Capitulo
I
Lauren
Tudo
aquilo ainda era confuso, primeiro o pesadelo que mais parecia
verdade, depois as marcas e então Seth e Bree. Tudo aquilo era
extremamente confuso todos pareciam entender o que estava acontecendo
ali, menos eu.
— Alguém
pode me falar por favor o que está acontecendo? O que quer dizer
tudo isso? – Perguntei curiosa e com medo, eu não tinha tanta
certeza se queria saber a resposta.
— Acontece
que querendo ou não, você é a próxima rainha da corte das
sombras, assim como eu sou da corte da luz – Fay me explicou sem m
olhar — Nosso pai foi assassinado e as pessoas que o mataram virão
atrás de nós, pelo visto, temos mais uma batalha por vir... – Fay
respondeu de forma determinada e me olhou. – Está preparada?
— Não!
Eu não estou. — Respondi de forma sincera. — De verdade eu nunca
quis isso, não quero isso, quero apenas viver minha vida sossegada
com Derek e pronto. — Eu definitivamente não estava preparada para
uma batalha e não fazia nenhuma questão de ser a nova rainha, eu
não queria nada daquilo.
— Preparada
ou não, você não tem muitas escolhas. — Fay me respondeu. —Você
já está marcada e com certeza Ariel, virá atrás de você.
— Quem
é Ariel? Ela nem me conhece, porque ela virá atrás de mim? —
Acho que ninguém que ainda estivesse no mundo encantado sabia da
minha existência, com exceção do Rei que estava morto e de Stan,
que tinha guardado segredo sobre mim até agora e por isso devia ser
confiável.
— Ariel
é nossa prima, como eu era a destinada à Corte da Luz e ninguém
sabia que o rei não tinha outra filha destinada à Corte das
Sombras, Ariel e seu pai seriam os próximos a assumir o trono. —
Fay começou a me explicar. — Mas com certeza a essa altura já
sabem sobre você e como mataram o Rei e não estão com essas
marcas. — Fay apontar para as marcas que surgiram em mim e nela. —
Agora eles já tem a confirmação sobre você ser a nova Rainha da
Corte das Sombras e se mataram o Rei para isso, alguém com quem eles
conviveram, nada impedirá de virem atrás de você.
Escutei
tudo o que Fay falou, mas no final minha cabeça já estava com
outros pensamentos. O rei tinha morrido, eu era a nova Rainha da
Corte das Sombras, no momento eu esqueci toda a responsabilidade que
aquele cargo me daria e só pensei em uma coisa. Se o rei estava
morto, as ordens dada à Savannah não mais existia... E se isso não
fosse verdade, eu como nova rainha poderia tirar aquelas ordens não?
Era hora de ver isso.
— Se
eu sou a nova rainha, a assassina me pertence... — Falei mais para
mim do que para os outros. — Eu preciso ir até Savannah!
Eu
não sei se todos tinham entendido, provavelmente não, apenas Derek
pareceu entender e uma faísca de esperança surgiu em seu olhar.
— Eu
vou com você. — Ele me respondeu.
— Não!
— Eu disse — Se a ordem ainda estiver com ela, se ela te
encontrar ela vai te matar, você não pode ir comigo.
— Existem
pessoas que querem te matar, você não vai sozinha. — Derek me
disse. — Não vou te arriscar de novo para me salvar.
— Eu
vou com ela. — Blake respondeu. — Se a questão é o Derek ir, eu
vou contigo e faço sua guarda, se me permitirem. — Blake disse se
curvando para mim e para Fay.
— Sim,
você não corre perigo. — Eu respondi para Blake. — Você fica
aqui protegendo a Fay — disse para Derek. — Blake vai comigo, se
seu nome não estiver mais no braço dela, voltarei com Blake e
Savannah, será rápido... — Olhei para Seth e Bree que agora
estavam desmaiado sobre a cama minha e do Derek, Blake deve tê-los
colocado ali enquanto eu conversava com Fay. — E eles dois? Estão
bem?
— Sim,
eles tiverem uma visão, é comum com mortais que convivem com
criaturas encantadas, por serem mais fracos eles são geralmente
escolhidos para repassar avisos do Destino. — Blake explicou. —
Eles devem acordar em breve, não se preocupe.
— Eu
volto logo. — Respondi para Derek.
Eu
estava de pijama, com minha forma encantada, mas naquele momento eu
não queria perder tempo trocando de roupa ou de forma, por isso
apenas fiquei invisível aos olhos mortais, Blake seguiu minha deixa
e também ficou invisível e juntos fomos até a localização de
Savannah o mais rápido que conseguimos nos mover, apesar de Blake
não fazer ideia para onde estávamos indo, o seu reflexo rápido o
fazia me seguir sem se atrapalhar, mesmo quando eu mudava de direção
rapidamente.
Enfim
chegamos até onde Savannah estava, Blake me ajudou com a barra de
ferro, pedras e as folhas, revelando a entrada para o esconderijo de
Savannah, eu naquele momento torcia para que estivesse tudo certo.
Savannah
estava sentada sobre a cama quando entrei, ela estava com o rosto
abaixado e com a luz fraca do local, eu não conseguia ver seu rosto,
ela parecia que sabia já de minha presença, pois não levantou o
rosto quando me escutou chamar seu nome.
— Savannah...
— Eu disse feliz ao vê-la.
Sem
dizer nada Savannah se levantou da cama vindo até a mim, Blake ficou
na defensiva na mesma hora, mas eu sabia que não precisava temer
Savannah, ela se posicionou à minha frente, se ajoelhou e me fez uma
reverência.
— Estou
à sua disposição minha Rainha. — Ela disse — E nunca fui tão
feliz em anunciar minha lealdade à um regente da Corte das Sombras.
Eu
não sei como ela sabia sobre isso, mas não me importava também, eu
peguei o braço dela a procura do nome do Derek.
— O
nome dele sumiu. — Ela me respondeu. — Agora eu recebo ordens
apenas suas e terei o imenso prazer de matar quem você me ordenar.
— Eu
pretendo não fazer isso. — Respondi e a puxei para se levantar. —
E por favor, não me chame de Rainha, me chama de Lauren ou de filha.
— Eu falei a abraçando. — Eu tive tanto medo de nunca mais
vê-la.
— Eu
sei... Minha filha... — Savannah respondeu saboreando as palavras.
— Eu senti o seu medo e não sabia onde você estava, o que estava
acontecendo, ninguém me dava respostas...
— Está
tudo bem agora... — Eu respondi limpando as lagrimas que escorreram
pelo meu rosto, sabendo que pelo menos algo estava caminhando bem. —
Blake... Essa é Savannah... — Eu olhei para Savannah — Minha
mãe...
Eu
vi o olhar emocionado de Savannah, mas ela conseguiu se controlar,
não sei o que Blake pensou, ele sabia que minha mãe verdadeira
estava morta, mas não demonstrou nenhum tipo de confusão sobre
isso.
— Mãe
esse é Blake, meu cunhado. — Apresentei os dois que se
cumprimentaram. — Eu sei que temos muitas coisas para conversar,
mas se demorarmos muitos, Derek vai mandar os Solitários atrás de
nós, então vamos voltar para casa onde explicarei tudo.
Eu
sei que eu tinha muita coisa para explicar para Savannah e agora eu
queria contar para ela sobre tudo o que pensei quando fiquei presa no
mundo encantado, mas precisava voltar para casa, o dia já estava
amanhecendo e seja lá o que eu e Fay fossemos decidir, não teria
muito tempo à perder, tinha que ser logo.
Capitulo
II
Fay
Minha
vida estava um completo caos desde quando Seth terminou comigo, eu
agora tinha que vê-lo junto de Bree e isso me quebrava totalmente,
depois veio a história da traição, o que meu pai faz com Lauren,
eu agora tinha uma irmã que parecia me odiar e bem... Eu pelo visto
estava sendo odiada pelo meu pai, já que ele colocou soldados contra
Lauren e eu... Mas eu amava meu pai mesmo assim, até tudo isso
acontecer, ele era um ótimo pai, atencioso, gentil e carinhoso, eu
não conseguiria odia-lo da noite para o dia e agora... Ele estava
morto, foi assassinado... Eu nunca mais poderia falar com ele, eu
nunca poderia explicar para ele porque eu fiz o que fiz, eu nunca
mais poderia pedir desculpas por ter agido pelas costas dele, eu
nunca poderia saber o porque ele fez o que fez com a Lauren... E
ainda tinha a mensagem do destino.
Lauren
saiu com Blake, fiquei com Derek, Bree e Seth, esses dois últimos
desmaiados, apesar de estar com eles ali, eu me sentia sozinha, na
verdade desde que Seth terminou comigo eu me sentia sozinha, agora
ali, no mundo mortal, sabendo que meus pais estavam mortais, tinha
uma irmã que me odiava, um melhor amigo que só se afastava de mim,
eu me sentia extremamente sozinha.
Outra
preocupação minha era o destino do Mundo Encantado, eu sabia que
tinha que voltar o mais rápido possível para assumir o meu lugar,
mas Lauren precisava aceitar assumir seu lugar também, se ela
abrisse mão de ser rainha, Ariel ou meu tio poderiam vir a assumir e
sei que nenhum dos dois faria bem ao reino encantado.
— Está
tudo bem? — O tom gentil e preocupado de Derek me fez sair de meus
pensamentos.
— Creio
que dentro dos conformes sim. — Respondi.
— Mas
isso não quer dizer que está tudo bem. — Derek me disse. — Eu
sei que sou um estranho completo para você, mas você não é tão
estranha para mim. — Ele deu um leve sorriso. — Ouvi muitos
solitários falarem de você e cheguei a te pegar no colo quando você
ainda era um bebê.
— Eu
espero que tenham sido coisas boas. — Disse para ele.
— Sim,
todos falaram sobre sua bondade, gentileza e sensibilidade e como
isso os fazia lembrar sua mãe. — Ele me respondeu. — Até mesmo
os solitários que saíram do reino por conta própria, viam em você
a esperança de dias melhores.
Creio
que Derek estava achando que eu estava preocupada com o fato de
assumir o trono, sim, confesso que alguns meses atrás essa era a
minha maior preocupação, mas não mais agora.
— Eu
fui treinada para assumir o trono... Eu sei, pelo menos na teoria, o
que preciso fazer... — Respondi. — Tenho vários receios, mas o
principal referente ao reino é de Lauren não aceitar seu destino.
— Eu
não sei qual será a decisão dela. — Derek me disse. — Eu a
conhecia bem, antes de ela ser adotada... Agora... Ela as vezes é
imprudente, mas ela faz o que acha certo... A questão é ela
entender que assumir o trono é o certo...
— Você
pode convence-la? — Derek era a pessoa mais próxima à Lauren,
talvez ele soubesse como persuadi-la.
— Não
acho que tenha uma argumentação boa o suficiente para convencê-la
de algo — Derek respondeu. — Talvez você pudesse conversar com
ela e dizer o que acontecerá se ela não assumir.
Balancei
a cabeça de forma negativa, Lauren me odiava, eu já tinha notado
isso, era mais fácil ela não aceitar só porque eu a pedi para
fazer algo.
— Lauren
não gosta de mim. — Respondi para Derek me sentando de forma
cansada na poltrona. — Eu não a culpo, ela deve ver em mim o que
meu pai fez a ela... — Olhei para Derek. — Sabe, não é fácil
para mim aceitar a traição do meu pai, eu sempre achei que ele
amava a minha mãe, toda vez que olho para Lauren, eu olho para um
lado do meu pai que eu não queria que existisse, mas sei que Lauren
não tem culpa disso, por isso eu tento relevar tudo isso e faze-la
se sentir acolhida o máximo que posso, mas ela não quer, ela não
me permite nem mesmo chama-la de irmã...
— Princesa...
Desculpe-me interrompe-la — Derek falou me olhando. — Mas não
pense que ela te odeie. — Ele respondeu. — Eu consigo sentir o
que Lauren sente e sei que o que ela sente por você é totalmente o
contrário.
Derek
olhou o relógio na mesa de cabeceira ao lado da cama e respirou
profundamente, esticando a mão para mim.
— Eu
preciso de um café, venha comigo até a cozinha e eu te explico o
porque Lauren age assim com você.
Dei
a mão para Derek que me ajudou a me levantar, não que eu precisasse
dessa ajuda, nós dois descemos as escadas deixando Seth e Bree no
quarto e fomos para a cozinha. Me sentei em uma cadeira perto do
balcão que tinha na cozinha enquanto Derek preparava o café.
— Era
para Lauren ter ficado aos cuidados dos pais de Seth, mas esses a
rejeitaram, porque esperavam um garoto e não uma garota. — Derek
começou a falar. — Durante alguns anos eu tomei conta dela, Lauren
era uma criança alegre e brincalhona, mas o comportamento dela foi
sendo podando quando fomos parar em um orfanato, onde ninguém podia
saber de sua natureza... — Derek pegou uma caixa de cereal e se
sentou à minha frente após programar a cafeteira.
— Quanto
eu completei 18 anos, eu tive que sair do orfanato, enquanto Lauren
continuou lá, eu ia sempre vê-la, apesar de saber como ela estava
pela nossa ligação... Um dia essa ligação foi quebrada, não
consegui informações sobre onde Lauren estava e anos se passaram
assim... Eu pensei que ela tivesse morrido. — Derek disse olhando
para mim. — Mas isso não vem ao caso... O que você precisa saber
é que Lauren foi adotada por uma família que não foi boa para
ela... Ela teve um irmão e... Apesar de Lauren não ter me contado
tudo o que fizeram com ela... Eu vi o que o irmão fez com ela... —
Derek me olhou de forma profunda. — O que eu vi naquele dia, me
assombra... Eu não consigo te contar o que ele fez com ela, mas
saiba que o que ele fez com ela... Eu nunca desejei tanto mal à
alguém quanto à ele. — Eu não precisa ter uma ligação com
Derek para quase sentir a raiva que ele sentia naquele momento. —
Lauren não se recuperou do que ele fez à ela, acho que ela nunca
irá se recuperar... Se ela impede que você a chama de irmã, não é
porque ela te odeia, ela simplesmente odeia essa palavra, pois a
ultima pessoa que a chamou assim simplesmente a fez passar pelos
piores momentos da sua vida.
Eu
não me surpreendi por Derek ter me dito coisas sobre a minha irmã
que eu não sabia, eu não sabia nada de Lauren, mas me surpreendeu o
que ele me contou sobre ela... O que de tão grave ele tinha feito à
ela?
— Tudo
bem, eu agora entendo, mas... Derek, eu arrisquei minha vida, tudo o
que eu tinha para salva-la, acreditando nela... — Eu respondi. —
E nem mesmo um obrigada... Eu sei que é egoísmo da minha parte
esperar um agradecimento, mas...
— Não
é egoísmo nenhum Fay... Mas não espere que Lauren vá falar
obrigada. — Derek respondeu. — Ela não é de fazer isso... Mas
eu sei o que Lauren sente por você e acredite, mesmo que ela se faça
de durona ela arriscaria a própria vida por você se fosse
necessário...
— E
pela vida dos outros? De pessoas que ela não conhece? Ela arriscaria
a própria vida? Ela faria isso? — Afinal, enfrentar Ariel seria
isso... Voltar ao mundo encantado onde com certeza Lauren não teve
boas recordações.
— Não
sei...Lauren tem que saber o que está em jogo... Então... Espero
que entre tudo o que você aprendeu, tenha aprendido persuasão... —
Derek me disse se levantando indo até a cafeteira. — Vai querer
café? Temos um longo dia pela frente.
E
realmente o dia seria longo, depois da conversa com Derek na cozinha,
Lauren, Blake e uma mulher que eu não conhecia chegaram, Derek
pareceu feliz em vê-la e mais feliz ainda em ver que Lauren estava
bem. A mulher se chamava Savannah e logo foi colocada a par de tudo o
que estava acontecendo, todos os acontecimentos anteriores, desde a
ida de Lauren para o mundo encantado até essa noite.
Vim
a descobrir que a mulher era a assassina do rei e a mando do meu pai
foi a responsável por matar a mãe de Lauren, Savannah também era
esposa da mãe de Lauren o que explicou o grande ódio que ela tinha
pelo meu pai. Savannah agora devia obediência à Lauren e eu sabia
que isso era errado, mas tive uma ideia de como persuadir a minha
irmã à aceitar o trono.
Seth
e Bree acordaram não muito tempo depois também foi explicado à
eles o que tinha acontecido, os solitários foram sendo avisados aos
poucos sobre o que tinha acontecido e uma reunião para aquela noite
tinha sido marcada. Tudo isso aconteceu antes das 8h da manhã e
apesar de o dia estar começando eu me sentia esgotada e não era a
única a sentir isso.
Estavam
todos no sofá, cansados os únicos que pareciam bem acordados eram
Dial e Savannah que conversavam sobre a segurança da casa e sobre o
que Ariel poderia fazer para nos atacar, porém os dois pararam de
falar ao mesmo tempo olhando ao redor, um barulho de passos fora da
casa colocou à todos nós em alerta, Seth era o que estava mais
próximo da janela, ele olhou para fora da janela.
— Não
teremos tempo de colocar o plano de vocês em prática. — Seth
disse para Savannah e Dial e foi correndo pegar sua espada. — Tirem
as duas rainhas daqui... Eu irei atrasa-los, fui treinado para isso.
Como
um guarda mortal, Seth foi treinado para estar sempre próximo a mim
e para se sacrificar se fosse necessário fazer isso para atrasar
alguém que viesse me atacar até que eu fosse colocada em segurança.
— Seth...
Não... — Eu pedi antes que ele saísse, mas tudo a seguir ocorreu
muito rápido.
Antes
que eu pudesse reagir para ir na direção de Seth, senti as mãos de
Blake me segurando e olhei para o lado, vi Derek pegando Lauren,
Bree, Dial e Savannah foram para frente da casa, eu escutei a voz de
Seth gritar e então a porta sendo aberta, vários homens com
aparência lupinas apareceram, alguns usavam capuz sobre a cabeça e
carregavam grandes e poderosas armas, um deles segurava o corpo
desacordado de Seth, Dial e Savannah partiram para cima deles, dois
dos homens dominaram com facilidade Dial, mas precisaram de cinco
para segurar Savannah. Seis deles se aproximaram de mim e de Lauren,
o que estava mais a frente, que deveria ser o líder do grupo se
aproximou de Lauren e tirou o capuz, foi quando eu o reconheci e
aquilo não era nada bom.
Capitulo
III
Lauren
Quando
cheguei em casa com Savannah Derek ficou aliviado, primeiramente ele
veio até a mim e depois até Savannah para saber se ela estava bem,
Savannah fez uma piada dizendo que tinha perdido o desejo louco de
matar Derek, então estava bem.
A
noticia sobre a morte do Rei, logo se espalhou também pelos
solitários e uma reunião de noite foi marcada, afinal com a morte
do rei, os solitários poderiam retornar ao Mundo Encantado se as
rainhas permitissem, eu pensei na mesma hora em dizer que eles podiam
retornar, mas Fay disse que era melhor analisar cada caso, não me
intrometi mais nisso, eu não iria ser a rainha e não tinha o porque
decidir sobre o assunto.
Derek
colocou Dial e Savannah a par de tudo o que estava acontecendo,
enquanto eu apenas vegetava no sofá, estava com sono, mas ao mesmo
tempo não estava com vontade de dormir, era estranho, eu sei, mas
minha cabeça estava tomada por pensamentos que não me permitiam nem
mesmo tirar um cochilo.
A
noticia que eu e Fay corríamos perigos me assombrava, eu desejava o
tempo todo apenas fugir de tudo todos, mas parece que os problemas me
seguiam. Não queria reinar nem ter responsabilidade sobre nada desse
mundo que eu nem ao menos conhecia, porém eu ser Rainha das sombras
me dava direito sobre Savannah, não que eu quisesse mandar nela,
pelo contrário, enquanto eu fosse a rainha, ela estaria livre...
Será que existia alguma forma de libertar Savannah para sempre dessa
sua missão? Poderia ser a rainha até conseguir libertar a Savannah
e depois... Eu não sei como faria para deixar a cora, mas faria
isso.
Savannah
e Dial conversavam sobre segurança da casa, para onde devíamos ir,
traçavam planos, faziam a pauta da reunião de noite, quando eu
senti algo se aproximar, não fui a única, Savannah e Dial também
sentiram, uma ameaça? Eu não acreditava que era isso, não me
sentia ameaçada, mas todos correram como se tivessem a certeza que
eu e Fay corríamos perigo.
E
quando um bando entrou carregando um Seth desacordado, imobilizaram
Savannah e Dial para depois virem na minha direção, confesso que
meu coração acelerou, o que deveria ser o líder do bando parou a
minha frente tirou o capuz, naquele momento eu suei frio, reconheci
o homem, ele era o líder dos guardas de elite da Corte das Sombras,
deviam estar seguindo ordens de Ariel, escapei deles uma vez, não
escaparia de novo.
