sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Luto :( Podem me xingar

Capitulo XXII
Lauren
Pela nossa contagem normal, a cada vez que passos eram escutados pelo corredor, Fay e Seth haviam sido levados. Eu nunca tive uma educação religiosa, quando mais nova às vezes ia na igreja perto de casa porque ali me sentia em paz, cheguei à fazer catecismo, mas depois de um tempo Deus parou de fazer sentido para mim, pois os padres falavam de sua justiça e bondade ao mesmo tempo que ao meu redor só existia o oposto disso. Existia uma teoria e a prática era totalmente diferente.
Mas naquele momento, me lembrando do que eu havia passado quando leveram Derek, Savannah e a mim para fora das celas, eu rezei por Fay e Seth, rezei para que os dois tivessem força para passar por isso, que ficassem bem, mesmo não sabendo se Deus existia ou se ele cuidava também de seres como nós.
Depois de um longo tempo, passos foram escutados eu fiquei atenta ao barulho para saber para onde os passos levavam, eles pararam próximo a minha cela, meu coração acelerou e então uma porta foi aberta a minha porta.
— De joelhos! — Escutei a voz de Declan.
Eu na mesma hora ia peita-lo, mas me lembrei do que ele tinha falado, sobre machucar Savannah e então me ajoelhei e fiquei na posição que ele tinha dito que deveriamos ficar.
— Adoro pessoas obedientes. — Ele respondeu e dois guardas entraram na cela, colocado as luvas em minhas mãos e me algemando.
Eu nada respondi, senti o capuz sendo colocado em meu rosto e então fui erguida sendo levada por um caminho que não me foi familiar, não é como se eu conhecesse totalmente o castelo, mas subimos mais andares do que em qualquer outra vez que estive ali.
Isso não era bom, bem, me diga algo que era bom naquele lugar? Mas Fay e Seth não terem voltado e isso, eu receava que alguma coisa estava acontecendo. Eu tinha um plano que se desse certo poderia livrar Derek e Savannah de tudo isso, meu receio era que, mesmo que desse certo e eu conseguisse libertar Derek e Savannah, existia um preço a ser pago com isso, mas eu pagaria, se era para libertar os dois, eu assim o faria.
Enquanto caminhava, sem saber para onde estava indo eu me lembrei de tudo o que aconteceu comigo, todas as coisas ruins, o abandono as palavras rudes do meu pai falando que minha mãe tinha ido embora por não aguentar uma filha maluca como eu, ele falando que pegaram uma criança estragada, todas as vezes que ele me bateu, Kevin... Senti meu corpo retrair com aquelas lembranças e então um ódio grande começar a tomar conta de mim, eu precisava daquilo, eu precisava me entregar às sombras para estar preparada.
Os amigos de Kevin, as risadas, o cheiro do alcool, as vozes de Declan e eu ali sendo carregada pelos dois guardas apenas tornavam as lembranças mais reais. O medo, a dor, o nojo... Meus punhos já estavam cerradas e eu sentia apenas o ódio tomar conta de mim, tomar conta totalmente de mim naquele momento, eu seria capaz de matar um com minhas mãos. Eu tinha conseguido me encher totalmente de trevas.
Depois de um longo percurso finalmente paramos, me colocaram sentada em uma cadeira, diferente da anterior essa parecia ser mais confortável, prenderam meus braços e então tiraram a venda dos meus olhos. Ao invés da prisão ou da sala de tortura, eu estava agora em uma espécie de sala de reuniões.
— Lauren! — Fay entrou por uma outra entrada, ela estava com os braços presos e assim como eu foi colocada em outra cadeira, que ficava à minha esquerda, outras usa cadeiras, essas duas mais confortável, estavam na sala, uma à minha direita e outra na minha frente, formando uma espécie de cruz, ao redor de uma mesa.
— Você está bem? — Perguntei ao ver seus olhos marejados.
— Sim... Lauren me desculpa... Mas eles iam matar Seth... Ou mataram... — Fay começou a chorar, eu não senti compaixão, eu não conseguia sentir isso naquele momento.
Reunião em família. — Ariel falou entrando junto com um homem que eu sabia ser Macsen, o pai dela.
— Finalmente todos juntos, é uma pena que tenha demorado tanto para se unir à família Lauren. — Macsen disse se sentando à minha frente. — Seja bem vinda à família, é um prazer conhece-la.
— Eu não posso dizer o mesmo. — Respondi olhando para ele, enquanto Ariel se sentava de frente para Fay.
Macsen por um instante ficou sem saber o que respondeu e então sorriu.
— O mesmo gênio da família... Em breve se acostumará comigo. — Ele respondeu. — Somos iguais.
— Hum... Eu não acho, definitivamente, eu sou muito mais interessante que você. — Disse de forma irônica e pela cara de Macsen ele não estava gostando nada disso.
— Respeite-o ou farei questão de eu mesma acabar com você. — Ariel vociferou e eu apenas dei de ombros.
— Que isso filha? Esses não são os modos que você aprendeu. — Macsen falava de forma aveludada e elegante como se nada pudesse afeta-lo. — É comum que ela que conviveu com Mortais não tenha modo, mas isso é inadmissível para alguém que foi educada no Reino Encantado, é inadmissível para uma futura rainha.
— Futura rainha? — Eu ri, de verdade. — Eu nunca darei minha coroa para nenhum de vocês.
— Mas irá dar, nem que eu tenha que tenham que te matar. — Macsen continuou.
— O que não seria nenhum obstáculo para você, não é mesmo? Já matou o rei, pode matar mais uma pessoa. — Respondi. — Só que você não pode garantir que a coroa irá para você ou para a sua nada adoravel filha.
Macsen apenas olhou para Ariel que olhou para Fay, eu não entendi o que aquela troca de olhares queria me dizer e então Fay quebrou o silêncio.
