse afeta-lo. — É comum que ela que
conviveu com Mortais não tenha modo, mas isso é inadmissível para alguém que
foi educada no Reino Encantado, é inadmissível para uma futura rainha.
—
Futura rainha? — Eu ri, de verdade. — Eu nunca darei minha coroa para nenhum de
vocês.
—
Mas irá dar, nem que eu tenha que tenham que te matar. — Macsen continuou.
— O
que não seria nenhum obstáculo para você, não é mesmo? Já matou o rei, pode
matar mais uma pessoa. — Respondi. — Só que você não pode garantir que a coroa
irá para você ou para a sua nada adoravel filha.
Macsen
apenas olhou para Ariel que olhou para Fay, eu não entendi o que aquela troca
de olhares queria me dizer e então Fay quebrou o silêncio.
—
Você nunca se importou e nem mesmo nunca quis ser a Rainha... — Ela me olhava e
eu podia ver em seu olhar que ela estava quase sendo forçada à dizer aquilo, ela
provavelmente não tinha aguentado ver o que fizeram com Seth, ao invés de pena,
meu ódio apenas aumentou por ela ter sido fraca. — Vamos acabar com tudo isso,
dê a coroa para ela.
— Eu
não acredito que você está me pedindo isso. — Eu disse com raiva. — Machucaram
o seu namoradinho e você logo quer colocar tudo à perder? — As palavras
simplesmente saiam da minha boca e eu senti a iluminação da sala diminuir. —
Quer arruinar todo o reino encantado por um capricho?
Eu
me arrependi na mesma hora em que as palavras sairam da minha boca, um
arrependimento rápido, que passou em seguida.
—
Vocês podem ter encontrado o ponto fraco dela, mas não é ela que tem que
concordar, sou eu, então terão que ser mais convicentes. — Respondi para Ariel
e Macsen. — Eu nunca quis a coroa, mas nem em um milhão de anos daria ela à um
de vocês dois, nomeio um mortal como meu sucessor, mas não vocês.
—
Talvez tenhamos que torturar de novo Savannah e Derek. — Ariel respondeu.
— E
falharão de novo. — Respondi. — Como falharam da primeira vez. Eu não sei da
onde vocês tiraram que eu me importo com eles.
— E
não se importa? — Macsen perguntou.
Eu
respirei, minha resposta automática seria sim, eu não posso mentir, mesmo com
as sombras me dominando, mas o bom de ter sido criada com pessoas que não
gostavam muito das verdades é que se aprendia a escapar disso.
—
Porque me importaria? — Uma pergunta para não responder, essa era a minha
tática. — Savannah matou a minha mãe, a única pessoa que me desejou de verdade
desde que soube de mim. Derek simplesmente sumiu no mundo por um longo tempo...
Ele deveria me proteger, mas eu fui espancada e assediada e ele não estava lá.
— Eu não culpava Derek por isso, mas eu não precisava dizer realmente o que eu
sentia, só precisava dizer algo que não fosse uma mentira.
Eu
forcei em minha mente todos os meus piores momentos, para assim conseguir
parecer que realmente tinha raiva deles, eu não precisava sentir a raiva e
ódio, aquilo já estava me dominando e cada vez mais as coisas ali ficavam
escuras.
—
Vocês não tem nada contra mim, nem mesmo adianta me ameaçar, prefiro estar
morta do que viver em um mundo controlado por vocês e mesmo que eu vá para o
mundo mortal, eu sei que as atitudes de vocês aqui refletem por lá. — Eu disse
tentando focar meu olhar em Macsen apesar de já naquele momento eu mal
conseguia ver qualquer coisa.
—
Podemos não saber seu ponto fraco do lado psicológico. — Macsen disse olhando
para mim e naquele momento ele era a única coisa que eu via naquela sala. — Mas
você não sabe a dor física que podemos infligir em você.
— Eu sou a corte das
sombras, eu me alimento com a dor e o sofrimento, você sabe disso... —
Respondi. — Então pode vir que eu estou preparada. — Foi a última coisa que
respondi, que me lembro de ter respondido antes de tudo ficar escuro na minha
frente, mas diferente das outras vezes não foi uma venda ou capuz que tiraram a
minha visão e sim as minhas sombras.
