quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Novos capitulos


Capitulo XXXI
Savannah
Desde que fomos capturadas não sabíamos quanto tempo tinha se passado, não tínhamos a menor noção de hora e durante todo o tempo que estivemos presos, eles fizeram de tudo para que não soubéssemos quanto tempo estava passando, não existia uma rotina, até nosso próprio corpo se confundiu já que até isso Ariel e Macsen conseguiam controla-lo, já que as vezes estávamos bem alertas e segundos depois nossos corpo desabava de cansaço.
Apesar de todos estarem em celas separadas, conseguíamos saber os medos e horrores de todos ali, já que comum acordamos com gritos vindo das celas ao lado, os gritos eram mais constantes vindos da Fay e da Lauren e por mais que eu tivesse aprendido à gostar da Rainha da Luz, meu coração se apertava mais com os gritos da Lauren, me lembravam os gritos de Amélia quando essa acordava de um pesadelo, o que apenas me fazia me sentir pior por não poder acalma-la, por ser inútil ali.
Foram poucas as vezes que conseguíamos ver um ao outro e pude notar a diferença que cada um esbouçava com as torturas ali sofridas, apesar da aparência horrível Seth tinha um olhar sempre determinado, Derek desde a morte de Blake estava totalmente desolado, eu nunca o tinha visto assim. Fay tinha sempre um tom vermelho nos olhos de quem chora silenciosamente, mas ao mesmo tempo mantendo sua pose de rainha, já Lauren... Eu não a reconhecia, seu olhos estavam vazios, era como se ela não estivesse mesmo ali e ao seu redor era sempre possível ver claramente uma sombra escura, eu sabia que ela estava sendo dominada pelas sombras e me perguntava se quando saíssemos dali seria tarde demais para trazê-la de volta.
O tempo passava e eu me via definhar ali, eu era uma assassina, minha raça nascia preparada para aguentar as piores situações e eu via as minhas forças sendo esgotadas, os outros não estavam preparadas para isso, eu não sabia quanto tempo eu resistiria e muito menos quanto tempo resistiriam os demais, por vezes acreditei que nossa vida acabaria ali e se a vida das duas rainhas acabassem ali, provavelmente do mundo encantado e do mundo mortal também.
Mas então veio o resgate, parecia um sonho até o momento que Lauren não estava ali, foi quando a ideia de sairmos de lá sem ela se tornou um pesadelo, eu não abandonaria a filha de Amélia, eu não abandonaria a minha filha.
Assim que saí do castelo, eu queria voltar para lá e procurar por Lauren, mas como uma assassina eu sempre pensei em tudo o que poderia dar errado e sabia que estando saudável eu poderia acabar com qualquer um, porém na minha situação atual, eu provavelmente iria atrapalhar o plano dos solitários e da caçada e mais uma vez me senti imponente, eu sabia que não poderia entrar lá e resgatar Lauren como eu queria, mas não iria sair dali sem ela, por isso aguardei junto com Derek, não sabia qual era os planos dele, mas se por acaso a Caça fosse embora sem Lauren, eu entraria ali em uma missão suicida, mas eu não iria sair do castelo sem Lauren, mas que isso significasse nunca mais sair dali.
Passou um tempo, que era uma eternidade, quando finalmente pessoas começaram a sair do castelo, foi quando vi que parte dessas pessoas era a caça e alguns solitários, dois membros da caça se aproximaram de mim e do Derek.
Temos que sair daqui. — Um deles falou.
Vamos ajuda-los. — O outro completou
Aonde está Lauren? — Derek perguntou.
Mas não esperamos pela resposta, vimos Lucian carregando Lauren desacordada no colo e corremos na direção dele.
Ela está viva, mas precisamos correr para o castelo para ela ficar bem, agora vão com Donaghy e Drew, não me façam ter que me preocupar com vocês dois. — Lucian respondeu antes mesmo que eu ou Derek perguntasse alguma coisa.
Aquela foi a primeira vez em muito tempo que vi Lauren na claridade e pude vê-la por um bom tempo, ela tinha marcas de queimadura, estava extremamente magra e mesmo desacordada parecia estar sofrendo, eu iria me recuperar e eu mesma mataria Macsen, Declan e Ariel.
Drew me ajudou pelo caminho, se oferecendo me carregar pelo caminho, o que recusei nas primeiras vezes, eu iria correndo, eu estava bem para isso, Derek recusara a ajuda de Donaghy também e isso acabou fazendo com que nós quatro ficássemos para trás, apenas aceitamos ser carregados por eles quando depois de muito tempo um deles usou um argumento válido.
Se nos deixarem carregar vocês, iremos mais rápido e logo poderão saber como estão a rainha. — Foi Drew que deu essa sugestão e vimos que ele estava certo, baixamos nossas guardas e deixamos que eles nos levassem.
Realmente demoramos um tempo muito menor para conseguirmos percorrer o resto do percurso e então chegamos no castelo da luz. Por motivos óbvios eu nunca tinha estado lá e por isso não pude deixar de admirar suas diferenças do castelo atual e do antigo castelo das sombras.
Mesmo depois de abandonado por tantos anos, o castelo da luz mantinha um grande jardim florido, ele era todo branco e só de entrar no mesmo senti um pouco de paz momentânea, Lucian estava logo no saguão de entrada à nossa espera.
Lauren e Fay estão sendo medicadas assim como Seth. — Lucian disse quando nos viu. — Vocês também serão cuidados e medicados, devem descansar agora.
Ela está bem? — Perguntei, eu sabia que Fay estava bem dentro do possível, ela estava acordada quando saímos do castelo e apesar de bem fraca conseguia falar e ficar de pé, já Lauren eu não sabia.
Ela está viva e é isso que importa. — Lucian respondeu. — Está protegida agora e sendo cuidada, se ela sobreviveu esse tempo todo, sobreviverá agora. Os dois precisam ser cuidados e descansar. — Ele suspirou. — Olha, eu sei que é difícil, mas entenda, precisamos de vocês e quando Lauren acordar ela precisará também, por isso vão descansar pelo menos essa noite.