— Você nunca se importou e nem mesmo nunca quis ser a Rainha... — Ela me olhava e eu podia ver em seu olhar que ela estava quase sendo forçada à dizer aquilo, ela provavelmente não tinha aguentado ver o que fizeram com Seth, ao invés de pena, meu ódio apenas aumentou por ela ter sido fraca. — Vamos acabar com tudo isso, dê a coroa para ela.
— Eu não acredito que você está me pedindo isso. — Eu disse com raiva. — Machucaram o seu namoradinho e você logo quer colocar tudo à perder? — As palavras simplesmente saiam da minha boca e eu senti a iluminação da sala diminuir. — Quer arruinar todo o reino encantado por um capricho?
Eu me arrependi na mesma hora em que as palavras sairam da minha boca, um arrependimento rápido, que passou em seguida.
— Vocês podem ter encontrado o ponto fraco dela, mas não é ela que tem que concordar, sou eu, então terão que ser mais convicentes. — Respondi para Ariel e Macsen. — Eu nunca quis a coroa, mas nem em um milhão de anos daria ela à um de vocês dois, nomeio um mortal como meu sucessor, mas não vocês.
— Talvez tenhamos que torturar de novo Savannah e Derek. — Ariel respondeu.
— E falharão de novo. — Respondi. — Como falharam da primeira vez. Eu não sei da onde vocês tiraram que eu me importo com eles.
— E não se importa? — Macsen perguntou.
Eu respirei, minha resposta automática seria sim, eu não posso mentir, mesmo com as sombras me dominando, mas o bom de ter sido criada com pessoas que não gostavam muito das verdades é que se aprendia a escapar disso.
— Porque me importaria? — Uma pergunta para não responder, essa era a minha tática. — Savannah matou a minha mãe, a única pessoa que me desejou de verdade desde que soube de mim. Derek simplesmente sumiu no mundo por um longo tempo... Ele deveria me proteger, mas eu fui espancada e assediada e ele não estava lá. — Eu não culpava Derek por isso, mas eu não precisava dizer realmente o que eu sentia, só precisava dizer algo que não fosse uma mentira.
Eu forcei em minha mente todos os meus piores momentos, para assim conseguir parecer que realmente tinha raiva deles, eu não precisava sentir a raiva e ódio, aquilo já estava me dominando e cada vez mais as coisas ali ficavam escuras.
— Vocês não tem nada contra mim, nem mesmo adianta me ameaçar, prefiro estar morta do que viver em um mundo controlado por vocês e mesmo que eu vá para o mundo mortal, eu sei que as atitudes de vocês aqui refletem por lá. — Eu disse tentando focar meu olhar em Macsen apesar de já naquele momento eu mal conseguia ver qualquer coisa.
— Podemos não saber seu ponto fraco do lado psicológico. — Macsen disse olhando para mim e naquele momento ele era a única coisa que eu via naquela sala. — Mas você não sabe a dor física que podemos infligir em você.
Eu sou a corte das sombras, eu me alimento com a dor e o sofrimento, você sabe disso... — Respondi. — Então pode vir que eu estou preparada. — Foi a última coisa que respondi, que me lembro de ter respondido antes de tudo ficar escuro na minha frente, mas diferente das outras vezes não foi uma venda ou capuz que tiraram a minha visão e sim as minhas sombras.

Capitulo XXIII
Math
Eu que era o cara que costumava ir para o Mundo Encantado enquanto meu pai ficava no mundo mortal, por isso ir para casa e saber que ele não estaria ali era complicado, eu nem ao menos sabia se ele estava bem e o pior é que desde que fomos para o mundo mortal, meu pai era quem os seres encantados procuravam quando precisavam, todos se sentiam perdidos e eu tinha que conseguir acalma-los, mesmo que eu não estivesse nada calmo.
Fui para o escritório do meu pai e então tentei fazer o seu trabalho, verifiquei as suas anotações, os telefones de contatos dos seres encantados, verifiquei as informações sobre especialidade, profissões de todos que tinha ali, tracei alguns planos, fiz ligações, mandei e-mails e mensagens para todos que poderiam ajudar, tanto os que poderiam ajudar a encontrar o portal quanto os que poderiam ajudar em manter a paz por lá.
Fiz alguns contatos com Faes que estavam morando em outros países pedindo para que anunciassem qualquer anormalidade de tempo onde eles moravam, tínhamos que ficar atentos à tudo, para saber como andava o mundo encantado eu precisava prestar atenção no mundo mortal.
Os dias se passavam, Lucian levou a caça para extensas viagens, indo para os lugares mais longínquos para descobrir sobre portais, como a caça era rápida eles eram os ideais para esse tipo de missão. Alguns dos solitários voltaram para as buscas na biblioteca, tinham aqueles que se focavam em buscas pelos jornais para ver algumas mudanças no clima, até onde sabíamos Fay não estava em seu lugar por direito, assim como Lauren, ou uma das duas já tinha feito contato, o que quer dizer que existiria um grande desiquilíbrio entre o dia e a noite, pois mesmo que Macsen e Ariel não fossem reis, eles estavam governando e com certeza só pensavam para as sombras.
Já fazia uma semana desde o incidente com o portal, uma semana sem noticia alguma do mundo encantado, de Fay, Lauren, meu pai ou qualquer outro que tinha passado, uma semana de preocupações e elas apenas aumentavam com os e-mails recebidos, era verão no hemisfério sul, mas notícias sobre chuvas e baixas temperaturas preocupavam os mortais e logicamente os seres encantados que sabiam que o mundo encantado estava envolvido nisso.
Relatos sobre o aumento da violência em várias partes do mundo também assustava cada vez mais os mortais, mas o que deixou todos alertas, foi um ataque terrorista na ultima sexta-feira em um país distante mas de grande visibilidade, isso só podia ser coisa da Corte das Sombras, que se alimentava e gerava da morte, guerra e ódio.
A cada dia, a cada momento eu me preocupava mais, não apenas eu, se o mundo mortal estava daquele jeito, o mundo encantado, principalmente para os seres encantados da luz, estava perdido. Lauren e Fay, independente do que esteja acontecendo, vocês duas precisam reagir, todos precisam de vocês.