Capitulo
XXIII
Math
Eu que era o cara que costumava ir para o Mundo
Encantado enquanto meu pai ficava no mundo mortal, por isso ir para casa e
saber que ele não estaria ali era complicado, eu nem ao menos sabia se ele
estava bem e o pior é que desde que fomos para o mundo mortal, meu pai era quem
os seres encantados procuravam quando precisavam, todos se sentiam perdidos e
eu tinha que conseguir acalma-los, mesmo que eu não estivesse nada calmo.
Fui para o escritório do meu pai e então tentei
fazer o seu trabalho, verifiquei as suas anotações, os telefones de contatos
dos seres encantados, verifiquei as informações sobre especialidade, profissões
de todos que tinha ali, tracei alguns planos, fiz ligações, mandei e-mails e
mensagens para todos que poderiam ajudar, tanto os que poderiam ajudar a
encontrar o portal quanto os que poderiam ajudar em manter a paz por lá.
Fiz alguns contatos com Faes que estavam morando
em outros países pedindo para que anunciassem qualquer anormalidade de tempo
onde eles moravam, tínhamos que ficar atentos à tudo, para saber como andava o
mundo encantado eu precisava prestar atenção no mundo mortal.
Os dias se passavam, Lucian levou a caça para
extensas viagens, indo para os lugares mais longínquos para descobrir sobre
portais, como a caça era rápida eles eram os ideais para esse tipo de missão.
Alguns dos solitários voltaram para as buscas na biblioteca, tinham aqueles que
se focavam em buscas pelos jornais para ver algumas mudanças no clima, até onde
sabíamos Fay não estava em seu lugar por direito, assim como Lauren, ou uma das
duas já tinha feito contato, o que quer dizer que existiria um grande desiquilíbrio
entre o dia e a noite, pois mesmo que Macsen e Ariel não fossem reis, eles
estavam governando e com certeza só pensavam para as sombras.
Já
fazia uma semana desde o incidente com o portal, uma semana sem noticia alguma
do mundo encantado, de Fay, Lauren,
meu pai ou qualquer outro que tinha passado, uma semana de preocupações e elas
apenas aumentavam com os e-mails recebidos, era verão no hemisfério sul, mas
notícias sobre chuvas e baixas temperaturas preocupavam os mortais e
logicamente os seres encantados que sabiam que o mundo encantado estava
envolvido nisso.
Relatos sobre o aumento da violência em várias
partes do mundo também assustava cada vez mais os mortais, mas o que deixou
todos alertas, foi um ataque terrorista na ultima sexta-feira em um país
distante mas de grande visibilidade, isso só podia ser coisa da Corte das
Sombras, que se alimentava e gerava da morte, guerra e ódio.
A cada dia, a cada momento eu me preocupava mais,
não apenas eu, se o mundo mortal estava daquele jeito, o mundo encantado,
principalmente para os seres encantados da luz, estava perdido. Lauren e Fay,
independente do que esteja acontecendo, vocês duas precisam reagir, todos
precisam de vocês.
—
Precisamos fazer algo, ou não sobrará muito do mundo mortal. — Adam apareceu em
minha porta com alguns jornais e com Bree do seu lado. — Acabei de passar na
banca, veja isso.
Abri
os jornais, o ataque terrorista que tinha acontecido era o destaque do que
parecia ser todos os jornais que Adam tinha trago e nele falava sobre vinganças,
contra-ataque e uma ameaça dos terroristas. Um dos jornais até falava que
estávamos à beira de uma guerra.
— O
que podemos fazer? — Bree perguntou parecendo ansiosa e nervosa.
— Eu
não sei. — Respondi tentando colocar a minha cabeça para funcionar. — Entrem!
Bree
e Adam entraram e eu fechei a porta, fomos todos para a sala, minha cabeça
funcionava à mil por hora, tentando elaborar um plano.
— A
caça tem um membro que pode manipular os sentimentos. — Bree lembrou.
—
Ele não conseguiria atingir à todos. — Adam respondeu.
—
Precisamos de mais pessoas. — Eu disse de forma pensativa.
