quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Novos capitulos


Capitulo XXXI
Savannah
Desde que fomos capturadas não sabíamos quanto tempo tinha se passado, não tínhamos a menor noção de hora e durante todo o tempo que estivemos presos, eles fizeram de tudo para que não soubéssemos quanto tempo estava passando, não existia uma rotina, até nosso próprio corpo se confundiu já que até isso Ariel e Macsen conseguiam controla-lo, já que as vezes estávamos bem alertas e segundos depois nossos corpo desabava de cansaço.
Apesar de todos estarem em celas separadas, conseguíamos saber os medos e horrores de todos ali, já que comum acordamos com gritos vindo das celas ao lado, os gritos eram mais constantes vindos da Fay e da Lauren e por mais que eu tivesse aprendido à gostar da Rainha da Luz, meu coração se apertava mais com os gritos da Lauren, me lembravam os gritos de Amélia quando essa acordava de um pesadelo, o que apenas me fazia me sentir pior por não poder acalma-la, por ser inútil ali.
Foram poucas as vezes que conseguíamos ver um ao outro e pude notar a diferença que cada um esbouçava com as torturas ali sofridas, apesar da aparência horrível Seth tinha um olhar sempre determinado, Derek desde a morte de Blake estava totalmente desolado, eu nunca o tinha visto assim. Fay tinha sempre um tom vermelho nos olhos de quem chora silenciosamente, mas ao mesmo tempo mantendo sua pose de rainha, já Lauren... Eu não a reconhecia, seu olhos estavam vazios, era como se ela não estivesse mesmo ali e ao seu redor era sempre possível ver claramente uma sombra escura, eu sabia que ela estava sendo dominada pelas sombras e me perguntava se quando saíssemos dali seria tarde demais para trazê-la de volta.
O tempo passava e eu me via definhar ali, eu era uma assassina, minha raça nascia preparada para aguentar as piores situações e eu via as minhas forças sendo esgotadas, os outros não estavam preparadas para isso, eu não sabia quanto tempo eu resistiria e muito menos quanto tempo resistiriam os demais, por vezes acreditei que nossa vida acabaria ali e se a vida das duas rainhas acabassem ali, provavelmente do mundo encantado e do mundo mortal também.
Mas então veio o resgate, parecia um sonho até o momento que Lauren não estava ali, foi quando a ideia de sairmos de lá sem ela se tornou um pesadelo, eu não abandonaria a filha de Amélia, eu não abandonaria a minha filha.
Assim que saí do castelo, eu queria voltar para lá e procurar por Lauren, mas como uma assassina eu sempre pensei em tudo o que poderia dar errado e sabia que estando saudável eu poderia acabar com qualquer um, porém na minha situação atual, eu provavelmente iria atrapalhar o plano dos solitários e da caçada e mais uma vez me senti imponente, eu sabia que não poderia entrar lá e resgatar Lauren como eu queria, mas não iria sair dali sem ela, por isso aguardei junto com Derek, não sabia qual era os planos dele, mas se por acaso a Caça fosse embora sem Lauren, eu entraria ali em uma missão suicida, mas eu não iria sair do castelo sem Lauren, mas que isso significasse nunca mais sair dali.
Passou um tempo, que era uma eternidade, quando finalmente pessoas começaram a sair do castelo, foi quando vi que parte dessas pessoas era a caça e alguns solitários, dois membros da caça se aproximaram de mim e do Derek.
Temos que sair daqui. — Um deles falou.
Vamos ajuda-los. — O outro completou
Aonde está Lauren? — Derek perguntou.
Mas não esperamos pela resposta, vimos Lucian carregando Lauren desacordada no colo e corremos na direção dele.
Ela está viva, mas precisamos correr para o castelo para ela ficar bem, agora vão com Donaghy e Drew, não me façam ter que me preocupar com vocês dois. — Lucian respondeu antes mesmo que eu ou Derek perguntasse alguma coisa.
Aquela foi a primeira vez em muito tempo que vi Lauren na claridade e pude vê-la por um bom tempo, ela tinha marcas de queimadura, estava extremamente magra e mesmo desacordada parecia estar sofrendo, eu iria me recuperar e eu mesma mataria Macsen, Declan e Ariel.
Drew me ajudou pelo caminho, se oferecendo me carregar pelo caminho, o que recusei nas primeiras vezes, eu iria correndo, eu estava bem para isso, Derek recusara a ajuda de Donaghy também e isso acabou fazendo com que nós quatro ficássemos para trás, apenas aceitamos ser carregados por eles quando depois de muito tempo um deles usou um argumento válido.
Se nos deixarem carregar vocês, iremos mais rápido e logo poderão saber como estão a rainha. — Foi Drew que deu essa sugestão e vimos que ele estava certo, baixamos nossas guardas e deixamos que eles nos levassem.
Realmente demoramos um tempo muito menor para conseguirmos percorrer o resto do percurso e então chegamos no castelo da luz. Por motivos óbvios eu nunca tinha estado lá e por isso não pude deixar de admirar suas diferenças do castelo atual e do antigo castelo das sombras.
Mesmo depois de abandonado por tantos anos, o castelo da luz mantinha um grande jardim florido, ele era todo branco e só de entrar no mesmo senti um pouco de paz momentânea, Lucian estava logo no saguão de entrada à nossa espera.
Lauren e Fay estão sendo medicadas assim como Seth. — Lucian disse quando nos viu. — Vocês também serão cuidados e medicados, devem descansar agora.
Ela está bem? — Perguntei, eu sabia que Fay estava bem dentro do possível, ela estava acordada quando saímos do castelo e apesar de bem fraca conseguia falar e ficar de pé, já Lauren eu não sabia.
Ela está viva e é isso que importa. — Lucian respondeu. — Está protegida agora e sendo cuidada, se ela sobreviveu esse tempo todo, sobreviverá agora. Os dois precisam ser cuidados e descansar. — Ele suspirou. — Olha, eu sei que é difícil, mas entenda, precisamos de vocês e quando Lauren acordar ela precisará também, por isso vão descansar pelo menos essa noite.
Eu quero ficar com ela. — Derek disse. — Eu preciso ficar com ela, ela também vai precisar disso, quando ela acordar não vai saber o que está acontecendo, passamos todo esse tempo separados, cada um sofrendo sozinho em sua cela, agora estamos livres, deixe que fiquemos juntos, eu não vou fazer nenhuma outra objeção, mas todas as noites escutei Lauren gritar durante os sonhos, gritos de dor, medo e tristeza, nunca pude fazer nada, eu quero que ela saiba que está segura, caso acorde gritando e acalma-la.
Tudo bem, se isso fizer você e ela ficarem bem... — Lucian respondeu. — Eu não sei o que aconteceu Derek, apenas sei que ela me nomeou seu herdeiro de trono e para ela ter feito isso... Eu quero apenas que vocês fiquem bem. — Lucian me olhou. — Vou providenciar para que vocês fiquem juntos, se quiser posso coloca-la no quarto também Savannah. — Eu confirmei com a cabeça — Tudo bem, apenas vou pedir para que deixem examina-los antes.
Lucian nos levou até uma área hospitalar onde tinham roupas limpas nos esperando, tomamos banhos, alguns dos solitários nos examinaram e então fomos medicados, fizeram curativos e então nos levaram para um quarto onde Lauren estava deitada em uma cama, tinha uma cama igual a dela vazia e uma cama de armar tinha sido colocada lá também.
Derek foi direto para o lado da Lauren, se abaixando ao lado da cama dela e pegando em uma das suas mãos, eu a olhei por um tempo, curativos cobriam quase todo seu corpo e ela havia sido ligada à algumas máquinas que a monitoravam e lhe davam medicamentos.
Você acha que ela ficará bem? — Derek me perguntou, pude ver a tristeza em seus olhos.
Ela nunca será como antes Derek. — Eu o respondi. — Não tem como ser, não depois de tudo. Nenhum de nós será como antes. Mas isso não quer dizer que ela não vai ficar bem... Talvez não fique 100% bem, mas ela é igual a mãe, forte. — Eu o olhei. — Amélia foi estuprada diversas vezes pelo rei e apesar de todos os pesadelos, era ela a me confortar às vezes, apesar da dor e da humilhação ao saber que estava grávida nunca deixou de amar Lauren. Um pouco antes de eu a matar, nos segundos antes de eu perder a consciência, eu não vi medo nela e escutei ela dizendo “cuide da nossa filha”, ela sabia que ia morrer, mas não teve medo, nem nessa hora demonstrou fraqueza... Lauren é assim, então mesmo que ela não fique totalmente recuperada eu sei que ela ficará bem, assim como você, assim como eu, como Fay e como Seth.
Nenhum de nós ficaria bem, eu sabia que certas marcas seriam para sempre, mas Lucian tinham razão e o que ele disse não se aplicava apenas à Lauren, mas à todos nós, se tínhamos sobrevivido à todas as torturas, iriamos ficar bem no final das contas.
Apesar do cansaço, nem eu e nem Derek queríamos dormir, queríamos garantir que Lauren ficaria bem, por isso escolhemos revezar, um dormia enquanto o outro ficava de olho para ver se ela estava bem, depois trocávamos, começamos a ficar de olho na hora e conversar com alguns solitários que apareciam no quarto para nos ajudar, ver se estávamos bem, coisas assim, descobrimos que passamos meses presos, descobri também que existia um grande sistema de segurança feito no castelo pela caça, além da segurança padrão do castelo.
No dia seguinte ao que chegamos, Fay foi ao quarto ver Lauren que ainda não tinha acordado, Seth também estava desacordado, mas ele havia sido induzido à isso por medicamentos, por ser mortal sua recuperação era mais lenta e ele estava muito mal, Bree às vezes ficava lá com ele.
Fay ficou conosco o dia inteiro e acabou adormecendo em uma das camas, como eu e Derek revezávamos o sono, uma das camas estava sobrando mesmo, então não teve problemas de ela ficar por lá.
Durante quatro dias Lauren ficou desacordada, à essa altura Fay se revezava entre nosso quarto e o quarto em que Seth ainda dormia e foi apenas no quarto dia que Lauren acordou, era final da tarde, turno do Derek, mas o grito que deu ao acordar, me acordou também.