Mas
então ao invés de me atacar o homem se ajoelhou, junto com todos os
outros que não estavam segurando Dial ou Savannah.
— A
caça se coloca a disposição da nova e verdadeira Rainha Sombria.
Será uma honra lutar ao seu lado e morrer por você. — O líder
disse e todos naquele momento ficaram sem reação.
Eu
olhei sem entender para Fay, Derek, Blake, Dial e Savannah. Esperando
para que eles explicassem o que estava acontecendo, mas todos
pareciam confusos demais para isso.
— Se
estão mesmo a minha disposição, soltem meus amigos. — Eu disse
tentando soar autoritária.
Sem
esperar pela palavra do líder, os que seguravam Dial e Savannah o
soltaram na hora e se curvaram igual aos demais.
— Se
estão à minha disposição, porque invadiram a minha casa e
atacaram meus amigos? — Perguntei.
— Eles
nos atacaram primeiro, apenas nos defendemos... — O líder
respondeu ainda ajoelhado.
— Se
levante, por favor. — Eu pedi e sai de trás de Derek me
aproximando do líder que se levantou.
— Se
quiséssemos atacar seus amigos, eles não estariam vivos. — Ele
respondeu agora de pé. — Apenas imobilizamos eles... O mortal...
Exageramos na força, mas ele está vivo, só desacordado.
— Vocês
são a caça não é? — Savannah perguntou.
— Sim
assassina, somos a caça. — O líder respondeu. — Sou Lucian, o
líder da caça e pelo o que sei sobre assassinos, você também está
ciente da morte do Rei e de quem é a nossa nova rainha.
— Sim...
— Savannah respondeu indo até nós. — O que você sabe sobre o
assunto?
— Sei
que o rei foi assassinado e nossa rainha assim como sua irmã da luz
correm risco de vida. — Lucian respondeu.
— E
como podemos ter certeza que vocês serão fieis à Lauren. — Foi a
vez de Dial perguntar.
Lucian
abriu a camisa e naquele momento eu juro que não entendi o que ele
iria fazer, mas logo vi em seu peito, na altura do seu coração a
mesma marca que tinha em minha mão.
— Somos
fiéis à quem possui esta marca. — Lucian demonstra. —
Principalmente se possuem boas intenções. — Ele olhou para Fay. —
Rainha da luz, não somos seus guardas, mas seu coração é puro e
suas intenções são boas... Será uma honra servi-la enquanto
estiveres do mesmo lado que nossa rainha.
— Tem
muita gente nessa casa. — Eu disse e pensar que um dia acreditei
aquele galpão grande demais para mim e para Derek. — Todos vocês
precisar estar sempre juntos?
— Posso
dispensar os demais se assim desejares, minha rainha. — Lucian
respondeu.
— Acho
que seria bom por hora... — Respondi olhando para Savannah e Derek
que confirmaram com a cabeça.
Lucian
dispensou os demais membros da caçada e agora estávamos em casa
Derek, Savannah, Blake, Dial, Seth, Bree, Fay e eu. Seth havia sido
acordado já.
Olhei
para Fay que parecia tão incomodada quanto eu com tudo o que estava
acontecendo, Derek interrogava Lucian sobre tudo para saber se podia
realmente confiar nele.
— Eu
preciso sair. — Eu disse depois de um tempo. — Preciso arejar,
Fay, vem comigo?
Acho
que Fay não esperava por aquilo pois ela me olhou desconfiada, mas
balançando a cabeça de forma afirmativa.
— Irei
com vocês. — Derek se prontificou na hora.
— Não
precisa, fique aqui, continue tentando saber mais sobre Lucian. —
Eu disse quando Derek se aproximou de mim. — Não me leve a mal,
muitos querem m matar, eu não confio ainda em você. — Falei para
Lucian, já que tinha ficado claro que ele tinha escutado.
— Irei
conquistar sua confiança, minha rainha. — Lucian respondeu sem
parecer ofendido ou desconcertado.
— Não
irei deixar que vá sozinha... — Derek me disse.
— Eu
só preciso ficar na casa, estarei aqui ao lado... Vou ficar bem...
Sobrevivi aqui nesse bairro por anos, sozinha, sem ter acesso aos
meus poderes como tenho agora. — Eu disse para Derek. — Posso
sobreviver à ida ao jardim da casa com Fay...
Derek
não gostou muito, mas no fim acabou aceitando, ele sabia que eu não
ia dar para trás.
— Ficaremos
bem... — Fay o respondeu, acho que ela estava mais curiosa para
saber o porque eu a tinha chamado do que com vontade de sair. —
Ficaremos em alerta.
Com
Derek convencido eu e Fay saímos, ela não comentou nada enquanto
nos afastávamos da casa, não demais para ficarmos em perigo, mas o
suficiente para podermos conversar sem sermos ouvidas.
— O
que você fará com os solitários? — Fui a primeira à romper o
silêncio.
Fay
me olhou meio confusa inicialmente e então entendeu do que eu estava
falando.
— Vou
analisar cada caso, saber o porque foram expulsos do Reino Encantado.
— Fay começou a falar. — Os que não tiverem cometidos crimes
graves poderão retornar... Os demais....
— O
que seriam crimes graves para você? — Perguntei para Fay.
— Torturas,
assassinatos... — Ela começou a falar mas eu a interrompi.
— Todos,
se não a maioria, matou alguém para nos proteger. — A lembrei.
— Mortes
de inocentes... — Ela me respondeu. — Eu sei que o Rei pode
parecer injusto para alguns, mas ele era um bom rei que prezava pela
segurança do seu povo, teve seus motivos para expulsar pessoas do
Reino Encantado.
— Eu
não tive contato suficiente com ele para conhecer tal bondade e
preocupação... — Respondi me sentado à beira de uma árvore. —
Mas... Bem, você sabe o que faz, não vou me meter...
— E
você? Pensou sobre as marcas? Pensou sobre o trono? — Fay me
perguntou se sentando ao meu lado.
— Sim...
— Eu respondi. — Eu não tenho o que pensar... Eu não quero
isso... E não me olhe com essa cara. — Completei ao ver a cara que
Fay fazia. — Você foi preparada sua vida inteira para isso Fay,
você sabe como se portar, como falar, o que decidir... — Eu disse.
— Eu não sei nada disso... Eu não fui feita para isso. Como posso
estar sentada em um trono de um lugar que eu nem conheço direito?
Como tomar decisões? Pode parecer egoísmo meu... Mas eu nunca me vi
nem mesmo como representante de turma... Imagina só, governar um
reino? Não dá...
Eu
não me interessava pelo Reino Encantado, nunca precisei de nada que
viesse de lá, eu não entendia nada de lá e sendo sincera? Não
estava preparada para esse tipo de responsabilidade. Pode chamar isso
de medo, egoísmo, fraqueza, o que for... Pode ser isso tudo junto,
mas além de eu não estar preparada, não era justo que alguém como
eu governasse.
— Você
fez um ótimo trabalho com os solitários e você não estará
sozinha. Terás como conselheiro o Stan e se precisar eu também. —
Fay me disse. — Poderá aprender sobre tudo... Apesar de que a sua
corte é mais instinto, então não precisa se preocupar com
comportamento ou algo assim, apenas seja você.
Eu
fiquei um pouco pensativa conforme ela me dizia tudo aquilo, não
queria ainda dar uma resposta, não queria ter que pensar nos prós e
contras, não agora.
— E
sobre a ameaça, o que você pretende fazer? — Perguntei à Fay
para mudar de assunto.
— Eu
não irei esperar Ariel mandar seus soldados até o Mundo Mortal
atrás de mim, amanhã, ao amanhecer, pretendo voltar ao Reino
Encantado e tomar meu lugar por direito, se ela quiser uma guerra,
farei uma guerra. — Fay falava decidida. — Ela não tem controle
sobre os soldados da minha corte, ela não é da Corte da Luz e por
isso se assumiu algo por enquanto, assumiu apenas da Corte das
Sombras. — Fay olhou para mim. — A sua corte... Eu conheço Ariel
e sei que ela no poder irá acabar com o Reino Encantado... Ela é
má... Se não acredita em mim, pergunte à Bree, que é criada dela
e ela poderá falar sobre isso. Não pretendo deixar meu povo nas
mãos de alguém como ela... E se você tiver amor ao próximo, virá
comigo.
Eu
vi a determinação de Fay, eu não duvidava dela, o pesadelo, o que
eu senti, a frieza da voz feminina... Era o suficiente para me fazer
acreditar no que Fay falava, mas mesmo assim... Eu poderia até lutar
ao lado de Fay para que Ariel nunca assumisse o trono, mas não me
sentia preparada para assumir esse lugar.
Capitulo
IV
Fay
Então
Lauren não queria ser rainha não por falta de compaixão, não por
não se importar, não por egoísmo, não por vingança contra o
local que virou as costas para ela, mas por medo, isso foi nítido em
suas palavras, medo de errar. Isso tornava as coisas mais fáceis na
minha opinião, eu podia ajuda-la a superar esse medo, eu só
precisava motiva-la, tentei conversar de novo com ela sobre o assunto
durante o dia, mas Lauren sempre desconversava, por fim, acabei
desistindo, tinha que pensar primeiro em tomar meu lugar por direito,
mandar prender Ariel pela morte do Rei e depois poderia aos poucos
convencer Lauren. Afinal ela continuaria sendo rainha até o momento
que nomeasse outra pessoa para esse cargo.
A
noite chegou, junto com essa a reunião com os solitários. Na
reunião estava presente além dos solitários e todos que vieram
comigo, Savannah e Lucian, os demais membros da caça tinham ficado
fora da reunião à pedido de Lauren.
Durante
a reunião foi falado sobre a nova situação do Reino Encantado, dei
a oportunidade de todos terem suas penas analisada novamente, a
família dos banidos do Reino foram convidadas à retornar caso assim
desejassem, tinha pessoas ali que seus familiares banidos já tinham
morrido, esses foram convidados à voltarem comigo e lhes garanti uma
casa e um emprego. Os que tinham cometido algum crime, convidei para
que assim que as coisas tivessem mais calmas, que Ariel e um tio
estivessem presos, retornassem ao Reino Encantado onde eu iria
avaliar um por um.
Foi
passada as informações sobre como deveria estar o Reino Encantado e
o que deveriam esperar quem fosse retornar comigo para o mundo
Encantado, um número maior do que eu esperava se ofereceram voltar
comigo e lutar ao meu lado, era bom saber que eu não voltaria
sozinha.
Blake,
Seth e surpreendentemente Bree, disseram que retornariam, Lauren nada
comentou e eu sabia que Savannah, Derek e Lucian só iriam aonde ela
iria. Mas apesar de Lauren não ter falado que iria, também não
disse que não iria, apenas não respondeu nada, talvez tivéssemos
uma surpresa, pelo menos era o que eu esperava.
O
dia seguinte amanheceu, Seth, Bree, Blake e eu nos preparamos para ir
para o Mundo Encantado.
— Irei
com vocês. — Lauren anunciou quando entramos na cozinha, ela
estava fazendo o café da manhã. — Derek e Savannah estão
arrumando as coisas... Chamarei a caça se for necessário.
— Fico
feliz que tenha se decidid... — Comecei a dizer, mas Lauren me
interrompeu.
— Continuo
não querendo assumir o trono... Mas Derek passou tempo demais longe
da família por minha causa. — Lauren respondeu. — Seria egoísmo
meu mantê-lo aqui comigo quando ele tem a oportunidade de ver e
viver com sua família... E preciso descobrir uma forma de liberar
Savannah dos domínios de qualquer Rei ou Rainha Sombrio...
Eu
sabia que não tinha uma forma de Lauren libertar Savannah assim, mas
não falaria nada, por hora ela iria para o mundo encantado e talvez
lá se convencesse à ficar.
— Fico
feliz que venha conosco então... — Respondi — Precisaremos de
sua ajuda.
Lauren
apenas confirmou com a cabeça e então arrumou a mesa, colocando
sobre ela o café, suco, pão e algumas frutas para que pudéssemos
comer. Nos sentamos e comemos algo, Derek e Savannah logo se juntaram
à nos.
O
sol tinha acabado de nascer totalmente quando todos os solitários
que iriam conosco se reuniram na casa de Derek e fomos juntos para o
portal que Lauren tinha utilizado para entrar no Reino Encantado, era
esse o mais perto de onde estávamos. Para evitar chamarmos muita
atenção, combinamos que iriamos de forma invisível para o olhar
dos mortais até lá.
Sem
pressa todos seguimos Math que apesar de ter escolhido ficar com o
pai no mundo mortal, disse que nos guiaria até o castelo.
Muitos
dos solitários estavam animados com a expectativa de voltar para o
mundo encantado, outros curiosos, esses nunca tinham estado lá.
Alguns estavam tensos com receio do que estava por vir, eu confesso
que estava com todos esses sentimentos misturados, esperava apenas
que Ariel não tivesse tido tempo de se preparar para uma possível
batalha, porque eu ainda teria que reunir o exército.
Quando
chegamos a passagem, Math se encaminhou para onde deveria ser o
portal, dentro de um lago, todos os seguimos mas então Math para
antes de atravessar.
— Tem
algo errado... — Ele fala alarmado olhando para nós. — O portal
não está aqui...
— Como
assim o portal não está aqui? — Lauren pergunta se aproximando
dele. — Eu já passei por ele, ele não pode sumir assim.
— Não
está... — Math respondeu e então mudou de forma, adotando sua
forma mágica que o fazia parecer ser um ser de luz apenas e começou
a olhar ao redor. — Eu não consigo sentir a energia do portal...
Nada...
— Os
portais podem desaparecer assim do nada? — Lauren perguntou olhando
para mim.
Portais
do mundo encantado para o mundo mortal, o que eu sabia deles? Eu
fechei os olhos me concentrando nas aulas que havia tido, me
lembrando dos meus professores falando que existiam diversos portais
espalhados em todo reino mágico que dava para diferentes partes do
reino mortal, os portais sempre eram bem ocultos e protegidos mas
existiam casos dos mortais atravessarem o reino encantado, quando
algo assim acontecia os reis deveriam decidir entre enviar o mortal
de volta para o seu mundo apagando a memória deles, ou deixa-lo para
sempre no reino encantado.
Em
ambos os casos o portal por qual o mortal havia passado seria
analisado e se não estivesse em área segura deveria ser
imediatamente fechado. Em caso de muita interferência dos mortais no
mundo encantado ou uma possível guerra, todos os portais deveriam
ser fechados até que o mundo encantado pensasse em algum plano. Isso
não era uma boa coisa, olhei para Math e Lauren.
— Em
caso de o reino encantado estar em perigo pela ação de mortais que
pudessem através os portais, como uma ação emergencial é
recomendado que se fechem todos os portais. — Comecei a dizer. —
Isso me foi ensinado em aulas, Ariel deve saber também. Existe
também protocolos para se fechar portais específicos... Se tivermos
dado sorte, Ariel sabe que conhecemos esse portal e fechou apenas
esse... Se ela tiver fechado todas as passagens para o mundo
encantado...
— O
que acontece se ela tiver fechado todas as passagens? — Lauren me
interrompeu parecendo aflita.
— Ficaremos
presos aqui. — Blake que respondeu.
— E
então temos que correr e torcer para que os demais portais não
tenham sido fechados! — Lauren respondeu. — Math ou qualquer
outro... Quais portais vocês conhecem?
Capitulo
V
Lauren
Confesso
que não estava completamente animada com a ida para o mundo
encantado, a primeira vez que estive lá, quando eu nasci quiseram me
matar e depois me expulsaram. Na segunda vez que estive lá fui
torturada e novamente queriam me matar. Agora estava indo para lá
sabendo que tinha gente que queria me matar... O tempo todo que
falavam “Reino Encantado” me via a palavra morte na cabeça.
Mas
seria egoísmo total da minha pare manter o Derek afastado de sua
família, ele tinha sido afastado da família por minha causa, eu
podia voltar lá e ficar um tempo lá com ele para que ele pudesse
passar um tempo com a família, no Reino Encantado. Nesse tempo eu
tentaria libertar minha mãe de seu cargo como assassina e depois eu
voltaria para o mundo mortal, ele então poderia ficar por lá se
desejasse... Savannah cuidaria de mim, ele não precisaria ter essa
responsabilidade. Foi por isso e apenas por isso que decidi ir para o
mundo encantado, portanto pode parecer estranho mas fiquei
decepcionada quando o portal estava fechado.
Fomos
para mais três portais conhecido pelos solitários e todos fechados,
voltamos para a sala de reuniões, o QG dos solitários, tínhamos
que pensar no que fazer, já que não poderíamos deixar Ariel no
controle. Math fez contato com outros solitários que ele e Dial
conheciam que moravam em outros lugares, outros estados e países e
perto de algum portal, pedindo para que esses verificassem os portais
perto da onde moravam, depois de algumas horas nessa espera... Todos
os portais estavam fechados... Parece que não existia uma forma de
voltar para o mundo encantado.
Fay
disse que se ela conseguisse contactar alguém que estivesse no mundo
encantado que poderia ver de alguém abrir algum dos portais, mas
como fazer isso? Não existia uma forma de contato entre os dois
mundos, ela poderia tentar através do sonho, era uma forma
razoavelmente fácil, mas provavelmente Ariel teria pensando em uma
forma de impedir isso.
— O
que faremos então? — Adam perguntou.
— Não
existe muita coisa que podemos fazer. — Blake respondeu.
— Majestade.
— Lucian que tinha se unido à nós falou para Fay. — Talvez a
vossa excelência poderia tentar contactar alguém através dos
sonhos.
— Deve
ter outra forma de conseguirmos abrir um portal ou irmos para o mundo
encantado. — Fay parecia preocupada, muito preocupada.
— Lucian
tem razão, nossa melhor chance agora é você conseguir falar com
alguém que esteja lá no reino encantado. — Eu interferi. —
Lucian e a caça vão procurar os antigos portais, aqui perto e
montarem guarda, se corremos perigo nas mãos da Ariel, ela terá que
mandar alguém do mundo encantado para cá e para isso precisará de
um portal, se um de nós entrar resolvemos esse problema. Enquanto
isso eu e os outros solitários iremos procurar outras formas de
entrar no mundo encantado.
— Existe
alguns seres encantados que quando foram expulsos trouxeram livros
para cá, temos uma biblioteca de livros encantados. — Math disse.
— Podemos ir para essa biblioteca e estudar os livros de lá.
— Okay.
— Derek respondeu. — Vamos para a minha casa para Fay poder
dormir. Blake, Morgana, Math e Savannah podem ficar lá em casa
ajudando a proteção da Fay para ela se concentrar só em fazer
contato.
— Lucian,
deixe alguns da caça com ela. Os melhores. — Eu disse e ele
concordou com a cabeça.
— Sim
Majestade. — Lucian respondeu.
— Não
preciso de tanta gente comigo. — Fay respondeu.
— A
nossa melhor chance ainda é você contactar alguém Fay. —
Respondi. —Então prefiro que você fique em segurança para se
concentrar apenas nisso. — Me virei para os demais. — Adam, Bree,
Seth, Derek e quem mais puder vir, vamos para a tal biblioteca,
qualquer livro sobre portais e passagens devem ser lidos com atenção.
— Eu
levo vocês até lá. — Bianca respondeu.
Mais
alguns solitários se ofereceram para ir até a biblioteca, alguns
disseram que só poderiam ir depois, teve mais um grupo que foi atrás
dos solitários mais antigos para saber se eles poderiam conhecer
alguma informação sobre portais que não estivesse nos livros.
Com
todos já sabendo o que deveriam fazer e para onde deveriam ir, cada
um tomou seu rumo. Bianca e Adam foram na frente, eles sabiam onde
ficava a tal biblioteca, não era nada muito grande e nem mesmo
divulgada.
A
biblioteca na verdade ficava na casa de uma família de solitários
que tinham vindo para o mundo mortal à 5 gerações, ninguém sabia
o porque eles tinham vindo para o mundo mortal, mas nunca tiveram o
desejo de voltar. Atualmente moravam na casa os pais e os três
filho, o mais velho chamado Leonardo que tinha 19 anos e o casal de
gêmeos que tinham 16 anos e se chamavam Igraínne e Franco.
Foi
a família deles que iniciou a biblioteca no século passado, os
solitários que chegavam acabavam doando seus livros para essa
biblioteca onde todo ser encantado tinha acesso, provavelmente Bree e
Seth eram os primeiros mortais à pisarem ali.
A
casa ficava em uma colina e era enorme, a parte da biblioteca era com
certeza maior do que qualquer casa que eu já morei, quando chegamos
na casa apenas Franco e Igraínne estavam no local, os dois eram
muito simpáticos e solícitos, começamos então as pesquisas,
Igraínne quee estava mais por dentro da localização dos livros nos
disse os nomes dos livros que ela conhecia e poderiam ter alguma
coisa que a gente precisava e então a busca nos livros começou.