Eu quero ficar com ela. — Derek disse. — Eu preciso ficar com ela, ela também vai precisar disso, quando ela acordar não vai saber o que está acontecendo, passamos todo esse tempo separados, cada um sofrendo sozinho em sua cela, agora estamos livres, deixe que fiquemos juntos, eu não vou fazer nenhuma outra objeção, mas todas as noites escutei Lauren gritar durante os sonhos, gritos de dor, medo e tristeza, nunca pude fazer nada, eu quero que ela saiba que está segura, caso acorde gritando e acalma-la.
Tudo bem, se isso fizer você e ela ficarem bem... — Lucian respondeu. — Eu não sei o que aconteceu Derek, apenas sei que ela me nomeou seu herdeiro de trono e para ela ter feito isso... Eu quero apenas que vocês fiquem bem. — Lucian me olhou. — Vou providenciar para que vocês fiquem juntos, se quiser posso coloca-la no quarto também Savannah. — Eu confirmei com a cabeça — Tudo bem, apenas vou pedir para que deixem examina-los antes.
Lucian nos levou até uma área hospitalar onde tinham roupas limpas nos esperando, tomamos banhos, alguns dos solitários nos examinaram e então fomos medicados, fizeram curativos e então nos levaram para um quarto onde Lauren estava deitada em uma cama, tinha uma cama igual a dela vazia e uma cama de armar tinha sido colocada lá também.
Derek foi direto para o lado da Lauren, se abaixando ao lado da cama dela e pegando em uma das suas mãos, eu a olhei por um tempo, curativos cobriam quase todo seu corpo e ela havia sido ligada à algumas máquinas que a monitoravam e lhe davam medicamentos.
Você acha que ela ficará bem? — Derek me perguntou, pude ver a tristeza em seus olhos.
Ela nunca será como antes Derek. — Eu o respondi. — Não tem como ser, não depois de tudo. Nenhum de nós será como antes. Mas isso não quer dizer que ela não vai ficar bem... Talvez não fique 100% bem, mas ela é igual a mãe, forte. — Eu o olhei. — Amélia foi estuprada diversas vezes pelo rei e apesar de todos os pesadelos, era ela a me confortar às vezes, apesar da dor e da humilhação ao saber que estava grávida nunca deixou de amar Lauren. Um pouco antes de eu a matar, nos segundos antes de eu perder a consciência, eu não vi medo nela e escutei ela dizendo “cuide da nossa filha”, ela sabia que ia morrer, mas não teve medo, nem nessa hora demonstrou fraqueza... Lauren é assim, então mesmo que ela não fique totalmente recuperada eu sei que ela ficará bem, assim como você, assim como eu, como Fay e como Seth.
Nenhum de nós ficaria bem, eu sabia que certas marcas seriam para sempre, mas Lucian tinham razão e o que ele disse não se aplicava apenas à Lauren, mas à todos nós, se tínhamos sobrevivido à todas as torturas, iriamos ficar bem no final das contas.
Apesar do cansaço, nem eu e nem Derek queríamos dormir, queríamos garantir que Lauren ficaria bem, por isso escolhemos revezar, um dormia enquanto o outro ficava de olho para ver se ela estava bem, depois trocávamos, começamos a ficar de olho na hora e conversar com alguns solitários que apareciam no quarto para nos ajudar, ver se estávamos bem, coisas assim, descobrimos que passamos meses presos, descobri também que existia um grande sistema de segurança feito no castelo pela caça, além da segurança padrão do castelo.
No dia seguinte ao que chegamos, Fay foi ao quarto ver Lauren que ainda não tinha acordado, Seth também estava desacordado, mas ele havia sido induzido à isso por medicamentos, por ser mortal sua recuperação era mais lenta e ele estava muito mal, Bree às vezes ficava lá com ele.
Fay ficou conosco o dia inteiro e acabou adormecendo em uma das camas, como eu e Derek revezávamos o sono, uma das camas estava sobrando mesmo, então não teve problemas de ela ficar por lá.
Durante quatro dias Lauren ficou desacordada, à essa altura Fay se revezava entre nosso quarto e o quarto em que Seth ainda dormia e foi apenas no quarto dia que Lauren acordou, era final da tarde, turno do Derek, mas o grito que deu ao acordar, me acordou também.

Capitulo XXXII
Lauren
Nem nos meus piores pesadelos eu poderia imaginar as coisas que foram feitas nos últimos meses, me machucavam mais pela diversão deles, pois eles sabiam que não seria assim que eu iria ceder, confesso que de certa forma era um pouco aliviante quando eu me via sozinha na sala, sem vidros para ver a sala seguinte, pois eu sabia que quando eu estava sozinha seria apenas a mim que eles iriam torturar, sempre tentava me segurar, segurar meu grito de dor até o fim, tentando ser forte, não demonstraria a eles e na maioria das vezes conseguia resistir quase até o fim, nenhum machucado, nenhum soco, nem mesmo o ferro doía tanto quanto ver alguém ser torturado na minha frente, não importava se eu conhecia ou não a vítima, todos tinham o mesmo olhar desesperado, o olhar que me acompanharia durante toda a minha vida.
Eu vi homens, mulheres, crianças e idosos sendo torturados e mortos na minha frente, todos desconhecidos, exceto um, após a morte de Blake eles me levaram para uma sala com Dial, o torturaram até que ele morresse, eu não fazia ideia de como contaria isso para Math, de como olharia nos olhos dele e falaria que seu pai tinha morrido, bem, talvez seria menos difícil do que olhar para Derek após Blake ser decapitado na minha frente e eu não ter feito nada.
Eu não tinha matado ninguém, nem mesmo ferido qualquer um deles, mas carregava em mim a morte de todos, sabia que cada uma daquelas vidas que foram brutalmente ceifadas eram responsabilidade minha e por isso carregava cada grito, cada choro comigo, carregaria para sempre.