Capitulo XXXII
Lauren
Nem nos meus piores pesadelos eu poderia imaginar as coisas que foram feitas nos últimos meses, me machucavam mais pela diversão deles, pois eles sabiam que não seria assim que eu iria ceder, confesso que de certa forma era um pouco aliviante quando eu me via sozinha na sala, sem vidros para ver a sala seguinte, pois eu sabia que quando eu estava sozinha seria apenas a mim que eles iriam torturar, sempre tentava me segurar, segurar meu grito de dor até o fim, tentando ser forte, não demonstraria a eles e na maioria das vezes conseguia resistir quase até o fim, nenhum machucado, nenhum soco, nem mesmo o ferro doía tanto quanto ver alguém ser torturado na minha frente, não importava se eu conhecia ou não a vítima, todos tinham o mesmo olhar desesperado, o olhar que me acompanharia durante toda a minha vida.
Eu vi homens, mulheres, crianças e idosos sendo torturados e mortos na minha frente, todos desconhecidos, exceto um, após a morte de Blake eles me levaram para uma sala com Dial, o torturaram até que ele morresse, eu não fazia ideia de como contaria isso para Math, de como olharia nos olhos dele e falaria que seu pai tinha morrido, bem, talvez seria menos difícil do que olhar para Derek após Blake ser decapitado na minha frente e eu não ter feito nada.
Eu não tinha matado ninguém, nem mesmo ferido qualquer um deles, mas carregava em mim a morte de todos, sabia que cada uma daquelas vidas que foram brutalmente ceifadas eram responsabilidade minha e por isso carregava cada grito, cada choro comigo, carregaria para sempre.
Talvez fosse mais fácil eu aceitar abrir mão do reino, talvez fosse mais fácil eu acabar com minha vida e deixar para Lucian essa responsabilidade, mas se eu fizesse isso, a vida de todos aqueles que morreram na batalha ou morreram sendo torturados para que eu aceitasse o acordo de Macsen, teria sido em vão. Eu não podia desistir, por Blake, por Dial, por Jeremy, por muitos outros e principalmente por minha mãe.
A única coisa que me manteve ali forte inicialmente foi lembrar dos bons momentos, dos momentos que me sentia segura com Derek, mas desde a morte de Blake, eu não conseguia pensar assim, porque pensar em Derek me lembrava da decapitação e do olhar de Derek, eu era a culpada pela morte do irmão dele, ele nunca me perdoaria.
Foi então que eu tive que recorrer para mim mesma, não para uma lembrança mas para um desejo, o desejo de conseguir escapar, o desejo de fazer Ariel e Macsen passarem por tudo o que eu passei, um desejo de vingança, que me alimentava cada vez mais e me fazia me sentir mais forte para tudo o que eu teria que passar.
A cada soco, a cada grito, eu imaginava o momento em que os faria sentir tudo aquilo e foi esse pensamento que me manteve viva, que me manteve sã para quando eu saísse do castelo, não sei como sairia, mas eu sairia, me fortaleceria e acabaria com Macsen e Ariel.
Enquanto acordada eu era agredida e culpada pela morte de inocentes, enquanto dormia, eu tinha pesadelos, revivendo as coisas que tinham acontecido, mas de todos os pesadelos os piores era sempre os que envolviam Derek e Blake.
Fui acordada por Declan e sabia o que estava por vir, ou eu veria alguém ser torturado ou eu seria torturada, respirei fundo me preparando para os dois, me refugiando dentro de mim enquanto Declan me puxava pelo corredor, escadas que eu não via devido o capuz na minha cabeça, até que paramos minhas mãos foram soltas e eu fui empurrada para frente, escutando uma porta ser trancada atrás de mim.
Caí no chão, foi quando o capuz caiu da minha cabeça, eu me levantei sem saber o que estava por vir, eles nunca me soltavam, foi quando me vi em uma sala mal iluminada como o corredor das celas e a minha frente duas pessoas, uma abaixada e a outra pessoa deitada, quando olhei melhor na direção da pessoa abaixada o reconheci mesmo de costas, era Derek e na sua frente deitado era o corpo de Blake.
Levei a mão ao rosto segurando um soluço na mesma hora e senti meus olhos se encherem de lágrimas.
- Derek... - Eu o chamei baixinho.
- Sai daqui sua assassina. - Ele gritou para mim e sua voz demonstrava toda a dor que ele estava sentido.
- Derek... Por favor... Me perdoe... - Eu o pedi.
- Você matou meu irmão!!!! - Ele gritou comigo se levantando e vindo na minha direção. - Sua ambição de ser rainha matou meu único irmão e ele traiu ao rei para te salvar!
- Não foi por isso Derek, você sabe que eu nunca quis isso. - Eu falei com voz de choro incapaz de me mover.
- Eu não sei mais se conheço você, a Lauren por quem eu daria a minha vida nunca deixaria ninguém se machucar. - Derek continuou avançando em minha direção e então puxa uma espada que eu não vi que ele tinha e estava em uma bainha em sua cintura. - Talvez a Lauren que eu conheci não exista mais e essa aqui deva ser morta. - Ele disse apontando a espada para mim.
- Apenas um de vocês sairá vivo daí. - Escutei a voz de Ariel vindo das caixas de som da sala. - E se ficarem conversando nenhum dos dois sai.
- Porque você não me mata como fez com meu irmão? - Derek perguntou e ele tinha ódio no olhar.
- Eu te amo Derek... E você sabe que não fui eu que matei Blake... - Eu não tinha medo de morrer se fosse necessário, eu não mataria Derek então não sairia viva dali, eu só queria o perdão dele.
- Então diga que a morte do meu irmão não foi responsabilidade minha... Diga! - Derek pediu, mas eu não conseguia dizer, a morte de Blake foi minha responsabilidade. - Eu sabia... Eu não terei pena em te matar... - Ele falou de forma ameaçadora ainda com a espada apontada para mim.
- Então me mate. - Eu o pedi e me ajoelhei na frente dele, não demonstrando resistência. - Apenas me perdoe pelo o que aconteceu.
- Te vejo no inferno. - Foi a ultima coisa que Derek falou.
Mas antes que Derek me matasse apenas pude ver o brilhar de uma espada passando pelo pescoço dele e sua cabeça caindo em cima de mim.
- Não... Derek não... - Eu comecei a gritar e chorar, vendo o corpo dele desabar e Declan aparecendo atrás dele com a espada ensanguentada. - Não!!!!!!!!
E então tudo se desfez na minha frente, abri os olhos assustada olhando ao redor, tentando entender aonde eu estava, não mais estava na minha cela, eu estava em um quarto com algumas coisas presas em mim, Derek e Savannah ao meu lado e minha respiração acelerada.
Demorei um tempo para entender que tinha apenas tido mais um pesadelo, um tempo maior ainda para tentar me localizar e chegar a conclusão que eu provavelmente estava sonhando novamente, pois ali ao meu lado estava Derek e Savannah e eu estava em um lugar diferente, um quarto que eu nunca vi, deitada em uma cama.
- Lauren... Está tudo bem? - Derek me perguntou com aquele olhar preocupado e eu não sabia o quanto ele me odiava por ser a responsável pela morte do irmão dele, mas aquela preocupação comigo em seu olhar, eu sabia que nunca mais veria, então só podia ser um sonho.
- Isso não é verdade... É apenas um sonho... - Eu disse para mim, mas segurando a mão dele,eu queria sentir o contato dele, o calor da sua mão.
- Foi apenas um pesadelo... Calma. - Derek disse se aproximando de mim, foi quando notei todos os fios à minha volta, ele se sentou ao meu lado e mesmo eu sabendo que era apenas um sonho eu me aproximei dele, deitando minha cabeça em sua perna e estiquei a mão para Savannah segurando na mão dela.
- Eu sei que é apenas um sonho... Mas vocês parecem tão reais... - Eu disse. - Eu nunca sonhei com algo tão real assim... Mas eu quero sonhar e fingir que isso é real só mais um pouco para eu lembrar como é.
- Filha... O que você sonhou antes era um pesadelo... Isso é real. - Savannah disse de forma doce.
- Não é... Estamos presos... Eu sei disso... - Eu disse. - Eu sei que em breve vão me acordar e eu estarei de novo sozinha na cela, mas por enquanto, deixa eu fingir que estou com vocês.
- Isso não é fingimento. Nós estamos aqui... Fomos resgatados... Vamos ficar bem, você vai ficar bem. - Escutei a voz de Derek.
Eu pensei em dizer que se aquilo fosse mesmo verdade, Derek não estaria assim comigo, ele estaria irritado, chateado, mas não carinhoso, mas preferi não dizer, vai que o Derek do meu sonho acabasse se lembrando disso, era melhor ele não se lembrar do que aconteceu, pelo menos por enquanto.
Mas eu não acordei, em nenhum momento, mesmo que nós três estivessemos em silêncio, eles não sumiram simplesmente do sonho, nem mesmo Blake apareceu bem ali, dizem que quando temos noção de que estamos sonhando podemos moldar nossos sonhos e eu tentei moda-lo para que Blake estivesse vivo e aparecesse ali, mas nada, a única pessoa que apareceu foi Fay e quando me viu acordada pareceu feliz de verdade, ela estava extremamente magra, como eu me lembrava e tinha várias bandagens, mas estava com roupas limpas, simples, porém além das marcas que simbolizavam que ela era a rainha, qualquer um que a visse com aquelas roupas conseguiria saber que ela era uma rainha, ela havia nascido para isso e mesmo cansada, machucada, fraca ela ainda parecia brilhar.
Foi então que aos poucos eu comecei a perceber que aquilo era real, eu não estava sonhando, tínhamos sido resgatados, Fay e Savannah me contaram o que aconteceu e eu chorei de alivio ao saber que não mais veria pessoas morrendo por minha causa e eu sem poder fazer nada, agora eu estava livre, Derek permaneceu o tempo todo calado e apesar de o tempo todo ele ter ficado junto de mim, fazendo carinho em mim eu acreditava que ele deveria estar com raiva de mim, não sei porque, ele não demonstrava isso, eu apenas sentia isso.
Apesar da preocupação de todos ali, eu sentia também um certo receio vindo deles, eles pareciam esconder algo ou com medo de algo, mas eu já tinha tido muitas informações e me perguntava se eles já sabiam de quantas pessoas haviam morrido por minha causa, foi quando me lembrei de Dial.
- Math veio também? - Perguntei
- Sim, foi ele que me trouxe. - Fay respondeu.
- Eu quero vê-lo... - Respondi me levantando da cama.
- Eu o chamo aqui. - Fay respondeu de forma cuidadosa. - É melhor você ficar deitada.
- Fay... Sobrevivemos à coisas horríveis sem nenhum equipamento desse para ficarmos vivas. - Comecei a dizer. - Eu não vou morrer agora em segurança em um castelo por procurar uma pessoa.
- Eu só me preocupo com você. - Fay disse levemente magoada.
- Eu sei... E eu com você – Respondi. - Pelo o que me disseram, eu estou à 4 dias deitada descansado e você não. - Continuei. - Eu estou melhor do que você provavelmente, é por isso que não é justo eu ficar aqui enquanto você anda pelo castelo a procura de Math.
- Mas você não conhece as coisas aqui... - Fay disse.
- Deixe um de nós ir com você Lauren. - Savannah disse. - Você acabou de acordar, não conhece nada aqui, só por precaução.
- Okay... Então, você pode ir comigo Fay? - Perguntei à ela, eu e Fay nunca fomos muito próximas e como eu não queria muito conversar com ninguém, seria uma ótima companhia.
Fay deu um sorriso e confirmou com a cabeça, sugeriram que eu esperasse alguém para tirar aqueles fios todos ligados à mim, mas eu mesmo os tirei, queria andar com meus próprios pés para onde eu quisesse logo.
Fay começou a andar comigo, passamos por corredores e ela me indicou onde ela estava e onde Seth estava, para caso eu precisasse, me indicou também a enfermaria, caso eu me sentisse mal, fazendo um pequeno tour comigo pelo castelo, sem me perguntar sobre nada, sobre o porque na minha urgência em ver Math.
- Esse era o castelo da corte da luz, antes da unificação entre as duas cortes, provavelmente foi aqui que minha mãe cresceu. - Ela completou. - Eu nunca tinha vindo para cá antes, mas não tenho muito o que fazer por enquanto e nas coisas da minha mãe tinha um mapa do castelo que eu decorei quando era mais nova, por isso se precisar de algo, é só me falar.
- Eu preciso, mas não de algo do castelo. - Eu disse, ainda não sabia como contar à Math sobre a morte de seu pai. - Dial foi morto... Como eu conto isso para o Math.
Eu sabia que eu tinha sido fria, sabia que aquilo não era uma simples conversa casual e sabia que Fay sentiria sobre a morte de Dial, mas precisava saber como contar isso à ele. Não me surpreendi quando Fay parou.
- O que? Dial... Como? - Fay me perguntou.
- É melhor você não saber... - Eu a respondi. - Eu não queria nem mesmo contar isso para ele, porém é necessário.
Fay ficou muda por um tempo talvez ainda sentindo a morte de Dial, mas logo se recompôs.
- É comum soldados morrerem e o rei ou a rainha tem que dar a noticia aos familiares, por isso eu tive aula disso. - Fay respondeu. - Você tem que ser forte e saber que vai precisar amparar os familiares. - Ela começou a dizer como se falasse algo que tinha decorado. - Então você dirá sobre os valores do soldado, como ele foi bravo em batalha e que sua memória será honrada para sempre na mente daqueles que sobreviveram com seu sacrifício.
- Dial não era um soldado desconhecido e Math não é um familiar qualquer. - Eu respondi. - Não posso falar assim com ele.
- Eu não sei... - Fay se demonstrava abalada com a noticia. - Eu não sei Lauren... Apenas seja forte porque Math vai precisar de você... Ele ao nos encontrar quis procurar por Dial. Você quer que eu vá com você?
- Não... A morte dele foi culpa minha... - Eu disse de forma determinada. - Eu tenho que falar com ele, eu preciso me desculpar por ele.
- Eu tenho certeza que isso não é verdade, que a morte dele não foi sua culpa. - Fay respondeu. - Mas se você precisa do perdão dele... Eu te apoio... - Ela respondeu parando em um corredor cheio de quartos. - Esse é o quarto dele, ele deve estar aí ou já deve estar vindo para cá.
Bati a porta do quarto e a voz de Math pedindo para esperar me gelou a espinha, agora era hora de encarar a consequência da morte de Dial.
- Você quer que eu espere aqui? - Fay me perguntou.
- Não.... Está tudo bem... - Eu respondi. - Eu não sei quanto tempo irei demorar e decorei o caminho, se eu me perder será de propósito.
- Tudo bem. - Fay respondeu e então a porta abriu.
Math pelo visto tinha saído do banho pois estava com o cabelo molhado e quando me viu me deu um grande sorriso feliz em me ver, aquilo apertou meu coração.
- Lauren!!! Você acordou!!! Está bem. - Ele disse realmente feliz por isso.
- Math... Precisamos conversar. - Eu disse de forma séria e na mesma hora aquele lampejo de felicidade pareceu ir embora, com um olhar preocupado Math me disse para entrar, eu respirei fundo e me mantive forte.
Eu ia dizer ao garoto que abriu mundo de viver no castelo do mundo encantado para viver no mundo mortal com seu pai, que o pai que ele tanto amava estava morto.