Com
tantos livros antigos na minha frente eu não tive como não lembrar
de Leslie e de como ela surtaria de felicidade com tantos livros
antigos ali, seria bom ter a ajuda dela. Quanto tempo eu não a via
mesmo? Fazia séculos que eu não via Leslie e nem Gus... Ninguém da
minha antiga vida, mas com tudo o que tem acontecido eu não tinha
como pensar muito nisso. Talvez quando tudo isso terminasse eu
pudesse voltar à ser uma garota normal, terminar a escola, encontrar
meus amigos, sairmos para um rodízio de pizza, coisas normais sem
ter pessoas querendo me matar, coroas entre outros... Se bem que eu
não era uma garota normal, nunca fui uma garota normal, sempre soube
disso.
Bem,
aquele não era o momento para ficar remoendo isso, tinha que me
preocupar e me focar nas pesquisas e foi isso que eu fiz, eu e os
demais, tínhamos muitos livros para ler e duvido muito que a sorte
nos faria achar qualquer coisa relevante no primeiro livro que
pegássemos.
Capitulo
VI
Savannah
Foram
dias angustiantes desde o dia que recebi a missão de matar Derek, eu
não sabia o que fazer, só sabia que nunca mataria Derek, eu não
mataria meu filhote e o namorado de minha filha, eu já tinha sido a
responsável pela morte da mãe dela, não iria tirar mais alguém da
minha filha, eu não me perdoaria se tivesse que fazer algo assim. Eu
preferia a minha própria morte do que tirar a vida de alguém que
amo. Mas Lauren não me decepcionou, era algo simples a se fazer, me
matar, mas eu sabia que a filha de Amélia nunca faria isso.
Foram
dias, semanas onde imaginei que nunca mais veria a liberdade, mas eu
faria isso, por Lauren e por Amélia, foi então que eu senti algo se
romper, foram segundos onde mesmo presa eu senti a liberdade e depois
senti um novo vínculo. Owen não fora o primeiro Rei Sombrio do qual
jurei minha servidão, por isso eu soube nos meus segundos de
liberdade o que tinha acontecido. Owen havia sido destronado, não
apenas destronado, ele havia sido morto, eu senti isso. Olhei meu
pulso e naquele exato momento o nome de Derek desapareceu.
Mesmo
não estando presente, eu sabia que o meu laço agora seria com
Lauren, a marca dela de nascença que ela carregava na mão e tanto
se recusava à aceitar, por isso quando Lauren chegou até a mim,
parecendo ainda meio receosa, eu já sabia que via ali não a minha
filha e sim a minha Rainha, seria um enorme prazer servi-la.
Mas
uma coisa me assustava... Eu conheci Owen quando ele era uma criança
apenas, antes de ser Rei, Owen não era nem de perto esse ser sombrio
que ele se tornou, não existia a maldade em seu coração. Depois de
coroado, com o passar dos anos, a maldade foi dominando-o. O Owen
criança que eu conheci, até mesmo o Owen que cortejou sua rainha no
início do casamento, nunca seria o Owen que estuprou Amélia com
crueldade, tantas e tantas vezes. Me fazendo assistir as vezes sem
poder fazer nada.
Um
rei sempre é ligado ao seu povo, sentimentos, emoções... Todos são
interligados, isso é o que faz um povo ser mais fiel ao seu rei. Com
a paz entre os dois reinos, o povo das sombras sentia falta das
brigas, da guerra, do sangue, do ódio... Eles se alimentam desse
tipo de sentimento, é por isso que muitas mortes de mortais e de
seres encantados ocorreram às escondidas, pelas mãos do rei, para
que o rei se alimentasse desses acontecimentos e o povo encantado das
sombras se alimentassem do seu rei.
Em
um mundo de paz, o rei tem que alimentar sua população e para isso
precisa sujar as próprias mãos. Esse era meu maior medo com Lauren
se tornando Rainha. Mais cedo ou mais tarde as necessidades do seu
povo se misturariam à sua própria necessidade e ela não saberia se
seus atos eram desejos seus, ou se eram desejo do seu povo.
Nem
a mais pura das pessoas consegue sobreviver à isso e eu temia pelo o
que a Lauren poderia se tornar, eu sabia que isso poderia
simplesmente fugir de seu controle, como um animal faminto que mata
para se alimentar, Lauren poderia matar também para alimentar a si e
ao seu povo.
Eu
ficaria de olho nela, por hora sabia que não tinha a necessidade
disso. A morte do Rei Sombrio deixaria a Corte das Sombras de luto
por um tempo antes de suas necessidades dominarem Lauren, por isso
não fiz objeção que de me separar dela, enquanto ela ficasse na
biblioteca. Sabia que estaria protegida e sabia que ela aprenderia
muitos nos livros. Por hora precisava ajudar Fay, ela era necessária
para entrarmos no Mundo Encantado e para isso precisaria de
concentração, mesmo não a conhecendo muito bem, sabia o quanto ela
devia estar abalada com os acontecimentos.
Ao
chegarmos na casa de Derek, três membros da Caça já nos aguardava
por lá.
— O
Alfa nos mandou até aqui para proteger a Rainha da Luz. — Um dos
membros com estatura mediana, pele morena e olhos verdes informou.
— Sim,
precisaremos de toda ajuda possível para que ela se sinta segura. —
Blake respondeu. — Preciso que vigiem as portas de acesso da casa.
— Já
temos dois vigiando a entrada dos fundos mais três em pontos
estratégicos para averiguar qualquer movimentação nas
proximidades. — Ele respondeu. — Friedrich e Drew irão vigiar a
entrada principal — Ele apontou para os membros que estavam com
ele. — E eu irei ajudar a Rainha à se concentrar.
— Agradecemos
à ajuda. — Blake respondeu. — Mas dispensamos a sua ajuda... A
propósito, qual o seu nome?
— Perdoe-me,
sou Wesley. — Ele se apresentou e olhou para Fay. — Apesar de ser
uma Rainha da Luz, vejo sentimentos conhecidos pelas sombras nela,
tristeza, uma certa raiva e ódio... Todos da caça recebem dons que
ajudam a matilha, o meu dom é dissipar a raiva e tristeza das
pessoas, deixa-las em paz, isso geralmente ajuda em um ataque.
Deixe-me dissipar a dor que existe nela nesse momento. Por mais que a
raiva seja necessária as vezes... Nesse caso não vai ajuda-la.
— Eu
agradeceria a sua ajuda Wesley. — Fay respondeu. — Será mais
fácil dessa forma.
Com
a autorização da rainha, Blake permitiu a entrada de Wesley.
Entramos na casa e com a caça protegendo as saídas, nos
concentramos no interior da casa. Mesmo que Fay tivesse indicado
ficar em seu quarto decidimos que ela ficasse no quarto de Derek e
Lauren, pois lá era mais protegido.
Fay
se deitou na cama e fechou os olhos para dormir, Wesley ficou por lá
ajudando a dissipar a raiva e tristeza de Fay. Blake e eu ficamos no
quarto também, Blake próximo à janela e eu próxima à porta.
Ninguém entraria ali sem passar por mim ou por Blake.
Durante
o sono, Fay por vezes se demonstrou angustiada, toda vez que ela
tinha esse tipo de alteração, Wesley usava seu dom para acabar com
a angustia dela. Fora isso o dia ocorreu normalmente e quando a noite
estava chegando, Fay despertou, ela parecia cansada para quem acabou
de acordar e infelizmente não tinha conseguido falar com ninguém,
nem mesmo com suas criadas mais próximas, com quem tinha uma maior
ligação.
De
noite também Lauren chegou junto com Derek e os dois mortais Bree e
Seth, não tinham conseguido encontrar nada sobre portais.
— Tem
livro demais lá. — Lauren disse de forma cansada. — Li coisas
interessantes e anotei livros e páginas. — Ela me contou mostrando
as anotações dela. — Coisas que eu vou querer estudar depois, mas
por enquanto eu me concentrava em procurar sobre portais e formas de
contato com o mundo encantado, não achei nada útil.
— É
só o primeiro dia, não se desanime. — Eu a respondi.
— E
Fay? Conseguiu algo? — Lauren me perguntou e eu balancei a cabeça
negativamente. — Eu tinha esperança que ela tivesse conseguido
algo...
— Vocês
duas estão cansadas, passaram por muitas coisas ultimamente. —
Savannah respondeu. — Amanhã é um outro dia.
— Bem,
alguns solitários foram para lá agora de noite e continuaram as
buscas. — Lauren contou. — Resolvemos deixar sempre gente lá
pesquisando, revezando os horários, não que isso faça muita
diferença, mas as vezes gente demais acaba desconcentrando.
Lauren
parecia realmente esgotada, por isso foi tomar um banho, sabia que
isso a deixaria mais bem disposta, afinal o contato com seu elemento
a faria melhor com certeza, enquanto isso Derek e Bree fizeram o
jantar para todos ali, inclusive para a caça que continuava
guardando a casa.
Ninguém
estava disposto à conversar muito naquela noite, por isso após o
jantar Derek organizou os lugares para todos dormirem, e cada um foi
para o seu quarto, mas aquela noite não seria tão tranquila para
todos.
Capitulo
VII
Aril
Desde
pequena eu sempre desejei ser mãe, foram várias as tentativas de
engravidar, o único que vingou não sobreviveu por muito tempo,
chegou apenas até os 3 meses. A pior dor de uma mãe é ter que
enterrar um filho, eu havia simplesmente desistido disso, desse meu
sonho, teria me tornado uma pessoa amargurada, incompleta se não
tivesse recebido uma missão na semana seguinte ao enterro do meu
filho. Amamentar e ajudar à cuidar da pequena Fay, a filha do Rei
que havia perdido a mãe no nascimento.
Ela
não era minha filha, mas mesmo assim tive receio de perde-la também,
por isso inicialmente me senti mais distante dela, não queria me
apegar, não queria amar uma criança perde-la novamente. Mas não
tive como não me afeiçoar à pequena Fay e antes mesmo que ela
completasse 1 ano, eu me sentia mãe dela.
Parece
errado eu querer ocupar o lugar da Rainha Lenora, eu nunca seria como
a verdadeira mãe de Fay, mas eu poderia amar e protege-la, como
gostaria de ter feito pelo meu filho, por isso abri mais uma vez meu
coração e dei para Fay a única coisa que o Rei não poderia dar, o
carinho materno, os olhos brilhantes que apenas uma mãe tem quando
vê seu filho alcançando suas primeiras conquistas. O orgulho nas
primeiras palavras. Fay não tinha nascido de mim e por motivos
óbvios nunca me chamara de mãe, eu não sei se ela tinha esse tipo
de carinho por mim, mas a cada conquista de Fay, eu me sentia
orgulhosa, como imaginava que sentia quando desejava ser mãe.
Nunca
dei à Fay presentes caros, ela tinha todo o reino para lhe dar esse
tipo de coisa, mas lhe dei conselhos, elogiei suas conquistas,
guardei seus desenhos a vi crescer. Se meu filho estivesse vivo e eu
tivesse morrido, eu desejaria que alguém cuidasse dele daquela
forma.
Eu
sabia que um dia me tornaria dispensável na vida de Fay, quando ela
não precisasse mais de meus conselhos, quando ela se tornasse a
Rainha, mas aquilo não me importava, a única recompensa que queria
por todo o meu trabalho era ver que ela se tornaria uma princesa
bondosa e justa.
Mesmo
que eu tivesse me preparado para o dia que eu não seria mais
necessária na vida de Fay, todos os dias desde seu desaparecimento
foram terríveis, eu não sabia onde ela estava, se ela estava bem,
se estava precisando de algo, quando eu soube que ela foi acusada de
traição e que seu pai colocou os soldados atrás dela, meu coração
quase parou de bater. Implorei aos Deuses que Fay ficasse bem, eu
cheguei a desejar a morte de todos os soldados do rei desde que Fay
ficasse segura, era uma coisa horrível a se desejar eu sei. Mas não
perderia mais um filho.
Eu
não fazia ideia se os soldados tinham conseguido encontra-la ou não,
só sabia que eles não a tinham matado, pelo menos não ainda, se o
tivessem feito apareceriam rapidamente com seu corpo para mostrar ao
rei.
Mas
agora não tínhamos mais um rei. Não o verdadeiro, Macsen, o irmão
do príncipe Owen, junto com sua filha Ariel tinham assumido o reino,
mas nenhum dos dois tinha as marcas. O que queria dizer que outra
pessoa tinha sido escolhido para liderar as duas Cortes. Se Fay ainda
estivesse viva com certeza seria ela, então até que não aparecesse
alguém com as marcas reais ou essas marcas aparecessem em outra
pessoa, eu mantinha a esperança que Fay estivesse viva.
O
rei tinha acabado de morrer, mesmo assim já estávamos vendo o
inferno que seria com Macsen e Ariel no trono, a tensão no ar era
tão forte que poderia ser cortada com uma faca se alguém quisesse.
Mas é a noite que os piores pesadelos acontecem.
Eu
estava em meu quarto, no castelo, eu ainda tinha deveres no reino.
Era de noite e eu já estava dormindo, quando meu quarto é invadido,
eu mal abri os olhos e vi soldados do Rei, não tive tempo de tentar
identifica-los, pois antes que eu pudesse reagir um capuz foi
colocado na minha cabeça.
— O
que está acontecendo? — Eu perguntei, mas ao invés da resposta
senti meus braços sendo presos e então me puxarem. — Para onde
estão me levando? Quem são vocês? — Eu quase gritei mas não me
responderam.
Eu
tentei olhar por baixo do capuz, ver algo, aquela escuridão era
aterrorizadora, mas eu fui arrastada, pelo castelo, não sabia para
onde estava indo só sentia o descer das escadas, tentei acompanhar
os passos dos dois soldados que me puxavam, mas não conseguia, eles
simplesmente me puxavam e me arrastavam como se eu fosse uma coisa
qualquer.
— Por
favor, o que está acontecendo? Para onde estão me levando? — Eu
tentei falar com eles, mesmo minha voz sendo abafada pelo capuz, era
possível ouvi-la. — Eu posso ir andando sozinha!
Ninguém
me respondeu, apenas continuaram me puxando e eu escutei portões
abrir, barulho de metal, soltaram as minhas mãos e então fui
empurrada, senti o impacto do meu corpo no chão e então rapidamente
tirei o capuz, escutando o barulho de portões sendo fechados, eu me
levantei a tempo de ver um dos guardas, Declan abrindo um pergaminho.
— Aril,
você teve seu direito de liberdade revogado por ser considerada
cumplice da traidora do reino Fay. — Ele disse com a voz monótona.
— Seu julgamento com o Rei Macsen ocorrerá em breve. Será julgada
pela morte do Rei Owen.
— Isso
é um absurdo eu nunca faria mal ao um rei. — Eu disse me
aproximando das grades.
— Por
ser cumplice da traidora do Rei, é uma das suspeitas de sua morte
até que se prove o contrário. — Declan terminou e simplesmente
saiu de lá.
— Aril,
você está bem? — Eu escuto uma voz conhecida na cela ao lado, me
viro para ver Stan, com o rosto inchado e marcas de sangue em sua
roupa.
— Stan!!!
O que aconteceu com você? — Eu perguntei correndo na direção da
grade que separava nossas celas.
— O
mesmo que você... Foram em meu quarto essa noite. — Stan respondeu
e era visível que ele estava sentindo dor. — Pegaram minha esposa
primeiro eu reagi.
— Como
está a Suzanne? — Perguntei preocupada sobre a esposa de Stan.
— Bem,
creio eu, eu não consigo vê-la, mas consigo ouvi-la, ela está em
uma das primeiras celas. — Stan respondeu.
— Mas
o que está acontecendo exatamente? — Perguntei para Stan.
— Todos
os que são próximos ao Rei ou à princesa Fay foram colocados
aqui... Acho que Macsen não quer ninguém que duvide de sua
autoridade. — Stan me respondeu.
— Eles
vão nos manter presos aqui para sempre? — Perguntei.
— Para
sempre não... Seria burrice, podemos nos rebelar... Ficaremos aqui
só até o julgamento provavelmente. — Stan respondeu.
— E
quando será o julgamento? — Perguntei preocupada. — Não me
falaram a data.
— Nem
Macsen e nem Ariel são os verdadeiros Rei e Rainha, eles não podem
julgar ninguém sem ter alguém que ocupe verdadeiramente esse cargo.
— Stan respondeu. — Isso é uma das lei irrevogáveis do mundo
mágico. A única forma de Macsen e Ariel poderem realizar o
julgamento é se passar 6 meses sem ninguém ocupando esse cargo.
— E
se isso acontecer, o que você acha que pode acontecer conosco? —
Eu tinha medo da resposta.
— Se
tivermos sorte, seremos banidos para o mundo mortal... Mas
conhecendo os dois... Acho que irão nos executar. — Stan
respondeu.
Tentei
não me desesperar, olhei para frente e vi que na cela da frente
tinha três crianças conhecidas, filhos de um dos guardas de Owen.
Naquele momento desejei que Fay estivesse viva, a minha vida e a de
todos ali estavam nas mãos dela.
Capitulo
VIII
Fay
Tinham
prendido Aril, acordo assustada no meio da noite, eu havia visto
tudo, desde o momento que eles a pegaram, não apenas ela como Kirrin
e sua família, Stan e sua esposa, Piran, Seoc e outros dos que
serviram fielmente ao meu pai e eu. Pedidos de socorros encheram a
minha cabeça e eu queria conseguir ir naquele momento para o Reino
Encantado. Era por isso que tinham bloqueado as passagens, para que
eu não conseguisse ir salva-los. Quando Ariel e um tio tivessem o
poder, matariam todos. Eu precisava ir logo para mundo encantado. Eu
precisava salva-los.
Eu
sabia que não conseguiria dormir, minha cabeça estava cheia de
pedidos do meu povo, eu não conseguia ficar no quarto, eu tinha que
sair, talvez eu conseguisse pensar melhor, saí do quarto fazendo o
máximo de silêncio possível e fui até a porta dos fundos, onde
tentei sair sem fazer muito barulho, mas não tive muito sucesso
nisso.
— Não
pode sair à essa hora majestade. — Um homem que guardava a porta e
reconheci sendo um membro da caça me disse.
— Eu
só preciso esfriar a cabeça, não vou para muito longe. —
Respondi, não devia satisfações à ele, mas sabia que ele estava
apenas me protegendo.
— É
perigoso majestade. — Ele respondeu.
— Tudo
bem Velkan. — Escutei a voz da Lauren que não tinha reparado
estava ali do lado de fora. — Vamos ficar juntas.
— Devo
mandar alguém com as duas? — Velkan perguntou à Lauren.
— Estaremos
aqui perto, a sua vista. — Lauren respondeu e me olhou. — Eu não
consegui dormir.
— Eu
também... — Respondi seguindo Lauren que ia até um banco de
madeira no quintal da casa.
— Tem
algumas vozes na minha cabeça e tive pesadelos com o pai do Derek. —
Ela me contou quando me sentei ao seu lado.
Eu
me esquecia de que Lauren não conhecia as coisas do mundo encantado,
mesmo que ela não conhecesse o povo da Corte das Sombras, os pedidos
de socorros deles chegaram até ela. Ela provavelmente achava que
aquilo era um simples pesadelo.
— Essas
vozes são pessoas da Corte da Sombras... — Expliquei. — Mesmo
que você não queira assumir o trono, mesmo que não os conheça,
tem uma ligação agora com eles... E o pesadelo com o Stan... Não
foi bem um pesadelo... O que você viu aconteceu... Ele é da Corte
das Sombras, da sua corte.
— Então
ele foi preso? — Ela me perguntou alarmada. — E aquela mulher...
Ela é mãe de Derek? — Eu confirmei com a cabeça e rapidamente os
olhos de Lauren se arregalaram. — Havia um homem, que disse que...
Que era para ele aproveitar a prisão porque seria o ultimo lugar que
ele estaria... Fay... Aquele homem vai matar o pai do Derek.
— Que
homem? Eu não vi o que você viu Lauren, eu preciso que você me
conte. — Eu disse tentando entende-la e assim acalma-la.
Lauren
então me contou seu sonho, na verdade os seus sonhos, o sonho com
Stan, sobre ele ter sido capturado por um homem que pela descrição
que ela deu era Declan, segundo Lauren, Declan ameaçou Stan e a
esposa dele e mesmo depois que Stan havia se rendido ainda levou dois
chutes de Declan.
Lauren
me contou também sobre a prisão de Kirrin e sua família, dizendo
que quando as crianças foram presas ela simplesmente acordou e não
dormiu mais com medo do pesadelo continuar e agora eram apenas as
vozes em sua cabeça pedido ajuda, pedindo pela liberdade.
