Capitulo
XXI
Fay
Sinceramente?
Eu não sabia dizer o que era pior, a escuridão, o frio, o longo
tempo naquela cela ou o medo do que estava por acontecer e nem o que
estava acontecendo com os seres do meu reino, eu só sabia que me
sentia incrivelmente inquieta e estava em um espaço limitado, me
sentia sufocada por aquelas paredes, me sentia sozinha. Dias, horas,
minutos, não sabia dizer quanto tempo havia se passado, eu apenas
sentia meu estomago pedir por comida ao mesmo tempo que sentia um
cansaço enorme, apesar de não conseguir dormir.
Um
pouco antes haviam passado nas celas e deixaram um pouco de comida
para mim, provavelmente para os outros também, mas a quantidade que
recebi era incrivelmente baixa, apenas me deixou com mais fome ainda,
mas eu tentava à todo custo me mostrar forte, me mostrar bem,
principalmente com as perguntas constantes de Seth e Blake.
Muitas
vezes escutamos passos do lado de fora e portas sendo abertas,
algumas vezes era puro blefe, outros eles levavam Derek, Savannah,
Blake e Seth com eles, nem eu e nem Lauren sabiamos o que era feito
com eles quando levados para fora, porém todos voltavam
desacordados. Portanto a cada vez que escutavamos passos após esses
sumirem verificavámos quem estava por lá.
Eu
não sei os demais, mas todas as vezes que eu escutava os passos eu
ficava na posição que Declan havia nos orientado e pela falta de
gritos, eu podia concluir que os demais também agiram daquela forma.
Então
os passos foram escutados novamente e eu me coloquei na posição
demonstrando que iria cooperar, uma outra cela foi aberta e então
alguém foi tirado dessa, assim que os passos se afastaram
demonstrando que quem quer que tinha entrado havia se afastado,
começou a “contagem”
— Fay
ainda aqui. — Eu fui a primeira, escutando a confirmação de
Lauren, Savannah, Derek e Blake. — Levaram o Seth... — Falei
concluindo o que todos já sabiam.
Passos então se aproximaram de novo, não podiam estar trazendo
Seth, eles sempre demoravam um pouco quando levavam alguém, voltei à
posição segundos antes da minha cela abrir.
— Fay...
— Escutei a voz de Declan e olhei para ele com ódio. — Nunca
pensei que te veria assim, ajoelhada diante de mim... Princesinha...
— Ele soltou as últimas palavras com desdém.
Eu
não o respondi, dois guardas entraram e seguraram meus braços com
uma certa força, olhei para eles, guardas que trabalhavam para o meu
pai, que juraram lealdade e agora eu não era nada mais que uma
prisioneira em suas mãos.
“Enquanto
estiver viva, você sempre será a única rainha da Corte da Luz.
Independente do que aconteça, sempre se porte como tal.”
Eu
me lembrava das palavras do meu pai, o ensinamento que ele me deu e
por isso não me deixaria abater pela forma que estava sendo
carregada, mantive a postura de uma rainha, eu não poderia me
mostrar fraca, não agora. Custe o que custar.
Colocaram
luvas em minhas mãos e uma venda no meu rosto, tentei manter a
postura até chegar no local onde estavam me levando que após eu
chegar e ser presa em uma cadeira, tiraram a minha venda e eu pude
ver que era a sala de interrogatório, sim, eu conhecia aquela sala e
o seu funcionamento, nunca a tinha usado, mas já tinha ido lá
conhece-la, aquele era o meu castelo e eu o conhecia bem.
— Tenho
certeza que sabe onde está e sabe o que irá ver não é mesmo
querida prima? — Escutei a voz de Ariel entrando na sala e nada
respondi. — É com a sua irmãzinha bastarda eu tiver que explicar
mais, mas para você creio que isso será desnecessário. Você sabe
como essa sala funciona.
— O
que você quer de mim Ariel? Você sabe que não pertence à Corte da
Luz, nunca poderia se tornar a rainha dessa corte, nem se eu lhe
desse isso. — Comecei a falar em um tom de voz calmo.
— Eu
sei bem dessas regras chatas. — Ariel respondeu. — Mas já pensei
nisso, não quero sua corte patética, eu quero a minha corte, a
corte das sombras, convença sua irmã à me dar o trono, vamos
voltar à dividir as duas cortes e será cada um por si.
— Ninguém
conseguirá convencer Lauren disso. — Respondi. — E eu nunca
aceitaria a divisão das cortes novamente, chega de guerras.
— Imaginei
que seu lado pacifico falaria sobre isso e é uma pena que não saiba
convencer a sua irmã. — Ariel começou a responder. — Mas eu
tenho dois presentes para você, espero que talvez isso possa
convence-la.