Talvez fosse mais fácil eu aceitar abrir mão do reino, talvez fosse mais fácil eu acabar com minha vida e deixar para Lucian essa responsabilidade, mas se eu fizesse isso, a vida de todos aqueles que morreram na batalha ou morreram sendo torturados para que eu aceitasse o acordo de Macsen, teria sido em vão. Eu não podia desistir, por Blake, por Dial, por Jeremy, por muitos outros e principalmente por minha mãe.
A única coisa que me manteve ali forte inicialmente foi lembrar dos bons momentos, dos momentos que me sentia segura com Derek, mas desde a morte de Blake, eu não conseguia pensar assim, porque pensar em Derek me lembrava da decapitação e do olhar de Derek, eu era a culpada pela morte do irmão dele, ele nunca me perdoaria.
Foi então que eu tive que recorrer para mim mesma, não para uma lembrança mas para um desejo, o desejo de conseguir escapar, o desejo de fazer Ariel e Macsen passarem por tudo o que eu passei, um desejo de vingança, que me alimentava cada vez mais e me fazia me sentir mais forte para tudo o que eu teria que passar.
A cada soco, a cada grito, eu imaginava o momento em que os faria sentir tudo aquilo e foi esse pensamento que me manteve viva, que me manteve sã para quando eu saísse do castelo, não sei como sairia, mas eu sairia, me fortaleceria e acabaria com Macsen e Ariel.
Enquanto acordada eu era agredida e culpada pela morte de inocentes, enquanto dormia, eu tinha pesadelos, revivendo as coisas que tinham acontecido, mas de todos os pesadelos os piores era sempre os que envolviam Derek e Blake.
Fui acordada por Declan e sabia o que estava por vir, ou eu veria alguém ser torturado ou eu seria torturada, respirei fundo me preparando para os dois, me refugiando dentro de mim enquanto Declan me puxava pelo corredor, escadas que eu não via devido o capuz na minha cabeça, até que paramos minhas mãos foram soltas e eu fui empurrada para frente, escutando uma porta ser trancada atrás de mim.
Caí no chão, foi quando o capuz caiu da minha cabeça, eu me levantei sem saber o que estava por vir, eles nunca me soltavam, foi quando me vi em uma sala mal iluminada como o corredor das celas e a minha frente duas pessoas, uma abaixada e a outra pessoa deitada, quando olhei melhor na direção da pessoa abaixada o reconheci mesmo de costas, era Derek e na sua frente deitado era o corpo de Blake.
Levei a mão ao rosto segurando um soluço na mesma hora e senti meus olhos se encherem de lágrimas.
- Derek... - Eu o chamei baixinho.
- Sai daqui sua assassina. - Ele gritou para mim e sua voz demonstrava toda a dor que ele estava sentido.
- Derek... Por favor... Me perdoe... - Eu o pedi.
- Você matou meu irmão!!!! - Ele gritou comigo se levantando e vindo na minha direção. - Sua ambição de ser rainha matou meu único irmão e ele traiu ao rei para te salvar!
- Não foi por isso Derek, você sabe que eu nunca quis isso. - Eu falei com voz de choro incapaz de me mover.
- Eu não sei mais se conheço você, a Lauren por quem eu daria a minha vida nunca deixaria ninguém se machucar. - Derek continuou avançando em minha direção e então puxa uma espada que eu não vi que ele tinha e estava em uma bainha em sua cintura. - Talvez a Lauren que eu conheci não exista mais e essa aqui deva ser morta. - Ele disse apontando a espada para mim.
- Apenas um de vocês sairá vivo daí. - Escutei a voz de Ariel vindo das caixas de som da sala. - E se ficarem conversando nenhum dos dois sai.
- Porque você não me mata como fez com meu irmão? - Derek perguntou e ele tinha ódio no olhar.
- Eu te amo Derek... E você sabe que não fui eu que matei Blake... - Eu não tinha medo de morrer se fosse necessário, eu não mataria Derek então não sairia viva dali, eu só queria o perdão dele.
- Então diga que a morte do meu irmão não foi responsabilidade minha... Diga! - Derek pediu, mas eu não conseguia dizer, a morte de Blake foi minha responsabilidade. - Eu sabia... Eu não terei pena em te matar... - Ele falou de forma ameaçadora ainda com a espada apontada para mim.
- Então me mate. - Eu o pedi e me ajoelhei na frente dele, não demonstrando resistência. - Apenas me perdoe pelo o que aconteceu.
- Te vejo no inferno. - Foi a ultima coisa que Derek falou.
Mas antes que Derek me matasse apenas pude ver o brilhar de uma espada passando pelo pescoço dele e sua cabeça caindo em cima de mim.
- Não... Derek não... - Eu comecei a gritar e chorar, vendo o corpo dele desabar e Declan aparecendo atrás dele com a espada ensanguentada. - Não!!!!!!!!
E então tudo se desfez na minha frente, abri os olhos assustada olhando ao redor, tentando entender aonde eu estava, não mais estava na minha cela, eu estava em um quarto com algumas coisas presas em mim, Derek e Savannah ao meu lado e minha respiração acelerada.
Demorei um tempo para entender que tinha apenas tido mais um pesadelo, um tempo maior ainda para tentar me localizar e chegar a conclusão que eu provavelmente estava sonhando novamente, pois ali ao meu lado estava Derek e Savannah e eu estava em um lugar diferente, um quarto que eu nunca vi, deitada em uma cama.
- Lauren... Está tudo bem? - Derek me perguntou com aquele olhar preocupado e eu não sabia o quanto ele me odiava por ser a responsável pela morte do irmão dele, mas aquela preocupação comigo em seu olhar, eu sabia que nunca mais veria, então só podia ser um sonho.
- Isso não é verdade... É apenas um sonho... - Eu disse para mim, mas segurando a mão dele,eu queria sentir o contato dele, o calor da sua mão.