Contei
para Lauren sobre o que eram as vozes e os pesadelos, comentei sobre
o membro da caça que tinha me trago a paz enquanto eu dormia mais
cedo e que ele talvez pudesse ajuda-la, disse como funcionava os
julgamentos e sobre a necessidade de irmos para lá o quanto antes.
— Eu
sei, eu sei que precisamos ir para lá... Mas como Fay? — Lauren me
perguntou e parecia realmente preocupada. — Como vamos para lá? Eu
não sei como abrir o tal portal...
— Eu
também não sei. — Respondi.
— Espera...
Você também teve esses sonhos certos? — Lauren perguntou. — Seu
povo se comunicou com você, então talvez você consiga se comunicar
com eles e pedir para abrirem os portais.
— Não
é assim. — A respondi. — Todo regente tem uma ligação direta
com seu povo, saber como ele está, suas necessidades, sentir na pele
isso para que possam ser bons regentes. Você deve ainda estar
escutando os pedidos de ajuda, porque é como se você estivesse na
cabeça deles, quando você fecha os olhos, você continua na cabeça
deles, no entanto que a nossa visão, é a visão deles. Não podemos
criar nada e nem mudar nada nesse tipo de sonho. Em momentos de
desespero os regentes são transportado para a cabeça do seu povo. —
Eu tentei explica-la. — O processo inverso, a gente se comunicar
com eles, é muito mais complicado, precisamos ter o domínio total
do sonho, precisamos criar o sonho, o local e então, se a pessoa
tiver dormindo chegarmos até os sonhos dela. Além de que, quem
controla esses sonhos é Nodens.
— Existe
alguma forma de falarmos com esse Nodens? — Lauren me perguntou.
— Ele
é um ser encantado supremo, o que os mortais chamam de Deuses. —
Fay explicou. — Ele vive no Reino Encantado, além das terras das
duas Cortes, em Avalon... A única forma de falar com ele, seria ir
até lá...
— Ou
seja, nada feito... — Lauren disse perdendo as esperanças.
— Vamos
conseguir arranjar um jeito Lauren. — Eu disse, querendo anima-la.
— Muitas pessoas dependem de nós... Nos temos que dar um jeito.
— Assim
que amanhecer, eu voltarei à biblioteca. — Lauren disse. — E
você tente conseguir encontrar alguém em sonho.
— Okay.
— Eu respondi, mas com os que eram fiéis a mim sendo presos, em
quem eu poderia confiar para abrir o portal? Mas isso era algo com o
qual eu teria que me preocupar, não adiantava dar mais essa
preocupação à Lauren.
Capitulo
IX
Derek
Dias
e dias se passaram com minhas idas à biblioteca tentando encontrar
algum livro que pudesse ajudar, eu e Lauren não éramos os únicos a
ir lá, todos os solitários se revezavam indo lá, dia e noite, mas
nada de conseguisse dar uma dica de como chegar ao mundo encantando,
revimos livros, mas nada, parecia que ninguém sabia como chegar no
mundo encantado sem ser com o portal criado no mundo encantado,
tentei manter a positividade mas eu já estava perdendo as
esperanças.
Fay
por sua vez não conseguia se comunicar com ninguém no mundo
encantado que pudesse ajudar, os que ela confiava estavam todos
presos à espera de julgamento, ela apenas soube que as coisas lá
não estavam anda boas, todos os que demonstravam não ser fieis à
Ariel e Macsen eram presos e aqueles que se rebelavam eram agredidos,
muitos eram levados à prisão de segurança máxima, com grades de
ferro Lauren me contou isso e eu vi o terror nos olhos dela quando
ela me contou.
Mas
essa não era a minha maior preocupação, o bem estar das duas
rainhas era o que me preocupava de verdade, não foram poucas as
vezes que acordei no meio da noite e não encontrei Lauren na cama,
geralmente ela estava nos jardins nas partes de trás da casa, na
maioria das vezes acompanhada de Fay, eu sabia que ambas estavam
tendo pesadelos com o que acontecia no mundo encantado.
No
começo dos pesadelos, Lauren se mexia muito na cama e as vezes
falava durante o sono, foi então que um dos membros da caça começou
a ser usado para tentar manter tanto Lauren como Fay em paz durante a
noite, isso estava esgotando o garoto, Lauren então pediu para que
ele não fizesse mais isso e novamente os pesadelos dela voltaram.
Já
tinham completado duas semanas que tínhamos tentado passar o portal,
acordei no meio da noite para ir para o banheiro e quando retornei
para o quarto, Lauren estava sentada na cama abraçando os joelhos,
olhando para frente, em um ponto fixo na parede, os olhos vermelhos e
com um ódio que nunca vi nela, nem mesmo quando o seu irmão fez o
que fez com ela.
— Snow...
— E a chamei pelo antigo apelido, via a respiração dela rápida,
naquele momento cheguei a pensar que ela poderia estar sonhando de
olhos abertos. — O que aconteceu? — Perguntei em um sussurro me
aproximando dela.
Me
sentei na cama, na sua frente, seu corpo estava todo tenso, ela
cerrava os punhos com tanta força que com certeza quando soltasse as
mãos, suas palmas estariam machucadas, levei a mão ao seu rosto,
mas antes que eu a tocasse Lauren desviou sutilmente o rosto.
— Não
me toque. — Ela falou entredentes.
— Lauren...
Sou eu, o Derek... — Respondi me ajeitando perto dela.
— Eu
sei... É por isso... Eu não quero te machucar... — Ela respondeu
com a respiração forte como se estivesse fazendo muita força.
— E
porque você iria me machucar? — A perguntei.
— Eu
não sei... Eu... Eu quero machucar alguém. — Lauren respondeu
olhando ainda para frente, sem me ver.
Lauren
machucar alguém? Eu fiquei inicialmente sem reação, sem saber o
que fazer, se os poderes dela ainda tivessem bloqueados eu
conseguiria impedi-la de machucar alguém, mas agora, como Rainha,
seus poderes só eram comparados com os de Fay.
— Não
me deixa machucar ninguém Derek... Só se for eles... Eles estão
machucando muitas pessoas então tudo bem eu machuca-los, mas não
quero machucar ninguém que seja inocente... — Lauren falava
olhando firme para a parede, sem se mexer, como se achasse que se
mexer a faria machucar alguém. — Eu não sei porque quero isso, na
verdade eu não quero... Mas é.... É como se eu não tivesse
escolha.
Eu
me levantei na mesma hora e fui para trás de Lauren, eu era seu
guarda, era meu dever impedi-la de se machucar e protege-la, mesmo
que fosse de si mesma, eu me posicionei por trás dela e a abracei
firmemente.
— Você
tem escolha Lauren, sempre terá escolha. — Eu disse em seu ouvido
a segurando firmemente. — Eu estou aqui para sempre lembra-la
disso.
A
respiração de Lauren ficou mais pesada, mais ofegante,
principalmente na hora que eu a segurei, eu sentia o corpo todo dela
tenso e sua respiração pesada, em uma luta interna.
— Isso
não é seu, esses sentimentos não são seus. — Eu dizia em seu
ouvido. — Você não é assim Lauren, lembre-se de quem você é...
Lauren
suava e não se mexia em nenhum momento, as vezes ela apertava mais
seu próprio corpo, não sei quanto tempo ficamos daquela forma, eu
tinha receio de solta-la e não conseguir impedi-la de machucar
alguém e se machucar com isso, estava amanhecendo quando senti sua
cabeça deitando em meu braço e seu corpo relaxando um pouco de
encontro ao meu, deixei que ela relaxasse, afrouxando um pouco o
abraço. Não sabia se ela ainda sentia aquele ódio, mas o cansaço
tomou conta do corpo dela e acabou dormindo.
Ajeitei
Lauren na cama abrindo suas mãos que permaneciam fechadas,
encontrando marcas das suas unhas que tinham deixando pequenos cortes
nas palmas das suas mãos. Não queria deixa-la sozinha, não sabia o
que tinha causado aquele ódio todo, mas tinha receio de ela não
conseguir se segurar da próxima vez. Eu queria conversar com
Savannah, talvez ela soubesse o que deveria fazer, algo para ajudar
Lauren, porém fiquei ali com ela, ficaria com Lauren até ela
acordar e eu ter a certeza que ela ficaria bem.
Lauren
acordou algumas horas depois, por volta das 10h, ela parecia
envergonhada sem querer me olhar.
— Desculpe
por essa noite... Eu não sei o que aconteceu comigo... — Ela falou
fitando o chão a sua frente.
— Você
já se sente melhor? — Eu perguntei preocupado me sentando ao lado
dela.
— Eu
não estou mais sentindo aquela raiva... — Lauren respondeu. — Eu
não sei o que aconteceu comigo... — Ela olhou para mim finalmente.
— Eu queria matar alguém... O que está acontecendo comigo?
— Eu
não sei — Respondi de forma sincera. — Talvez Fay ou Savannah
possam saber...
— Não
conte para ninguém. — Ela me pediu apressada. — Eu não quero
que as pessoas fiquem com medo de mim...
— Okay.
— Eu respondi e a abracei. — Será nosso segredo e eu estarei
sempre com você... Igual à essa noite, tudo bem?
— Obrigada...
— Ela respondeu parecendo envergonhada voltando a olhar para o
chão. — eu... eu vou tomar banho e... Temos que ir para a
biblioteca hoje.
— Tem
certeza que está bem para isso? — Perguntei preocupado.
— Não...
Não tenho. — Lauren respondeu. — Mas o que quer que tenha
acontecido essa noite, é relacionado ao mundo encantado, então
preciso ir para lá, quanto mais tempo ficar longe da biblioteca,
mais tempo sem conseguirmos ir para o mundo encantado e não sei até
quando você e eu conseguiremos segurar isso, se vier a acontecer de
novo...
Capitulo
X
Os
dias se passaram e apesar de eu estar a maior parte do tempo na
biblioteca ajudando Lauren e Fay, mais por causa de Seth pois eu
mesma nunca mais queria voltar para o mundo encantado principalmente
com Ariel no comando, já conseguia começar a me sentir mais mortal,
mais parte do grupo, mesmo ficando a maior parte do tempo com
criaturas encantadas, quando eu andava na rua tinha pessoas normais,
iguais a mim. Por vezes eu me pegava distraída olhando as pessoas ao
redor, desejando que encontrassem logo uma solução de ir para o
reino encantado, tirassem Ariel do poder para que então Seth e eu
pudéssemos estar realmente livres.
Meu
namoro com Seth ia... Queria falar que ia as mil maravilhas, mas
estaria mentindo, Seth se preocupava o tempo todo com a segurança da
Fay, mesmo estando longe dela, mesmo sabendo que criaturas mais
poderosas a protegiam. Por mais que eu quisesse acreditar que Seth
gostava de verdade de mim e tinha simplesmente esquecido Fay, eu
sabia que isso não era verdade, no fundo eu sabia, eu sabia que Seth
sempre amaria Fay e isso me machucava. Eu fazia de tudo para manter
as esperanças de que um dia ele gostaria de mim da mesma forma que
eu gostava dele.
Acordei
naquele dia cedo, achei estranho que Lauren ainda não estivesse
acordada, geralmente ela que era sempre afoita para ir a biblioteca
logo e enfiar a cara nos livros. Fui até a cozinha peguei cereal com
leite e me sentei de frente para a TV da sala assistindo alguns
programas dos mortais, Seth foi conversar com os guardas e treinar um
pouco, Fay estava em seu quarto ainda, eu tinha a televisão apenas
para mim, definitivamente eu me acostumaria fácil com a vida de ser
uma mortal. O bom dos programas que eu via, principalmente das
séries, é que eu aprendia melhor como me portar como uma mortal,
era estranho ter que aprender isso, mas eu não queria mais ser a
pessoa esquisita dos grupos.
Eram
10h quando Derek desceu me dando bom dia e indo para a cozinha,
Lauren apareceu logo depois e se sentou do meu lado, ela não estava
com uma cara nada boa.
— Está
tudo bem? — Perguntei realmente preocupada, eu gostava da Lauren.
— Não.
— Ela me respondeu de forma cansada. — Ainda não, mas vai
ficar... O que você está vendo?
— Pequenas
Misses — A respondi. — Todas as mães mortais são estranhas e
neuróticas assim?
— Não...
— Lauren riu. — Deixa eu procurar algo melhor que dê para você
entender os mortais menos esquisitos. — Ela pegou o controle da
minha mão, colocou no menu e então depois de um tempo colocou em um
canal. — Grey's Anatomy... Eles não são as pessoas mais normais
do mundo, mas é melhor do que as mães neuróticas.
Eu
continuei vendo a série com Lauren me explicando algumas coisas,
Derek apareceu depois trazendo um queijo quente e café para Lauren,
ela comeu ali comigo mesmo e era por isso que eu adorava Lauren, ela
era uma rainha, eu uma mortal e ela estava ali, sentada comendo
comigo ao seu lado, como se fossemos iguais, como se fossemos amigas.
Ela
acabou de comer e terminou de se arrumar, eu percebi que ela enrolou
um pouco para que o espiśodio que eu estava vendo terminar e então
chamou a mim, Seth e Adam, que tinha chegado lá na casa para ir
conosco, para irmos a biblioteca.
Lauren
foi na frente com Derek, Seth e Adam foram conversando e eu olhando o
mundo ao meu redor, passamos na frente de uma escola e de uma praça,
eu estava doida para conhecer todos aqueles lugares. Eu não sei bem
qual o poder de Lauren, mas me pareceu naquele momento que era o de
ler pensamentos, pois quando saímos da praça ela veio até a mim,
Seth e Adam.
— Adam...
Vou te pedir um favor diferente hoje... — Ela começou a dizer e
entregou dinheiro para ele. — Leve Seth e Bree para fazer coisas
normais, de mortais da idade deles... — Ela olhou para mim e
sorriu. — Ir ao cinema, ao shopping... Coisas assim...
— Mas
temos que olhar os livros... — Seth argumentou.
— Temos
solitários suficientes para isso... Vocês precisam se distrair. —
Lauren respondeu. — Tenho certeza que ficará tudo bem se
liberarmos vocês três.
Eu
estava empolgada demais com a ideia para comentar qualquer coisa
contra ou a favor, Seth parecia preocupado, o dever sempre falou mais
alto para ele, Adam foi até Lauren e perguntou algo muito baixo que
eu não consegui ouvir e ela o respondeu igualmente baixo.
— Okay.
— Adam por fim respondeu em um tom audível e se virou para mim e
para Seth. — Eu nunca fui guia turístico, mas acho que conheço
alguns lugares que vocês vão gostar bastante, espero que estejam
com pique para isso.
— Se
divirtam. — Derek respondeu abraçando Lauren.
Eu
apenas sorri para ela, de forma agradecida e então segurei a mão de
Seth e segui Adam para o caminho oposto ao da biblioteca.
— Acho
que o melhor lugar para distrair e conhecer os costumes da galera. —
Adam começou a falar. — É indo para um shopping, podemos ir ao
cinema, comer na praça de alimentação, ver lojas e etc.
— Tudo
bem. — Comentei animada.
— Okay...
— Seth respondeu. — Eu só acho que poderiamos aproveitar esse
tempo para fazermos algo produtivo... Se Lauren não nos quer na
biblioteca, poderiamos ajudar a proteger Fay...
— Seth.
— Adam olhou para nós. — Sei que você é um guarda mortal
extremamente eficiente e que com certeza faz seu trabalho muito
bem... Mas temos pelo menos seis membros da caça lá... Eu não sei
como é o treinamento da guarda real, mas acho que a tropa de elite
das sombras pode protege-la muito bem. — Ele respirou. — Olha, eu
sei que você quer ajudar, mas vocês dois tem que relaxar, sair...
Espairecer um pouco a mente e talvez assim quando voltarem a
biblioteca, consigam voltar mais leves e ajudar melhor. Então
hoje... Apenas se divirta.
— Vamos
Seth... Um momento de distração... Você sempre me disse que isso
era importante... — Eu o lembrei. — A gente recupera o tempo
perdido depois okay?
— Okay.
— Seth respondeu, mesmo não parecendo muito animado com isso.
Mas
a falta de animação de Seth durou pouco, mesmo não demonstrando eu
vi que ele ficou realmente animado com o cinema 3D, fomos depois em
um rodízio de pizza e massas onde comemos até ficar com vontade de
vomitar, andamos um pouco e fomos em uma área onde tinha um monte de
jogos e simuladores, foi tudo extremamente legal. Apesar de estar o
tempo todo sério, eu pude ver um sorriso nos olhos de Seth.
Adam
encontrou alguns amigos da escola, ela rapidamente nos falou que eles
eram mortais para que não cometêssemos nenhuma gafe e nos
apresentou como amigos da Lauren, pelo visto os três conheciam a
Lauren.
Antes
de irmos embora fomos em uma máquina que tirava quatro fotos
automáticas, tiramos fotos zuadas, nos três e depois com os amigos
de Adam e Lauren também, ficaram muito legais, definitivamente o
mundo mortal era a melhor coisa do mundo.
Foi
estranho sair do shopping e perceber que já estava de noite, eu não
parava de falar de tudo o que tinhamos visto, de como foi divertido,
eu estava doida para voltar lá de novo, mas sabia que a diversão
tinha chegado ao fim, ou pelo menos achava.
Fizemos
o caminho de casa, mas ao invés de irmos para casa, Adam nos levou
em um bar, precisava mostrar a identidade para entrar, mas ele
conversou algo com o cara que acabou nos deixando entrar.
— Toquei
aqui algumas vezes. — Adam disse. — E conheço a galera daqui...
A maioria da galera do bar são mortais, talvez tenha um ou outro
solitário, mas vamos tratar todos aqui como mortais okay? — Com a
nossa confirmação ele sorriu e por fim falou. — Essa noite vocês
vão conhecer a melhor diversão dos mortais e o motivo pelo qual a
maioria tem dores de cabeça após uma noite de diversão.
A
tal diversão era beber algo que tinha um gosto meio... Estranho mas
que depois de muito tempo bebendo coisas assim eu fiquei mais alegre,
Seth também, dançamos e nunca vi Seth tão solto, dançando ali, na
frente de todos, rindo bastante e parecendo gostar da atenção que
chamava, Adam apenas ria da gente e quanto mais bebiamos, mais solto
ficávamos, até que eu não me lembro direito o que aconteceu entre
um copo e outro, parte da noite se tornou um borrão na minha cabeça
e quando me dei por mim, eu e Seth estavamos na cama em um lugar que
a gente não conhecia, sendo acordado por Adam.
— Acordem
seus beberrões. — Ele disse acendendo a luz e um enjoo forte me
preencheu. — Tem baldes na frente de vocês, se forem vomitar,
vomitem nos baldes por favor. — Ele disse rindo e entregou um copo
de água para cada um e tirou uma cartela de comprimidos do bolso. —
Lição número 1 para vocês, sempre que beberem coisas com álcool
bebam água o tempo todo e nunca mais acordarão assim. Tomem isso
para curar a dor de cabeça que vocês deve estar. — Ele disse
entregando um comprimido para cada um de nós.
— Onde
nós estamos? — Seth perguntou se levantando, com a mesma dúvida
que eu. — E como viemos parar aqui?
— Vocês
estão na minha casa, eu joguei vocês em um taxi que os trouxe até
aqui. — Adam respondeu. — Eu dou mais explicações no caminho,
temos que ir logo para a casa do Derek.
— Sim,
está. — Adam respondeu. — Lauren acabou de me ligar, parece que
um dos solitários encontrou algo sobre criar portais no mundo mortal
para o mundo encantado, estamos todos indo para lá.
Capitulo
XI
Lauren
Eu
não sabia o que estava acontecendo comigo, aquela noite não foi a
única onde tive um dos ataques de raiva, mas foi com certeza o mais
intenso, eles estavam se tornando mais forte e eu fiquei com receio
de essa intensidade aumentar ainda mais de forma que chegaria um dia
onde eu não mais conseguiria me controlar. Tinha receio de contar
para as pessoas e eles ficarem com medo de mim, por isso contei
apenas para o Derek e torci para que ele conseguisse me acalmar
sempre.
Isso
me fez mais do que nunca querer ir logo para o mundo encantando,
derrotar Ariel, eu nem pensava em eu ter o trono, nos ataques de
raiva eu nem pensava em isso acabar depois, eu só me focava nela e
pensamentos horríveis passavam em minha mente, não sabia como era o
rosto dela, só que se fosse ela que estava causando essas coisas, eu
acabaria com ela.
Procurei
com afinco nos livros, já que havia dispensando Seth, Bree e Adam eu
tinha que fazer minha busca não ser prejudicada, sei que estavamos
em um momento difícil e minha escolha de dispensa-lo poderia não
ser entendida por muitos... Mas Seth e Bree eram mortais, essa guerra
não era deles, eu falava tanto sobre querer ser alguém normal que
não percebi que Seth e Bree nunca levaram uma vida normal, eles eram
mortais, eram para estar aproveitando a vida deles, por isso pedi
para Adam leva-los para se divertirem, eles precisavam disso.
