Capitulo
XXV
Lucian
A caça estava se esforçando ao máximo
tentando detectar portais, não parávamos em lugar algum, assim que chegávamos
em uma cidade nova, eu os dividia em duplas onde cada dupla ficava responsável
por uma parte da cidade, combinávamos um ponto de encontro e uma data e cada um
ia para um lado, infelizmente quando retornavam, nenhuma boa noticia, tentamos
contato com os solitários dos locais, mas ninguém parecia nos ajudar, iriamos
rodar o mundo mortal inteiro, até mesmo debaixo d’agua se fosse necessário, mas
não iríamos desistir, não enquanto nossa rainha não estivesse segura.
Não passou pela cabeça de nenhum de nós que
não pudéssemos achar o portal de volta, éramos a caça, nosso poder de luta e
rastreamento não se comparava à nenhuma criatura encantada, por isso a certeza
de que em algum momento encontraríamos uma passagem a única preocupação de todos
era a saúde de nossa rainha. Mas essa era uma boa preocupação, não admitíamos
falhas e por isso tínhamos que nos empenhar cada vez mais, mesmo quando nosso
corpo fraquejasse, mesmo quando o cansaço surgisse, mesmo quando nossos pés
reclamassem, estávamos de pé, correndo farejando, em busca de mostrar o porque
nós éramos a caça e o porque a caça nunca fraqueja.
Mas tudo isso pareceu fraquejar dentro de mim
em um momento, quando minha mão começou a formigar e na parte interna dela
apareceu a marca, a meia lua, a marca de herdeiro da coroa da corte das
sombras, eu não tinha nenhuma ligação com a corte, nunca nenhum membro da caça
foi escolhido para herdar o trono, geralmente eram os familiares mais próximos dos
reis e rainhas das cortes que herdavam a coroa, eu nem ao menos tinha algum
possível laço de sangue com alguém que morasse no castelo, se fosse pelo
destino que eu recebesse a marca, eu deveria ter recebido quando Owen foi morto
e Lauren virou rainha, não agora. Se eu estava agora recebendo essa marca, foi
Lauren que me nomeou e para Lauren ter me nomeado seu herdeiro de coroa, era
porque ela estava próximo a morte, eu sabia disso, fazia dias que eu sentia a
depressão dela e receber aquela marca apenas mostrava que ela tinha se entregue
à esse destino.
— Lauren, aguenta mais, estamos à caminho. —
Eu disse olhando para a marca, mais para mim do que na esperança de que ela me
escutasse.
Quando nos encontramos após cobrir mais uma
cidade e descobrir que não tínhamos achado nenhuma pista, não fiz com que a caça
partisse em seguida, eu lhes contaria sobre a marca, não tinha segredo entre
nós e precisava que eles soubessem o quão serio era aquilo.
O ponto de encontro tinha sido em um prédio
abandonado e quando todos chegaram já se preparando para partir de novo eu
chamei a atenção deles para mim.
— Eu sei que vocês estão dando tudo de vocês
para encontrar esse portal, vejo que estou pedindo mais do que vocês podem, mas
precisamos achar uma passagem logo para o mundo encantado. — Eu comecei a
dizer, ninguém me interrompia, apenas olhavam para mim, Wesley provavelmente
sentindo como eu estava se aproximou de mim. — Tenho sentido alguns sentimentos
ruins vindos de nossa rainha, mas nada tão forte como senti hoje.
Mostrei a marca na minha mão, disse o que
significava ela ter surgido agora e não após a morte de Owen.
— Eu não sei o porque essa decisão da Lauren,
mas para ela ter me deixado como seu herdeiro, é porque acredita que não sairá
viva de lá, precisamos provar o contrário, que ela terá muitos anos para reinar,
é nosso dever como a caça e espero que isso apenas os motive a tentar ir além,
a buscar novos limites, a vida da nossa rainha corre perigos sérios, essa é a
prova disso, ela está acordada, está lucida e mesmo assim não consegue nos
contactar, vamos mostrar que os Finns estavam certos ao nos escolher entre
muitos para ser da caça, está na hora de provar nossos valores, ou salvaremos
Lauren, ou morreremos tentando.