- Foi apenas um pesadelo... Calma. - Derek disse se aproximando de mim, foi quando notei todos os fios à minha volta, ele se sentou ao meu lado e mesmo eu sabendo que era apenas um sonho eu me aproximei dele, deitando minha cabeça em sua perna e estiquei a mão para Savannah segurando na mão dela.
- Eu sei que é apenas um sonho... Mas vocês parecem tão reais... - Eu disse. - Eu nunca sonhei com algo tão real assim... Mas eu quero sonhar e fingir que isso é real só mais um pouco para eu lembrar como é.
- Filha... O que você sonhou antes era um pesadelo... Isso é real. - Savannah disse de forma doce.
- Não é... Estamos presos... Eu sei disso... - Eu disse. - Eu sei que em breve vão me acordar e eu estarei de novo sozinha na cela, mas por enquanto, deixa eu fingir que estou com vocês.
- Isso não é fingimento. Nós estamos aqui... Fomos resgatados... Vamos ficar bem, você vai ficar bem. - Escutei a voz de Derek.
Eu pensei em dizer que se aquilo fosse mesmo verdade, Derek não estaria assim comigo, ele estaria irritado, chateado, mas não carinhoso, mas preferi não dizer, vai que o Derek do meu sonho acabasse se lembrando disso, era melhor ele não se lembrar do que aconteceu, pelo menos por enquanto.
Mas eu não acordei, em nenhum momento, mesmo que nós três estivessemos em silêncio, eles não sumiram simplesmente do sonho, nem mesmo Blake apareceu bem ali, dizem que quando temos noção de que estamos sonhando podemos moldar nossos sonhos e eu tentei moda-lo para que Blake estivesse vivo e aparecesse ali, mas nada, a única pessoa que apareceu foi Fay e quando me viu acordada pareceu feliz de verdade, ela estava extremamente magra, como eu me lembrava e tinha várias bandagens, mas estava com roupas limpas, simples, porém além das marcas que simbolizavam que ela era a rainha, qualquer um que a visse com aquelas roupas conseguiria saber que ela era uma rainha, ela havia nascido para isso e mesmo cansada, machucada, fraca ela ainda parecia brilhar.
Foi então que aos poucos eu comecei a perceber que aquilo era real, eu não estava sonhando, tínhamos sido resgatados, Fay e Savannah me contaram o que aconteceu e eu chorei de alivio ao saber que não mais veria pessoas morrendo por minha causa e eu sem poder fazer nada, agora eu estava livre, Derek permaneceu o tempo todo calado e apesar de o tempo todo ele ter ficado junto de mim, fazendo carinho em mim eu acreditava que ele deveria estar com raiva de mim, não sei porque, ele não demonstrava isso, eu apenas sentia isso.
Apesar da preocupação de todos ali, eu sentia também um certo receio vindo deles, eles pareciam esconder algo ou com medo de algo, mas eu já tinha tido muitas informações e me perguntava se eles já sabiam de quantas pessoas haviam morrido por minha causa, foi quando me lembrei de Dial.
- Math veio também? - Perguntei
- Sim, foi ele que me trouxe. - Fay respondeu.
- Eu quero vê-lo... - Respondi me levantando da cama.
- Eu o chamo aqui. - Fay respondeu de forma cuidadosa. - É melhor você ficar deitada.
- Fay... Sobrevivemos à coisas horríveis sem nenhum equipamento desse para ficarmos vivas. - Comecei a dizer. - Eu não vou morrer agora em segurança em um castelo por procurar uma pessoa.
- Eu só me preocupo com você. - Fay disse levemente magoada.
- Eu sei... E eu com você – Respondi. - Pelo o que me disseram, eu estou à 4 dias deitada descansado e você não. - Continuei. - Eu estou melhor do que você provavelmente, é por isso que não é justo eu ficar aqui enquanto você anda pelo castelo a procura de Math.
- Mas você não conhece as coisas aqui... - Fay disse.
- Deixe um de nós ir com você Lauren. - Savannah disse. - Você acabou de acordar, não conhece nada aqui, só por precaução.
- Okay... Então, você pode ir comigo Fay? - Perguntei à ela, eu e Fay nunca fomos muito próximas e como eu não queria muito conversar com ninguém, seria uma ótima companhia.
Fay deu um sorriso e confirmou com a cabeça, sugeriram que eu esperasse alguém para tirar aqueles fios todos ligados à mim, mas eu mesmo os tirei, queria andar com meus próprios pés para onde eu quisesse logo.
Fay começou a andar comigo, passamos por corredores e ela me indicou onde ela estava e onde Seth estava, para caso eu precisasse, me indicou também a enfermaria, caso eu me sentisse mal, fazendo um pequeno tour comigo pelo castelo, sem me perguntar sobre nada, sobre o porque na minha urgência em ver Math.
- Esse era o castelo da corte da luz, antes da unificação entre as duas cortes, provavelmente foi aqui que minha mãe cresceu. - Ela completou. - Eu nunca tinha vindo para cá antes, mas não tenho muito o que fazer por enquanto e nas coisas da minha mãe tinha um mapa do castelo que eu decorei quando era mais nova, por isso se precisar de algo, é só me falar.
- Eu preciso, mas não de algo do castelo. - Eu disse, ainda não sabia como contar à Math sobre a morte de seu pai. - Dial foi morto... Como eu conto isso para o Math.
Eu sabia que eu tinha sido fria, sabia que aquilo não era uma simples conversa casual e sabia que Fay sentiria sobre a morte de Dial, mas precisava saber como contar isso à ele. Não me surpreendi quando Fay parou.
- O que? Dial... Como? - Fay me perguntou.
- É melhor você não saber... - Eu a respondi. - Eu não queria nem mesmo contar isso para ele, porém é necessário.
Fay ficou muda por um tempo talvez ainda sentindo a morte de Dial, mas logo se recompôs.
- É comum soldados morrerem e o rei ou a rainha tem que dar a noticia aos familiares, por isso eu tive aula disso. - Fay respondeu. - Você tem que ser forte e saber que vai precisar amparar os familiares. - Ela começou a dizer como se falasse algo que tinha decorado. - Então você dirá sobre os valores do soldado, como ele foi bravo em batalha e que sua memória será honrada para sempre na mente daqueles que sobreviveram com seu sacrifício.