Não
tive muita evolução naquele dia, porém eram 5h da manhã quando
meu celular tocou, não me lembrava da ultima vez que tinha sido
acordada por alguém ligando para o meu celular... Acho que quando
meu pai começou a beber a se afogar na bebida e ligaram lá para
casa as vezes quando ele simplesmente desmaiava nos bares da cidade.
Mas
dessa vez não foi uma noticia ruim, muito pelo contrário, acho que
fazia um certo tempo que uma noticia como aquela não surgia para
mim, para todos ali naquela casa, Guilherme, um dos solitários que
nunca tinha conhecido o mundo encantado disse animado no telefone.
— Encontramos...
— Ele me disse no telefone. — Existe uma forma de ser criado um
portal, estamos a caminho daí com o livro.
— Você
está falando sério? — Perguntei animada me sentando na cama e
logicamente recebendo olhares curiosos de Derek.
— Sim
e vocês vão conseguir fazer... O principal nós temos, o que não
tivermos conseguiremos facilmente. — Guilherme falava ainda mais
animado. — Já estamos chegando aí.
— Okay.
Até — Falei desligando o telefone e antes que Derek me perguntasse
eu o expliquei. — Eles conseguiram achar a forma de fazer o portal.
— Vamos
reunir todo mundo. — Derek respondeu pegando o telefone e começando
a ligar para os outros.
Antes
que Guilherme chegasse em casa com o livro e os demais solitários
que estavam na biblioteca, a casa toda já estava acordada, ansiosa
reunidos na sala, os solitários que moravam perto e voltariam para o
reino encantado também estava por ali, prontos para partir. Eu não
sei se conseguiriamos partir tão cedo, não fazia ideia do que
iriamos precisar para fazer o portal e quanto tempo demoraríamos, só
sabia que finalmente todos enxergavam ali uma luz para esse problema.
Quando
Guilherme chegou, veio logo contando como ele conseguiu encontrar o
livro e a informação no livro, Lucian até foi um pouco grosso com
ele falando para ele ficar quieto, que isso não importava agora e
então pegamos o livro, eu abri na página marcada o livro e por
maior que fosse a minha curiosidade, entreguei o livro para Fay.
— Eu
não vou entender termos ou palavras que possam estar aqui, leia
você. — Expliquei dando o livro para ela e então Fay começou a
ler as instruções.
Basicamente
o texto falava de que se fosse necessário o portal entre os dois
mundo deveria ser fechado e sobre as diversas formas de abrir o
portal estando no mundo encantado, mas caso todos os seres mágicos
estivessem no mundo mortal só tinha uma forma de abrir o portal para
o outro mundo, se os reis das duas cortes trabalhassem juntos, caso
contrário o mundo encantado estaria perdido para sempre.
E
então veio o ritual que precisaria ser feito na primeira noite de
lua negra, que Fay explicou que era no primeiro dia de lua nova,
quando não se via lua nenhuma no céu, no anoitecer, no exato
momento em que o dia e a noite dividissem o céu os reis, ou rainhas
no nosso caso, sombrio e da luz deveriam realizar um determinado
ritual em algum lugar que reunisse todos os elementos.
— No
local do enterro... Temos lá floresta, é no alto, tem o lago e
podemos acender uma fogueira por ali. — Eu disse quando ela leu
aquela parte.
Existia
uma série de coisas que precisariamos ter, ervas, pedras especiais,
madeira de uma determinada árvore, essências... Dial disse que se
responsabilizaria por conseguir tudo e alguns dos solitários
disseram que o ajudaria.
— Mas
quando será a próximo lua negra? — Perguntei, esse era o detalhe
mais importante, naquele momento recebi diversos olhares como se me
perguntassem como eu não sabia qual era a data. — Vocês podem se
guiar pela lua, mas eu aprendi a me guiar pelo calendário
esqueceram? A lua só era importante para eu cortar meu cabelo,
crescente para o cabelo crescer mais e cheia para ele ficar mais
volumoso....
— Estamos
no meio da lua nova... A próximo é daqui à quase um mês. — Fay
me explicou. — O bom é que temos um mês para encontrarmos tudo e
decorarmos sobre como será o ritual, não poderá ter erros.
— Eu
vou anotar agora tudo o que precisaremos, quanto mais cedo
conseguirmos tudo, melhor será, menos preocupação. — Dial
avisou.
Entreguei
meu caderno para Dial que começou a anotar tudo e dividiu os itens
para quem ele sabia que tinha mais facilidade em conseguir, mas todos
acabaram pegando a lista completa de itens, melhor sobrar do que
faltar.
Então
agora as coisas seriam mais fácil, Fay não mais precisaria ficar
tentando contatar alguém, não precisariamos mais passar horas na
biblioteca, a esperança e animo de todos foram restabelecidos, mesmo
tendo acordado no meio da noite, mesmo que estivessem cansados, agora
todos riam animados e até mesmo Fay parecia um pouco mais feliz, um
pouco mais animada. Até mesmo Fay tinha recuperado um pouco sua
esperança, finalmente algo estava dando certo.
No
decorrer daquele dia, todos os solitários e a caça já sabiam do
achado e todos já procuravam os itens da lista para o ritual, todos
queriam ajudar, independente de irem ou não para o mundo encantado,
eles queriam fazer parte daquilo e a esperança de que as coisas
dariam certo amenizou qualquer preocupação.
Com
aquele peso retirado de nossos ombros, todos pareceram ficar mais
leves, existia no ritual de criar o portal uma série de palavras e
de passos que tínhamos que realizar em perfeita sincronia, por isso
eu e Fay treinamos exaustivamente todos os dias ao longo daquela
primeira semana, as palavras que tinham que ser ditas eram em uma
língua diferente, provavelmente na mesma língua do feitiço para
mudar aparência, Fay repetiu as palavras diversas vezes para que eu
pudesse decorá-las e depois treinamos juntas para dizer ao mesmo
tempo.
Como
não era muita coisa para decorar, no final daquela semana estávamos
fazendo o ritual em perfeita sincronia, não precisávamos mais olhar
uma para a outra para nos alinharmos, nem mesmo o livro era
necessário mais.
Mas
apesar da esperança de que as coisas dariam certo, os momentos ruins
e raivosos não deixaram de acontecer, é difícil explicar o que
estava acontecendo eu estava conversando com alguém e do nada
começava a raiva, não era preciso uma palavra ou algo assim, era
somente a raiva e isso cada vez mais ficava perigoso, Derek percebeu
o que estava acontecendo e não desgrudava mais de mim, ainda bem,
quando eu sentia que esses episódios começariam a acontecer era
necessário uma troca de olhares com ele para saber que eu precisava
ir para um lugar longe de todos, nem eu e nem ele sabiamos o que
estava acontecendo, eu sentia que ele ficava preocupado comigo o que
me preocupava ainda mais.
Até
mesmo nos maiores momentos de descontração isso acontecia, como
acontecia nesse momento, Dial tinha acabado de informar que os
ultimos itens da lista chegariam na manhã seguinte, duas semanas
antes da data da lua negra, estávamos em casa nos divertindo,
comemorando.
— Assim
que a gente colocar os pés no reino encantado vamos acabar com eles.
— Eliane disse.
— Nem
que eu tenha que procurar a Kleydhyanny para acabar com o castelo. —
Morgana respondeu, Kleydhyanny na teoria era um dragão que a família
dela tinha domesticado antes de serem expulsos do reino encantado, eu
não sabia se tinha realmente dragões no reino encantado, não vi
nenhum quando fui lá e tinha um certo receio de perguntar e ser
apenas uma pegadinha dela.
Então
todos começaram a falar sobre o assunto, sobre a guerra, sobre o
quanto Ariel e Macsen estavam prejudicando o mundo encantado, parece
que todos de certa forma conseguiam sentir os efeitos disso, mesmo
que com tão pouco dele deles no poder.
Tudo
aquilo mais as lembranças dos pedidos de socorros e os pesadelos
fizeram um ódio enorme crescer dentro de mim, tudo aquilo trazia a
tona os sentimentos ruins dentro de mim e enquanto cada um falava
algo sobre como iria derrotar Ariel e Macsen eu pensava nas minhas
próprias formas de acabar com eles.
— Eles
são meus. — Eu disse. — Eles tem torturado meu povo, minhas
crianças, eu tenho visto isso todas as noites. — Continuei sem
olhar para ninguém e sabia que os olhos de todos estavam sobre mim.
— Eles tomaram o meu lugar e me impediram de chegar ao meu trono,
eles me ameaçaram e vão sofrer por cada uma dessas coisas. — A
cada palavra que eu dizia o ódio apenas crescia dentro de mim. —
Ninguém irá mata-los, a morte seria muito rápida e com isso muito
fácil... Eu quero que eles sofram de uma forma que implorem a morte
e essa não virá.
Eu
sentia uma sombra negra em cima de mim ao proferir essas palavras,
era como se eu não fosse eu mesma, naquele momento eu não enxergava
ninguém ao meu redor, eu me sentia uma uma especie de transe, onde
meus piores sentimentos estavam sendo colocados para fora, eu cerrei
meus punhos e então senti uma pessoa me segurar e uma voz distante.
— Lauren...
Vamos sair daqui... — Era a voz de Derek, mas eu não queria Derek
ali, eu queria Ariel e Macsen para acabar com os dois... Me lembrei
do que tinham feito à Stan e o que tinham feito para as crianças,
eu iria acabar com os dois. — Por favor, vamos sair daqui. — A
voz do Derek estava distante e na minha cabeça tudo o que eu sabia
fazer era sentir o ódio cada vez maior me dominar, eu não sabia
mais o que “vamos sair daqui” queria dizer.
Mas
meu corpo se moveu, como eu não sei e o vento gelado bateu em meu
rosto a voz do Derek se tornou um pouco mais próximo e ele falava
para que eu me acalmasse.
— Me
acalmar? Você não sabe o que eu vejo. — Eu falava para o vento,
sem ver nada à minha frente, exceto a escuridão. — Você não
sabe o que eu vejo, não sabe o que eles fizeram... Eles precisam
pagar e muito caro pelo o que fizeram e eu os farei pagar.
— Filha,
me escute... — A voz de Savannah estava a minha frente. — Se
concentra na minha voz, se concentra na gente... Jogue isso para
fora, isso não é seu.
— Sim!
Isso é meu. — Falei olhando na direção da voz mesmo sem ver
Savannah ali. — Isso é o que eu quero, eu quero acabar com eles,
acabar não, acabar demonstra um fim, eu não quero dar um fim a
eles... O grito deles de dor será uma sinfonia para os meus ouvidos.
— Você
não é assim. — Derek falou.
— Isso
é o seu povo falando, não você. — Savannah completou.
— Então
darei a eles o que eles querem, eles são o meu povo, então nada
mais justo do que ter o que pedem, eu tenho que cuidar deles. — As
palavras saiam de minha boca, tinham sido processadas pela minha
mente, eu queria dizer aquilo mas era como se não fosse eu dizendo.
— Olhe
para mim Lauren... — Escutei a voz preocupada de Derek. — Nos
meus olhos, olhe para mim... Você não é assim e eu te conheço...
Minha Snow... Volte a ser você....
— Essa
sou eu. — Eu disse sem muita certeza.
— Não
é... Tanto eu quanto você sabemos disso... — A voz de Derek foi
ficando mais clara. — Sabemos que você não é disso. Eu te amo
Lauren... E por isso eu sei que essa não é você.
— Mas
parece ser... — Eu respondi enquanto as sombras iam se dissipando
da minha frente.
— Nunca
será, eu sei quem você é... De verdade, de uma forma que nem mesmo
você sabe como é... — Eu comecei a ver a silhueta dela e senti
seu toque ao segurar meu rosto.
— Como
você pode ter tanta certeza? — Eu perguntei sentindo parte da
raiva ir embora. — Parece que é o que estou me tornando.
— Você
não é assim, algo está te fazendo mudar. — Derek respondeu e seu
rosto foi ficando mais claro — Mas eu não deixarei que você mude,
eu nunca vou deixar que você esqueça quem você é verdadeiramente.
Meus
olhos finalmente focalizaram em Derek e nas pessoas ao redor, eu
estava do lado de fora da casa, Savannah, Lucian, Fay e Dial estavam
ali também. Wesley estava simplesmente esgotado em um canto e eu
senti que tinha corrido uma maratona.
Quando
Derek percebeu que eu parecia bem novamente ele me abraçou, todos
ficaram calados por um momento, o primeiro a quebrar o silêncio foi
Dial.
— Eu
vou avisar à todos que ela já está melhor. — E sem esperar pela
resposta entrou novamente em casa.
— O
que está acontecendo comigo? — Eu perguntei em voz baixa mais para
mim do que para qualquer um, mas quando se está em meio à criaturas
com a audição apurada, nunca se é baixo o suficiente.
— Você
está se tornando uma rainha sombria e provavelmente seu povo não
está bem alimentado e você está sentido as necessidades deles. —
Savannah respondeu de forma preocupada. — A gente precisa dar um
jeito nisso antes que seja tarde demais.
Capitulo
XII
Os
piores temores de Savannah se tornaram reais, o que estava
acontecendo com Lauren já tinha acontecido com Owen e ela não sabia
onde isso iria acabar, não iria permitiria que a filha de amélia se
tornasse uma pessoa inescrupulosa como Owen havia sido, não deixaria
isso acontecer com a sua própria filha e faria o possível para
salva-la.
Os
solitários conseguiram em uma grande quantidade todos os itens para
a criação do portal, mas Savannah não estava preocupada com isso
agora, sua maior preocupação era sobre como ajudaria Lauren, que se
isolava todas as noites pois as crises estavam ficando mais fortes
nesse horário, ela precisava se alimentar dos sentimentos da Corte
das Sombras mas sem sucumbir a eles, foi quando uma ideia um pouco
estranha mas que parecia ser boa surgiu na mente de Savannah, talvez
o melhor lugar para ela ter um pouco de tudo que precisava seria ir
em uma boate mortal, geralmente em boates tem de tudo um pouco, tem o
desejo e sexualidade típicos da Corte das Sombras, existe ciúmes e
se tivermos sorte até mesmo brigas, talvez a necessidade que sua
corte tinha de se alimentar desses sentimentos seria realizada com os
sentimentos humanos.
Apesar
de acreditar que o plano daria certo, Savannah não o contou para
Lauren, tinha medo de isso não adiantar e acabar decepcionando
Lauren, ela se aproveitou de uma conversa que teve com a sua nova
rainha, onde a mesma comentou seus esforços para tentar trazer a
normalidade na vida dos dois mortais Seth e Bree e disse que seria
uma boa ideia Lauren os acompanhar em uma das saídas noturnas,
algumas noites para aproveitar antes que fossem parao mundo
encantado, Lauren concordou indo com os mortais, Fay, Derek, Blake e
mais alguns solitários.
Sem
comentar com ninguém, Savannah acabou indo, estaria ali para caso
algo desse errado e conforme as horas iam passando, ela percebeu que
das duas uma, ou seu plano deu certo, ou Lauren aprendeu a se
controlar, em nenhum momento a névoa negativa que as vezes estava em
torno dela apareceram por lá, sua filha parecia feliz e leve, como
uma garota normal.
Mas
naquela noite nem todos estavam felizes de verdade, apesar das
tentativas de Bree de fazer Seth se soltar como nas noites
anteriores, o dever de Seth falava mais alto e o tempo todo seus
olhos procuravam por Fay, para saber se a mesma estava bem.
Fay
por sua vez ficou sentada, mais afastada do som, aquele lugar
definitivamente não era para ela, muita confusão, muito tumulto,
muito som alto e lugar fechado, ela se sentia quase claustrofóbica,
Blake percebeu isso e logo se juntou à sua nova rainha.
— Está
tudo bem? — Ele lhe perguntou. — Se não estiver se sentindo bem,
podemos ir embora.
— Não
é necessário, isso apenas irá deixar todos preocupados. — Ela
lhe respondeu. — Todos parecem se divertir, eu não quero ser a
estraga prazeres.
Apesar
de ter dito que todos estavam se divertindo Blake notou que ela
olhava apenas para Bree e Seth dançando no meio da pista de dança.
—
Gostaria de ir dançar majestade? — Blake perguntou, sabendo que
não era bem a pista que ela desejava ali.
— Não...
Muita gente. — Ela respondeu. — Obrigada pelo convite. — Ela
deu um leve sorriso, mas Fay não queria sorrir de verdade, sua mente
ia até o dia em sua ultima festa em que dançou com Seth, de noite,
sem ninguém ver, sozinhos.
— Se
quiser tem um terraço aqui, pouca gente e mais aberto. — Blake
completou. — Podemos ir para lá se isso a fizer se sentir melhor.
— Sim,
seria bom... — Fay respondeu agradecida. — Eu me sinto sufocada
aqui.
Blake
e Fay subiram para o terraço, poucas pessoas estavam ali, afinal a
música não chegava até o terraço, os dois foram até os limites
do terraço para verem a rua e ali ficaram um tempo em silêncio sem
nada a dizer um para o outro.
— Ele
gosta de você e por isso que terminou contigo. — Blake disse
quebrando o silêncio.
— Hã?
Do que você está falando? — Fay disse de forma confusa.
— Eu
sei que não tenho nada haver com isso majestade. — Ele disse se
voltando para ela. — Mas Seth gosta de você, de verdade. — Fay
ficou um pouco ruborizada e Blake sorriu. — Eu sei do
relacionamento que vocês dois tiveram, sei que Seth terminou com a
senhorita e sei que isso foi a coisa mais difícil que ele fez.
— Não
foi o que pareceu. — Fay respondeu de forma amarga e olhando para
frente. — E pelo visto ele superou isso tudo bem... Okay... Ele
está mais feliz com ela.
— Ele
nunca será feliz de verdade com nenhuma outra pessoa além de você.
— Blake respondeu. — Você não sabe de tudo o que aconteceu.
Fay
olhou para ele esperando que ele continuasse, ela se lembrava do
ultimo dia de namoro dos dois, tudo parecia muito bem, tiveram uma
noite maravilhosa e depois tudo acabou, do nada, sem explicação
exata, ela não queria se iludir, mas sabia que Blake não podia
mentir, que ele não estava mentindo, então seu coração se sentiu
um pouco mais reconfortado.
— Vocês
haviam ido até a cabana da minha família e o chefe da guarda te
seguiu. — Blake começou a explicar. — Ele viu tudo o que tinha
acontecido, ele viu você e Seth juntos e antes de irmos fazer a sua
guarda, tanto eu quanto Seth fomos encontrados, ele obrigou Seth a
terminar com você, falando que isso prejudicaria sua reputação,
que você seria deserdada e que ele contaria tudo ao rei.
Blake então começou a explicar para Fay tudo o que tinha acontecido
naquele dia, tudo o que o chefe da guarda tinha dito e tudo o que
Seth havia dito.
— Ele
não se importou quando o chefe disse que iria castiga-lo, mas ele
não queria que você sofresse, ele começou a acreditar que não era
digno de seu amor. — Blake finalizou. — Eu não sei porque ele
começou a namorar a Bree, já que todos conseguem ver que ele ainda
te ama e Bree também está vendo isso.
Fay
não respondeu Blake, mas as palavras dele ficaram em sua cabeça,
ela não sabia como reagir, se deveria ir até Seth e dizer para ele
deixar de ser idiota que se era apenas por isso, que ele não deveria
ter feito isso, que deveria ter contado para ela. Fay preferia ser
deserdada a ter ficado sem Seth, mas não podia também chegar agora
e acabar com o relacionamento dele com Bree, ele havia escolhido
isso. De qualquer forma, agora Fay não tinha mais como pensar nela,
outras preocupações assombravam sua mente e talvez, se tudo desse
certo depois, quando as coisas tivessem okay poderia voltar a se
preocupar com isso.
Os
dias que se seguiram até a data do ritual foram na maioria
parecidos, quando Lauren ficava em casa ela acabava tendo os surtos e
por isso Savannah recomendava que ela saísse. Fay optou por não ir
mais a boate, mas conheceu outros lugares do mundo mortal
interessantes como os parques e o melhor lugar na opinião dela, a
praia. Em compensação Bree era a compania certa de Lauren para as
saídas noturnas.
Na
ultima semana antes da lua negra, Lauren e Fay voltaram aos ensaios e
as duas não conseguiam dormir, era piscar os olhos para escutar o
grito de sofrimento do povo encantado, o que restaurava a energia
delas um pouco para conseguirem dormir era no caso de Fay a praia e
no caso de Lauren boate ou ficar com a caça que costumava fazer
algumas lutas por esporte.