Não sei se foi apenas o um discurso ou se foi
também algo que Wesley fez, mas todos pareceram renovados, como se tivessem
acabado de se tornar um membro da caça e estivessem em sua primeira missão e
assumindo nossa forma invisível aos olhos humanos, todos saíram de lá, gritando
e correndo de forma livre, como era a caça, eu esperava realmente que
tivéssemos tempo para que eu não me tornasse o novo rei das sombras, mas se
isso acontecesse, Macsen e Ariel iriam descobrir o porque a caça é sempre tão
temida.
Conforme avançávamos as cidades eu mantinha
contato com Math, dizendo onde estavamos, algumas pistas que recebíamos, o
humor dos mortais naqueles lugares e Math me atualizava também sobre os planos
dos solitários, sobre a banda e sobre os esforços de todos. Desde que me tornei
um membro da caça eu soube que nós éramos sempre os últimos recursos, que
devíamos viver sempre em junto, ali na caça um dependia do outro, mas não
podíamos contar com mais ninguém, quando fui eleito o líder eu sabia que tinha
que alimentar esse tipo de alimento em meu grupo, porém saber que não estávamos
totalmente sozinhos e saber que tinha outras pessoas cobrindo partes mais
burocráticas era mais reconfortante, assim eu me sentia livre em deixar o bando
como precisávamos ser, seguir nossos instintos, correr, farejar, sem nos
preocuparmos em ficar parados atrás de livros lendo.
O sistema de duplas era feito por dois
motivos, primeiro motivo, nunca nenhum de nós ficar sozinho, segundo motivo,
não bastava apenas procurar indícios mágicos, precisávamos também procurar
pistar, seres encantados, qualquer um que pudesse dar alguma informação que
viesse ser útil, conseguimos diversas informações, algumas se mostraram
infundadas, outras se mostraram reais de certa forma, mas nada que fosse
realmente útil.
Mas a pista mais próxima da realidade foi uma
de um velho senhor, uma criatura encantada que me entregou um livro que parecia
ser extremamente velho, ele disse que ali eu encontraria todas as respostas,
falava sobre o início, a criação de tudo, tudo relacionado ao mundo mortal e ao
mundo encantado seria encontrado ali, o livro não era muito grande, ele tinha o
tamanho da minha mão, uma capa de couro cru e nem mesmo era muito grosso, ao
falar isso para o velho, ele me disse que nem tudo pode ser visto tão
facilmente.
Ao abrir o livro me deparei com páginas em
branco, pensei ser uma piada mas ao olhar de forma mais firme vi que algumas
letras começaram a surgir.
“Se deseja saber meus segredos
Quando o dia e a noite se equilibrar
Una-me aos cinco animais mais antigos e mais
sábios da Terra
E tudo o que é meu, também será seu.”
Os cinco animais mais antigos e mais sábios
da Terra, eu me lembro da minha mãe me contando algumas historias sobre isso,
tinha uma coruja... Mas os outros eu não conseguia me lembrar... Isso foi
quando eu era muito pequeno, antes de virar membro da caça, os demais da caça
não sabiam o que aquilo queria dizer, já tinha se passado meses desde que havia
deixado os solitários, mas estava na hora de eu encontra-los de novo, se tinha
alguém que eu confiava que poderia desvendar isso, eram eles, era o pessoal de
Math.
Combinei com os solitários o percurso que
eles deveriam seguir, ponto de encontro, deixei Velkan e Wesley responsáveis
pelo grupo e então voltei para o início, de encontro com os solitários
Capitulo
XXVI
Adam
As
coisas estavam complicadas, mesmo com a banda fazendo sucesso aos poucos, não
conseguíamos atingir pessoas o suficiente, eram diversas as noticias sobre
guerras e mortes, Math até colocou um alerta em seu e-mail para receber esse
tipo de noticia e cada vez mais e-mails chegavam para ele, claro que não era
tudo culpa do mundo encantado, os mortais já demonstravam a muito tempo que
possuíam um ódio dentro de si do qual nosso mundo não era responsável, mas o
desiquilíbrio entre as duas cortes apenas ajudava mais isso. Avisos de guerras
que estavam para acontecer em diversos países eram alarmantes, o pior que
muitos desses países eram contra músicas estrangeiras, então nossa banda nunca
chegaria lá.
Estavamos
vendo a hora que uma nova guerra mundial iria surgir e eu temia que com a Corte
das Sombras no poder, quando essa guerra eclodisse, não sobraria muita coisa.
Os mortais dependiam do nosso mundo e o nosso mundo dependia dos mortais.