- Dial não era um soldado desconhecido e Math não é um familiar qualquer. - Eu respondi. - Não posso falar assim com ele.
- Eu não sei... - Fay se demonstrava abalada com a noticia. - Eu não sei Lauren... Apenas seja forte porque Math vai precisar de você... Ele ao nos encontrar quis procurar por Dial. Você quer que eu vá com você?
- Não... A morte dele foi culpa minha... - Eu disse de forma determinada. - Eu tenho que falar com ele, eu preciso me desculpar por ele.
- Eu tenho certeza que isso não é verdade, que a morte dele não foi sua culpa. - Fay respondeu. - Mas se você precisa do perdão dele... Eu te apoio... - Ela respondeu parando em um corredor cheio de quartos. - Esse é o quarto dele, ele deve estar aí ou já deve estar vindo para cá.
Bati a porta do quarto e a voz de Math pedindo para esperar me gelou a espinha, agora era hora de encarar a consequência da morte de Dial.
- Você quer que eu espere aqui? - Fay me perguntou.
- Não.... Está tudo bem... - Eu respondi. - Eu não sei quanto tempo irei demorar e decorei o caminho, se eu me perder será de propósito.
- Tudo bem. - Fay respondeu e então a porta abriu.
Math pelo visto tinha saído do banho pois estava com o cabelo molhado e quando me viu me deu um grande sorriso feliz em me ver, aquilo apertou meu coração.
- Lauren!!! Você acordou!!! Está bem. - Ele disse realmente feliz por isso.
- Math... Precisamos conversar. - Eu disse de forma séria e na mesma hora aquele lampejo de felicidade pareceu ir embora, com um olhar preocupado Math me disse para entrar, eu respirei fundo e me mantive forte.
Eu ia dizer ao garoto que abriu mundo de viver no castelo do mundo encantado para viver no mundo mortal com seu pai, que o pai que ele tanto amava estava morto.

Capitulo XXXIII
Fay
Foi quase como um sonho quando finalmente deixamos o castelo e a prisão para trás, eu ainda não tinha sido informada das baixas que tivemos, não queriam me preocupar. Apesar de me sentir fraca e cansada a maior parte do tempo eu evitava ao máximo ficar em meu quarto sozinha, além de querer finalmente conhecer o castelo por onde minha mãe cresceu, eu já tinha ficado tempo demais sozinha.
Inicialmente passei mais tempo no quarto de Seth que estava desacordado devido as medicações, mas ficar ali me fazia sentir tão sozinha quanto antes e o pior, me sentir péssima por não poder ajudar o Seth, ele era sempre tão corajoso, bravo, determinado e agora estava ali tão indefeso e vulnerável, eu não conseguia ver Seth daquele jeito, era como se não fosse ele, fosse alguém muito parecido com ele, mas não ele.
Bree as vezes entrava no quarto e eu não sabia bem a situação deles, mas os deixava a sós e ia ver como estava Derek, Savannah, Lauren e os demais, tentando fazer algo para não pirar, para não deixar as lembranças do ocorrido tomarem conta de mim.
Lauren tinha acordado e isso era bom, ela já estava se recuperando, todos nós estavamos, apenas Seth que ainda não tinha acordado, mas por ele ser mortal, era de se esperar que tivesse uma recuperação mais lenta, mesmo assim a demora dele em acordar era preocupante.
Assim que deixei Lauren com Math eu pensei em voltar para algum dos quartos e ler um pouco um diário que eu tinha achado da minha mãe no quarto que ela ocupava, estava escondido em tábuas soltas no assoalho, sabia que era errado ler o diário dela, mas aquela era a única forma de conhecer mesmo a minha mãe.
Fui até meu quarto, peguei o diário da minha mãe e fui para o quarto de Seth, eu sabia que tinha equipamentos monitorando ele, mas não queria deixá-lo sozinho e diferente de mim, Bree andava ocupada na maioria das vezes, na verdade Lucian tinha dado tarefas à todos, menos à nos que fomos resgatados, ele dizia o tempo todo que precisávamos descansar.
Quando eu cheguei no quarto Bree estava na poltrona ao lado da cama do Seth e parecia ter adormecido, peguei uma coberta e fui colocar nela, mas assim que Bree sentiu eu a cobrindo ela acordou imediatamente, parecendo assustada.
- Desculpa, eu não queria te acordar. - Disse para ela se acalmar.
Bree se acalmou e se ajeitou na poltrona se sentando, acordando, ela olhou ao redor procurando o relógio e se espreguiçou.
- Tudo bem, eu não queria ter dormido, devo ter pego no sono. - Ela disse. - Acho que está na hora de eu ir. - Ela falou se levantando.
Eu não era de conversar com Bree porque sabia que ela não gostava de mim, eu não queria forçar uma amizade que sei que não daria certo e eu sabia também o porque ela não gostava de mim, o mesmo motivo que me fazia me sentir afastada dela, tanto eu quanto ela éramos apaixonadas pelo mesmo garoto, Seth. Mas Bree tinha motivos para odiar o mundo encantado e odiar entrar lá, mas ela, mesmo livre, voltou ao mundo encantado, para salvar Seth e todos nós, sabendo que isso era arriscado. Deixei de lado meu orgulho e antes que ela saísse.
- Bree. - Eu a chamei e ela parou perto da porta. - Eu sei que você e eu nunca fomos próximas, nunca fomos amigas ou algo do tipo... Mas eu quero que você saiba que seu ato... De ter se arriscado para salvar a mim e aos outros, nunca será esquecido e quando tudo voltar ao normal, eu irei recompensa-la por ajudar o mundo encantado, então obrigada. - Eu não sabia como encontrar palavras para agradece-la, queria que ela soubesse que reconhecia tudo o que ela fez.