— Ou
de algo que possa atingir a maior parte da população. — Bree deu a luz que eu
precisava.
Um
estalo deu em minha mente, podíamos não atingir todos dessa forma, mas iriamos
atingir um parte da população, quanto mais pessoas atingíssemos, poderíamos
ganhar um certo tempo.
—
Adam... Está na hora de “Os Solitários” fazerem sucesso. — Eu disse.
—
Mas Dial disse que nunca poderíamos nos expor. — Adam respondeu.
—
Momentos desesperados pedem medidas desesperadas. — Comecei a dizer. — A sua
banda consegue com a música controlar as emoções de quem as escuta, é a forma
mais fácil de conseguir atingir boa parte dos mortais, tenho certeza que
teremos algum ser encantado que poderá nos ajudar a colocar vocês na mídia.
—
Temos um membro a menos... — Adam disse de forma triste.
—
Bem, vocês terão que se virar sem ele... É nossa melhor chance. — O encorajei.
— Eu
escutei vocês tocarem. — Bree respondeu. — E são ótimos, mesmo com um membro a
menos.
Adam
pareceu meio pensativo, eu sabia que não era apenas por causa do meu pai que
eles não tentavam fazer sucesso, Adam nunca quis chamar atenção para si, isso
era notável.
—
Bem... Se vocês dizem... Se a banda é mesmo a melhor opção... Eu tenho que
falar com os garotos. — Adam respondeu no fim.
—
Fale com eles, qualquer coisa os traga aqui... — Respondi. — Enquanto isso irei
ver os nossos contatos quem poderá ajuda-los à gravar.
Adam
saiu para procurar sua banda, eu voltei à minha lista de contatos, Bree foi com
ele para ajuda-lo se precisasse convencer alguém e eu torcia para que esse meu
plano desse certo e não tivéssemos expostos demais, era um preço alto para se
arriscar, mas se fosse necessário eu assim o faria e aguentaria as consequências
do meu pai depois.
A
banda aceitou, consegui o contato de uma Mauren, Fae que era casada com um
mortal que trabalhava como produtor musical, ele tinha o contato de gravadoras
e até mesmo de algumas bandas com um pouco mais de fama, ele sabia do mundo
encantado, Mauren não tinha escondido dele quem ela era, por isso consegui
falar de forma mais aberta com ele.
Alan,
o mortal produtor musical disse que poderia nos ajudar gravando as músicas dos
garotos e os colocando para abrir alguns shows, era assim que se era lançado no
mundo musical, mas que ele conseguia apenas dar a oportunidade, disse que a
banda tinha que ser boa para deslanchar. Não precisávamos que a banda se
tornasse tão famosa quanto os Beatles, mas se a música calmante dos meninos
pudesse chegar na maioria dos lugares, isso já nos ajudaria, quanto menos
pessoas se deixassem afetar pelos sentimentos da Corte das Sombras, mais tempo
iríamos ganhar.
E eu
sabia que “Os Solitários” eram ótimos, a magia deles ajudava pessoas à se
viciarem em suas músicas e a magia que rondava os Faes já os faria ser adorado
por todos. Não era o melhor plano do mundo, mas serviria para o momento. Após
agendar a gravação dei como missão aos participantes da banda criarem músicas
para serem gravadas e treiná-las, iria desfocar um pouco o grupo de pesquisas,
mas seria para uma boa causa.
Capitulo
XXIV
Fay
Definitivamente
aquela na sala não era a Lauren, não a Lauren que eu conhecia que foi enfrentar
os soldados de elite da Corte das Sombras na tentativa de salvar os solitários,
não a Lauren que entrou no mundo encantado para salvar a vida do homem que
amava, aquela sua postura, suas palavras, sua frieza até mesmo de falar sobre
ela, até mesmo seus olhos estavam mais escuros, já tinha ouvido Savannah falar
que temia que Lauren deixasse se dominar pelas sombras e eu acho que era
exatamente isso que estava acontecendo.