— Precisamos fazer algo, ou não sobrará muito do mundo mortal. — Adam apareceu em minha porta com alguns jornais e com Bree do seu lado. — Acabei de passar na banca, veja isso.
Abri os jornais, o ataque terrorista que tinha acontecido era o destaque do que parecia ser todos os jornais que Adam tinha trago e nele falava sobre vinganças, contra-ataque e uma ameaça dos terroristas. Um dos jornais até falava que estávamos à beira de uma guerra.
— O que podemos fazer? — Bree perguntou parecendo ansiosa e nervosa.
— Eu não sei. — Respondi tentando colocar a minha cabeça para funcionar. — Entrem!
Bree e Adam entraram e eu fechei a porta, fomos todos para a sala, minha cabeça funcionava à mil por hora, tentando elaborar um plano.
— A caça tem um membro que pode manipular os sentimentos. — Bree lembrou.
— Ele não conseguiria atingir à todos. — Adam respondeu.
— Precisamos de mais pessoas. — Eu disse de forma pensativa.
— Ou de algo que possa atingir a maior parte da população. — Bree deu a luz que eu precisava.
Um estalo deu em minha mente, podíamos não atingir todos dessa forma, mas iriamos atingir um parte da população, quanto mais pessoas atingíssemos, poderíamos ganhar um certo tempo.
— Adam... Está na hora de “Os Solitários” fazerem sucesso. — Eu disse.
— Mas Dial disse que nunca poderíamos nos expor. — Adam respondeu.
— Momentos desesperados pedem medidas desesperadas. — Comecei a dizer. — A sua banda consegue com a música controlar as emoções de quem as escuta, é a forma mais fácil de conseguir atingir boa parte dos mortais, tenho certeza que teremos algum ser encantado que poderá nos ajudar a colocar vocês na mídia.
— Temos um membro a menos... — Adam disse de forma triste.
— Bem, vocês terão que se virar sem ele... É nossa melhor chance. — O encorajei.
— Eu escutei vocês tocarem. — Bree respondeu. — E são ótimos, mesmo com um membro a menos.
Adam pareceu meio pensativo, eu sabia que não era apenas por causa do meu pai que eles não tentavam fazer sucesso, Adam nunca quis chamar atenção para si, isso era notável.
— Bem... Se vocês dizem... Se a banda é mesmo a melhor opção... Eu tenho que falar com os garotos. — Adam respondeu no fim.
— Fale com eles, qualquer coisa os traga aqui... — Respondi. — Enquanto isso irei ver os nossos contatos quem poderá ajuda-los à gravar.
Adam saiu para procurar sua banda, eu voltei à minha lista de contatos, Bree foi com ele para ajuda-lo se precisasse convencer alguém e eu torcia para que esse meu plano desse certo e não tivéssemos expostos demais, era um preço alto para se arriscar, mas se fosse necessário eu assim o faria e aguentaria as consequências do meu pai depois.
A banda aceitou, consegui o contato de uma Mauren, Fae que era casada com um mortal que trabalhava como produtor musical, ele tinha o contato de gravadoras e até mesmo de algumas bandas com um pouco mais de fama, ele sabia do mundo encantado, Mauren não tinha escondido dele quem ela era, por isso consegui falar de forma mais aberta com ele.
Alan, o mortal produtor musical disse que poderia nos ajudar gravando as músicas dos garotos e os colocando para abrir alguns shows, era assim que se era lançado no mundo musical, mas que ele conseguia apenas dar a oportunidade, disse que a banda tinha que ser boa para deslanchar. Não precisávamos que a banda se tornasse tão famosa quanto os Beatles, mas se a música calmante dos meninos pudesse chegar na maioria dos lugares, isso já nos ajudaria, quanto menos pessoas se deixassem afetar pelos sentimentos da Corte das Sombras, mais tempo iríamos ganhar.
E eu sabia que “Os Solitários” eram ótimos, a magia deles ajudava pessoas à se viciarem em suas músicas e a magia que rondava os Faes já os faria ser adorado por todos. Não era o melhor plano do mundo, mas serviria para o momento. Após agendar a gravação dei como missão aos participantes da banda criarem músicas para serem gravadas e treiná-las, iria desfocar um pouco o grupo de pesquisas, mas seria para uma boa causa.

Capitulo XXIV
Fay
Definitivamente aquela na sala não era a Lauren, não a Lauren que eu conhecia que foi enfrentar os soldados de elite da Corte das Sombras na tentativa de salvar os solitários, não a Lauren que entrou no mundo encantado para salvar a vida do homem que amava, aquela sua postura, suas palavras, sua frieza até mesmo de falar sobre ela, até mesmo seus olhos estavam mais escuros, já tinha ouvido Savannah falar que temia que Lauren deixasse se dominar pelas sombras e eu acho que era exatamente isso que estava acontecendo.
De certa forma isso seria bom, isso faria com que Lauren fosse mais forte do que eu, eu a vi falar com Macsen, com frieza e sem medo do que estava por vir e a cara de Macsen não era nada feliz, nem a dele e nem a de Ariel que parecia prestes a pular no pescoço de Lauren à qualquer momento, fui deixada de lado na reunião enquanto meu tio tentava negociar inutilmente com Lauren.
Conhecendo a Lauren, da forma que conheci no mundo mortal, eu sabia que ela estava mentindo, eu sabia que ela se importava mais com Derek e Savannah do que se importava consigo mesmo, por isso eu não fazia ideia de como ela estava conseguindo mentir daquela forma.
A reunião não durou muito tempo, logo vendaram a mim e me levaram de volta para a solitária, Seth já estava por lá e Lauren foi levada um tempo depois, mas diferente das outras vezes Lauren não conversou com ninguém, nem com Derek e nem com Savannah apenas respondeu que estava bem quando perguntada.