- Um simples obrigada, seria o suficiente. - Bree respondeu da onde estava e então fechou a porta e se aproximou de mim. - Eu não gosto de você Fay, nunca gostei e acho que nunca vou gostar. - Ela respondeu de forma fria e foi um choque para mim sua sinceridade. - Mas não porque você é uma má pessoa ou algo assim, exatamente pelo contrário, você é uma boa pessoa, foi uma boa princesa e será uma boa rainha não apenas para o seu povo mas para os mortais também e é isso que eu odeio em você. - Ela continuou. - Eu amo o Seth, sempre vou ama-lo, mas ele não me ama, não como ama você. - Senti meu rosto ficar quente nesse momento. - Eu pensei que se eu pudesse tê-lo para mim, só para mim, se ele fosse meu namorado que eu o faria me olhar da mesma forma que ele te olha, mas não... Quando se acha alguém que se ama de verdade, nada pode te fazer mudar.
Bree se aproximou de Seth e eu a olhei, ela tinha um enorme carinho por ele, isso era vísivel e Seth por ela e por isso eu tinha ciumes de ver os dois juntos, com medo de ela me rouba-lo. Bree se sentou do lado dele e acareciou o seu rosto, voltando a falar comigo.
- Ariel é terrível eu sempre soube e agora vocês sabem, eu sempre fui tratada como um lixo, algo desprezível por ela e pelo pai dela, enquanto tenho certeza que minha família a tratou bem quando fomos trocadas. - Bree falava com uma grande magoa. - Eu por um tempo me senti inferior à tudo e todos, eu não tinha nada, nem ninguém... Até conhecer bem Seth... Eu passei a não me importar mais com Ariel, Macsen ou qualquer outro, porque eu tinha o Seth, ele era um mortal como eu e eu queria ser corajosa, brava como ele. - Ela voltou a olhar para Seth. - Por isso quando comecei a perceber que você tinha algo dele que poderia fazê-lo se afastar de mim, eu a odiei, se você fosse como Ariel, seria fácil fazê-lo mudar de ideia e dizer “Você não pode gostar dela, ela é horrível, ela é má”, mas você não era e eu odiava isso, odiava perceber que você era a pessoa certa para ele, afinal você era uma princesa, você tinha tudo que quisesse, precisava roubar a única coisa que eu tinha?
Eu nunca havia pensado por esse lado, eu sabia que Ariel era má, mas confesso que não sabia o quão má ela era até eu estar nas mãos dela e por um momento me perguntei, de tudo o que nós passamos enquanto estávamos presos, o que ela já tinha feito com aqueles que serviam a ela?
- Eu pensei que quando se amava uma pessoa você precisava que essa pessoa estivesse sempre ao seu lado... - Bree continuou e se levantou. - Mas quando o amor é verdadeiro o que realmente se precisa é que a pessoa que você ama esteja bem, esteja feliz e Seth era mais feliz com você do que comigo e sempre será, você é o verdadeiro amor da vida dele, vocês tem que ficar juntos, uma corte que terá como rainha uma Fae sábia e bondosa e como rei um mortal corajoso e leal. É isso que o mundo encantado precisa. - Bree se aproximou de mim. - Eu te odeio porque você tem o que eu quero e é o que eu sonhei em ser, mas odeio mais Ariel, ela não pode ser rainha, eu sei disso, pelo bem do mundo encantado e pelo bem do mundo mortal, você e a Lauren tem que pegar o lugar que é de vocês por direito. Então destrua Ariel, tome o seu lugar e governe sendo você. Você deve isso à todos os que morreram para que você chegasse ao trono. - Bree disse de forma veroz. - E se quer realmente me recompensar por eu ter salvo a sua vida... Assim que Seth acordar fala o quanto você o ama, o quanto precisa dele, que não importa ele ser um mortal e você uma Fae, que o que vocês sentem um pelo outro é o que realmente importa e o faça feliz... Ou eu mesma venho tomar satisfações...
Eu fiquei sem palavras, nunca poderia esperar isso de Bree, na verdade eu nunca esperaria nem que ela tivesse me salvado, muito menos que ela falasse essas coisas, olhei para Seth na cama e apenas concordei com a cabeça.
- Quanto essa guerra acabar, nenhuma criatura encantada poderá menosprezar um mortal, Faes e mortais serão iguais e será um crime menosprezar alguém por sua raça. - Eu garanti. - Afinal se ganharmos essa guerra contra Ariel e Macsen será porque tivemos dois mortais corajosos dispostos à arriscar suas vidas pela segurança de milhares de criaturas encantadas.
Bree confirmou com a cabeça, disse “cuide bem dele” e saiu e eu sabia que provavelmente nunca me tornaria amiga de Bree, mas sabia que algo tinha mudado entre nós duas.
Fiquei ali com Seth o resto do dia e apesar de ele ainda não demonstrar que iria acordar, era possível ver as melhorias em seu estado de saúde, até mesmo seu rosto que inicialmente tinha um ar preocupado estava mais sereno, peguei o diário da minha mãe novamente e voltei a ler adormecendo um tempo depois sem perceber.

Capitulo XXXIIII
Derek
Um dia de cada vez, era assim que eu estava vivendo, tentando não pensar em Blake, tentando afasta-lo de qualquer sonho meu, preferia pensar que as coisas estavam sendo como antes, quando eu e Blake tínhamos nos afastado e que ele estaria bem, só que em um mundo diferente do meu, o que não deixava de ser verdade, uma vez que os mortos vão para um outro mundo, onde só existe paz, com certeza Blake estava olhando por nós e com certeza ele ajudou os solitários e a caça à nos resgatar, não podia me preocupar com os mortos eu tinha que me preocupar com os vivos, tinha que me preocupar com Lauren e foi um alivio imenso quando ela acordou, acho que se perdesse Lauren também, eu não conseguiria seguir em frente.