Capitulo XXXIII
Fay
Foi quase como um sonho quando finalmente deixamos o castelo e a prisão para trás, eu ainda não tinha sido informada das baixas que tivemos, não queriam me preocupar. Apesar de me sentir fraca e cansada a maior parte do tempo eu evitava ao máximo ficar em meu quarto sozinha, além de querer finalmente conhecer o castelo por onde minha mãe cresceu, eu já tinha ficado tempo demais sozinha.
Inicialmente passei mais tempo no quarto de Seth que estava desacordado devido as medicações, mas ficar ali me fazia sentir tão sozinha quanto antes e o pior, me sentir péssima por não poder ajudar o Seth, ele era sempre tão corajoso, bravo, determinado e agora estava ali tão indefeso e vulnerável, eu não conseguia ver Seth daquele jeito, era como se não fosse ele, fosse alguém muito parecido com ele, mas não ele.
Bree as vezes entrava no quarto e eu não sabia bem a situação deles, mas os deixava a sós e ia ver como estava Derek, Savannah, Lauren e os demais, tentando fazer algo para não pirar, para não deixar as lembranças do ocorrido tomarem conta de mim.
Lauren tinha acordado e isso era bom, ela já estava se recuperando, todos nós estavamos, apenas Seth que ainda não tinha acordado, mas por ele ser mortal, era de se esperar que tivesse uma recuperação mais lenta, mesmo assim a demora dele em acordar era preocupante.
Assim que deixei Lauren com Math eu pensei em voltar para algum dos quartos e ler um pouco um diário que eu tinha achado da minha mãe no quarto que ela ocupava, estava escondido em tábuas soltas no assoalho, sabia que era errado ler o diário dela, mas aquela era a única forma de conhecer mesmo a minha mãe.
Fui até meu quarto, peguei o diário da minha mãe e fui para o quarto de Seth, eu sabia que tinha equipamentos monitorando ele, mas não queria deixá-lo sozinho e diferente de mim, Bree andava ocupada na maioria das vezes, na verdade Lucian tinha dado tarefas à todos, menos à nos que fomos resgatados, ele dizia o tempo todo que precisávamos descansar.
Quando eu cheguei no quarto Bree estava na poltrona ao lado da cama do Seth e parecia ter adormecido, peguei uma coberta e fui colocar nela, mas assim que Bree sentiu eu a cobrindo ela acordou imediatamente, parecendo assustada.
- Desculpa, eu não queria te acordar. - Disse para ela se acalmar.
Bree se acalmou e se ajeitou na poltrona se sentando, acordando, ela olhou ao redor procurando o relógio e se espreguiçou.
- Tudo bem, eu não queria ter dormido, devo ter pego no sono. - Ela disse. - Acho que está na hora de eu ir. - Ela falou se levantando.
Eu não era de conversar com Bree porque sabia que ela não gostava de mim, eu não queria forçar uma amizade que sei que não daria certo e eu sabia também o porque ela não gostava de mim, o mesmo motivo que me fazia me sentir afastada dela, tanto eu quanto ela éramos apaixonadas pelo mesmo garoto, Seth. Mas Bree tinha motivos para odiar o mundo encantado e odiar entrar lá, mas ela, mesmo livre, voltou ao mundo encantado, para salvar Seth e todos nós, sabendo que isso era arriscado. Deixei de lado meu orgulho e antes que ela saísse.
- Bree. - Eu a chamei e ela parou perto da porta. - Eu sei que você e eu nunca fomos próximas, nunca fomos amigas ou algo do tipo... Mas eu quero que você saiba que seu ato... De ter se arriscado para salvar a mim e aos outros, nunca será esquecido e quando tudo voltar ao normal, eu irei recompensa-la por ajudar o mundo encantado, então obrigada. - Eu não sabia como encontrar palavras para agradece-la, queria que ela soubesse que reconhecia tudo o que ela fez.
- Um simples obrigada, seria o suficiente. - Bree respondeu da onde estava e então fechou a porta e se aproximou de mim. - Eu não gosto de você Fay, nunca gostei e acho que nunca vou gostar. - Ela respondeu de forma fria e foi um choque para mim sua sinceridade. - Mas não porque você é uma má pessoa ou algo assim, exatamente pelo contrário, você é uma boa pessoa, foi uma boa princesa e será uma boa rainha não apenas para o seu povo mas para os mortais também e é isso que eu odeio em você. - Ela continuou. - Eu amo o Seth, sempre vou ama-lo, mas ele não me ama, não como ama você. - Senti meu rosto ficar quente nesse momento. - Eu pensei que se eu pudesse tê-lo para mim, só para mim, se ele fosse meu namorado que eu o faria me olhar da mesma forma que ele te olha, mas não... Quando se acha alguém que se ama de verdade, nada pode te fazer mudar.
Bree se aproximou de Seth e eu a olhei, ela tinha um enorme carinho por ele, isso era vísivel e Seth por ela e por isso eu tinha ciumes de ver os dois juntos, com medo de ela me rouba-lo. Bree se sentou do lado dele e acareciou o seu rosto, voltando a falar comigo.
- Ariel é terrível eu sempre soube e agora vocês sabem, eu sempre fui tratada como um lixo, algo desprezível por ela e pelo pai dela, enquanto tenho certeza que minha família a tratou bem quando fomos trocadas. - Bree falava com uma grande magoa. - Eu por um tempo me senti inferior à tudo e todos, eu não tinha nada, nem ninguém... Até conhecer bem Seth... Eu passei a não me importar mais com Ariel, Macsen ou qualquer outro, porque eu tinha o Seth, ele era um mortal como eu e eu queria ser corajosa, brava como ele. - Ela voltou a olhar para Seth. - Por isso quando comecei a perceber que você tinha algo dele que poderia fazê-lo se afastar de mim, eu a odiei, se você fosse como Ariel, seria fácil fazê-lo mudar de ideia e dizer “Você não pode gostar dela, ela é horrível, ela é má”, mas você não era e eu odiava isso, odiava perceber que você era a pessoa certa para ele, afinal você era uma princesa, você tinha tudo que quisesse, precisava roubar a única coisa que eu tinha?
Eu nunca havia pensado por esse lado, eu sabia que Ariel era má, mas confesso que não sabia o quão má ela era até eu estar nas mãos dela e por um momento me perguntei, de tudo o que nós passamos enquanto estávamos presos, o que ela já tinha feito com aqueles que serviam a ela?
- Eu pensei que quando se amava uma pessoa você precisava que essa pessoa estivesse sempre ao seu lado... - Bree continuou e se levantou. - Mas quando o amor é verdadeiro o que realmente se precisa é que a pessoa que você ama esteja bem, esteja feliz e Seth era mais feliz com você do que comigo e sempre será, você é o verdadeiro amor da vida dele, vocês tem que ficar juntos, uma corte que terá como rainha uma Fae sábia e bondosa e como rei um mortal corajoso e leal. É isso que o mundo encantado precisa. - Bree se aproximou de mim. - Eu te odeio porque você tem o que eu quero e é o que eu sonhei em ser, mas odeio mais Ariel, ela não pode ser rainha, eu sei disso, pelo bem do mundo encantado e pelo bem do mundo mortal, você e a Lauren tem que pegar o lugar que é de vocês por direito. Então destrua Ariel, tome o seu lugar e governe sendo você. Você deve isso à todos os que morreram para que você chegasse ao trono. - Bree disse de forma veroz. - E se quer realmente me recompensar por eu ter salvo a sua vida... Assim que Seth acordar fala o quanto você o ama, o quanto precisa dele, que não importa ele ser um mortal e você uma Fae, que o que vocês sentem um pelo outro é o que realmente importa e o faça feliz... Ou eu mesma venho tomar satisfações...
Eu fiquei sem palavras, nunca poderia esperar isso de Bree, na verdade eu nunca esperaria nem que ela tivesse me salvado, muito menos que ela falasse essas coisas, olhei para Seth na cama e apenas concordei com a cabeça.
- Quanto essa guerra acabar, nenhuma criatura encantada poderá menosprezar um mortal, Faes e mortais serão iguais e será um crime menosprezar alguém por sua raça. - Eu garanti. - Afinal se ganharmos essa guerra contra Ariel e Macsen será porque tivemos dois mortais corajosos dispostos à arriscar suas vidas pela segurança de milhares de criaturas encantadas.
Bree confirmou com a cabeça, disse “cuide bem dele” e saiu e eu sabia que provavelmente nunca me tornaria amiga de Bree, mas sabia que algo tinha mudado entre nós duas.
Fiquei ali com Seth o resto do dia e apesar de ele ainda não demonstrar que iria acordar, era possível ver as melhorias em seu estado de saúde, até mesmo seu rosto que inicialmente tinha um ar preocupado estava mais sereno, peguei o diário da minha mãe novamente e voltei a ler adormecendo um tempo depois sem perceber.