O tempo passou e quanto mais eu tentava contar quanto tempo estávamos mais, eu me frustrava, nossas refeições eram feitas em horários diferentes, eu sabia disso devido à minha fome, as vezes ela era voraz, as vezes a comida vinha antes mesmo de eu começar a senti-la. Dormíamos pouco, pois na maior parte do tempo algo no ar nos deixava ansiosos e elétricos.
Comecei à contar os dias pelos momentos em que eu dormia, eu sei que a contagem estava errada, mas era a única forma de eu tentar contar o tempo.
Dias se passavam e além de nos fazer ficar acordados, sensações térmicas alternadas em nossas celas mexiam conosco, as vezes um dos guardas aparecia, pegava um de nós e nos torturavam de todas as formas, mesmo que eu não tivesse mais nada para oferecer para eles, mesmo que eu não pudesse fazer nada para ajudar no plano de Ariel, eu e Seth ainda éramos torturados, o que demonstrava que eles faziam aquilo mais por pura diversão.
Eu não sabia o que acontecia com Derek, Savannah e Lauren, os dois primeiros não falavam sobre suas dores e Lauren não falava sobre nada, apenas dizia para todos que estava bem cada vez que voltava, mas cada vez que ela falava isso parecia ainda mais frio.
Eu já estava cansada daquilo, determinadas partes da minha pele exibiam queimaduras de frio, eu estava bem magra e fraca e toda vez que escutava passos eu tremia, não com medo de me matarem, mas com medo de me torturarem de novo, definitivamente o afogamento para mim era o pior.
Eu não fazia ideia de como estava meu rosto, apenas podia ver o que minha visão alcançava, naquele momento eu já não tinha mais contato visual com nenhum dos outros presos, nem mesmo com Seth era terrível não ter as informações corretas sobre ele e era possível às vezes escutarmos algum grito ou choro baixo vindo de algum dos outros prisioneiros, menos de Lauren, até mesmo Derek e Savannah em algum momento gritou na própria cela, mas não Lauren.
Privação de sono, pouca alimentação, afogamentos, choques, queimaduras de gelo, espancamento, até mesmo o chicote foi usado em mim algumas vezes o que me rendeu vários gemidos de dor toda vez que eu me mexia, eu via a hora de meu corpo não mais aguentar e sabia que meus companheiros estariam passando por coisas parecidas.
Pela minha contagem de tempo já tinham se passado o equivalente à duas semanas, mas poderia ser bem mais ou bem menos, cada dia era diferente do outro, mas aquele estava sendo diferente de todos. Desde a conversa com Lauren, normalmente eles pegavam um prisioneiro por vez, no máximo dois, eu achava que eles ainda tentavam usar Savannah e Derek para assustar Lauren, mas naquele dia quando atravessaram o corredor pela terceira vez eu percebi que tinha algo diferente.
Três vezes no corredor, três celas abertas, três prisioneiros levados. Mais passos, mais uma cela, mais um prisioneiro, novos passos só tinham dois prisioneiros e não foi surpresa quando minha cela abriu, eu apenas me ajoelhei, eles não faziam mais questão de que eu estivesse com a mão na cabeça me rendendo, naquela altura era visível que eu não tinha mais forças.
Luvas na mão, capuz na cabeça e naquele momento meus pés simplesmente tropeçavam, eu não era mais aquela rainha dos primeiros dias que permanecia com a minha postura, eu apenas me deixava ser levada. Eu estava suja, minha roupa rasgada, em nada lembraria a antiga Fay, em nada eu parecia ser uma rainha.
Fui colocada em uma sala, presa à uma cadeira e então mais uma pessoa entrou na sala, por um momento tudo ficou em silêncio e escutei mais passos, várias pessoas entrando juntas, foi então que eu senti um grande incomodo e algo pontiagudo e que parecia me queimar foi colocado em meu pescoço, uma espada de ferro.
O capuz foi tirado e pela primeira vez desde que fui parar na prisão eu via uma sala com janelas, era dia, a luz me cegou momentaneamente e então meus olhos focalizaram algumas pessoas ao redor que rapidamente eu reconheci.
Seth, Derek, Blake, Savannah, três crianças da Corte das Sombras e de frente para mim estava Lauren, ou o que tinha sido ela um dia. Atrás de cada um tinha um guarda, mortal pelo visto, pois todos seguravam uma espada de ferro no pescoço de sua vítima, que estavam presas à cadeira. Lauren tinha correntes em seus pulsos e pela forma que seus pulsos estavam, a corrente era provavelmente de ferro.
Seth e Blake sempre musculosos, estavam extremamente magros, assim como Savannah, Derek e Lauren. Eles estavam bem machucados, seus rostos deformados inchados, havia sangue em suas vestes, eles estavam tão acabados quanto eu. Todos demonstravam as dores que sentiam, todos com exceção de Lauren, seu olhar demonstrava ódio e apenas isso, como se ela não estivesse sentindo dor e agora era visível uma Sombra escura ao seu redor, aquilo não era normal, nunca vi alguém com sombras tão densas ao seu redor, nem mesmo o meu pai e pela cara de chocados dos outros, ninguém tinha visto isso antes também.
As três crianças não pareciam machucadas, mas estavam visivelmente assustadas, uma delas com os olhos marejados como se fosse chorar, se segurando para não fazer isso. Foi então que Macsen e Ariel entraram, indo para o meio do nosso circulo, ao passar pelos guardas mortais os mesmos se afastaram para que o ferro em suas espadas não machucasse os dois e depois voltaram para a posição original.
Havia algumas marcações no meio do circulo, onde Ariel e Macsen ficaram, provavelmente ali era o lugar seguro para o ferro nas espadas dos mortais não os afetasse, Ariel olhou a todos um sorriso de felicidade invadia o seu rosto enquanto Macsen olhava diretamente para Lauren, a única sem uma espada no pescoço.