Mas Lauren estava sendo alguém de poucas palavras, ela não falou muito, apenas escutou o que a gente disse e apesar de eu não ver mais uma sombra negra ao redor dela, ela estava introspectiva como antes, parecia querer se manter afastada de nós, principalmente de mim e isso me preocupou, sei que ela tinha passado por muitas coisas, mas se afastar de quem a ama e protege só iria piorar as coisas.
Lauren foi ver Math, não sabia o que ela queria com ele, ela não me deixou ir, foi com Fay, por um lado achei bom ela tentar aumentar a amizade com a irmã, mas por outro me senti chateado por ela não querer a minha presença, eu queria ter ido com ela, eu deveria ter ido, mas Savannah me impediu, dizendo que as vezes precisamos ficar sozinhos, porém quando eu vi Lauren voltar o seu olhar pesado e vermelho eu vi que nunca deveria tê-la deixado ir sozinha, todos nós tínhamos ficado tempo demais sozinhos, agora não era mais necessário isso.
Agora com Lauren acordada acabamos adormecendo todos no mesmo horário e no mesmo quarto, acordei algumas vezes a noite com resmungos dela como se Lauren tivesse tendo novos pesadelos e percebi que parecia mais fácil me aproximar dela e falar com ela com ela dormindo do que acordada, toda vez que a via se mexendo muito durante a noite eu a acalmava, assim até o dia amanhecer e o castelo começar a acordar.
Mas o dia seria agitado, já no café da manhã Lucian apareceu convocando à todos para uma reunião a tarde:
- Eu sei que você acabou de começar a se recuperar Lauren e os demais ainda estão em processo de recuperação, mas tenho certeza que assim como eu vocês entenderão que temos muito o que resolver e nosso tempo é curto. - Lucian se pronunciou. - Agora com vocês duas acordadas, podemos começar a planejar nosso ataque.
- É muito cedo para atacar o castelo agora. - Savannah respondeu.
- Não será agora, mas tenho um plano e para que o plano dê certo, precisaremos de tempo. - Lucian respondeu. - Nos falamos mais tarde, depois do almoço, na sala de reuniões.
E falando isso, ele se retirou, fazendo com que uma certa tensão voltasse ao ar. Nenhum de nós estava preparado ainda para qualquer tipo de ação, mas todos sabiam que não podiamos ficar ali para sempre.
Então durante a manhã Lauren continuou me evitando, eu não sabia o porque, falei com Savannah que disse que poderia ser apenas algum trauma que passou e para que eu desse um tempo para ela se recuperar mentalmente, era horrível me sentir totalmente impotente sem poder ajuda-la, principalmente porque eu havia falhado com ela, tentei me distrair, fazer algo, ser útil, apesar de não estar preparado para uma batalha, eu estava apto à realizar funções mais leves e eu precisava disso, precisava me manter ocupado, não apenas com o corpo, mas a mente ocupada.
Quando a tarde chegou todos se reuniram na sala de reunião, solitários e caça, todos que estavam bem o suficiente para sair de uma cama estavam por lá, os que estavam ainda desacordados foram transferidos para as macas da ala hospitalar para que apenas uma pessoa ficasse responsável por todos.
Os que estavam bem ficaram em pé ao redor da grande mesa da sala de reuniões e os que haviam se machucado no resgato ficaram sentados, assim que todos chegaram e se ajeitaram Lucian começou a reunião.
- Não podemos ficar aqui nesse castelo para sempre, ele oferece toda a segurança que precisamos, mas o mundo encantado precisa ficar seguro também. - Ele iniciou. - E ele precisa de nós. Tivemos algumas perdas mas não é hora para desanimar, todos que estavam conosco sabiam desde o começo que a morte estava a nossa espreita e tenho certeza que nenhum dos que morreram serão esquecidos, todos serão lembrados na história e nas músicas. - Nesse momento ele olhou para Adam que apesar de parecer bem machucado estava ali atento.
- Mas somos poucos. - Lauren disse. - O exército da Ariel é enorme, de criaturas encantadas à mortais e por mais que eu saiba que vocês são imbatíveis... Os demais não são.
- Não somos totalmente imbatíveis Lauren. - Lucian respondeu. - Sinto desaponta-la minha rainha, mas até a caça pode morrer em uma batalha, se não já teríamos invadido o castelo e matado todos por lá. - Lauren confirmou com a cabeça. - Mas podemos ter uma certa ajuda. - E ele olhou para Fay. - Majestade, precisamos de você para despertar os guerreiros da luz, eu odeio falar isso e pensar que um dia eu irei sugerir conseguir ajuda daqueles eruditos, mas até mesmo os Aelf podem ser úteis.
- Porque eu não pensei neles antes. - Fay falou. - É claro, estamos no castelo da luz, eles estão aqui e agora que eu sou a rainha, eu posso despertá-los.
- Okay... Alguém pode me explicar o que são esses Alef... Alfe... - Lauren falou tentando pronunciar o nome.
Eu tinha ouvido falar um pouco sobre os Aelf, eles eram a guarda de elite da luz, os únicos capazes de lutar de igual para igual contra a caça, apesar de não serem selvagens como a caça, eles eram bem estratégicos e ágeis e por isso eles eram tão mortais.
- Aelf é como se fosse a caça para a corte da luz. - Savannah começou a explicar. - Só que enquanto a caça vive solta pelo mundo em momentos de paz, os aelf ficam adormecidos e só podem ser acordados pelo rei ou rainha da corte da luz.
- Então seriamos nós, a caça e os aelf para lutar contra os soldados da Ariel. - Eu perguntei. - Você acha que será o suficiente?
- Provavelmente sim. - Lucian respondeu. - Mas essa não é uma guerra para entrarmos com um provavel, temos que ter certeza que iremos ganhar.
- E como iremos conseguir ter essa certeza? - Bianca, uma das solitárias perguntou.
- Indo até Avalon, chamando os Lycans e os Ellyllon, duvido muito que os frescos dos Ellyllon irão aceitar, mas tenho certeza que todos da minha raça vão topar na hora e se os Lycans se unirem à nós. - Lucian falou com um brilho no olhar. - Com certeza iremos ganhar sem ter muitas perdas.