De
certa forma isso seria bom, isso faria com que Lauren fosse mais forte do que
eu, eu a vi falar com Macsen, com frieza e sem medo do que estava por vir e a
cara de Macsen não era nada feliz, nem a dele e nem a de Ariel que parecia
prestes a pular no pescoço de Lauren à qualquer momento, fui deixada de lado na
reunião enquanto meu tio tentava negociar inutilmente com Lauren.
Conhecendo
a Lauren, da forma que conheci no mundo mortal, eu sabia que ela estava
mentindo, eu sabia que ela se importava mais com Derek e Savannah do que se
importava consigo mesmo, por isso eu não fazia ideia de como ela estava
conseguindo mentir daquela forma.
A
reunião não durou muito tempo, logo vendaram a mim e me levaram de volta para a
solitária, Seth já estava por lá e Lauren foi levada um tempo depois, mas
diferente das outras vezes Lauren não conversou com ninguém, nem com Derek e
nem com Savannah apenas respondeu que estava bem quando perguntada.
O
tempo passou e quanto mais eu tentava contar quanto tempo estávamos mais, eu me
frustrava, nossas refeições eram feitas em horários diferentes, eu sabia disso
devido à minha fome, as vezes ela era voraz, as vezes a comida vinha antes
mesmo de eu começar a senti-la. Dormíamos pouco, pois na maior parte do tempo
algo no ar nos deixava ansiosos e elétricos.
Comecei
à contar os dias pelos momentos em que eu dormia, eu sei que a contagem estava
errada, mas era a única forma de eu tentar contar o tempo.
Dias
se passavam e além de nos fazer ficar acordados, sensações térmicas alternadas
em nossas celas mexiam conosco, as vezes um dos guardas aparecia, pegava um de
nós e nos torturavam de todas as formas, mesmo que eu não tivesse mais nada
para oferecer para eles, mesmo que eu não pudesse fazer nada para ajudar no
plano de Ariel, eu e Seth ainda éramos torturados, o que demonstrava que eles
faziam aquilo mais por pura diversão.
Eu
não sabia o que acontecia com Derek, Savannah e Lauren, os dois primeiros não
falavam sobre suas dores e Lauren não falava sobre nada, apenas dizia para
todos que estava bem cada vez que voltava, mas cada vez que ela falava isso
parecia ainda mais frio.
Eu
já estava cansada daquilo, determinadas partes da minha pele exibiam
queimaduras de frio, eu estava bem magra e fraca e toda vez que escutava passos
eu tremia, não com medo de me matarem, mas com medo de me torturarem de novo,
definitivamente o afogamento para mim era o pior.
Eu
não fazia ideia de como estava meu rosto, apenas podia ver o que minha visão
alcançava, naquele momento eu já não tinha mais contato visual com nenhum dos
outros presos, nem mesmo com Seth era terrível não ter as informações corretas
sobre ele e era possível às vezes escutarmos algum grito ou choro baixo vindo
de algum dos outros prisioneiros, menos de Lauren, até mesmo Derek e Savannah
em algum momento gritou na própria cela, mas não Lauren.
Privação
de sono, pouca alimentação, afogamentos, choques, queimaduras de gelo,
espancamento, até mesmo o chicote foi usado em mim algumas vezes o que me
rendeu vários gemidos de dor toda vez que eu me mexia, eu via a hora de meu
corpo não mais aguentar e sabia que meus companheiros estariam passando por
coisas parecidas.
Pela
minha contagem de tempo já tinham se passado o equivalente à duas semanas, mas
poderia ser bem mais ou bem menos, cada dia era diferente do outro, mas aquele
estava sendo diferente de todos. Desde a conversa com Lauren, normalmente eles
pegavam um prisioneiro por vez, no máximo dois, eu achava que eles ainda
tentavam usar Savannah e Derek para assustar Lauren, mas naquele dia quando
atravessaram o corredor pela terceira vez eu percebi que tinha algo diferente.
Três
vezes no corredor, três celas abertas, três prisioneiros levados. Mais passos,
mais uma cela, mais um prisioneiro, novos passos só tinham dois prisioneiros e
não foi surpresa quando minha cela abriu, eu apenas me ajoelhei, eles não
faziam mais questão de que eu estivesse com a mão na cabeça me rendendo,
naquela altura era visível que eu não tinha mais forças.