E
então como previ as salas ao lado da minha tinham pessoas que foram
reveladas quando os espelhos se transormaram em vidro, em uma das
salas tinha Seth, ele estava extremamente machucado, era a primeira
vez que eu o via desde o mundo mortal. Na outra estava Aril, minha
ama, ela estava terrívelmente assustada.
— Não
é tão divertido brincar com os preciosos da Lauren pois ambos são
criaturas
mágicas
e foram treinados para suportar torturas, mas os seus... Uma doce
senhora assustada e um mortal, vai ser divertido... — Ariel falou
observando as caras que eu fazia. — Vai ser um prazer tortura seu
mortal... Pena que mortais são tão frágeis.
— Ariel,
não por favor. Eu não posso fazer isso, você sabe que eu não
posso. — Eu falei desesperadamente tentando me soltar mas Ariel não
quis saber disso e então eu vi Declan entrando na sala que Seth
estava.
Seth
olhava friamente para frente, nem mesmo mexeu a cabeça quando a
porta abriu, ele provavelmente sabia como funcionava a sala e seus
olhos estavam ficados abaixo do vidro, de forma que eu não conseguia
ver seus olhos, não podia ver se ele estava com medo, que ideia, com
certeza estava, eu estava com medo.
A
cadeira de Seth foi virada para que ele ficasse em um ângulo em que
mesmo com Declan possiocionado na frente dele, eu ainda pudesse ver
Seth e pudesse ver o soco que Declan deu nele, fazendo com que o
rosto de Seth virasse na minha direção onde ele cuspiu sangue.
Provavelmente se Seth não estivesse preso à uma cadeira teria caido
dessa no momento do soco.
Seth
não reclamou, ele pareceu meio conturbado, piscou os olhos e voltou
à olhar para frente, voltando a posição anterior e então os socos
de Declan se repetiram mais uma vez e outra e outra, eu estava
segurando forte em minha cadeira com a respiração acelerada, o que
eu mais queria agora era chegar lá e me colocar na frente de Declan,
proteger aquele que sempre me protegeu.
— Tantos
anos protegendo sua princesinha para agora ela lhe virar as costas,
finalmente ela entendeu que você é um mortal desprezível. —
Escutei Declan falando com Seth que parecia não se aguentar
acordado. — Ela está vendo tudo, pede para ela te salvar.
Seth
não respondeu nada Declan virou a cadeira de Seth fazendo-o ficar de
frente para mim e o arrastou
até o vidro.
— Sua
doce princesinha está confortavelmente sentada ali do outro lado e
está deixando eu fazer isso tudo. — Ele falou. — Ela só precisa
aceitar os pedidos de Ariel e simplesmente isso tudo acaba, diga para
ela aceitar.
Seth
olhou para mim, seus olhos estavam vermelhos, Ariel
parecia me observar mas eu não ligava para ela, meu maior desejo era
deixar tudo o que aconteceu de lado e cuidar de Seth, ele fazia uma
cara de que estava bem, mas seus olhos, esses nunca me enganavam, ele
não aguentaria mais.
— Seth...
— Eu falei ao ver o seu olhar no vidro, mesmo sabendo que ele não
me escutaria.
— Fay...
— Ele disse como se me respondesse, um pouco de sangue escorreu da
sua boca, ele parecia ter uma grande dificuldade para falar, respirou
fundo e então falou de uma vez.— Não caia na lábia de Ariel...
Independente do que façam comigo, o mundo encantado precisa...
— Seu
retardado, não era para dizer isso. — Declan vociferou agarrando a
cadeira de Seth e jogando tanto ele quanto a cadeira para o outro
lado.
Meu
coração bateu ainda mais forte e eu tentei me levantar naquele
momento.
— Ele
vai mata-lo. Pare por favor! — Eu pedi para Ariel vendo Declan ir
na direção de Seth.
— Vai
dizer sim para a minha proposta? — Ela se perguntou e olhei na
direção e Seth, Declan levantava a cadeira o colocando sentado.
Eu
não podia responder que sim, porque isso não seria justo com o
mundo encantado, Ariel me olhava com uma certa esperança, mas eu
demorei demais para responder.
— Acabe
com ele. — Ariel disse através de um dispositivo para Declan que
segurou Seth quase desacordado pelo pescoço o levantando, Seth se
debateu.
— Eu
falarei com a Lauren! Eu prometo! Eu falarei com ela! — Eu disse
chorando enquanto via a luz dos olhos de Seth se apagando.
— Melhor
assim. — Ela usou o dispositivo de novo. — Ela aceitou...
Declan
parecia decepcionado e ao invés de colocar Seth no chão o jogou
contra a parede novamente e então, sem eu saber o que tinha
acontecido com ele, colocaram o capuz no meu rosto, sem me deixar
saber se Seth estava vivo ou morto.
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