— Cansei dos seus joguinhos. — Macsen começou a falar. — Iremos matar um por um aqui e você verá tudo, cada morte será por culpa sua, até você entregar a coroa. Temos outros prisioneiros e iremos matar os outros também.
— E porque você acha que me importo com algum deles? — Lauren perguntou com a voz fria e de forma seca.
— Você tem conseguido disfarçar bem as suas emoções. — Macsen disse. — Mas veremos se conseguirá mascará ao deixarmos de fazer ameaças.
Macsen responde e olha para um dos guardas que estava atrás de uma das crianças, um garoto de uns 10 anos, o guarda então aperta mais a espada contra o pescoço do garoto que choraminga de dor quando um pouco de sangue começa a escorrer.
— Esse é Jeremy, tem 8 anos, ele pertence à sua corte. A família dele foi uma das que mostrou resistência com o meu reinado. — Macsen começou a dizer. — Ele tem um ótimo futuro pela frente, tem sonhos...
O guarda que estava atrás de Lauren puxou a cadeira dela colocando-a de frente para o garoto, o olhar de Lauren estava frio, mas pude notar alteração na sua respiração.
— Vai proibi-lo de ver o mundo que o espera? — Macsen continuou. — Uma pobre alma, uma criança inocente, não teve tempo para errar. Sua última chance de salva-lo. Me dê a coroa e ele assim como os demais será salvo.
— Ninguém estará a salvo nunca com você no poder. — Lauren respondeu.
— Não... Por favor. — Jeremy pediu em meio ao choro olhando para Lauren, quando o guarda apertou mais forte a espada em seu pescoço.
Lauren desviou o olhar, Macsen foi para trás dela e segurou o rosto dela para que ela olhasse para Jeremy.
— Não, você vai olhar para ele, vai dizer para ele que ele vai morrer por um capricho seu. — Macsen falava segurando o rosto dela.
— Você nunca terá a coroa, solte-o e aja como homem, vamos tratar isso eu e você, sem outros envolvidos — Lauren pediu, falando entre dentes e naquele momento eu invejei a força que ela tinha.
Por menos eu disse que falaria com ela, pois sabia que Lauren nunca abriria mão do trono, mas será que se fosse eu ali, conseguiria agir da mesma forma? Conseguiria manter a força sabendo que uma vida poderia ser tirada por minha causa?
— Então diga adeus a ele e torça para que a sua pobre alma a perdoe um dia. — Eu vi o guarda levantar a espada e virei o rosto, escutando apenas um grito após o corte da espada de uma das outras crianças.
Olhei para Lauren e a primeira coisa que vi foi o corpo do garoto sem vida preso a cadeira e a cabeça dele no chão, muito sangue no lugar e desviei o olhar. Olhando fixamente para o lado oposto, o lado que Lauren estava sentada originalmente.
Em meio a choros das crianças Macsen escolhia a próxima vítima e eu torcia para que, se ninguém aparecesse para nos salvar, fosse eu a próxima e acabasse logo com isso.
— Que coração de pedra... Devo confessar que estou orgulhoso minha sobrinha. — Macsen respondeu. — Se fosse a outra teria rapidamente aberto mão, não é mesmo Fay? — Eu nada respondi, Macsen olhou ao redor. — Veremos quem será o próximo... — Macsen olhou ao redor e então ao olhar para Blake seu olhar parou e ele sorriu. — O guarda prodígio, seu cunhadinho... — ele falou olhando para Lauren.
A cadeira que Lauren estava de frente para Jeremy foi mudada de lugar, ela estava até o momento de frente com o garoto morto, quando colocaram ela na frente de Blake vi que sua roupa estava cheia de sangue e ela estava chorando.
— Então... E agora? Vai me dar a coroa ou vai me deixar matar seu cunhadinho? — Macsen perguntou e olhar de Lauren era desesperador.
— Aguente firme majestade. — Blake falou para Lauren a olhando. — Eu não tenho medo. — Ele olhou para Derek. — Eu te amo irmão e nunca poderia estar mais orgulhoso do que você se tornou como estou.
— Que comovente... — Macsen respondeu. — Mas essa é sua ultima chance de salvar o seu cunhadinho.
Lauren mexeu os lábios dizendo algo para Blake que nenhum de nós pode entender direito e Blake apenas confirmou com a cabeça e sorriu para ela de forma tranquilizadora, Lauren se ajeitou na cadeira e as sombras ficaram mais densas ao seu redor.
— Rwy'n Lauren brenhines cysgodion, Lucian yn penodi arweinydd yr helfa, fel fy olynydd yn iawn ar gyfer y byd swyno os byddaf yn marw. — Lauren disse rapidamente olhando para frente e tanto eu quanto Macsen e Ariel sabíamos exatamente o que aquelas palavras significavam.
— O que você pensa que está fazendo? — Macsen disse aos gritos.
— Lucian, o líder da caça agora é o meu sucessor por direito. Você nunca conseguirá colocar as mãos nele e nunca será o rei da Corte das Sombras, nem depois que me matar, porque nunca conseguirá colocar as mãos nele. — Lauren respondeu.
— Tola! Eu nunca pensei em te matar. — Macsen respondeu furioso. — Você ainda tem como me passar a coroa em vida e eu te convencerei. — Ele olhou para o guarda atrás de Blake. — Mate-o! Agora!
Foram segundos, Blake fechou os olhos, Derek não desviou o olhar e Blake olhou para ele pela ultima vez, dando um sorriso calmo, a espada encostou no pescoço de Blake e eu desviei o olhar no momento em que o barulho de Blake sendo decapitado ecoou pelo local.
Mais choros, agora não apenas das crianças, Seth chorava baixo, Derek chorava em silêncio, e todos os choros foram abafados com o grito de dor da Lauren. O corpo de Blake estava caído na cadeira sem vida e sua cabeça no chão.
— Quem será o próximo Lauren? Qual será o seu limite? — Macsen perguntou com raiva indicando mais uma das crianças para o guarda que levava a cadeira de Lauren.