Luvas
na mão, capuz na cabeça e naquele momento meus pés simplesmente tropeçavam, eu
não era mais aquela rainha dos primeiros dias que permanecia com a minha
postura, eu apenas me deixava ser levada. Eu estava suja, minha roupa rasgada,
em nada lembraria a antiga Fay, em nada eu parecia ser uma rainha.
Fui
colocada em uma sala, presa à uma cadeira e então mais uma pessoa entrou na
sala, por um momento tudo ficou em silêncio e escutei mais passos, várias
pessoas entrando juntas, foi então que eu senti um grande incomodo e algo
pontiagudo e que parecia me queimar foi colocado em meu pescoço, uma espada de
ferro.
O
capuz foi tirado e pela primeira vez desde que fui parar na prisão eu via uma
sala com janelas, era dia, a luz me cegou momentaneamente e então meus olhos
focalizaram algumas pessoas ao redor que rapidamente eu reconheci.
Seth,
Derek, Blake, Savannah, três crianças da Corte das Sombras e de frente para mim
estava Lauren, ou o que tinha sido ela um dia. Atrás de cada um tinha um
guarda, mortal pelo visto, pois todos seguravam uma espada de ferro no pescoço
de sua vítima, que estavam presas à cadeira. Lauren tinha correntes em seus
pulsos e pela forma que seus pulsos estavam, a corrente era provavelmente de
ferro.
Seth
e Blake sempre musculosos, estavam extremamente magros, assim como Savannah,
Derek e Lauren. Eles estavam bem machucados, seus rostos deformados inchados,
havia sangue em suas vestes, eles estavam tão acabados quanto eu. Todos
demonstravam as dores que sentiam, todos com exceção de Lauren, seu olhar
demonstrava ódio e apenas isso, como se ela não estivesse sentindo dor e agora
era visível uma Sombra escura ao seu redor, aquilo não era normal, nunca vi
alguém com sombras tão densas ao seu redor, nem mesmo o meu pai e pela cara de
chocados dos outros, ninguém tinha visto isso antes também.
As
três crianças não pareciam machucadas, mas estavam visivelmente assustadas, uma
delas com os olhos marejados como se fosse chorar, se segurando para não fazer
isso. Foi então que Macsen e Ariel entraram, indo para o meio do nosso circulo,
ao passar pelos guardas mortais os mesmos se afastaram para que o ferro em suas
espadas não machucasse os dois e depois voltaram para a posição original.
Havia
algumas marcações no meio do circulo, onde Ariel e Macsen ficaram,
provavelmente ali era o lugar seguro para o ferro nas espadas dos mortais não
os afetasse, Ariel olhou a todos um sorriso de felicidade invadia o seu rosto
enquanto Macsen olhava diretamente para Lauren, a única sem uma espada no
pescoço.
—
Cansei dos seus joguinhos. — Macsen começou a falar. — Iremos matar um por um
aqui e você verá tudo, cada morte será por culpa sua, até você entregar a
coroa. Temos outros prisioneiros e iremos matar os outros também.
— E
porque você acha que me importo com algum deles? — Lauren perguntou com a voz
fria e de forma seca.
— Você
tem conseguido disfarçar bem as suas emoções. — Macsen disse. — Mas veremos se
conseguirá mascará ao deixarmos de fazer ameaças.
Macsen
responde e olha para um dos guardas que estava atrás de uma das crianças, um
garoto de uns 10 anos, o guarda então aperta mais a espada contra o pescoço do
garoto que choraminga de dor quando um pouco de sangue começa a escorrer.
— Esse
é Jeremy, tem 8 anos, ele pertence à sua corte. A família dele foi uma das que
mostrou resistência com o meu reinado. — Macsen começou a dizer. — Ele tem um
ótimo futuro pela frente, tem sonhos...
O
guarda que estava atrás de Lauren puxou a cadeira dela colocando-a de frente
para o garoto, o olhar de Lauren estava frio, mas pude notar alteração na sua
respiração.
—
Vai proibi-lo de ver o mundo que o espera? — Macsen continuou. — Uma pobre
alma, uma criança inocente, não teve tempo para errar. Sua última chance de
salva-lo. Me dê a coroa e ele assim como os demais será salvo.