Capitulo XXXIIII
Derek
Um dia de cada vez, era assim que eu estava vivendo, tentando não pensar em Blake, tentando afasta-lo de qualquer sonho meu, preferia pensar que as coisas estavam sendo como antes, quando eu e Blake tínhamos nos afastado e que ele estaria bem, só que em um mundo diferente do meu, o que não deixava de ser verdade, uma vez que os mortos vão para um outro mundo, onde só existe paz, com certeza Blake estava olhando por nós e com certeza ele ajudou os solitários e a caça à nos resgatar, não podia me preocupar com os mortos eu tinha que me preocupar com os vivos, tinha que me preocupar com Lauren e foi um alivio imenso quando ela acordou, acho que se perdesse Lauren também, eu não conseguiria seguir em frente.
Mas Lauren estava sendo alguém de poucas palavras, ela não falou muito, apenas escutou o que a gente disse e apesar de eu não ver mais uma sombra negra ao redor dela, ela estava introspectiva como antes, parecia querer se manter afastada de nós, principalmente de mim e isso me preocupou, sei que ela tinha passado por muitas coisas, mas se afastar de quem a ama e protege só iria piorar as coisas.
Lauren foi ver Math, não sabia o que ela queria com ele, ela não me deixou ir, foi com Fay, por um lado achei bom ela tentar aumentar a amizade com a irmã, mas por outro me senti chateado por ela não querer a minha presença, eu queria ter ido com ela, eu deveria ter ido, mas Savannah me impediu, dizendo que as vezes precisamos ficar sozinhos, porém quando eu vi Lauren voltar o seu olhar pesado e vermelho eu vi que nunca deveria tê-la deixado ir sozinha, todos nós tínhamos ficado tempo demais sozinhos, agora não era mais necessário isso.
Agora com Lauren acordada acabamos adormecendo todos no mesmo horário e no mesmo quarto, acordei algumas vezes a noite com resmungos dela como se Lauren tivesse tendo novos pesadelos e percebi que parecia mais fácil me aproximar dela e falar com ela com ela dormindo do que acordada, toda vez que a via se mexendo muito durante a noite eu a acalmava, assim até o dia amanhecer e o castelo começar a acordar.
Mas o dia seria agitado, já no café da manhã Lucian apareceu convocando à todos para uma reunião a tarde:
- Eu sei que você acabou de começar a se recuperar Lauren e os demais ainda estão em processo de recuperação, mas tenho certeza que assim como eu vocês entenderão que temos muito o que resolver e nosso tempo é curto. - Lucian se pronunciou. - Agora com vocês duas acordadas, podemos começar a planejar nosso ataque.
- É muito cedo para atacar o castelo agora. - Savannah respondeu.
- Não será agora, mas tenho um plano e para que o plano dê certo, precisaremos de tempo. - Lucian respondeu. - Nos falamos mais tarde, depois do almoço, na sala de reuniões.
E falando isso, ele se retirou, fazendo com que uma certa tensão voltasse ao ar. Nenhum de nós estava preparado ainda para qualquer tipo de ação, mas todos sabiam que não podiamos ficar ali para sempre.
Então durante a manhã Lauren continuou me evitando, eu não sabia o porque, falei com Savannah que disse que poderia ser apenas algum trauma que passou e para que eu desse um tempo para ela se recuperar mentalmente, era horrível me sentir totalmente impotente sem poder ajuda-la, principalmente porque eu havia falhado com ela, tentei me distrair, fazer algo, ser útil, apesar de não estar preparado para uma batalha, eu estava apto à realizar funções mais leves e eu precisava disso, precisava me manter ocupado, não apenas com o corpo, mas a mente ocupada.
Quando a tarde chegou todos se reuniram na sala de reunião, solitários e caça, todos que estavam bem o suficiente para sair de uma cama estavam por lá, os que estavam ainda desacordados foram transferidos para as macas da ala hospitalar para que apenas uma pessoa ficasse responsável por todos.
Os que estavam bem ficaram em pé ao redor da grande mesa da sala de reuniões e os que haviam se machucado no resgato ficaram sentados, assim que todos chegaram e se ajeitaram Lucian começou a reunião.
- Não podemos ficar aqui nesse castelo para sempre, ele oferece toda a segurança que precisamos, mas o mundo encantado precisa ficar seguro também. - Ele iniciou. - E ele precisa de nós. Tivemos algumas perdas mas não é hora para desanimar, todos que estavam conosco sabiam desde o começo que a morte estava a nossa espreita e tenho certeza que nenhum dos que morreram serão esquecidos, todos serão lembrados na história e nas músicas. - Nesse momento ele olhou para Adam que apesar de parecer bem machucado estava ali atento.
- Mas somos poucos. - Lauren disse. - O exército da Ariel é enorme, de criaturas encantadas à mortais e por mais que eu saiba que vocês são imbatíveis... Os demais não são.
- Não somos totalmente imbatíveis Lauren. - Lucian respondeu. - Sinto desaponta-la minha rainha, mas até a caça pode morrer em uma batalha, se não já teríamos invadido o castelo e matado todos por lá. - Lauren confirmou com a cabeça. - Mas podemos ter uma certa ajuda. - E ele olhou para Fay. - Majestade, precisamos de você para despertar os guerreiros da luz, eu odeio falar isso e pensar que um dia eu irei sugerir conseguir ajuda daqueles eruditos, mas até mesmo os Aelf podem ser úteis.
- Porque eu não pensei neles antes. - Fay falou. - É claro, estamos no castelo da luz, eles estão aqui e agora que eu sou a rainha, eu posso despertá-los.
- Okay... Alguém pode me explicar o que são esses Alef... Alfe... - Lauren falou tentando pronunciar o nome.
Eu tinha ouvido falar um pouco sobre os Aelf, eles eram a guarda de elite da luz, os únicos capazes de lutar de igual para igual contra a caça, apesar de não serem selvagens como a caça, eles eram bem estratégicos e ágeis e por isso eles eram tão mortais.
- Aelf é como se fosse a caça para a corte da luz. - Savannah começou a explicar. - Só que enquanto a caça vive solta pelo mundo em momentos de paz, os aelf ficam adormecidos e só podem ser acordados pelo rei ou rainha da corte da luz.
- Então seriamos nós, a caça e os aelf para lutar contra os soldados da Ariel. - Eu perguntei. - Você acha que será o suficiente?
- Provavelmente sim. - Lucian respondeu. - Mas essa não é uma guerra para entrarmos com um provavel, temos que ter certeza que iremos ganhar.
- E como iremos conseguir ter essa certeza? - Bianca, uma das solitárias perguntou.
- Indo até Avalon, chamando os Lycans e os Ellyllon, duvido muito que os frescos dos Ellyllon irão aceitar, mas tenho certeza que todos da minha raça vão topar na hora e se os Lycans se unirem à nós. - Lucian falou com um brilho no olhar. - Com certeza iremos ganhar sem ter muitas perdas.
- Mas é impossível chegar à Avalon. - Leticia respondeu.
- Eu vim de lá, não é impossível, é apenas muito difícil. - Lucian respondeu.- Iremos precisar do líder dos Aelf e de mim, além das duas rainhas. Os Finns estão ao nosso lado, precisaremos apenas de escolta até o mar e depois é com as nossas rainhas. - Lucian olhou para Fay e para Lauren que parecia perdida ali. - Só que não será nada fácil para vocês duas... Por isso precisam ter certeza que querem fazer isso.
- Qualquer coisa para salvar o mundo encantado. - Fay disse pesarosa, ela com certeza já sabia sobre tudo o que teria que passar para entrar em Avalon.
- Eu não faço ideia do que você falou, mas se você acha que essa galera aí irá nos ajudar... Então tudo bem. - Lauren respondeu, ela não fazia ideia do que estava se metendo, mas conhecendo-a como a conheço, Lauren não iria dizer não, mesmo sabendo que isso colocaria sua vida em perigo.
- Eu te explico tudo o que você precisa saber. - Lucian respondeu. - Fay, você sabe como acordar os Aelf?
- Mais ou menos... - Fay disse pensativa. - Eu aprendi isso... - Ela por um momento ficou concentrada e então sorriu. - Pode deixar, eu farei isso.
- Tudo bem, mas antes de deixa-los sair, os coloque a parte de tudo o que está acontecendo ou teremos problemas aqui. - Lucian disse. - Quanto aos demais, enquanto estivermos em Avalon, a caça irá treiná-los à lutar, estamos no mundo encantado, então conseguiremos fazer mais armas, qualquer um que já tenha entrado no castelo, deve procurar o Math que está fazendo o mapa do castelo, precisaremos saber de todas as passagens possíveis.
Lucian deu mais alguns avisos, sobre turnos de dormir, atualizações dos que estavam doentes e respondeu algumas perguntas, já tinha se passado algumas horas de reunião quando todos foram dispensados, na verdade quase todos.
- Derek e Lauren, vocês podem esperar um pouco por favor? - Ele pediu e eu concordei com a cabeça e Lauren também e depois que todos se retiraram Lucian fechou a porta. - Lauren eu sei que você tem muitas perguntas, eu vou te explicar tudo o que você precisa saber, pois preciso que você tenha certeza do que irá enfrentar.