Todos
estavam ansiosos para o grande dia que estava por vir, mas ninguém
poderia esperar o que realmente aconteceria naquele dia
Capitulo
XIII
Bree
O
mundo mortal era simplesmente maravilhoso, eu não queria sair de lá
nunca mais. Adam me disse que se eu e Seth escolhêssemos ficar no
mundo mortal que poderiamos ficar com a avó de Ítalo ou com a
família dele e que ano que vem entrariamos em uma escola mortal, com
alunos mortais e seriamos mortais normais, isso era maravilhoso, sem
olhares tortos, sem ser tratado como uma aberração, sem ser tratado
como alguém inferior, sem castigos físicos... Como alguém pode não
gostar desse mundo?
Mas
esse tempo não me trouxe apenas coisas boas, todas as vezes que
saíamos eu via Seth preocupado, ele não me dizia o porque, mas era
lógico que ele estava preocupado com Fay, suas palavras podiam
mentir quando ele dizia que não a amava mais, mas seus olhos, esses
não mentiam, mesmo longe dela Seth ainda mantinha o mesmo olhar de
admiração, o mesmo olhar apaixonado todas as vezes que ela estava
por perto, um olhar que eu nunca vi ele ter por mim. Eu tentava me
enganar, todos os dias, desejando o dia que aquele olhar seria meu,
mas será que isso aconteceria um dia? Será que aquele olhar
apaixonado seria destinado a mim? Por mais que eu quisesse dizer que
sim, meu coração sabia que a resposta era não.
Por
vezes eu fechei os olhos para isso, eu faria Seth me amar, seria
fácil se isso acontecesse, eu o amava, éramos mortais, poderíamos
viver no mundo mortal e ele nunca mais veria Fay, mas seria justo?
Quando estivéssemos juntos seria realmente eu em seus pensamentos,
quando ele dissesse “Eu te amo” seria mesmo dito à mim essas
palavras? Eu nunca saberia... Talvez o nosso namoro não era certo
nem para Seth e nem para mim.
Eu
não sabia ainda o que eu ia fazer, mas namorar com Seth vendo seus
olhos apaixonados sempre voltados à Fay doía tanto quando ele me
disse que eles dois estavam juntos, eu acho que já sabia o que
deveria ser feito.
Aproveitei
intensamento os ultimos dias antes da lua negra, saí com Adam e Seth
e saí apenas com Seth, queria guardar cada pedacinho daqueles
momentos em minha cabeça, afinal depois de tudo vivido nas ultimas
semanas eu já sabia o que deveria fazer.
No
primeiro dia da lua negra todos estavam ansiosos, já haviam
combinado o local e o horário para irem, todos que queriam ir para o
mundo encantado e que tinham sido autorizados à ir para lá deveriam
comparecer ao local marcado às 12h, sem atrasos.
Fomos
para o local onde havia acontecido o enterro, o local onde Seth e eu
tinhamos começado a namorar, teve um grande almoço para todos e
depois uma fogueira foi acendida, todos os itens para o ritual
estavam sobre a mesa e então eu fiz o que tinha que fazer, algo que
eu me arrependeria para sempre, mas que eu sabia que seria o certo.
— Seth,
precisamos conversar.... — Eu disse, agora não tinha mais volta.
— Está
tudo bem? — Ele perguntou parecendo preocupado.
— Sim...
Vem comigo. — Eu lhe chamei e nos afastamos um pouco da multidão.
O
caminho foi silencioso, me sentia indo para a minha própria pena de
morte, era quase isso mesmo, eu queria adiar para sempre aquele
momento e quando nos afastamos de todos, nem mais o barulho das
conversas em voz alta poderiam ser escutados nós dois paramos.
— Seth...
Eu te amo, você é o único cara que eu amei e tenho receio de ser o
único que eu irei amar. — Eu comecei a dizer.
— Aconteceu
alguma coisa? — Ele perguntou confuso, preocupado.
— Ainda
não... — Eu respirei profundamente sentindo os meus olhos arderem.
— Eu nunca imaginei um futuro sem ser com você, eu me sinto
incompleta sem você... Mas eu sei que você nunca me amará desse
jeito.
— Bree
eu te amo... — Ele me respondeu. — Porque isso?
— Eu
sei que você me ama. — Eu respondi odiando ele ter falado isso,
pois isso só deixava as coisas mais complicadas. — Mas não do
jeito que deveria me amar, não do jeito que eu te amo, não como
ainda ama Fay.
Eu
o olhei, com a vista embaçada, esperando que ele respondesse que eu
estava sendo idiota, que ele me amava sim daquela forma, mas o
silêncio e o constragimento apenas confirmaram o que eu disse.
— E
eu sei que nunca me amará assim... Eu sempre soube que era por ela
que seu coração batia, mas tinha a esperança de que se... Se
ficássemos juntos isso mudaria. — Admiti. — Mas isso é algo que
nunca acontecerá... Estar com você e ver seus olhos brilharem
sempre que ela está por perto... É pior do que quando você chegou
para mim, feliz falando que estavam namorando... — Passei as mãos
nos olhos, aquilo estava sendo extremamente difícil e eu sentia que
meu coração estava sendo dilacerado aos poucos. — Então... Eu
não quero mais me enganar, eu não quero mais sofrer... Hoje quando
o portal se abrir, vá para o mundo encantado, volte para ela, eu não
sei o que aconteceu entre vocês dois, mas sejam felizes juntos... Eu
ficarei aqui no mundo mortal e tentarei ser feliz também...
— Não
Bree... Por favor, não faça isso... Eu não quero te perder. —
Seth me pedia, eu vi a dor real em seus olhos.
— Seth,
por favor... Está sendo difícil isso para mim... — Eu pedi. —
Eu te amo e por isso eu estou terminando e pedindo para você ir,
para ser feliz e... Eu vou ser feliz também... Eu prometo... Mas
nossa felicidade está em lugares diferentes, em mundos diferentes e
talvez seja melhor assim.
Naquele
momento eu não conseguia mais me controlar, não segurava mais as
lagrimas que queimavam pelo meu rosto, eu duvidava que seria capaz de
ser feliz longe de Seth, mas eu tinha que tentar, eu tinha que
liberta-lo, eu precisava deixá-lo ser feliz, não podia trocar a
felicidade dele pela minha. Tê-lo ao meu lado sabendo que o tinha
impedido de buscar o que realmente fazia seu coração bater
acelerado não seria uma prova de amor, por mais que eu soubesse que
eu iria me xingar quando estivesse sozinha, eu sabia que um dia eu
iria superar isso e conseguir conviver com minha escolha tranquila.
— Eu
posso ser feliz com você, podemos ser felizes juntos... — Seth me
disse, eu sabia que na verdade ele faria aquilo porque via o quanto
eu estava sofrendo.
— Não
seremos, não plenamente, você a ama e eu sei que... — Fiz uma
pequena pausa para tentar me controlar, mas desisti e sem me
preocupar com as lagrimas que caiam e com a voz triste eu continuei.
— Eu sei que ela te ama e... Ela vai te fazer feliz... Então Seth,
por favor, deixa de ser idiota, vá agora até ela, fale o quanto
você a ama, o quanto sentiu falta dela, o quão idiota você foi por
deixa-la partir, vá e diga que nunca será feliz com ela... Porque
você aprendeu com eles à nunca mentir e não deveria mentir para
quem ama. — Seth abriu a boca e esticou seus braços para me
abraçar, mas eu me afastei. — Vá... Agora.. Por favor... A ultima
coisa que eu te peço é isso, vá embora agora, me deixa sozinha...
E
sem esperar pela resposta eu me afastei de Seth à passos rápidos e
correndo depois eu queria ficar sozinha, eu precisava ficar sozinha.
O
terreno era grande e eu corri até minhas pernas doerem e então me
desabei, eu nunca imaginei viver sozinha, longe de Seth, então me
sentia perdida agora, mesmo sabendo que eu tinha feito a coisa certa,
mesmo sabendo que um dia eu iria superar aquilo.
Capitulo
XIV
Adam
Todos
estavam animados com a possibilidade de passarmos para o mundo
encantado, eu fui um dos que teve autorização para ir para lá,
afinal o crime cometido que me baniu do mundo encantado nunca foi
meu, eu estava ansioso e apreensivo... Não conhecia nada de lá, de
forma que eu não tinha me decidido ainda se eu iria morar lá de vez
ou se iria em algum momento preferir o mundo mortal.
Por
hora eu iria junto com os solitários, não apenas devido a grande
curiosidade de conhecer o local, mas também para ajudar Lauren e
Fay, eu poderia não saber qual dos dois mundo eu iria escolher, mas
com certeza eu já sabia quem eu preferia governando o mundo
encantado.
A
animação deu lugar à uma pequena festa de comes, bebes e diversão,
mas eu vi que essa diversão não era compartilhada por todos, eu
podia ver que Bree não estava bem, ela estava cabisbaixa, mesmo que
tentasse não demonstrar isso, eu vi quando ela se isolou com Seth e
vi também quando um tempo depois Seth voltou sozinho, ele não
parecia bem e isso me preocupou, principalmente por nem ver sinal de
Bree.
Eu
então sem fazer muito alarde fui na direção da onde Seth havia
voltado procurando por Bree, demorou um pouco para que eu escutasse
os soluços baixos de alguém e me apressei naquela direção,
acreditando ser Bree que estava ali e ao me aproximar dos soluços,
eu a reconheci, mesmo que ela estivesse de costas.
Me
aproximei com passos lentos dela, mas logicamente que ela escutou,
sem se virar para ver quem era, sua voz com uma sonoridade chorosa
respondeu:
— Seth,
vá embora... Por favor. — Ela ameaçou se afastar mas antes disso
em um movimento rápido segurei em seu braço.
— Calma,
não sou o Seth. — Respondi e então ela se virou.
— Er...
Desculpa... — Ela respondeu, pude notar seus olhos vermelhos e
tristes.
— O
que aconteceu? — Perguntei realmente preocupado, conhecia Bree a
pouco tempo, mas havia gostado dela e de Seth, eles pareciam ser boas
pessoas.
— Nada...
— Ela respondeu.
— Por
favor, não minta para mim, ninguém chora por nada. — Eu lhe
disse.
— Eu...
Apenas... — Ela falava como se estivesse procurando as palavras
corretas. — Seth e eu terminamos... Não daria certo nos dois
juntos... Eu sei que ele quer voltar para o mundo encantado, mas eu
quero ficar aqui... — Ela respondeu. — Eu só não sei se foi uma
boa escolha.
— Se
foi feita com o coração, com certeza é uma boa escolha. — Eu lhe
disse levando a mão até o rosto acareciando.
— Você
não entende... — Ela respondeu e me olhou. — Você sempre viveu
no mundo mortal, você tem pessoas que gostam de você aqui e quando
você voltar ao mundo encantado terá pessoas que vão entender o que
você passou, terá amigos lá... Eu amei o mundo mortal... Mas
depois que todos forem... Eu... Eu não sei o que fazer.... Eu
estarei sozinha aqui....
Olhei
para Bree e notei em seus olhos o recentemente medo de ficar sozinha,
ela parecia perdida, me lembrei dela nos dias que saímos juntos e me
lembrei de como ela parecia feliz.
— Você
não vai estar sozinha... E você vai amar ficar aqui... É só um
novo começo... — Eu tentei conforta-la.
— Eu
não tenho nem onde morar Adam... — Ela respondeu.
— Tenho
certeza que se você falar com Lauren e Derek poderá ficar na casa
dela, ou na casa de algum dos solitários que não irão... — Eu
falei pensando não nas possibilidades.
— Eu
não... — Bree começou a responder e parecia estar escolhendo bem
as palavras antes de completar. — Eu passei a minha vida vivendo em
um mundo encantado, de favor em um castelo de criaturas encantadas,
sendo empregada deles, sendo sempre inferior, eu não quero mais
isso.
Eu
entendia o medo dela, não adiantava eu falar que aqui seria
diferente, eu não poderia confirmar se seria totalmente diferente,
não seria legal também se ela fosse em um orfanato ou algo do tipo.
— Eu
fica aqui com você. — Respondi, eu ainda estava incerto com qual
mundo iria escolher ficar, eu sabia que talvez Lauren e Fay
precisassem de mim, mas sabia que com certeza, naquele momento Bree
precisaria mais... — Eu ficarei no mundo mortal com você até que
a gente pense em algo okay?
— Adam...
Não precisa fazer isso... — Bree falou, suas palavras falavam
isso, mas eu notei uma pontinha de felicidade quando falei que
ficaria aqui.
— Eu
não vou te deixar sozinha okay? Você tem a mim... Meu poder não
será nenhum pouco útil na batalha, então... Sei que Lauren e Fay
não sentirão a minha falta. — Bree abriu a boca para falar de
novo — Olha... Daqui a pouco vão começar os rituais do portal, eu
nunca vi abrirem um portal mas deve ser algo espetacular... Então,
depois a gente conversa sobre isso okay? Quando todo mundo passar...
E você tambem se despedir de Seth...
— Obrigada
Adam... — Bree respondeu limpando os olhos e se virou para mim. —
Parece que eu chorei muito?
Olhei
para seu olhos vermelhos e balancei a cabeça afirmativamente.
— Sim,
parece... — Eu respondi e ela fez uma cara engraçada. — O que
foi? Sou uma criatura mágica, não posso mentir... Mas você pode e
se você contar que apenas teve uma crise muito forte de espirro, eu
vou dizer que quando te encontrei você já estava assim...
— Sabe,
essa falta de capacidade de vocês de não conseguirem mentir é
otima em alguns casos, mas péssimo em outros. — Bree me respondeu
de modo divertido e então nós dois voltamos para junto dos demais.
E
lá fomos nós, tentei falar algumas besteiras para deixar Bree mais
animada, descontrair um pouco e me mantive perto dela o resto do
tempo, tentando ao máximo faze-la ficar longe de Seth, que parecia
igualmente perdido como ela.
Talvez
eu devesse ir até ele, talvez eu devesse oferecer meu ombro, mas
pelo o que eu conhecia de Seth ele não iria querer ajuda, ele não
iria querer desabafar ou algo assim, eu seria mais útil com Bree,
tinha certeza disso.
Foi
então que chegou a hora marcada para o início do ritual, alguns
solitários escolhidos montaram uma espécie de círculo e com quatro
pontos centrais que representavam os elementos, no meio em uma área
tinha a representação dos quatro elementos, Lauren estava à Oeste
e Fay à Leste e quando a noite e o dia dividia o céu as duas
começaram, em uma espécie de dança cicronizada.
Eu,
Bree e outros solitários observávamos tudo com grande atenção até
o momento do grande final, onde dois solitários se aproximara das
duas Rainhas, e assim que eles estavam ao lado delas um dos
solitários fez a terra tremer e subir um monte de três metros de
altura por dois metros de largura em formato oval, o solitário
mantinha o monte quando Lauren usou seus poderes jogando uma corrente
de água que escorria do monte como uma pequena cachoeira, em seguida
Fay fez surgir uma corrente de fogo que rodeou todo o monte como uma
cobra e por fim o outro solitário jogou uma rajada forte de evento.
Quando
os quatro elementos se uniram uma luz forte surgiu no lugar e
acompanhando sombras ao redor e aquele monte de terra um portal
surgiu, mais vívido que os normalmente conhecidos que eram feitos de
dentro do mundo encantado para fora, formado por luzes e sombras.
— Deu
certo... Deu certo!!!! — Um dos solitários exclamou.
— Está
na hora de se despedir dele. — Eu disse para Bree enquanto via
todos comemorando e se organizando, alguns solitários ficariam no
reino encantado, enquanto outros estavam de malas prontas para ir.
— Já
nos despedimos.... — Bree falou olhando para Seth que se portava ao
lado da rainha da luz. — É melhor eu não insistir... Não sei se
continuarei tendo coragem de deixá-lo partir se me aproximar dele.
— Tudo
bem... — Eu respondi. — Acho que se um dia você quiser ir para o
mundo encantado, nem Fay e nem Lauren vão impedi-la...
— Eu
não pretendo nunca mais voltar para lá. — Bree respondeu
decidida.
O
primeiro à passar foi Dial, iria ser o primeiro para garantir que
tudo estaria bem, depois foi a vez de Derek, Lauren, Savannah, Blake
demorou um pouco para passar, e combinou com Seth que ele iria
primeiro, depois Fay e por ultimo Seth. Foi então que Fay passou e
algo aconteceu, eu não estava perto suficiente para ver, mas um
grito pode ser escutado de dentro do portal e então o olhar
arregalado de Seth que estava logo atrás de Fay, porém ainda no
mundo mortal.
— Fay!!!!!
Não!!!! — Seth gritou puxando a espada e entrando no portal, mas
antes que seu corpo estivesse totalmente do outro lado, pude ver o
que pareciam ser mãos o puxando para o mundo encantado.
Lucian,
o líder da caça se jogou na direção do portal, tentando alcançar,
acreditando, assim como eu, que se algo acontecera com Fay, teria
acontecido com quem cruzou o portal antes dela, ele se jogou na
direção do portal e a caça correndo na direção do portal também,
porém tudo o que encontraram foi o monte de terra, o portal havia
desaparecido e junto dele Fay, Seth, Dial, Blake, Savannah, Lauren e
Derek.
Capitulo
XV
Tudo
o que eu me lembro foi ter passado pelo portal e então algo forte
atingiu a minha cabeça, escutei Seth gritar o meu nome enquanto eu
caia no chão e tudo ficou escuro, foi um apagão que eu não sei
quanto tempo durou até que minha consciência começou à voltar,
meus olhos piscaram, mas não tinha muita luz ali, apenas uma luz
muito fraca que via de uma pequena abertura em uma porta.
Olhei
ao redor e percebi que eu estava no chão de uma espécie de quarto
muito escuro e apertado, as paredes, o chão e o que eu conseguia ver
do teto eram todos de cimento e eu estava incrivelmente tonta, não
tinha móveis ali, o local era retangular, devia ter cerca de 1,5m de
distancia entre as paredes laterais e 3m da parede de fundo até a
porta, mais 3m do chão até o teto.
Aquele
material, aquelas medidas, a altura... Apesar de nunca ter ido ali,
sabia bem onde era aquele lugar, eu li sobre ele diversas vezes e
nunca na minha vida eu imaginei que estaria ali um dia. Na prisão de
segurança máxima do castelo, do meu castelo e aquela porta era de
ferro, o que me deixava terrivelmente fraca.
A
porta tinha dois portinholas, uma embaixo e uma em cima por onde
conseguia ver um pouco de luz entrando a portinhola de baixo estava
fechada a de cima aberta. Ali era o local onde os prisioneiros de
maior periculosidade eram jogados às vezes na esperança de morrer
antes da execução, eu não precisava pensar muito para saber o que
tinha acontecido. Meu tio e minha prima de alguma forma descobriram
onde o portal foi aberto e conseguiram me capturar, mas será que eu
tinha sido a única?
Eu
me aproximei da porta, não o suficiente para o ferro dela me
machucar, mas o necessário para minha voz sair mais alta.
— Alguém?
— Eu usei toda minha força para falar, mas não era necessária,
pois no local se fez eco.
— Fay?
— Escutei uma voz preocupada que logo notei ser de Seth. — Como
você está? Te machucaram? Você está bem?
— Majestade
não se aproxime da porta, ela é de ferro. — Escutei a voz de
Blake gritar em seguida.
— Seth!
Blake! — Eu disse um pouco aliviada, não que eu quisesse que eles
estivessem ali, mas escutar a voz deles mostrava que eles estavam
vivo. — Mais alguém?
— Acho
que pegaram todos que passaram. — Blake respondeu. — Meu irmão
está aqui também... Eu vi quando entramos, eu acordei quando
colocavam ele na cela, mas talvez Lauren, Dial e Savannah tenham
escapado. Quando viram que eu acordei, me deixaram inconsciente de
novo.
— E
os outros solitários, quem veio atrás de mim? — Perguntei
preocupada com os demais.
— Apenas
eu passei, eles fecharam o portal. — A voz de Seth respondeu.
— Bem,
se Dial, Savannah e Lauren escaparam... Temos uma chance. —
Respondi esperançosa.
Eu
podia não conhecer Lauren muito bem, ela poderia querer viver uma
vida normal simplesmente mas eu sei que ela não nos deixaria ali, eu
sei que ela não deixaria principalmente Derek ali.
— Guardem
o folego de vocês. — Escutei a voz de Blake. — Normalmente eles
trazem comida uma vez por dia somente e eu não sei se Ariel e Macsen
vão continuar fazendo dessa forma.
Blake estava certo, os prisioneiros da ala de segurança máxima
tinham um regime forçado, alimentação uma vez por dia apenas,
afinal eles estavam ali aguardando apenas a data de sua execução,
então eles precisavam ficar apenas vivos para a execução e lembrar
de tudo o que eu fui ensinada me dava um frio enorme na barriga e um
medo terrível, pois se eu ficava já horrorizada ao estudar sobre
aquilo, saber que eu passaria por tudo aquilo era... Medonho, mas eu
não podia ter medo.
Guardei o máximo possível as minhas forças para poder estar bem
quando alguém aparecesse ali, tinha que manter a mente sã para
tentar arquitetar um plano.