—
Ninguém estará a salvo nunca com você no poder. — Lauren respondeu.
—
Não... Por favor. — Jeremy pediu em meio ao choro olhando para Lauren, quando o
guarda apertou mais forte a espada em seu pescoço.
Lauren
desviou o olhar, Macsen foi para trás dela e segurou o rosto dela para que ela
olhasse para Jeremy.
—
Não, você vai olhar para ele, vai dizer para ele que ele vai morrer por um
capricho seu. — Macsen falava segurando o rosto dela.
—
Você nunca terá a coroa, solte-o e aja como homem, vamos tratar isso eu e você,
sem outros envolvidos — Lauren pediu, falando entre dentes e naquele momento eu
invejei a força que ela tinha.
Por
menos eu disse que falaria com ela, pois sabia que Lauren nunca abriria mão do
trono, mas será que se fosse eu ali, conseguiria agir da mesma forma?
Conseguiria manter a força sabendo que uma vida poderia ser tirada por minha
causa?
—
Então diga adeus a ele e torça para que a sua pobre alma a perdoe um dia. — Eu
vi o guarda levantar a espada e virei o rosto, escutando apenas um grito após o
corte da espada de uma das outras crianças.
Olhei
para Lauren e a primeira coisa que vi foi o corpo do garoto sem vida preso a
cadeira e a cabeça dele no chão, muito sangue no lugar e desviei o olhar.
Olhando fixamente para o lado oposto, o lado que Lauren estava sentada
originalmente.
Em
meio a choros das crianças Macsen escolhia a próxima vítima e eu torcia para
que, se ninguém aparecesse para nos salvar, fosse eu a próxima e acabasse logo
com isso.
— Que
coração de pedra... Devo confessar que estou orgulhoso minha sobrinha. — Macsen
respondeu. — Se fosse a outra teria rapidamente aberto mão, não é mesmo Fay? —
Eu nada respondi, Macsen olhou ao redor. — Veremos quem será o próximo... —
Macsen olhou ao redor e então ao olhar para Blake seu olhar parou e ele sorriu.
— O guarda prodígio, seu cunhadinho... — ele falou olhando para Lauren.
A
cadeira que Lauren estava de frente para Jeremy foi mudada de lugar, ela estava
até o momento de frente com o garoto morto, quando colocaram ela na frente de
Blake vi que sua roupa estava cheia de sangue e ela estava chorando.
—
Então... E agora? Vai me dar a coroa ou vai me deixar matar seu cunhadinho? —
Macsen perguntou e olhar de Lauren era desesperador.
—
Aguente firme majestade. — Blake falou para Lauren a olhando. — Eu não tenho
medo. — Ele olhou para Derek. — Eu te amo irmão e nunca poderia estar mais
orgulhoso do que você se tornou como estou.
—
Que comovente... — Macsen respondeu. — Mas essa é sua ultima chance de salvar o
seu cunhadinho.
Lauren
mexeu os lábios dizendo algo para Blake que nenhum de nós pode entender direito
e Blake apenas confirmou com a cabeça e sorriu para ela de forma
tranquilizadora, Lauren se ajeitou na cadeira e as sombras ficaram mais densas
ao seu redor.
— Rwy'n
Lauren brenhines cysgodion, Lucian yn penodi arweinydd yr helfa, fel fy olynydd
yn iawn ar gyfer y byd swyno os byddaf yn marw. — Lauren disse rapidamente
olhando para frente e tanto eu quanto Macsen e Ariel sabíamos exatamente o que
aquelas palavras significavam.
— O
que você pensa que está fazendo? — Macsen disse aos gritos.
—
Lucian, o líder da caça agora é o meu sucessor por direito. Você nunca
conseguirá colocar as mãos nele e nunca será o rei da Corte das Sombras, nem
depois que me matar, porque nunca conseguirá colocar as mãos nele. — Lauren
respondeu.
—
Tola! Eu nunca pensei em te matar. — Macsen respondeu furioso. — Você ainda tem
como me passar a coroa em vida e eu te convencerei. — Ele olhou para o guarda
atrás de Blake. — Mate-o! Agora!