— Rue, 5 anos. Uma garota doce, seu sonho é ajudar os seres encantados, quer seguir o lado da medicina. — Macsen falava para Lauren enquanto a cadeira era colocada na frente da garotinha assustada e que chorava copiosamente. — Vai me dar a coroa ou terei que mata-la Lauren?
O guarda tinha acabado de colocar Lauren na frente da garotinha, quando em um movimento rápido Lauren mexeu os braços, levando-as para cima fazendo com que as correntes que estavam em seus braços envolvessem seu próprio pescoço e os puxou para baixo, de forma que as correntes se cruzaram na parte de trás do seu pescoço ela colocou os braços para frente, de forma que se ela puxasse os braços se enforcaria. O ferro das correntes logo começou a queimar o seu pescoço.
— Se você machucar mais alguém eu me enforco. — Lauren disse olhando para Macsen e uma fúria enorme estava em seu olhar. — Eu não tenho medo de morrer, isso é ferro, eu nem preciso enrolar muito com isso aqui para se tornar fatal. Se eu morrer, Lucian vai ser o rei, ele vai saber o que aconteceu comigo e tenho certeza que ele e a caça se vingarão de cada coisa que você fez comigo, você nunca terá o trono, nem você nem a mimadinha da sua filha.
— Você não fará isso, você não tem coragem. — Macsen respondeu.
— Solte todos ou todo o seu plano de me ter aqui terá ido por água abaixo. — Lauren respondeu. — Você ainda pode me machucar ou ser mais convincente para me convencer, mas se matar mais alguém, todo o plano para ter a Rainha da Corte das Sombras aqui terá ido por água baixo. Eu sou fraca, eu nunca gostei desse mundo, eu não conheço todos os segredos daqui e nem sou tão boa com luta ou uso dos meus poderes, mas Lucian é bom, Lucian é treinado para lutar desde que nasceu praticamente, ele não é o líder da caça a toa. Você não terá chance nenhuma contra ele, nem você e nem os seus soldados.
— Você está blefando. — Macsen disse e ele não parecia convencido disso.
— Não estou, você sabe que somos incapazes de mentir. — Lauren respondeu. — Solte todos agora!
Macsen parecia querer ver até onde ela iria, pois nem mesmo se mexeu, mas Lauren não estava para brincar, nenhum de nós estava, todos estavam preparados para morrer pelo bem do mundo encantado, menos as crianças é claro, por isso ninguém dizia nada, todos esperavam o momento que seriam a próxima vítima. Mas pelo visto a próxima vítima seria realmente Lauren, ela puxou as mãos para baixo e ficou visível que as correntes apertaram mais seu pescoço pois logo o rosto dela ficou vermelho e ela parecia sufocar.
Savannah e Derek olharam firme para Lauren, tenho certeza que qualquer um deles queriam tira-la dali, afastar as correntes, mas assim como Lauren e eu, eles sabiam que ninguém ali tinha nenhuma outra escolha.
— Maldição! — Macsen gritou e fez um sinal rápido para seu guardas, o que estava com Lauren a derrubou no chão.

O guarda que estava comigo tirou a espada do meu pescoço, fechei os olhos me preparando a morte e então senti uma pancada na cabeça, sangue e tudo apagou na minha frente.

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Não me matem... É o que vocês queriam :O


Capitulo XXI
Fay
Sinceramente? Eu não sabia dizer o que era pior, a escuridão, o frio, o longo tempo naquela cela ou o medo do que estava por acontecer e nem o que estava acontecendo com os seres do meu reino, eu só sabia que me sentia incrivelmente inquieta e estava em um espaço limitado, me sentia sufocada por aquelas paredes, me sentia sozinha. Dias, horas, minutos, não sabia dizer quanto tempo havia se passado, eu apenas sentia meu estomago pedir por comida ao mesmo tempo que sentia um cansaço enorme, apesar de não conseguir dormir.
Um pouco antes haviam passado nas celas e deixaram um pouco de comida para mim, provavelmente para os outros também, mas a quantidade que recebi era incrivelmente baixa, apenas me deixou com mais fome ainda, mas eu tentava à todo custo me mostrar forte, me mostrar bem, principalmente com as perguntas constantes de Seth e Blake.
Muitas vezes escutamos passos do lado de fora e portas sendo abertas, algumas vezes era puro blefe, outros eles levavam Derek, Savannah, Blake e Seth com eles, nem eu e nem Lauren sabiamos o que era feito com eles quando levados para fora, porém todos voltavam desacordados. Portanto a cada vez que escutavamos passos após esses sumirem verificavámos quem estava por lá.
Eu não sei os demais, mas todas as vezes que eu escutava os passos eu ficava na posição que Declan havia nos orientado e pela falta de gritos, eu podia concluir que os demais também agiram daquela forma.
Então os passos foram escutados novamente e eu me coloquei na posição demonstrando que iria cooperar, uma outra cela foi aberta e então alguém foi tirado dessa, assim que os passos se afastaram demonstrando que quem quer que tinha entrado havia se afastado, começou a “contagem”
Fay ainda aqui. — Eu fui a primeira, escutando a confirmação de Lauren, Savannah, Derek e Blake. — Levaram o Seth... — Falei concluindo o que todos já sabiam.
Passos então se aproximaram de novo, não podiam estar trazendo Seth, eles sempre demoravam um pouco quando levavam alguém, voltei à posição segundos antes da minha cela abrir.
Fay... — Escutei a voz de Declan e olhei para ele com ódio. — Nunca pensei que te veria assim, ajoelhada diante de mim... Princesinha... — Ele soltou as últimas palavras com desdém.
Eu não o respondi, dois guardas entraram e seguraram meus braços com uma certa força, olhei para eles, guardas que trabalhavam para o meu pai, que juraram lealdade e agora eu não era nada mais que uma prisioneira em suas mãos.
Enquanto estiver viva, você sempre será a única rainha da Corte da Luz. Independente do que aconteça, sempre se porte como tal.”