- Mas é impossível chegar à Avalon. - Leticia respondeu.
- Eu vim de lá, não é impossível, é apenas muito difícil. - Lucian respondeu.- Iremos precisar do líder dos Aelf e de mim, além das duas rainhas. Os Finns estão ao nosso lado, precisaremos apenas de escolta até o mar e depois é com as nossas rainhas. - Lucian olhou para Fay e para Lauren que parecia perdida ali. - Só que não será nada fácil para vocês duas... Por isso precisam ter certeza que querem fazer isso.
- Qualquer coisa para salvar o mundo encantado. - Fay disse pesarosa, ela com certeza já sabia sobre tudo o que teria que passar para entrar em Avalon.
- Eu não faço ideia do que você falou, mas se você acha que essa galera aí irá nos ajudar... Então tudo bem. - Lauren respondeu, ela não fazia ideia do que estava se metendo, mas conhecendo-a como a conheço, Lauren não iria dizer não, mesmo sabendo que isso colocaria sua vida em perigo.
- Eu te explico tudo o que você precisa saber. - Lucian respondeu. - Fay, você sabe como acordar os Aelf?
- Mais ou menos... - Fay disse pensativa. - Eu aprendi isso... - Ela por um momento ficou concentrada e então sorriu. - Pode deixar, eu farei isso.
- Tudo bem, mas antes de deixa-los sair, os coloque a parte de tudo o que está acontecendo ou teremos problemas aqui. - Lucian disse. - Quanto aos demais, enquanto estivermos em Avalon, a caça irá treiná-los à lutar, estamos no mundo encantado, então conseguiremos fazer mais armas, qualquer um que já tenha entrado no castelo, deve procurar o Math que está fazendo o mapa do castelo, precisaremos saber de todas as passagens possíveis.
Lucian deu mais alguns avisos, sobre turnos de dormir, atualizações dos que estavam doentes e respondeu algumas perguntas, já tinha se passado algumas horas de reunião quando todos foram dispensados, na verdade quase todos.
- Derek e Lauren, vocês podem esperar um pouco por favor? - Ele pediu e eu concordei com a cabeça e Lauren também e depois que todos se retiraram Lucian fechou a porta. - Lauren eu sei que você tem muitas perguntas, eu vou te explicar tudo o que você precisa saber, pois preciso que você tenha certeza do que irá enfrentar.

Então Lucian começou a explicar sobre como o mundo encantado tinha surgido, sobre o surgimento dos Finns, seres que representavam as diferentes formas, o masculino e o feminino, morte, a anciã, a mãe e a donzela e por fim o mortal que era o único Finn que mudava. Foi deles que tudo foi criado, eles permaneceram na sua ilha onde inicialmente existiam apenas eles, os Lycans e os Ellyllon e então o primeiro mortal se relacionou com um Ellyllon tendo um filho e assim dando origem aos seres encantados.
E dos seres encantados teve a necessidade de criação de um lugar apenas para eles, que foi a ilha que crescia conforme a necessidade de caber mais seres encantados e até que se transformou em algo maior que Avalon, virando o mundo encantado.
Depois vieram os mortais e devido algumas guerras entre seres encantados e mortais, eles foram separados em mundos diferentes que existiam um dentro do outro e que precisavam um do outro para existir.
E foi com a diferença entre os Lycans e os Ellyllon que surgiram as cortes da luz e das sombras, os filhos de mortais com Ellyllon viravam seres da corte da luz e os mortais com Lycans seres das cortes das sombras, alguns Lycans resolveram viver no mundo encantado e receberam a marca da corte das sombras, isso enfraqueceu a corte da luz e por isso os Ellyllon mandaram guerreiros para proteger a corte da luz, foi assim que surgiram os Aelf e a Caça.
Lauren prestava atenção em toda a história e Lucian lhe explicou que Avalon era uma área sagrada e por isso não era fácil chegar lá, ali era o começo de tudo e por isso toda a proteção para entrar, você tinha que ser puro de coração e realmente querer ir para lá, por isso que só se podia chegar em Avalon sendo da realeza e com a ajuda do líder da Caça e dos Aelf, porém não era apenas isso o necessário, ao chegar em Avalon a única passagem para se entrar na ilha existia um grande espinheiro negro, que poderia assustar qualquer um, já que um espinheiro negro pode matar as pessoas, por isso os Finns o colocaram, apenas aqueles que não temiam a morte conseguiriam entrar lá.
- Então eu posso morrer tentando chegar lá? - Lauren perguntou.
- Antes que você morra, os Finns terão visto se seu coração é puro e se suas intenções são boas, se forem você conseguirá entrar em Avalon – Lucian respondeu. - Eles não vão te deixar morrer Lauren.
- Bem, não é como se tivessemos muitas escolhas. - Lauren respondeu. - Ou a gente aceita isso, ou o mundo encantado pode acabar. Tudo bem.
Apesar da voz de confiante eu notei medo no olhar de Lauren e uma certa decepção? Se Lucian não estivesse certo sobre tudo o que falou, se eu soubesse que existia outro modo faria ela na mesma hora dizer que não aceitava.
- Derek você foi destinado para tomar conta dela, então preciso saber se você está disposto à ir também. - Lucian me perguntou.
- Eu nunca vou deixar Lauren sozinha. - Eu o respondi e olhei para Lauren, esperando que ela entendesse aquilo, mas Lauren apenas olhou para baixo parecendo triste e envergonhada.
- Tudo bem, eu vou ajudar Fay agora. - Lucian respondeu. - Era só isso podem ir.
Lauren se levantou e eu também, mas assim que cruzamos a porta ela finalmente trocou uma frase direta comigo.
- Nós precisamos conversar, a sós. - Ela disse.
- Eu conheço um lugar... Vamos – Eu a respondi preocupado e então a levei para um dos quartos que eu sabia que estava vazio, pois tinha entrado lá por engano logo que chegamos ao castelo.