O problema é que quanto mais tempo ficássemos ali, mais eu iria me
degastar pelo portão de ferro, o único que tinha uma chance real de
fazer algo era Seth, que não tinha a mesma alergia ao ferro que nos,
os seres encantados, tinham. O problema era pensar em como isso
poderia ser útil e como avisar à Seth.
Tentei me lembrar de todo o treinamento que eu tive, afinal mesmo
sendo uma princesa fui treinada para situações assim, todos os
monarcas tinham esses treinamentos para caso algo acontecesse no
castelo.
Primeira coisa que eu tinha que fazer era me localizar. Eu sabia que
as celas de segurança máxima, as chamadas solitárias, ficavam no
andar mais fundo do castelo, abaixo de todos os outros andares, a
parte boa é que eu conhecia o local onde eu estava, agora então
vinha o outro ponto. Contagem de tempo.
Como estávamos no andar mais inferior do castelo, tentar uma
contagem de tempo me baseando na luz do sol era impossível, eu teria
que conseguir outra contagem. Caso a alimentação fosse feita de
forma pontual, eu poderia me basear por isso, mas eu não sei se esse
método funcionaria, talvez eu pudesse inicialmente contar o tempo
pelo meu sono, não era a melhor forma de fazer isso, mas naquele
momento era tudo o que eu tinham.
Sem saber quanto tempo tinha se passado, após um longo silêncio
escutamos passos e algo sendo carregado, me levantei e fui para perto
do portão, esperando que conseguisse ver mesma a distância,
torcendo para que Seth tivesse tido a mesma curiosidade que a minha,
pois ele poderia ver melhor.
Eu só consegui ver a luz sumindo rapidamente quando os passos
estavam ao lado do portão e então uma das celas se abriu, e algo
foi jogado nessa, meu receio é de que o algo fosse na verdade
alguém.
Passado alguns minutos o mesmo procedimento e depois de novos minutos
novamente o mesmo procedimento, três algos ou três pessoas tinham
sido tragas até as celas, pelo barulho e o silêncio com certeza
estavam desacordadas, porém da ultima vez os passos simplesmente não
sumiram, uma das pessoas parou em uma das celas e disse.
— Para
que a curiosidade Mortal? Em breve você irá para o mesmo lugar que
esses daí foram. — Eu reconheci a voz de Declan e cerrei meus
punhos com raiva. — Só que não sei se irei trazer você de volta
Seth...
Capitulo
XVI
Lauren
O portal foi aberto, hora de voltar ao mundo encantado e tirar Ariel
do poder, hora de acalmar a corte das sombras e hora de nomear um bom
rei para o mundo encantado e eu sabia exatamente quem eu escolheria,
não sei se daria certo, mas essa era a pessoa que eu mais confiava
para tal.
Porém qualquer plano que eu tive foi embora quando eu passei e
encontrei soldados esperando a gente do outro lado, eu não sei como
eles sabiam do portal, onde se abriria e quando, eu apenas vi Dial e
Derek desmaiados e antes que eu pudesse fazer qualquer coisa eles
apontaram as espadas para o peito dos dois.
— Um
passo e essa espada entrará direto no coração dele. — Um dos
soldados falou.
— Não
os machuque, eu não farei nada. — Respondi levantando as mãos em
formato de entrega. — Não estou carregando nada... Não sei quem
vocês são, mas apenas deixe os dois em paz.
Porém
antes que eu pudesse responder o barulho de alguém saindo do portal
chamou atenção de todos e me distraiu. Savannah, ninguém faria ou
conseguiria fazer algo contra ela e tive uma pontada de esperança
até sentir uma pessoa me agarrar e a ponta de algo que parecia
queimar em braza em meu pescoço quase cortando a minha pele.
— Não
faça nada assassina ou sua querida rainha morrerá. — A voz do
homem que me segurava era cheia de ódio e eu me lembro de tê-lo
escutado em um dos meus pesadelos.
Cerrei
meus punhos com ódio ao ver o medo estampado nos olhos de Savannah,
ela me olhou, não sei se esperava uma ordem minha ou apenas estava
perdida como eu.
— Escute
eles, eles estão com Derek... E Dial — Eu pedi para Savannah, se
fosse só eu ali eu diria para ela mata-lo, eu poderia tentar me
esquivar, mas sei que Savannah não conseguiria atacar a todos antes
de matarem Derek e Dial.
Savannah
também levantou as mãos em um sinal de rendida colocaram um saco em
sua cabeça e prenderam suas mãos com algemas de ferro, fizeram o
mesmo em Derek e Dial e por ultimo em mim e como aquilo queimava.
Antes
de colocarem o saco preto em minha cabeça um dos guardas pegou um
pedaço de madeira e acertou com força a cabeça de Savannah que
caiu direto no chão.
— Não!!!!!!
— Eu gritei ao ver Savannah caindo, o saco foi colocado em minha
cabeça também e uma batida forte na cabeça tirou os meus sentidos.
Minha
cabeça começou a doer e uma luz muito forte me incomodava, usei
minha própria mão para fazer uma pequena sombra para descobrir onde
eu estava, a luz era tão forte que precisei piscar diversas vezes
para me acostumar com aquela luz, era como se alguém tivesse pego o
sol e colocado em um quarto pequeno. Não conseguia ver nada ali, era
horrivel, era incomodo, tatei o local e senti o chão e a parede, eu
estava em um lugar pequeno, um pequeno quarto pelo visto, fui
tateando tentando encontrar alguma saída daquela luz intensa mas era
apenas parede, parede e parede, senti um pequeno recuo na parede que
poderia indicar uma porta, mas ao colocar a mão nessa era como se eu
colocasse a mão em uma panela que tinha acabado de sair do fogão e
soltei um grito de dor.
— Lauren?
Lauren? É você? — Escutei a voz de Derek me chamar.
— Graças
a Deus, Lauren... — A voz de Savannah do lado de fora.
— Onde
vocês estão? — Gritei para fora. — Onde eu estou.
— Estamos
em uma prisão. — Derek respondeu, a voz dele estava mais próxima
do que a de Savannah. — A solitária do castelo do reino encatado.
— Não...
Não... — Eu falei apavorada, eu já tinha estado ali antes, não
na solitária, mas em uma das celas e a experiência tinha sido
apavorante, em uma solitária seria pior.
Me
abaixei, escorregando pela parede até me sentar no chão, de novo
naquele lugar não, eu não queria passar por aquilo de novo, a dor,
o medo.
— Lauren?
— A voz de Derek me chamou com urgência. — Me diga que você
ainda está aí, por favor.
— Estou.
— Eu respondi, naquele momento nem me importava com toda a
iluminação que me cegava e machucava. — Eu não quero passar por
isso de novo Derek... Eu não quero.
— A
gente vai dar um jeito, vamos ficar bem, seja forte, por favor. —
Ele me respondeu. — Nós vamos sair daqui... Apenas... Sobreviva,
por mim, por nós....
Eu
não o respondi, merda, merda, merda... Como eu sairia dali agora?
Como iria sobreviver? Como tiraria Derek, Savannah e Dial? Eu tentava
manter as esperanças de que as coisas dariam certo, mas sempre que
algo dava certo para mim, outras vinte coisas davam erradas.
Passos
ecoaram e eu me levantei, mesmo me sentindo meio tonta, se existia
alguma chance de eu fugir seria naquele momento, escutei uma porta se
fechar e uma tentativa de luta, alguém sendo jogado no chão e uma
voz sussurrando algo que não consegui entender, os passos se
afastaram.
— Derek?
Savannah? — Eu perguntei quando os passos se afastaram.
— Eu
estou aqui. — Escutei a voz da Savannah.
— Derek?
Derek? Derek, por favor fala alguma coisa! — Pedi desesperada. —
Derek!!!!! — Gritei — Por favor esteja aí, qualquer barulho por
favor!!!!
Savannah
também tentou chamar a atenção de Derek, mas ele não respondeu,
foi então que eu escutei novos passos e naquele momento não fiquei
quieta.
— Quem
está aí? O que você fez com o Derek? — Perguntei, mas a resposta
foi apenas o silêncio. — Quem está aí!!!!!?
Ninguém
respondeu, foi então que escutei o barulho novamente de uma porta se
abrir e novamente uma pequena confusão.
— Savannah,
não!!! — Eu não tinha certeza se era ela, mas parecia que só
tinha nós três ali. — Savannah fala comigo!!!!
— Eu
vou ficar bem Lauren! — Escutei a voz de Savannah e então alguém
a calou.
— Nem
nos seus sonhos. — Escutei alguém falar para ela. — Tudo depende
da sua rainhazinha aqui... E fique tranquila majestade já voltamos
aqui para te pegar.
Eu
corri para a porta e levei a mão até essa tentando empurra-la,
aquilo me queimou, mas eu não me importei, se conseguisse sair dali,
tirar Derek e Savannah, não me importava as queimaduras. Me ajeitei
cobrindo todo o meu corpo com a roupa e comecei a me jogar contra a
porta tentando derruba-la, tentei usar meu poder, mas o ferro me
enfraquecia, novamente os passos.
— O
que vocês fizeram com eles? Heim? Quem são vocês? O que fizeram
com eles? — Perguntei com raiva, mas não tive resposta. — Eu
exijo uma resposta, onde eles estão!
Os
passos se aproximaram e chegaram até a minha cela, uma voz falou em
um sussurro com raiva.
— Presta
atenção. — A voz disse. — Estamos com os dois e se você tentar
qualquer coisa os dois morrem, então você pode se acalmar e iremos
te levar para conversar sobre isso, ou iremos te imobilizar, levar a
força e você conversará conosco amarrada, ou verá os dois sofrer
até resolver conversar, o que você prefere?
Não
é como se eu tivesse escolhas, mesmo que eu conseguisse fugir dali,
como encontraria Savannah e Derek? E se os encontrasse, eu não sabia
onde eu estava, como fugiria com os dois? E Dial? Onde ele estava?
Não podia deixá-lo de lado, eu não tinha escolha e resolvi que
quanto melhor eu estivesse, melhor seria para mim e para eles.
— Eu
estou calma, eu vou com vocês. — Respondi.
— Coloque
as mãos na cabeça, se ajoelhe e não tente nada, iremos abrir a
cela e lembre-se que estamos com os dois. — A voz me disse.
— Tudo
bem... — Coloquei as mãos na cabeça e me ajoelhei. — Pronto. —
Respondi e então a cela foi aberta.
Eu não me mexi conforme senti guardas se aproximarem e eu não
entendi como eles conseguiam enxergar naquela escuridão, mas vieram
até onde eu estava seguraram meus pulso virando-os para trás e
novamente, colocaram uma especie de luva nas minhas mãos que a
mantiveram fechadas e depois fecharam algemas, vendaram meus olhos e
então me puxaram para cima.
Senti uma mão nas minhas costas me empurrando para frente, iriamos
fazer um passeio pelo visto. Durante o trajeto tentei olhar ao redor,
tentar enxergar algo, mas tudo o que eu via era apenas a venda,
tentei me concentrar nos meus passos tentando decorar o caminho pelo
qual eu seguia, mas estava nervosa e ansiosa demais para isso, estava
querendo escutar a voz de Derek e de Savannah, saber que eles estavam
bem, era apenas isso que eu precisava. O nosso passeio não foi muito
longo e logo paramos de andar.
— Iremos
soltar suas mãos mas não tente nenhuma gracinha ainda estamos com
seus amigos. — A voz disse e eu apenas confirmei com a cabeça, ele
não precisava ficar me lembrando disso, eu sabia.
Soltaram
as algemas mas as luvas na minha mão continuaram, eles me sentaram
em uma cadeira e prenderam algumas tiras ao redor do meu tronco e dos
meus braços prendendo-os na cadeira e depois de conferir que estava
tudo preso e eu me sentir em uma cadeira elétrica tiraram a minha
venda e finalmente consegui ver algo.
Eu
estava em uma sala quadrada, a cadeira que eu estava parecia com
cadeira de escritório, dessas de braço e giratórias mas com uma
base mais pesado, não era uma cadeira de rodinha. A sala tinha uma
péssima iluminação e paredes brancas, as paredes possuíam
espelhos e eu não sabia como funcionava as coisas no mundo
encantado, mas se eu estivesse no mundo mortal eu juraria que aqueles
espelhos não eram espelhos simples, eu parecia estar em uma sala de
interrogatório.
Isso
se tornou mais real quando eu vi, uma garota que tinha uma idade
próxima a minha entrando na sala parecendo imponente, tentei me
mexer para ficar um pouco mais imponente também, mas as tiras
estavam tão apertadas que eu mal conseguia respirar.
— Não
adianta, essas luvas te impedem de usar qualquer magia contra mim. —
A garota respondeu.
— Bem,
já sei que o seu poder não é o de ler mentes, pois não foi essa
minha intenção... — Respondi.
A
garota me olhou por um tempo me analisando e eu não tinha vontade
nenhuma de analisa-la, ela era uma bostinha metida, era a tal da
Ariel.
— A
propósito. — Eu respondi. — Obrigada por matar Owen para mim,
ele era um pé no saco, resolveu grande parte dos meus problemas.
— Quem
disse que eu o matei? — Ela pergutou.
— Eu
vi, você e um cara que descobri que é seu pai, eu vi os dois. Eu vi
como foi, até o ultimo suspiro. — Respondi olhando para ela —
Diga que não foi você.
Criaturas
encantadas não podiam mentir, eu sabia disso e ela também, então
ela não poderia mentir, havia guardas ali que não sabiam disso e eu
queria ver como ela se sairia.
E
a forma que ela se saiu foi me dando um tapa enorme no rosto, eu não
pensei que uma garota que parecia ser tão delicada pudesse bater tão
forte.
— Você
não pode provar isso!!!! — Ela falou. — Pode?
Como
provar isso? Algo que só eu e Fay tinhamos visto, não tinhamos como
provar, poderiamos o tempo todo falar que tinhamos visto em um sonho,
mas como se fazer acreditar? Eu não tinha como provar e ela sabia
disso, provavelmente todo o esquema foi muito bem feito para tirar
qualquer suspeita dela e com isso nem a interrogarem, se bem que eu
não sabia como funcionava as leis no mundo encantado, mas depois da
morte do rei e o desaparecimento de Fay não existia ninguém ali que
poderia exigir que ela fosse interrogada.
— Eu
não preciso provar, eu, você e Fay sabemos disso, seu pai também...
Para mim é o suficiente. — Eu respondi.
— Então,
você não pode provar, não tem nada que possamos fazer, porque não
encerrar esse assunto? — Ela sugeriu.
— Eu
tenho alguma escolha? — Perguntei, mesmo sabendo a resposta.
— Não.
— Ela respondeu. — Lauren, não quero te machucar muito, não se
não for necessário.
— Começou
errado então queridinha... — Respondi. — Sabe se apertar mais um
pouquinho essas tiras acho que você vai me cortar ao meio.
— Que
bom, disse que não quero te machucar muito, mas é bom que saiba que
não ficará confortável enquanto não decidirmos sobre certos
assuntos. — Eu estava começando a achar a voz dela um bocado
enjoada. — Bem, como você provavelmente já percebeu, você é a
herdeira do trono das sombras e bem, eu tenho o desejo de governa-lo.
Eu sei que você passou muitos anos no mundo mortal e com certeza não
tem o preparo que eu tive para isso. Por isso eu ficaria muito feliz
se você simplesmente abrisse mão e me tornasse rainha, o ritual
para isso é bem rápido e prático, sem dor nem sofrimento.
— Só
isso? — Perguntei com um grande tom de ironia. — Porque não
falou antes? Poderíamos ter tido essa conversa enquanto tomávamos
um chocolate quente e depois comemorar em um shopping. — Falei
fazendo cara de animada. — Eu não precisaria nem ter vindo aqui
para dar um não na sua cara. — Respondi ainda sorrindo. — Era só
isso priminha?
— Bem...
Eu sabia que não seria tão fácil, então talvez eu precise te
convencer. — Ela respondeu se levantando.
— Quais
coisas legais você irá fazer para me convencer então? Me deixar
cega em um quarto de luz? Me acorrentar com ferro? Talvez até mesmo
sei lá... Massagear minha pele com uma sessão de tapas e socos? —
Eu fiquei séria. — Deixa eu te dar um spoiller, já fizeram isso e
bem... Aqui eu estou... Acredite eu já tive no inferno e sai de lá,
então pode mandar bala.
— É
eu soube da sua resistência da ultima vez que veio aqui... Mas veja
priminha eu descobri seu ponto fraco. — Ela respondeu.
Duas
luzes se acenderam mostrando que minhas suspeitas estavam corretas,
os espelhos não eram totalmente espelhos, os espelhos que estavam
nas laterais da sala sumiram, dando lugar a janelas, as janelas davam
lugar à outras duas salas iguais a que eu estava, eu olhei na
direção das salas e em cada uma tinha uma pessoa presa a cadeira
igual à mim, com a diferença de que eles estavam vendados, quando
Ariel movimentou a cadeira eu os reconheci.
À
minha direita estava Derek e a minha esquerda Savannah, um guarda
entrou em cada sala e eu tinha certeza que o baú que ele carregava
não teria tesouros...
Capitulo
XVII
Bree
O
portal tinha sido fechado, ninguém sabia o porque e ninguém sabia
como, só estava uma verdadeira bagunça, ninguém sabia o que fazer,
todos os que poderiam controlar e assumir alguma postura tinham
desaparecido com o portal, Dial, Lauren, Fay, Derek, Blake. Era muito
falatório, até que finalmente alguém tomou as rédeas, Math com a
ajuda de Lucian.
— Eu
terei que pedir para os meus fazerem vocês ficarem quietos? —
Lucian vociferou e então todos se calaram.
— O
que aconteceu com eles? — Alguém perguntou.
— Estão
mortos? — Outro sugeriu.
— Não,
pelo menos Lauren está viva. — Lucian falou. — Eu não sei se
está bem ou não, mas com certeza está viva.
— Como
pode ter tanta certeza? — Um dos solitários mais novo perguntou.
— Tenho
uma ligação direta com ela, se ela tivesse morrido, eu saberia com
certeza. — Lucian respondeu.
— Mas
aonde eles estão? — Outro solitário perguntou.
— Eu
não sei... — Lucian olhou para Math que balançou a cabeça de
forma negativa. — Ainda não sabemos.
— Olha,
não sabemos o que aconteceu, mas o portal simplesmente sumiu. —
Math começou a falar. — Não temos nem mesmo vestígio dele aqui,
eu sei que estão assustados e com muitas dúvidas, mas não temos
como responder agora, peço a paciência de todos.
— O
que devemos fazer enquanto isso? — Uma mulher perguntou.
— Esperar.
Aqui, irem para suas casas. — Math respondeu. — Olha só galera,
vocês confiavam no meu pai não confiavam? Eu sei que não sou ele,
mas sempre estive com ele, por dentro de tudo para resolver os
problemas, então confiem em mim, não irei deixa-los desamparado.
— Eu
conheci a Lauren antes de todos vocês. — Adam falou chamando a
atenção para ele e para mim que estava do lado dele. — E tenho
certeza que Lauren está pensando em como abrir o portal para vocês,
se ela que fechou, foi para protegê-los de algo.
— Fay
também... — Eu completei. — Eu sei que é difícil acreditar na
justiça dela quando muitos foram expulsos do reino encantado
injustamente por Owen, mas Fay não é igual a ele, ela se arriscaria
pelos inocentes.
Eu
podia não gostar da Fay, afinal se não fosse por ela seria a mim
que o Seth amaria, mas eu não podia ser injusta, não podia falar
que ela era má, quando me salvou de minha punição e quando se
colocou em risco para salvar Lauren que na época era uma total
desconhecida.
Eu
vi no olhar de Adam um pequeno brilho passar, como se ele tivesse
tido uma ideia e ele apenas olhou para Math, uma troca de olhar
rápida e olhou para a sua banda, Math confirmou com a cabeça e
então chamou atenção para si.
— Quem
desejar ir para casa, quem estiver bem para ir, podem aguardar por
noticias que eu farei o contato com todos em breve.
— E
quem não desejar, a banda “Os Solitários” terá um grande
prazer em entretê-los. — Adam completou.
Aos
poucos as pessoas foram se ajeitando, algumas foram para casa, outros
seguiram a banda de Math e eu juro que não entendi o porque da ideia
do show em plena uma crise como aquela, por isso me juntei à Math e
Lucian.
— Qual
a parada da banda? — Perguntei quando estavamos apenas nós três.
— O
dom do pessoal da banda é mexer com as emoções através da música.
— Math explicou. — Adam poderá acalmar à todos enquanto
ganhamos tempo pensando no que pode ter acontecido.
— Okay.
Realmente foi uma boa ideia. — Eu respondi. — Vocês tem alguma
idéia do que pode ter acontecido?