Eu me lembrava das palavras do meu pai, o ensinamento que ele me deu e por isso não me deixaria abater pela forma que estava sendo carregada, mantive a postura de uma rainha, eu não poderia me mostrar fraca, não agora. Custe o que custar.
Colocaram luvas em minhas mãos e uma venda no meu rosto, tentei manter a postura até chegar no local onde estavam me levando que após eu chegar e ser presa em uma cadeira, tiraram a minha venda e eu pude ver que era a sala de interrogatório, sim, eu conhecia aquela sala e o seu funcionamento, nunca a tinha usado, mas já tinha ido lá conhece-la, aquele era o meu castelo e eu o conhecia bem.
Tenho certeza que sabe onde está e sabe o que irá ver não é mesmo querida prima? — Escutei a voz de Ariel entrando na sala e nada respondi. — É com a sua irmãzinha bastarda eu tiver que explicar mais, mas para você creio que isso será desnecessário. Você sabe como essa sala funciona.
O que você quer de mim Ariel? Você sabe que não pertence à Corte da Luz, nunca poderia se tornar a rainha dessa corte, nem se eu lhe desse isso. — Comecei a falar em um tom de voz calmo.
Eu sei bem dessas regras chatas. — Ariel respondeu. — Mas já pensei nisso, não quero sua corte patética, eu quero a minha corte, a corte das sombras, convença sua irmã à me dar o trono, vamos voltar à dividir as duas cortes e será cada um por si.
Ninguém conseguirá convencer Lauren disso. — Respondi. — E eu nunca aceitaria a divisão das cortes novamente, chega de guerras.
Imaginei que seu lado pacifico falaria sobre isso e é uma pena que não saiba convencer a sua irmã. — Ariel começou a responder. — Mas eu tenho dois presentes para você, espero que talvez isso possa convence-la.
E então como previ as salas ao lado da minha tinham pessoas que foram reveladas quando os espelhos se transormaram em vidro, em uma das salas tinha Seth, ele estava extremamente machucado, era a primeira vez que eu o via desde o mundo mortal. Na outra estava Aril, minha ama, ela estava terrívelmente assustada.
Não é tão divertido brincar com os preciosos da Lauren pois ambos são criaturas mágicas e foram treinados para suportar torturas, mas os seus... Uma doce senhora assustada e um mortal, vai ser divertido... — Ariel falou observando as caras que eu fazia. — Vai ser um prazer tortura seu mortal... Pena que mortais são tão frágeis.
Ariel, não por favor. Eu não posso fazer isso, você sabe que eu não posso. — Eu falei desesperadamente tentando me soltar mas Ariel não quis saber disso e então eu vi Declan entrando na sala que Seth estava.
Seth olhava friamente para frente, nem mesmo mexeu a cabeça quando a porta abriu, ele provavelmente sabia como funcionava a sala e seus olhos estavam ficados abaixo do vidro, de forma que eu não conseguia ver seus olhos, não podia ver se ele estava com medo, que ideia, com certeza estava, eu estava com medo.
A cadeira de Seth foi virada para que ele ficasse em um ângulo em que mesmo com Declan possiocionado na frente dele, eu ainda pudesse ver Seth e pudesse ver o soco que Declan deu nele, fazendo com que o rosto de Seth virasse na minha direção onde ele cuspiu sangue. Provavelmente se Seth não estivesse preso à uma cadeira teria caido dessa no momento do soco.
Seth não reclamou, ele pareceu meio conturbado, piscou os olhos e voltou à olhar para frente, voltando a posição anterior e então os socos de Declan se repetiram mais uma vez e outra e outra, eu estava segurando forte em minha cadeira com a respiração acelerada, o que eu mais queria agora era chegar lá e me colocar na frente de Declan, proteger aquele que sempre me protegeu.
Tantos anos protegendo sua princesinha para agora ela lhe virar as costas, finalmente ela entendeu que você é um mortal desprezível. — Escutei Declan falando com Seth que parecia não se aguentar acordado. — Ela está vendo tudo, pede para ela te salvar.
Seth não respondeu nada Declan virou a cadeira de Seth fazendo-o ficar de frente para mim e o arrastou até o vidro.
Sua doce princesinha está confortavelmente sentada ali do outro lado e está deixando eu fazer isso tudo. — Ele falou. — Ela só precisa aceitar os pedidos de Ariel e simplesmente isso tudo acaba, diga para ela aceitar.
Seth olhou para mim, seus olhos estavam vermelhos, Ariel parecia me observar mas eu não ligava para ela, meu maior desejo era deixar tudo o que aconteceu de lado e cuidar de Seth, ele fazia uma cara de que estava bem, mas seus olhos, esses nunca me enganavam, ele não aguentaria mais.
Seth... — Eu falei ao ver o seu olhar no vidro, mesmo sabendo que ele não me escutaria.
Fay... — Ele disse como se me respondesse, um pouco de sangue escorreu da sua boca, ele parecia ter uma grande dificuldade para falar, respirou fundo e então falou de uma vez.— Não caia na lábia de Ariel... Independente do que façam comigo, o mundo encantado precisa...
Seu retardado, não era para dizer isso. — Declan vociferou agarrando a cadeira de Seth e jogando tanto ele quanto a cadeira para o outro lado.
Meu coração bateu ainda mais forte e eu tentei me levantar naquele momento.
Ele vai mata-lo. Pare por favor! — Eu pedi para Ariel vendo Declan ir na direção de Seth.
Vai dizer sim para a minha proposta? — Ela se perguntou e olhei na direção e Seth, Declan levantava a cadeira o colocando sentado.
Eu não podia responder que sim, porque isso não seria justo com o mundo encantado, Ariel me olhava com uma certa esperança, mas eu demorei demais para responder.
Acabe com ele. — Ariel disse através de um dispositivo para Declan que segurou Seth quase desacordado pelo pescoço o levantando, Seth se debateu.