Então Lucian começou a explicar sobre como o mundo encantado tinha surgido, sobre o surgimento dos Finns, seres que representavam as diferentes formas, o masculino e o feminino, morte, a anciã, a mãe e a donzela e por fim o mortal que era o único Finn que mudava. Foi deles que tudo foi criado, eles permaneceram na sua ilha onde inicialmente existiam apenas eles, os Lycans e os Ellyllon e então o primeiro mortal se relacionou com um Ellyllon tendo um filho e assim dando origem aos seres encantados.
E dos seres encantados teve a necessidade de criação de um lugar apenas para eles, que foi a ilha que crescia conforme a necessidade de caber mais seres encantados e até que se transformou em algo maior que Avalon, virando o mundo encantado.
Depois vieram os mortais e devido algumas guerras entre seres encantados e mortais, eles foram separados em mundos diferentes que existiam um dentro do outro e que precisavam um do outro para existir.
E foi com a diferença entre os Lycans e os Ellyllon que surgiram as cortes da luz e das sombras, os filhos de mortais com Ellyllon viravam seres da corte da luz e os mortais com Lycans seres das cortes das sombras, alguns Lycans resolveram viver no mundo encantado e receberam a marca da corte das sombras, isso enfraqueceu a corte da luz e por isso os Ellyllon mandaram guerreiros para proteger a corte da luz, foi assim que surgiram os Aelf e a Caça.
Lauren prestava atenção em toda a história e Lucian lhe explicou que Avalon era uma área sagrada e por isso não era fácil chegar lá, ali era o começo de tudo e por isso toda a proteção para entrar, você tinha que ser puro de coração e realmente querer ir para lá, por isso que só se podia chegar em Avalon sendo da realeza e com a ajuda do líder da Caça e dos Aelf, porém não era apenas isso o necessário, ao chegar em Avalon a única passagem para se entrar na ilha existia um grande espinheiro negro, que poderia assustar qualquer um, já que um espinheiro negro pode matar as pessoas, por isso os Finns o colocaram, apenas aqueles que não temiam a morte conseguiriam entrar lá.
- Então eu posso morrer tentando chegar lá? - Lauren perguntou.
- Antes que você morra, os Finns terão visto se seu coração é puro e se suas intenções são boas, se forem você conseguirá entrar em Avalon – Lucian respondeu. - Eles não vão te deixar morrer Lauren.
- Bem, não é como se tivessemos muitas escolhas. - Lauren respondeu. - Ou a gente aceita isso, ou o mundo encantado pode acabar. Tudo bem.
Apesar da voz de confiante eu notei medo no olhar de Lauren e uma certa decepção? Se Lucian não estivesse certo sobre tudo o que falou, se eu soubesse que existia outro modo faria ela na mesma hora dizer que não aceitava.
- Derek você foi destinado para tomar conta dela, então preciso saber se você está disposto à ir também. - Lucian me perguntou.
- Eu nunca vou deixar Lauren sozinha. - Eu o respondi e olhei para Lauren, esperando que ela entendesse aquilo, mas Lauren apenas olhou para baixo parecendo triste e envergonhada.
- Tudo bem, eu vou ajudar Fay agora. - Lucian respondeu. - Era só isso podem ir.
Lauren se levantou e eu também, mas assim que cruzamos a porta ela finalmente trocou uma frase direta comigo.
- Nós precisamos conversar, a sós. - Ela disse.
- Eu conheço um lugar... Vamos – Eu a respondi preocupado e então a levei para um dos quartos que eu sabia que estava vazio, pois tinha entrado lá por engano logo que chegamos ao castelo.

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Aproveitem porque o livro passará por um Hiatus (para aumentar o suspense)

Capitulo XXVIII
Todos à postos em seus Sídhes, conforme o plano eles deveriam usar sua forma invisível aos olhos mortais para não chamar atenção para si, os dois únicos que não estejam invisíveis eram Bree, afinal ela era uma mortal e Adam, que poderia usar sua forma invisível, mas ficaria estranho se alguém visse Bree conversando sozinha.

O tempo todo eles estavam em comunicação pelo rádio, totalmente sintonizados, as criaturas encantadas ficavam andando pelo local sem saber ao certo se o portal entre os mundos já estavam mais fino, todos estavam alertas ao menor sinal do mundo encantado.

Porém foi apenas quando a noite chegou que todos puderam notar uma névoa com uma coloração púrpura, apenas em duas Sídhes essa névoa purpura não pode ser vista, na que estava o grupo de Velkan e o grupo de Lucian que rapidamente foram para os Sídhes mais próximos que ainda pareciam ativados.

Fora isso, não tiveram grandes problemas, todos os grupos de uma forma ou outra chegaram no mundo encantado, os primeiros a passar eram a caça que rapidamente procurava sinais de ameaça e se escondiam próximo a passagem, alerta para os demais que passavam, assim que todos do grupo chegavam no mundo encantado eles iam as escondidas procurar um ponto de referência descobrir aonde estavam para então abrirem o mapa e irem para o ponto de encontro final.

O ponto de encontro ficava nas ruínas do antigo castelo das sombras, quando o mundo encantado era ainda dividido em cortes, dentro dos limites do castelo tinha uma parte que tinha sido destinado aos soldados, o centro de treinamento, ali tinha espaço suficiente para abrigar todos que tinham ido para resgatar Lauren e Fay. Lucian conhecia muito bem aquele local, sabia as armadilhas que poderiam ser ativadas e por isso o local foi o escolhido.

O local não era nem de longe o mais confortável, mas era o mais útil, tinha camas estreitas empoeiradas, uma sala de reunião, uma cozinha que não seria usada e a área de treinamento. Durante as noites os grupos que já estavam no local montavam a guarda e a alimentação deles era baseado em algumas reservas que tinham levadas do mundo mortal e frutas que conseguiam ao redor no castelo.

Alguns dos Sídhes deram em lugares próximo às ruínas, outros deram na outra extremidade do reino encantado, próximo ao castelo que pertencera ao reino da luz, por saber que poderiam parar em qualquer lugar do mundo encantado, foi dado o limite de dois dias para que todos os grupos dessem sinais de que estariam à caminho

Novamente a caça aí seria importante, eles eram mais rápidos do que qualquer um, por isso um dos membros da caça seria o responsável por irem à frente para dar a noticia de como o grupo estava e onde tinham parado.