Foram
segundos, Blake fechou os olhos, Derek não desviou o olhar e Blake olhou para
ele pela ultima vez, dando um sorriso calmo, a espada encostou no pescoço de
Blake e eu desviei o olhar no momento em que o barulho de Blake sendo
decapitado ecoou pelo local.
Mais
choros, agora não apenas das crianças, Seth chorava baixo, Derek chorava em
silêncio, e todos os choros foram abafados com o grito de dor da Lauren. O
corpo de Blake estava caído na cadeira sem vida e sua cabeça no chão.
—
Quem será o próximo Lauren? Qual será o seu limite? — Macsen perguntou com
raiva indicando mais uma das crianças para o guarda que levava a cadeira
de Lauren.
— Rue,
5 anos. Uma garota doce, seu sonho é ajudar os seres encantados, quer seguir o
lado da medicina. — Macsen falava para Lauren enquanto a cadeira era colocada
na frente da garotinha assustada e que chorava copiosamente. — Vai me dar a
coroa ou terei que mata-la Lauren?
O
guarda tinha acabado de colocar Lauren na frente da garotinha, quando em um
movimento rápido Lauren mexeu os braços, levando-as para cima fazendo com que
as correntes que estavam em seus braços envolvessem seu próprio pescoço e os
puxou para baixo, de forma que as correntes se cruzaram na parte de trás do seu
pescoço ela colocou os braços para frente, de forma que se ela puxasse os
braços se enforcaria. O ferro das correntes logo começou a queimar o seu
pescoço.
— Se
você machucar mais alguém eu me enforco. — Lauren disse olhando para Macsen e
uma fúria enorme estava em seu olhar. — Eu não tenho medo de morrer, isso é
ferro, eu nem preciso enrolar muito com isso aqui para se tornar fatal. Se eu
morrer, Lucian vai ser o rei, ele vai saber o que aconteceu comigo e tenho
certeza que ele e a caça se vingarão de cada coisa que você fez comigo, você
nunca terá o trono, nem você nem a mimadinha da sua filha.
—
Você não fará isso, você não tem coragem. — Macsen respondeu.
—
Solte todos ou todo o seu plano de me ter aqui terá ido por água abaixo. —
Lauren respondeu. — Você ainda pode me machucar ou ser mais convincente para me
convencer, mas se matar mais alguém, todo o plano para ter a Rainha da Corte
das Sombras aqui terá ido por água baixo. Eu sou fraca, eu nunca gostei desse
mundo, eu não conheço todos os segredos daqui e nem sou tão boa com luta ou uso
dos meus poderes, mas Lucian é bom, Lucian é treinado para lutar desde que
nasceu praticamente, ele não é o líder da caça a toa. Você não terá chance
nenhuma contra ele, nem você e nem os seus soldados.
—
Você está blefando. — Macsen disse e ele não parecia convencido disso.
—
Não estou, você sabe que somos incapazes de mentir. — Lauren respondeu. — Solte
todos agora!
Macsen
parecia querer ver até onde ela iria, pois nem mesmo se mexeu, mas Lauren não
estava para brincar, nenhum de nós estava, todos estavam preparados para morrer
pelo bem do mundo encantado, menos as crianças é claro, por isso ninguém dizia
nada, todos esperavam o momento que seriam a próxima vítima. Mas pelo visto a
próxima vítima seria realmente Lauren, ela puxou as mãos para baixo e ficou
visível que as correntes apertaram mais seu pescoço pois logo o rosto dela
ficou vermelho e ela parecia sufocar.
Savannah
e Derek olharam firme para Lauren, tenho certeza que qualquer um deles queriam
tira-la dali, afastar as correntes, mas assim como Lauren e eu, eles sabiam que
ninguém ali tinha nenhuma outra escolha.
—
Maldição! — Macsen gritou e fez um sinal rápido para seu guardas, o que estava
com Lauren a derrubou no chão.
O
guarda que estava comigo tirou a espada do meu pescoço, fechei os olhos me
preparando a morte e então senti uma pancada na cabeça, sangue e tudo apagou na
minha frente.
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