Eu falarei com a Lauren! Eu prometo! Eu falarei com ela! — Eu disse chorando enquanto via a luz dos olhos de Seth se apagando.
Melhor assim. — Ela usou o dispositivo de novo. — Ela aceitou...
Declan parecia decepcionado e ao invés de colocar Seth no chão o jogou contra a parede novamente e então, sem eu saber o que tinha acontecido com ele, colocaram o capuz no meu rosto, sem me deixar saber se Seth estava vivo ou morto.

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Capitulo novo e curtinho


Capitulo XX
Lucian
Minha rainha estava em perigo, com certeza, não fiz muito alarde para não deixar os outros solitários preocupados, mas eu não conseguia senti-la em vários momentos, quando eu conseguia senti-la era como se uma sombra muito forte a dominasse, seus sentimentos estavam gritantes e isso era preocupante, senti os mesmos sentimentos vindos do antigo Rei, rompantes de ódio extremo, mas nunca senti nada desse tipo vindo de Lauren, ódio, dor, desespero, tristeza. Algo estava acontecendo com a minha rainha e eu não podia fazer nada estava totalmente paralisado.
Ter conversado com os solitários sobre os planos dele não me ajudaram em nada, dificilmente conseguiríamos chegar à tempo de salvar a rainha, as rainhas, isso é... Se Fay ainda estivesse viva, sobre ela e os demais seres encantados que tinham atravessado o portal era uma verdadeira incógnita.
Voltei com meu grupo para a casa que estávamos habitando, não tinha o porque ficarmos na casa da nossa rainha se ela não estava lá, deixei que os meus liberassem seus desejos e de forma invisível aos olhares humanos corressem livremente, eles precisavam disso, ainda mais porque sabia que todos ali sentiam o mesmo que eu, mas com menos intensidade, o único que não mudou para aquela forma e caminhou ao meu lado pelo percurso foi Wesley, ele era um pouco mais calmo naturalmente.
O que te perturba? — Perguntei à Wesley depois de um longo tempo em total silêncio.
Sei que existe muita preocupação em torno da rainha sombria, entenda eu também estou preocupado com ela mas... — Wesley parecia estar procurando as palavras certas para falar comigo e por isso eu o parei.
Em que momento eu lhe impedi ou demonstrei desaprovação quando você ou qualquer outra veio até a mim falar de suas preocupações? — Olhei para ele que balançou a cabeça de forma negativa. — Nunca não é mesmo? Então porque tem receio de falar o que quer? Sem rodeios, vá direto ao ponto.
Quando eu ajudo a acalmar as pessoas — Wesley começou após um longo suspiro — eu costumo ver o que elas estão vendo, eu sinto os sentimentos dela, eu os sugo para mim é por isso que elas se sentem mais calmas e eu senti e vi as coisas que amedrontam a rainha da luz, eu a conheço e... Estou preocupado com ela, talvez mais do que com a rainha das sombras, por mais horrível que seja isso que eu estou dizendo, pois eu devo fidelidade à rainha das sombras e não estou sendo infiel à ela, mas... Não sabemos se ela está bem e eu sei que no fundo dela, além das dores com seu povo e tudo o que está acontecendo, existem dores das quais ela esconde e...
Estamos todos preocupados com a rainha da luz. — Eu respondi. — Assim como a rainha das sombras, isso não é traição Wesley, traição seria fazer algo contra a rainha das sombras, mas as duas estão juntas e você pode se preocupar. Todos estamos sentindo o que a nossa rainha sente e por isso a preocupação com ela parece maior, mas iremos fazer tudo para salvar as duas.
Eu ou você, qualquer um de nós deveríamos ter entrado antes delas, deveríamos estar lá para protegê-las. — Wesley falou demonstrando um pouco da fúria de nossa raça. — Falhamos com elas, como falhamos com o Rei Sombrio.
Não falhamos com o Rei Sombrio. — Eu o interrompi de forma séria. — Estávamos em uma missão dada por ele, ele nos quis aqui, ele sabia dos riscos que corria e não falhamos com elas, não ainda, se Lauren está viva, Fay também está e vamos tirá-las em segurança da onde quer que estejam, porque é isso que fazemos.
Você acredita realmente que conseguiremos fazer isso? — Wesley me perguntou, me pedindo sinceridade.
Eu tenho que acreditar. — Respondi olhando nos seus olhos, sem truques com as palavras. — Porque eu sou o líder da caça, nós somos os guardas de elite da rainha das sombras e se não acreditarmos que poderemos salva-las, se não tiver certeza disso, ninguém mais conseguirá. Então iremos passar dia e noite pensando, procurando, uma forma nova de entrar no mundo encantado, mesmo que isso nos desgaste, mesmo que isso nos mate, pois todos nós juramos com nossas vidas protegê-la e se não fizermos isso, nossa vida será em vão.
Você tem razão. — Wesley respondeu e se preparou para a corrida. — Acho que estamos perdendo tempo demais andando...
Eu sorri e ele saiu na frente em disparada, eu logo atrás dele. Eu sabia que não seria nada fácil entrar no mundo encantado e provavelmente mais difícil ainda chegar até a rainha, mas eu iria fazer isso, ou morreria tentando, e tenho certeza que todos da caça faria o mesmo.
Naquela noite, deixei que as brigas acontecessem, os duelos fossem exaltados e as brigas fossem contagiantes, deixei que os meus colocassem para fora todo o temor, todo o ódio e toda a vontade de brigar, deixei que eles fossem os animais que fossem, tinham ficado tempo demais segurando seus instintos primitivos ao guardarem a casa da rainha, isso não fazia bem para eles, na manhã seguinte iriamos partir pelo mundo atrás de outros seres encantados para descobrir se existia algum outro portal, precisaríamos de foco e atenção, então aquela noite seria de descanso, o nosso tipo de descanso, para que as energias fossem liberadas e o foco se mantivesse na nossa missão, salvar as rainhas.