Conforme os grupos foram chegando e se agrupando cada um pode relatar um pouco do que tinham visto do mundo encantado e as noticias eram péssimas, mesmo eles tendo se esgueirado para seguir por caminhos com pouca civilização, era possível ver o que a corte das sombras tinha feito com aquele local, a natureza tinha sido prejudicada e próximo ao castelo central, o castelo construído com a união das duas cortes e que agora era o único ativo, o tempo parecia quase congelado.

O clima de medo, terror e raiva tinha dominado o mundo encantado, só de chegarem lá todas as criaturas mágicas puderam sentir, mas Math sentiu isso mais do que todos, ele sentia a agonia das criaturas encantadas e isso foi tomando conta dele de uma forma que Math não conseguia distinguir os próprios sentimentos dos sentimentos causados pelo local, ele estava ficando depressivo, de forma que não conseguia mais se concentrar na missão, quase entregando tudo, a esperança de salvar as rainhas e de que elas poderiam restaurar a paz entre os mundos estava quase se extinguindo.

A que menos se afetava com os sentimentos foi Bree, ela conseguia sentir o clima pesado do local, mas por não ter a mesma ligação que as criaturas mágicas tinham com o mundo encantado, Bree conseguia não se deixar deprimir muito por aquilo e foi necessário essa distancia para que conseguisse pensar de forma clara.

No final do quinto dia todos os grupos haviam chegado ao ponto de encontro, mas nenhum deles estava com clima de vitória, de terem conseguido, eles estavam piores do que quando não faziam ideia se conseguiriam atravessar algum portal.

Talvez fosse o cansaço, eles pensavam, mas era impossível para quem tinha conhecido o mundo encantado na sua mulher fase, encontrar quase um mundo congelado e sombrio e mesmo assim continuar feliz.

Durante aquela noite, quase todos descansavam, até os que haviam chegado ao ponto de encontro desde o primeiro dia, menos Bree, ela estava sob papeis, fazendo anotações, desenhando, criando um plano para entrarem no mundo encantado, de forma que no sexto dia quando todos acordaram Bree os esperava, mostrando grandes olheiras mas um olhar determinado.

— Eu criei um plano. — Ela anunciou. — Todos na sala de reunião em vinte minutos.

E em vinte minutos a sala de reunião estava cheia de criaturas mágicas, além dos membros da caça, quando Bree viu todos a olhando esperando pelos planos dela, foi impossível não se sentir meio nervosa. No mundo encantado ela tinha que fingir que não existia, parecer invisível, no pouco tempo que esteve no mundo mortal não teve tempo de fazer muito para si, por isso nunca chamou atenção, era sempre Math, Lauren, Fay, Lucian, Dial, algum outro que reunia todos, agora ela estava ali, com todas as criaturas encantadas que ela por anos aprendeu que eram superiores a ela olhando para ela, esperando ela dar as ordens, aquilo era estranho, Bree respirou fundo e então começou a contar o plano.

— Eu conheço passagens de dentro do castelo que nem mesmo os monarcas conheceram, os empregados, principalmente os mortais tem que saber entrar e sair do castelo sem ser percebido, somos treinados para isso. — Bree começou a explicar. — E são os mortais que são enviados para serviços mais... Considerados nojentos... Existe uma forma de entrarmos lá sem sermos visto, posso indica-los todo o mapa de corredores pouco conhecido por ali, nos dividirmos em grupos para entrar e sair. — Bree abriu um pergaminho velho com um desenho que ela mesmo tinha feito, uma planta do castelo. — Se Lauren e Fay estiverem vivas, elas estarão presas e estarão em alguma dessas prisões que são feitas para prender criaturas encantadas, existem várias passagens que dá para chegarmos nelas, então vamos fazer vários grupos, cobrir todas as passagens, quem chegar até elas primeiro irá retira-las em segurança, essa é nossa maior preocupação, encontrar apenas uma ou as duas.

— Podemos fazer isso. — Lucian informou — A caça é mais rápida e podemos enfrentar qualquer um.

— Não, vocês tem que ser o ultimo recurso. — Bree disse. — Tem muitos inocentes no castelo que trabalham lá, então vamos tentar evitar maiores danos, caso nenhum grupo volte, vocês entrem e acabem com tudo por lá, precisamos ter um ataque bomba para caso tudo dê errado.

— Então ficaremos a espreita, perto das saídas para ajudarmos se for necessário. — Lucian respondeu.

— Sim. Os demais... Entraremos pelos esgotos, pelos dutos subterrâneos... Pode ser que alguns de nós não saia de lá, por isso hoje precisamos ter certeza quem deseja continuar em frente. — Bree disse de forma séria. — Esse não é meu mundo, não é o local que quero ficar, mas esse de agora, não é o mundo encantado, não o que conheço. Fay e Lauren daria a vida por qualquer um de vocês, sei que Fay enfrentaria tudo por alguém que fosse inocente, mesmo que ela não gostasse dessa pessoa. Então, façam o mesmo por elas.

Talvez tivesse sido os nomes de Fay e Lauren, ou talvez tivesse sido o fato de uma mortal está demonstrando esperança, alguns poderiam até dizer que foi a noite de sono tranquila, mas todos pareceram mais animadas e nenhum deu para trás, ninguém.

Todos queriam sair naquele exato momento mas as equipes precisaram ser feitas conforme as habilidades de cada um, equipes foram montadas, equipes de resgate, equipes reservas e a equipes de ataque da caça, Math montou as equipes e então todos partiram de forma silenciosa e ao se aproximar do castelo principal as equipes se separaram, cada um entraria por um lado, todos se despediram ali, sem saber se um dia voltariam a se ver.

O grupo de Math era formado por Math, Bree, Bernardo, Flávio, Lorena, Larissa, Victor e Leticia, eles iriam seguir rumo ao andar mais subterrâneo e dali ir para as celas inferiores, o cuidado era total, cada passo era quase ensaiado, Bree ia na frente acompanhada de perto de Math, andaram pelas longas tubulações.

Encontraram dois mortais pelo caminho que pareceram assustados ao vê-los, não pareciam apresentar perigo, mas não podiam apostar na sorte, em movimentos rápidos deixaram os mortais inconscientes e os esconderam, torcendo para conseguir entrar e sair do castelo antes dos mortais acordarem.

— Estão vendo aquela escada? Ela dá para um dos corredores, devemos subir e sairemos em um dos corredores do castelo. — Bree disse apontando uma escada precária dessas de ferro. — Corremos em frente, terceira direita, segunda esquerda, vai dar em um corredor longo com uma escada no fim, essa escada dá para o andar das celas de segurança máxima, o nosso ponto. — Bree falava em sussurro.

— Provavelmente teremos mortais guardando essas celas. — Math começou a explicar. — Pois elas usam ferro para impedir que seja feito magia, por isso precisamos que Bree ou Victor cheguem lá. — Math repassou o plano. — Se Bree chegar iremos imobilizar os guardas mortais para que ela possa ver as celas, se Bree não chegar... — Era visível que Math queria dizer alguma palavra reconfortante mas Bree apenas confirmou com a cabeça para que ele seguisse. — Se Bree não chegar, Victor terá que se concentrar para controlar a mente dos guardas mortais para que libertem os prisioneiros, então precisaremos cuidar de qualquer problema que surgir.

— Lembrem-se, terceira direita, segunda esquerda e reto. — Bree deixou claro o caminho e então

O primeiro a sair foi Flávio que montou a guarda enquanto os demais saiam do túnel, o corredor parecia calmo, andaram em passos rápidos na direção indicada por Bree. Bernardo que era um excelente lutador foi na frente, Math e Lorena logo atrás deles, Leticia, Larissa, Bree e Victor em seguida e por ultimo Bernardo.

Tudo parecia calmo, parecia, mas o grupo encontrou uma surpresa ao subir a escada, foi mais rápido que todos eles, Math não conseguiu sentir a presença de dois guardas que de alguma forma já sabiam da chegada de intrusos, antes que Flávio pudesse reagir, Math e Lorena só viram a espada atravessar o corpo de Flávio.

Em um ato rápido Leticia e Larissa empurraram Victor e Bree para trás de si, Larissa invocou em sua mão uma bola de fogo avançando sobre os guardas e Leticia criou uma sombra que rondou os guardas diminuindo a visibilidade deles.

Lorena, Math e Flávio puxaram Bree e Victor os fazendo avançar, agora sem tentar passar despercebidos, apenas indo em direção as celas, deixando Leticia e Larissa cuidando dos dois guardas, eles não tinham tempo a perder teriam que ser rápido.

Como previsto, tinham dois guardas na frente da entrada da onde estariam as celas, a distancia mesmo Victor usou seu poder para tentar um controle a mente dos seres encantados, pela proximidade ao ferro era muito esforço isso, Lorena e Flávio avançaram aproveitando que a magia de Victor estava distraindo-os um pouco e em golpes rápidos conseguiram desarmar os mortais e como haviam prometido a Bree, apenas os fizeram desacordar.

Bree foi até os guardas procurando em suas vestes a chave, achando um molho de chaves, antes que ela conseguisse encontrar a chave correta um novo barulho alertou a todos, passos rápidos vindo de um grupo grande de pessoas.

— São pelo menos uns vinte. — Math disse, ele não conseguia usar totalmente seu poder para identificar quem era.

Flávio e Lorena puxaram as espadas dos guardas mortais caídos no chão e se prepararam para lutar.

— Encontre a chave, encontre eles e fuja, não olhe para trás. — Flávio disse para Bree vendo as sombras surgirem.