— Bem,
eu estou pensando na hipótese de com a passagem das duas o portal
ter se fechado, afinal foram as duas que abriram o portal. — Math
explicou.
— Se
fosse isso, Seth não teria passado. — Lucian lembrou.
— É
fora que eu li aquele encantamento, e em nenhum momento disse que uma
tinha que ficar aqui. — Eu respondi.
— Eu
também imaginei isso... Mas não queria pensar na outra hipótese. —
Math respondeu.
— E
qual seria? — Perguntei.
— Bem,
sabemos que Lauren está viva, mas não sabemos da Fay e os demais. —
Math começou a dizer. — Quando Seth entrou ele gritou pelo nome da
Fay, ele viu algo acontecer e mãos o puxaram, não era a mão de
nenhum dos que passaram... Foi uma armadilha, alguém estava a espera
deles.
— O
que vamos fazer então? — Eu perguntei.
— Descobrir
alguma outra forma de irmos para o mundo encantado e descobrir o que
aconteceu com os demais. — Lucian respondeu e olhou para Math. —
Certo?
Capitulo
XVIII
Lauren
E
então ali sem eu poder fazer nada Derek começou a ser torturado e
enquanto ele sofria com a tortura do afogamento Ariel me dizia
exatamente o que ele estava passando e sentindo, eu tentei me soltar,
tentei me debater, mas nada.
— Você
sabia que nesses momentos o corpo tenta respirar e a agua acaba indo
direto para os pulmões? Você já se afogou Lauren? Sabe o que
acontece? O desespero da pessoa? Bem, talvez Derek possa te dizer
quando tudo acabar. — Ariel começou a me dizer.
Naquele
momento eu não sabia o que fazer, eu devia pedir para ela parar, ela
provavelmente iria me obrigar a desistir do trono, eu não podia
fazer isso, sei que se eu abdicasse do trono a vida de todos na mão
de Ariel seria um inferno e se ela não matasse a mim e ao Derek,
faria Savannah nos matar.
Eu
não tinha escolhas ali, me lembrei das visões dos pesadelos e me
lembrei de outros prisioneiros passando por isso, como eu poderia
decidir por eles? Como eu poderia colocar a vida de tanta gente nas
mãos dela? Nunca, eu nunca faria isso, eu iria sair dessa e a
mataria com minhas próprias mãos.
Eu
sabia que ela estava usando Derek para mexer comigo, por isso tentei
não chorar, colocava na minha cabeça que aquele não era o Derek,
eu o vi sofrer por um longo tempo, seus gritos de dor até estes
cesarem, ele ficou insconsciente.
Por
diversas vezes quando meu pai bêbado me culpava pela fuga da minha
mãe e me batia eu não chorei, não porque eu não estava sentindo
dor, mas porque eu não queria demonstrar que ele estava me
machucando, as palavras dele assim como todos os socos doíam, mas eu
aprendi a chorar em silêncio, chorar sem lágrimas, chorar por
dentro enquanto me mantinha forte por fora e foi isso que eu fiz, não
mostraria para Ariel o quanto aquilo tinha me afetado, porque se eu
demonstrasse ela sempre o usaria contra mim.
— Então
temos uma durona... — Ariel falou ao olhar para mim — Veremos se
é assim tão durona.
Então
virou minha cadeira para onde Savannah estava e o processo se repetiu
nela, talvez por sua natureza, Savannah demorou mais para ter gritos
arrancados, mas quando foi feito aqueles gritos cortaram meu coração,
mas eu tinha que me manter forte, se Ariel acreditasse que
machuca-los não me machucaria, desistiria de fazer algo com eles e
talvez até os libertasse.
Um
longo tempo depois Savannah também se calou, um medo grande de que
eles estivessem mortos tomou o meu corpo, mas se eles tivessem
morrido, Ariel não teria nada contra mim, então provavelmente ela
não permitiria que eles morresem, por favor, que eu esteja certa.
— Nem
uma lágrima? — Ariel me perguntou.
— Estão
mortos? — Perguntei tentando esconder o medo.
— Ainda
não, a morte é algo muito rápido, para que matar logo se posso
vê-los sofrer. — Ela respondeu com um sorrisinho.
— Vou
lembrar disso quando for te matar. — Respondi com ódio a olhando.
Ariel riu, um riso de escárnio e zombaria
— Acho
meio difícil de isso acontecer. — Ela respondeu. — Mas devo
confessar que eu não apostava tanto em você assim, talvez seja só
porque você não sabe como os dois sofreram, então, talvez você
deva sentir, quem sabe assim você não pensa melhor na minha
proposta?
Então
dois guardas entraram na sala e eu sabia que aquele seria o momento
onde eu sentiria tudo o que Derek e Savannah sentiram, só esperava
ser tão forte quanto eles. Sem ter os olhos vendados a cadeira que
eu estava virou, se transformando em uma cama e o encosto da cabeça
sumiu, meu corpo foi colocado em uma posição diagonal com a cabeça
em uma altura abaixo a dos pés, uma luz branca quase me cegando e um
calor infernal tomaram conta da sala.
— Aqui
vai ficar muito desconfortável, então, te espero do outro lado. —
Ariel respondeu, saindo da sala foi então que eu senti o pano em
minha boca e a água sendo derramada.
Minha
primeira reação foi me mexer incomodada, uma sensação de
afogamento me deixou em pano, eu não conseguia respirar, eu não
consegui pensar, foi então que parei, tentei me controlar e me
lembrei que a água não poderia me machucar, bastava eu assumir o
meu controle, eu poderia até mesmo usá-la como arma.
Me
concentrei em fazer a água não descer mais pela minha boca,
tentando impedi-la de entrar, foi difícil, muito difícil me
concentrar em algo com a sensação de afogamento, mas quando eles
pararam pela primeira vez foi a oportunidade que tive para recuperar
o controle e olhei para a água ainda no balde, não tive muito tempo
para pensar em como agir, mas da segunda vez que tamparam meu rosto e
jogaram a água a mesma não caiu do balde, acho que demorou um pouco
para notarem o que estava acontecendo.
— Mas
ela não pode controlar a água aqui, os poderes dela não podem ser
usados. — Um dos guardas disse.
— Na
verdade o poder não é totalmente anulado, ele apenas se torna mais
fraco. — O outro respondeu.
Os
dois ficaram calados e depois de um tempo a porta se abriu, mesmo que
eu tivesse acabado de conhecer Ariel consegui perceber que aquela era
a voz dela.
— Então
você não quer cooperar não é mesmo? Bem, tenho outras cartas na
manga queridinha. — Mesmo com o rosto tampado, eu senti o rosto
dela perto do meu.
Ela
retirou o pano do meu rosto e então antes que eu pudesse fazer
qualquer coisa para controlar os guardas dela me molharam, dessa vez
totalmente e dessa vez a mesma estava quente, por isso não consegui
controlar o grito de dor.
— Vamos
deixar você mais eletrizante. — Ela disse parecendo animada e
então seus guardas começaram a ligar um bando de fio em mim.
Mesmo
não tendo certeza de como as coisas no mundo encantado funcionavam,
eu podia prever que a frase dela mais aqueles fios iriam me trazer,
choques eu tentei me mexer para tirar os fios mas não consegui,
tinha até mesmo alguns na minha cabeça.
— Você
sabe que água conduz eletricidade não é mesmo? — Ela me
respondeu e sorriu para um dos guardas confirmando com a cabeça.
Foi
então que uma onda de choque percorreu todo o meu corpo, junto com
uma dor excrucial, aquilo durou segundos e quando parou eu respirei
rapidamente antes de sentir novamente o choque percorrer o meu corpo,
outra e mais outra e mais outra vez.
A
cada nova onda de choque Ariel fazia com que os choques fossem mais
longos e o intervalo mais curto, era como se ela soubesse o quanto eu
conseguiria resistir, o meu limite, e parasse antes de ultrapassá-lo.
Depois
de 8 sessões de choque a pausa foi um pouco maior, ao invés de mais
uma onda de choque, o que veio foi novamente a água quente, eu não
tinha forças para gritar, Ariel se colocou ao meu lado.
— Pronta
para me entregar o reino? — Ela me perguntou olhando nos meus
olhos.
— Nunca...
— Eu cuspi as palavras. — Terá que me matar primeiro...
— Vamos
ver se continuará esse pensamento. — Ela respondeu e mais um aceno
antes de eu sentir a onda de choque percorrendo cada músculo do meu
corpo.
Mais
oito sessões, cada vez mais longas e novamente água, novamente a
pergunta de Ariel, mas a cada grito que ela me fazia dar, era mais um
motivo pelo qual eu nunca daria o reino para ela, um psicopata tem
que estar preso e não em um trono.
Eu
já tinha perdido as contas de quantos choques eu tomei, as coisas
estavam turvas à minha frente e meu corpo doia tanto que começou a
ficar anestesiado pela própria dor, é como se ele não pudesse
sentir mais dor do que sentiria normalmente.
— Então...
Já mudou de idéia? — Ariel me perguntou. — Acha mesmo que vale
a pena tanto sofrimento por pessoas que você não conhece.
— Nunca...
— Eu respondi, com a voz baixa, um murmuro não por medo de falar
alto, mas por não conseguir mesmo. — Eu prefiro dar o reino para
um mortal qualquer do que te deixar no comando dele, você nunca vai
conseguir ele...
— Você
se arrependerá disso, eu posso ser persistente. — Ariel respondeu.
— Foda-se...
— Eu respondi e dei um sorriso para ela, não de felicidade, mas
sabendo que por maior que fosse o poder dela, isso ela nunca
conseguiria de mim.
Senti
um soco forte no rosto de uma Ariel raivosa que simplesmente saiu do
meu lado pegando ela mesmo o balde de água quente e jogou em mim.
— Vai
se arrepender disso, vamos ver agora até onde você aguenta. — Ela
respondeu com raiva e foi até a máquina que controlava os choques.
Então
novamente uma onda elétrica percorreu o meu corpo, mais longa que as
anteriores, eu tentei resistir ao máximo mas simplesmente tudo se
apagou.
Capitulo
XIV
Fay
Seth
não respondeu Declan que saiu rindo dali, eu esperei até que os
passos sumissem que indicaria que não tinha mais guardas ali, eu
sabia que os guardas Faes ficavam incomodados de ficar por lá devido
as portas de ferro, então por isso eu sabia que assim que os passos
sumissem nós estaríamos sozinhos e assim que isso aconteceu, eu
esperei mais alguns minutos antes de me aproximar o máximo possível
da porta sem ser afetada pelo ferro.
— Seth!
—
Eu
o chamei. —
O que você viu?
— Era
Declan... — Seth respondeu e ele parecia estar procurando as
palavras certas. — E tinha outros guardas com eles...
— E
o que vieram fazer aqui? Ele trouxeram algo não foi? Eu escutei o
barulho. — Eu perguntei ainda mais apreensiva com a forma cuidadosa
que Seth falava.
— Na
verdade eles... Bem... Era Derek, Savannah e Lauren... Os três
estavam desacordados. — Seth respondeu. — Eu... Eu não consegui
ver direito.
— Você
viu se eles... Se meu irmão estava vivo? — Escutei a voz de Blake
com uma preocupação e tristeza que não tinha escutado ainda em sua
voz.
— Eu...
Não... Sinto muito, eles estavam desacordados, é tudo o que sei. —
Seth respondeu para Blake.
— Eles
estão vivos. — Eu disse, tentando demonstrar confiança nisso. —
Não teria o porque o trazerem para cá se não estivessem e não
teria o porque eles matarem ele.
Eu
não sei quais eram os planos de Ariel para todos nós, mas eu
precisava ser firme agora, eu precisava agir de forma confiante,
pensei em meu pai e toda a confiança que ele exalava que fazia com
que todos acreditassem cegamente nele, estava mais do que na hora de
eu ser assim.
Não
tínhamos muito o que falar, era horrível ficar ali sem poder fazer
nada, simplesmente à espera de que alguém aparecesse para decidir o
que aconteceria conosco, o confinamento era uma das tecnicas mais
usadas para mexer no psicologico das pessoas, pois muito tempo ali
olhando as paredes sozinho deixava qualquer um maluco, a falta de
noção de tempo ajudava nisso também.
Eu
sabia que não tinha como fugir, eu sabia exatamente na teoria como
funcionava os esquemas de segurança para as celas da solitária e eu
sabia que tentar fugir só causaria uma morte mais rápida, por isso
o melhor a ser feito era guardar energia, era a única coisa que eu
poderia fazer agora, quanto mais tempo guardando minha energia e
mantendo minha mente equilibrada, mais eu poderia fazer.
Algum
tempo se passou, não pude precisar se foram horas ou minutos, mas
então o silêncio total foi rompido pela voz de Lauren.
— Derek!!!!
Derek!!!! — Ela chamou. — Savannah!!! Por favor, falem que estão
ai, que estão bem.
— Lauren?
— Eu a chamei.
— Fay?
Eu não sabia que você estava aqui. — Escutei a voz da Lauren. —
Quem mais está aqui?
— Até
onde eu saiba, Seth e Blake. — Respondi.
— Blake?
— Lauren perguntou e em seguida o chamou. — Blake, você consegue
me ouvir?
— Sim
majestade. — Escutei a voz de Blake com o tom que ele usava
normalmente mostrando que estava sempre à postos.
— Me
desculpa... Eu devia ter feito algo, devia ter protegido Derek, eu
não pude, eu não consegui... — A voz de Lauren estava chorosa. —
Eu não podia deixar aquela vaca assumir o trono, mas eu devia ter
protegido o Derek, me perdoa, por favor.
— Majestade,
tenho certeza que você fez tudo dentro do possível. — Eu pude
notar o tom triste que Blake falava, mesmo tentando parecer firme.
— Eu
não tenho essa certeza. — Lauren respondeu. — Fay... Toma
cuidado.
— Com
o que? — Peguntei escutando o aviso de Lauren.
— Eu
não sei se Ariel fará com você o mesmo que fez comigo, mas se
fizer... Ela usou Savannah e Derek para me fazerem ceder o trono
para ela. — Lauren completou com a voz desolada. — Eu não quero
ser rainha, mas nunca deixaria que ela assumisse o trono. Não depois
de tudo o que eu a vi fazendo.
— Eu
não sei se ela tem interesse na Corte da Luz. — Respondi. —
Porque a Corte dela é a das Sombras, mas vindo de Ariel, eu espero
qualquer coisa.
Sobre
ela usar alguém contra mim, acho que não conseguiria, meu pai
estava morto, como a minha mãe, eu não tive outra pessoa fazendo o
papel de mãe na minha vida e nem tinha mais um namorado para ela vir
a usa-lo contra mim, portanto, seria mais fácil, bem fácil suportar
Ariel.
Fiquei
à espera de algo acontecer, mas ao invés de alguém chegar senti
uma inquietação e com a voz de Savannah e Derek acordando percebi
que não fui a única. Savannah acordou primeiro e depois Derek,
ambos chamara por Lauren e pelo visto, seja lá o que tenha
acontecido, aparentemente estavam todos bem.
Mas
a sensação de inquietação apenas aumentava e não demorou muito
para que eu conseguisse identificar o porque daquilo, me lembrando de
uma das tecnicas usadas, a forma de manter os prisioneiros acordados,
era um encanto que usavam e que mexia com o nosso sistema, mantendo-o
em alerta máximo.
Agora
cada segundo que passava pareciam horas com a sensação de
inquietação mais o espaço confinado, então eu estava realmente
perdendo totalmente a noção de tempo, não fazia ideia de que horas
do dia era quando novos passos surgiram e a inquietação de todos
fez com que barulhos de passos fosse ouvido das celas, todos
provavelmente se aproximando das portas.
— Agora
que sei que estão devidamente acordados, prestem todos atenção. —
A voz de Declan invadiu o local. — Sei que vocês conseguem saber
quando estamos nos corredores, então para não causar confusão e
adiantar o nosso trabalho, quando estivermos nos corredores, vocês
deverão se ajoelhar no chão e colocar as mãos atrás da cabeça,
todos enquanto esperam por nós.
— Se
você pedir com carinho, quem sabe podemos fazer isso? — Lauren
gritou de forma debochada.
— Você
vai fazer isso sua bastardazinha, porque essa é a maneira de mostrar
que vocês estão cooperando conosco, se tentarem algo contra
qualquer um de nós vocês e aqueles que vocês amam pagarão caro
por isso. — Declan anunciou para todos. — Ariel já está de saco
cheio de você bastarda, eu obedeceria se fosse você.
— Obedecer?
E fazendo isso o que acontecerá comigo? Levarei choques mais leves?
— Lauren respondeu. — Acho que vocês não sabem negociar
direito.
— Se
você for boazinha eu posso poupar seu namoradinho e também sua
mãezinha sapata... — Declan respondeu. — Eu sei o que aconteceu
com você, você sabia que sua mamãezinha serviçal foi estuprada
dia após dia até mesmo depois que engravidou de você? — Eu sabia
que aquelas palavras forma para ferir Lauren, mas eu sabia que ele
falava do meu pai, enquanto o mesmo estava casado com a minha mãe,
me lembrar que meu pai não tinha sido perfeito foi algo que me
desestabilizou. — Você sabe o que é isso não sabe? Eu sou o que
seu irmão mortal fez com você... Talvez seja algo de família e
talvez a sapata aqui para se sentir mais da família queira isso
também, o que você acha?
— NEM
SONHE EM FAZER ISSO COM ELA!!! — Escutei a voz de Lauren e nunca a
vi com tanta fúria.
— Ah
mas já sonhei... — Declan respondeu sendo desprezível. — E eu
só preciso que você me dê motivos para eu conseguir autorização
da NOSSA verdadeira rainha, a Ariel, para isso.
— Se
você ousar fazer algo assim, eu juro que você vai implorar por
misericórdia ouviu bem? — Lauren vociferava. — EU SOU A RAINHA
DA CORTE DAS SOMBRAS e quando eu sair daqui, torça para que você já
esteja morto, porque se não tiver, eu não irei poupar esforços
para te mostrar o porque eu sou a rainha.
— Você
não tem ideia de com quem está falando do que eu sou. — Declan
respondeu.
— Se
ela soubesse ela veria que não precisava de muita coisa para acabar
com você. — Escutei a voz de Seth. — Se um reles mortal como eu
consegue, imagine uma rainha encantada.
— Veremos
se continuará pensando assim em breve Seth... Eu terei o tremendo
prazer em acabar com você. — Declan respondeu e eu conseguia
sentir em suas palavras o quão descontrolado ele estava. — Espero
que tenham entendido o recado, na próxima vez que eu estiver aqui
quero que estejam ajoelhados e com as mãos atrás da cabeça ou se
arrependerão.
Provavelmente
Declan não imaginou que as coisas aconteceriam daquela forma quando
saiu vociferando dali, acho que nenhum de nós imaginaria isso na
verdade, quando Declan saiu e após um tempo em que os passos
sumiram, eu vi que era seguro falar.
— Lauren...
Não deixa que ele mexa com a sua cabeça. — Eu esperava que Lauren
estivesse me escutando. — É isso que ele quer, é isso que todos
querem, existe um encantamento nessas celas para nos deixar
acordados, isso mexe com a nossa cabeça e faz as coisas parecerem
pior.
— Como
ele sabia dessas coisas? — Escutei a voz de Lauren num misto de
raiva e tristeza. — Como? Como ele sabia da minha mãe? Como ele
sabia do Kevin...
— Deve
ter alguém que tenha lido as minhas lembranças e as suas. — A voz
de Savannah se fez presente, ela também parecia triste.
— Eu
não vou deixá-lo te machucar mãe. — Escutei a voz de Lauren.
— Não
se preocupe comigo. Faça o que tiver que fazer, mas a cada momento
que passa você sabe ainda mais que não pode deixar Ariel assumir o
trono. — Savannah respondeu.
— Independente
do que façam comigo ou com a Savannah. — Dessa vez foi a voz de
Derek. — Você precisa ser for snow... Mais forte do que eles. E
você também Fay, tenho certeza que você não está presa aqui a
toa.
— Será
mais fácil para mim. — Eu disse com a voz mais calma. — A única
pessoa da minha família que ela podia usar contra mim, ela matou.
— Você
sabe que isso não é totalmente verdade. — Escutei a voz de
Lauren. — Savannah e Derek estão aqui por minha causa, Blake é
irmão de Derek e pode ser usado para persuadirem Derek a me fazer
tomar a decisão que eles querem. Mas tem uma sexta pessoa aqui que
não tem ligação comigo... Eu não sei o que rolou entre você e
Seth, mas ele está aqui por sua causa.
Eu
não soube o que responder e um silêncio se abateu no local por um
certo período, acho que todos esperavam que eu respondesse algo, mas
eu de verdade não sabia o que responder.
— Se
isso é verdade Fay... — Seth quebrou o silêncio. — Se estou
aqui por sua causa... Eu fui treinado à morrer pelo mundo encantado
e sempre estive disposto à morrer por você.
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