Capitulo XXIX
Bree
Eu não tinha vindo tão longe para perder, não mesmo, sabia que eu não tinha a mínima chance contra qualquer guarda encantado, mas eu só precisava me preocupar em tirar Lauren e Fay dali, elas tinham que estar ali, quem mais de perigoso poderia estar preso e colocado lá a ponto de precisar de guardas sem ser elas? Se eu as tirasse dali, elas saberiam o que fazer e se eu tivesse sorte Derek, Savannah, Dial, Blake e Seth estariam ali também.
A chave estava presa na armadura do segundo guarda, o problema é que eram muitas, mas consegui encontrar a chave correta e destrancar o portão antes de saber quem estava vindo, corri pelas celas e naquele momento escutei o barulho vindo de alguns, tinha gente ali.
— Fay... Lauren!!! — Chamei por elas e então mais barulho de uma cela à minha direita, pude ver um rosto pálido e magro surgir de relance.
— Bree? — Uma voz rouca, fraca mas uma vez que eu conhecia e naquele momento eu quase desabei.
— Seth! — Corri até a cela me assustando com a visão fraca que tive dele. — O que fizeram com você? — Perguntei me distraindo por um momento mas logo me focando e pegando o molho de chaves e começando a abrir a cela.
— Você é real? É mesmo real? — Seth me perguntava olhando para mim como se estivesse vendo uma assombração, meu coração se partia naquele momento por termos demorado tanto. — Como você está aqui?
— Não importa... — Eu disse tentando me manter. — Aonde estão os outros? — Finalmente consegui virar uma das chaves.
— Acho que estão todos aqui... — Seth disse. — Eles aparecem e vão embora, eles levam alguém e nem sempre conseguimos saber quem é.
— Se afasta da porta. — Eu pedi quando Seth o fez eu a abri, entrando pela porta na mesma velocidade que abri e o abracei, tentando esconder o horror que senti ao notar o quão magro, ferido, abatido ele estava, era como se alguém tivesse dado vida a um rascunho mal feito de Seth.
— Temos que salvar os outros. — Seth disse me abraçando forte. — Se isso não for um sonho, provavelmente não temos tempo.
— Onde eles estão? — Perguntei
— Não tenho tanta certeza. — Seth disse segurando a minha mão apertando-a tão fortemente que parecia que ele tinha medo de se solta-la eu iria fugir.
Seth foi na porta das celas, olhando para dentro dessas, localizando as celas de Fay, Savannah e Derek e eu comecei a abri-las, Seth continuou a procurar pelas celas enquanto eu abri a cela de Fay, ela assim como Seth estava acabada, seus olhos fundos e vermelhos de quem chorava a dias o tempo inteiro, quando me viu me abraçou e me agradeceu e naquele momento eu me senti mal por todo sentimento ruim que eu tinha nutrido por ela.
Talvez fosse o ferro das celas, mas Fay estava ainda mais fraca que Seth, de forma que eu a ajudei a se sentar no chão enquanto abri as celas de Savannah e Derek, esperei Seth me indicar as próximas celas, mas ele não o fez, depois de ver todas as celas ele olhou para mim e para Derek ainda mais horrorizado.
— Lauren não está aqui. — Ele disse.
Derek e Savannah que pareciam não se aguentar em pé assim como Fay, tiraram forças de onde não tinham e se levantaram indo na direção das celas próximas as deles procurando-a, a cada vez que encostavam na porta de uma das celas, suas mãos queimavam, mas isso não parecia surgir efeito agora.
— Olha, temos que sair daqui, eu preciso tirar vocês daqui, tirar Fay daqui. — Eu disse para eles fazendo-os parar de procurar.
— Não sairemos daqui sem a Lauren, leve a Fay e o Seth com você. — Savannah disse tentando se mostrar feroz, mas ela parecia tão fraca, tão abatida, que duvidava que até mesmo eu teria trabalho em desacorda-la.
— Temos outras equipes de busca pelo castelo, pessoas que estão mais fortes que vocês, temos a caça, a nossa missão é tirar vocês, Fay e Lauren daqui. — Na verdade a missão principal era apenas Fay e Lauren. — Ninguém desistirá até encontra-las, agora se vocês não vieram conosco terão colocado tudo a perder.  — Eles pareciam não querer me seguir.
— Se alguém ver algum de nós pelos corredores, verão que escapamos. — Seth disse — E se descobrirem que vocês escaparam, vão machucar a Lauren, além do que... Savannah e Derek, vocês não estão em condições de enfrentar ninguém, eles vieram nos salvar, confiem neles, confiem que poderão salvar Lauren.
Seth foi mais convincente que eu, eu me aproximei de Fay e a ajudei a ficar de pé, deixando que ela se apoiasse em mim para andarmos, Seth, Derek e Savannah vieram logo atrás, porém notei que Lauren não era a única que faltava.
— Aonde estão Dial e Blake? — Perguntei para Fay, mas obviamente que os demais escutaram.
— A ultima vez que vimos Dial foi quando passamos pelo portal. — Fay respondeu com voz baixa e fraca.
— E Blake? — Eu perguntei, mas a falta de resposta anterior já me dizia que algo ruim estava por vir.
— Meu irmão está morto. — Derek respondeu com um grande remorso na voz.
Não, Blake não... Ele não podia estar morto, ele não merecia estar morto, senti meus olhos encherem de lagrimas e por isso a minha resposta foi apenas o silêncio, até o final do corredor, até a porta que estava fechada como eu a deixei, ao me aproximar da porta me lembrei do grupo de pessoas que viravam o corredor, se eram guardas, provavelmente o meu grupo estava morto.
— Seth, segure a Fay aqui. — Eu disse, teria que abrir a porta e se fosse os guardas ali do outro lado teria que conseguir fazer Seth tirar Fay de lá, precisaria distrair os guardas. Assim que Seth se aproximou segurando Fay, juntei ele, Derek e Savannah.
— A missão na verdade é tirar Fay e Lauren daqui... Quando passarmos a porta, eu não sei se encontrarei o meu grupo esperando, ou se encontraremos os guardas com meu grupo morto, se for essa segunda opção, eu preciso que vocês tirem Fay daqui, irei distrair os guardas. — Seth fez menção de me interromper, mas não o deixei. — Sigam reto à esquerda, encontrarão uma escada segunda entrada à direita, terceira à esquerda, vão encontrar a abertura de um bueiro, desçam por ele e sigam esse mapa. — Entreguei o mapa do meu bolso à Seth. — Encontro vocês lá fora.
— Bree não seria melhor... — Seth começou.
— Ficamos meses estudando esse plano, apenas siga ele que dará tudo certo okay? — Esperava que eles seguissem, na verdade eu esperava que não precisássemos seguir esse meu plano. Respirei fundo e abri a porta.




Capitulo XXX
Lucian
Ficar e esperar, isso não era algo fácil para a caça, não éramos de ficar sentados e esperando, éramos de agir, se fosse a caça não teríamos nem nos dado ao trabalho de entrar pelas passagens subterrâneas, entraríamos pela porta da frente, duvido de que algum guarda iria conseguir nos parar, mas Bree tinha razão, nem todos que estariam no castelo eram perigosos, nem todos eram culpados, apenas pelos inocentes que ali viviam e se machucariam eu aceitei a ideia dela, mas se fosse necessário que nós agíssemos... Infelizmente não poderíamos nos preocupar com os inocentes, nossa missão seria entrar no castelo, levar a duas rainhas à salvo a qualquer custo.
A caça foi posicionada próximo às entradas que as equipes de solitários tinham utilizados, todos ficaram atentos à qualquer movimentação vindo dessas áreas, seja alguma equipe voltando ou seja algum guarda saindo dessa, qualquer movimento poderia significar sucesso ou problema na missão.
Cahalith e Drew eram os mais impacientes, eles andavam de um lado para o outro fazendo com que o tempo que já parecia demorar para passar demorasse ainda mais, olhando de forma impaciente o relógio o tempo todo.
— Noventa minutos é tempo demais. — Drew disse. — Eles não precisam de uma hora, uma hora e podem ter matado todos.
— Acalme-se. — Eu disse tentando me acalmar também. — Combinamos que daremos noventa minutos para que eles possam entrar, resgata-las e voltar, não sabemos o que eles podem encontrar no caminho, então eles precisam que a gente respeite esse tempo.
— A caça não é de ficar parada. — Cahalith veio reclamar. — Aonde você estava com a cabeça ao aceitar a sugestão de uma mortal?
— Ela pode ser mortal, mas assim como todos se dedicaram a essa missão. — Eu respondi — Não a desmereça. Existem inocentes por lá que merecem uma chance de serem poupados, se passar o tempo, entramos lá e colocamos pra quebrar, fazemos da nossa maneira, mas antes de noventa minutos, se nada parecer suspeito, iremos esperar aqui.
Aquilo encerrou a discursão, mas não acalmou os ânimos da caça, aos poucos não eram apenas Cahalith e Drew a ficarem impacientes, quase todos estavam se movimentando de um lado para o outro, os poucos que permaneciam em seu lugar estavam totalmente atentos à qualquer movimento, mal piscavam.
Vinte, trinta, quarenta minutos se passou e nada, aquilo estava preocupante, eu só sabia que Lauren ainda estava viva porque se ela tivesse morrido eu saberia, não apenas pela ligação de caça e rainha, mas porque eu era seu herdeiro no momento.
Quando o relógio deu sessenta minutos, a caça toda se preparou, ali ninguém esperaria mais de um minuto além do horário, a tensão estava no ar e todos estavam à espera pelo meu comando para simplesmente correr.
— Iremos direto para as celas — Eu comecei a dizer. — Velkan, Friedrich e Drew, procurem por Ariel e Macsen, vamos arranca-los daquele castelo, se puderem os traga vivos, a caça precisa se divertir.
Foi então que uma movimentação foi vista de uma das entradas, nos preparamos e assim que vimos solitários saindo alertas, todos da caça ficaram também em alerta, foi quando vimos de longe a rainha da corte da luz.
Eu não precisei indicar para que alguns membros da caça me seguissem, indo até os solitários ajudando a pegar os resgatados, que não era apenas Fay, mas também Seth, Derek e Savannah, coincidência ou não, eu me encarreguei de ajudar Savannah.
— Nunca pensei que uma assassina precisaria da ajuda da caça. — Disse de forma marota.
Savannah apenas resmungou algo, olhei a procura de Lauren, acho que Math entendeu meu olhar e apenas balançou a cabeça de forma negativa. Levamos os resgatados até o ponto seguro onde os demais membros da caça poderiam ajudar a vigia-los.
— Perdermos Bernardo e Flávio do nosso grupo — Math começou a me colocar a par do que tinham acontecido. — Encontramos os outros três grupos que ficaram responsáveis pela celas de segurança máxima, tivemos outras baixas nesses grupos também. — Ele me explicava de forma rápida.  — Seth, Derek, Savannah e Fay estavam nas celas de segurança máxima, eu não sei onde Lauren está, eles disseram que ela estava presa com eles, mas diversas vezes algum guarda aparecia para levar algum deles para ser torturado, provavelmente levaram Lauren. Blake foi morto e ninguém... Ninguém sabe onde está Dial... — Ao falar o nome do pai foi possível notar que a voz de Math vacilou. — Cuidem deles, eu vou entrar de novo, procurar por Lauren e os outros grupos...
— Não... Você vai ficar aqui. — Falei segurando Math. — Os próximos a entrar será a caça, nenhum outro grupo saiu, então existe ainda a possibilidade de algum dos grupos encontrarem Lauren e o seu pai.
— Não podemos ficar aqui parados. — Math falava perdendo totalmente o controle.
Ele provavelmente esperava encontrar seu pai junto com os outros e descobrir sobre a morte de Blake, não ter noticias do pai, com certeza estava afetando o discernimento dele. Olhei para os resgatados, de Fay até Seth, todos estavam desnutridos, machucados, abatidos, era notável o sofrimento que passaram e isso deve ter contribuido para que Math perdesse o controle.
— Não vão ficar. — Eu disse. — Você não está apto para pensar, então eu tomarei as decisões por você. Pegue os solitários que aqui estão e leve todos para o antigo castelo da corte da Luz, aquele castelo precisa de um regente da Corte da Luz para abri-lo e só quem o regente autorizar pode entrar. Fay poderá abrir o castelo para vocês e autoriza-los, ele terá uma proteção natural para que ninguém indesejado entre. Mandarei membros da caça para protegê-los pelo caminho, nossa missão era salvar as rainhas, de nada vai adiantar ter tirado Fay do castelo se ela não ficar segura.
— Mas e... — Math começou a falar.
— Se não trouxerem Lauren, a caça entrará no castelo e mandarei alguém procurar por seu pai, mas no momento precisamos salvar as duas rainhas, ou vamos colocar tudo a perder. — Eu disse para ele.
Math continuou relutante mas acatou vendo que não tinha desculpas, me aproximei portanto de Fay que estava sendo cuidada por alguns membros da caça.
— Majestade. — Fiz uma breve reverência. — Irão leva-la em segurança para o antigo castelo da corte da luz, somente você poderá desativar a segurança para que entre junto com os solitários e a caça que será sua escolta, é a melhor forma de garantir sua segurança no momento. Acha que consegue fazer isso?
Fay confirmou com a cabeça e se esforçou para se colocar de pé, duas solitárias a ajudaram a se manter em pé, ela estava extremamente fraca.
— Obrigada por me tirarem de lá... Mas Lauren... — Fay começou a falar e eu a interrompi.
— Iremos salva-la — Disse tentando poupar os esforços de Fay
— Façam isso e logo. — Fay disse e se aproximou de mim falando em meu ouvido tão baixo que tinha certeza que apenas eu escutei. — Lauren está perdida, não pelo castelo, mas dentro de si, salvem-a e ajude-a antes que seja tarde.
— Farei isso. — Disse para Fay sem conseguir esconder a preocupação que passei a sentir. — Wesley e Biorach façam a escolta da Fay junto com os solitários, mantenham todos à salvo.
Os dois na mesma hora se prontificaram, eram os mais calmos e apesar de a força de Biorach assustar até a mim, ele odiava conflitos, mas meu problema não foi com os solitários e nem mesmo com os membros da caça e sim com dois resgatados.
— Nós ficaremos. — Derek respondeu.
— Não sairemos daqui sem a Lauren — Savannah completou.
— Vocês não vão ajudar em nada ficando aqui, os dois vão em segurança para o castelo, serão mais úteis por lá. — Eu disse.
— Na verdade não, não seremos nada útil por lá. — Savannah disse. — A missão de vocês é resgatar as duas rainhas, nem eu e nem Derek somos alguma das rainhas, eu não sairei daqui sem a minha filha e não existe nada que você possa dizer que me fará mudar de ideia.
— E também não tem utilidade aqui, ou você acha que tem condições de lutar? — Perguntei.
— Tenho certeza que não poderei lutar, mas quero estar aqui quando Lauren sair — Savannah respondeu. — Independente de como Lauren saia desse castelo, eu tenho que estar aqui.
— Eu sou o guarda dela, é contra a minha natureza abandona-la, vai precisar nos matar ou nos fazer perder os sentidos para nos tirar daqui. — Derek respondeu e eu revirei os olhos.
— Okay, fiquem, mas não achem que irei colocar meus homens em perigo para salva-los. — Respondi e eles balançaram a cabeça mostrando que tinham entendido.
Dessa forma os dois da caça, os solitários que tinham saído, Bree, Fay e Seth foram direto para o castelo da luz, era agora torcer para que nenhum deles enfrentasse problemas pelo caminho, enquanto nós. Tinha ainda mais quinze minutos antes de entrarmos.
Outros dois grupos saíram, dizendo que não encontraram nenhuma das princesas, faltando cinco minutos outro grupo saiu, nenhum deles trouxe tinha trago nenhum prisioneiro, nenhum deles tinha trago ou tinha tido notícias de Lauren, todos que chegaram eram orientados à ir para o antigo castelo na corte da luz.
Oitenta e cinco minutos tinham se passado a caça estava em alerta, todos atiçados, todos à espera do meu comando para partir e assim que o meu relógio firmou os noventa minutos, a caça toda saiu junta.
Fomos direto para os tuneis subterrâneos, como nem todos os grupos tinham retornados, a nossa esperança era encontra-los perdido no meio do caminho perdido, mas não foi preciso andar muito para encontra-los, o último grupo, próximo as saídas de subterrâneas, travando uma luta com alguns guardas mortais nas galerias de esgoto, provavelmente o fato dos guardas serem mortais eram a única vantagem que o grupo, que agora se resumia à apenas quatro solitários, tinha. Sem pensar duas vezes a caça partiu para cima dos guardas mortais, que com certeza não tinham preparo e nem esperavam nos enfrentar, tornado assim a luta desleal, mas rápida.
Velkan e Drew foram os primeiros a atacar, indo para cima dos guardas mais distantes impedindo que esses fugissem, eu fui para cima de dois guardas que atacavam Huey, uma das solitárias com aspecto oriental, que brandia uma espada ensanguentada com fúria e maestria em golpes defensivos.
Saltei sobre ela, atacando os dois com minhas mãos direto em seu pescoço, um golpe rápido que os fez ir para o chão junto comigo, finquei minhas garras em seu pescoço, senti Huey se unir a mim fincando a espada no coração do da minha direita, finalizando-o, me dando assim a liberdade de usar a outra mão para quebrar o pescoço do guarda à minha direita.
— Pegue os sobreviventes e saia daqui, vão para o antigo castelo da luz — Disse para Huey. — Vamos encontrar Lauren.
— Mas nós a encontramos... — Huey disse exasperada. — Não a levaram até vocês?
— Não. — Eu respondi. — Com quem ela estava?
— Com Adam e Benjamin. — Huey respondeu. — Eles chegaram até aqui, eles deveriam ter saído...
— Geal, Velkan, Drew, Friedrich. Não deixem ninguém chegar, cubram as saídas! — Gritei para eles. — Os demais, encontrem Lauren!!!
Ela não tinha saído, teríamos visto se ela saísse, ela tinha que estar ali, o cheiro de sangue e esgoto atrapalhava a caça de encontra-la com facilidade, mas com tantos à procura dela, não foi surpresa quando alguém gritou.
— Achei!!! — Foi a voz de Donaghy, ele estava abaixado perto de um canto.
Corri até ele, vendo-o erguer Lauren com cuidado, ela estava desacordada, com as roupas molhadas, pálida, com olheiras grandes e extremamente magra, Donaghy era um ótimo lutador, extremamente grande e talvez isso fizesse com que Lauren parecesse ainda mais delicada em seu colo.
A respiração dela estava fraca e mesmo desacordada Lauren demonstrava uma face cheia de dor, marcas de queimadura, provavelmente de ferro em seu pescoço, pulso e em outras partes do seu corpo me faziam entender o porque ela tinha tido a necessidade de escolher um herdeiro.
— Um deles está vivo. — A voz Brianda me fez perceber que Lauren não era a única caída ali, Math e Benjamin estavam caídos ao lado da onde ela deveria estar.
Existia muito sangue ao redor dos dois, mas um punhal estava cravado no peito de Benjamin, então dava para entender quem Brianda disse que ainda estava vivo.
— Temos que sair logo daqui. — Morgana, uma das solitárias, disse.
— Encontramos Lauren com a escolta de guardas mortais na escada que dava acesso às celas especiais, derrubamos um dos soldados por lá e provavelmente à essa hora já encontraram o corpo. — Huey completou.
— Encontraram Fay? — Morgana perguntou.
— Sim, faltava apenas vocês. — Eu respondi. — Velkan pegue Adam, talvez conseguiremos salva-lo. Donaghy deixa que eu levo a Lauren — Falei pegando Lauren com cuidado do colo dele. — Você e Drew ajudem Derek e Savannah, vamos todos para o castelo da luz, por mais que eu queira acabar com Ariel e Macsen, precisamos cuidar de Fay e Lauren antes.
E dito isso deixamos corpos mortais para trás e alguns dos nossos amigos solitários, mas não tínhamos tempo de enterrar e chorar pelos nossos mortos, faríamos isso depois, agora precisávamos cuidar de nossas rainhas, tínhamos resgatado-as, mas ainda precisávamos salva-las, para salvar o mundo encantado.