Bree
ficou com a gente, apesar de ela ter passado a vida no mundo encantado, ela era
uma mortal e nos ajudava a ver o quanto nossa música conseguia afetar aos
mortais. Era até curioso o quanto Bree, que vivia falando que queria ser uma
simples mortal e deixar o mundo encantado de vez, se empenhava em nos ajudar,
enquanto ela não estava servindo de cobaia voluntária para as músicas e shows,
ela estava com a cara enfiada em um livro tentando descobrir uma forma de se
comunicar com o mundo encantado.
“Os
Solitários” tinham sido chamados para abrir um show de uma banda famosa, aquilo
foi um marco para nós, pois o show era um evento beneficente onde a entrada era
alimento não perecível, então o local estava lotado de gente e nossa música
alcançou milhares de pessoas provavelmente, ainda mais porque era um evento
transmitido ao vivo para diversos canais, quando nosso show acabou fomos para o
camarim e não demorou muito para que Bree entrasse por lá.
—
Vocês foram maravilhosos. — Ela falou e como acontecia sempre que tocávamos
bem, ela entrava de forma serena e calma no camarim. — Tinha um casal do meu
lado, estavam brigando discutindo mesmo antes do show. — Ela começou a
explicar. — O cara estava meio puto com a garota, no final do show ele falou
sobre se casarem.
—
Ótimo. — Respondi de forma aliviada, sempre ficava ansioso por esse momento. —
Iremos tocar com a banda principal no encerramento, então temos que ficar aqui,
se importa? Pode ficar lá vendo o show, ou aqui com a gente. — Bree não era
obrigada a assistir cada um de nossos shows, mas ela nunca se recusava.
—
Sem problemas. — Ela respondeu. — Mas prefiro ficar aqui, aproveitar o tempo
livre... — ela disse mexendo na mochila e pegando um dos livros da biblioteca
encantada que tinha trago.
Bree
começou a ler com afinco, enquanto eu e os rapazes conversamos sobre a música
de encerramento, descansamos, mesmo com as conversas e os risos, Bree não se
desconcentrava, os garotos foram ver um pouco do show e eu fiquei no camarim,
não gostava de assistir show antes de fazer o meu show, porque isso aumentava
meu nervosismo, acabei me sentando ao lado de Bree pegando um dos livros para
pesquisar, durante um longo tempo o silêncio predominou o lugar até ser
quebrado por mim.
—
Posso fazer uma pergunta?
—
Pode, claro. Só não te garanto que irei responder. — Bree disse dando um meio
sorriso mas sem tirar os olhos do livro que estava lendo.
—
Você diz que não se importa com o mundo encantado, que não quer mais saber
dele... Mas é a pessoa que vejo pesquisando com mais afinco para salva-lo... Ou
seria para salvar Seth? — Perguntei olhando para ela.
Bree
parou por um instante, deu um suspiro e por um momento eu me arrependi da
pergunta, porque ficou óbvio que ela não se sentiu a vontade com a mesma.
—
Quem comando o mundo encantado agora é Ariel e Macsen — Bree me respondeu e
fechou o livro. — Eu servi a Ariel desde que ela retornou ao mundo encantado,
eu sei quem ela é de verdade, eu sei como ela pode ser fatal para o mundo
encantado e os dois mundos estão interligados não é mesmo? Se algo ruim
acontecer lá, acontecerá aqui também.
— É
só por isso mesmo? — Eu perguntei, sentindo que ela escondia algo.
—
Sabe o quanto eu odeio vocês criaturas mágicas que conseguem detectar a omissão
tão facilmente? — Apesar de a frase parecer raivosa ela estava rindo,
demonstrando que estava brincando. — É também por Seth, por Fay e por Blake...
— Ela disse. — Eu amo o Seth e acho que nunca mais amarei alguém como o amei...
Ele me protegeu e foi o único que me deu motivos para acordar todos os dias...
Era o único que se importava verdadeiramente comigo para fazer algo bobo, como
comemorar o meu aniversário, mesmo sem ter certeza da data do meu aniversário.
— Ela sorriu, um sorriso nostálgico. — E Fay, mesmo eu odiando o fato de que
ela tinha tudo inclusive o coração de Seth, ela salvou a minha vida, peitando
Ariel por isso. — Bree se arrumou e levantou a parte de trás da blusa me
mostrando uma cicatriz nas costas. — Eu fui condenada a chicotadas, eram para
ser muitas outras, mas Fay chegou a tempo e impediu, mesmo sabendo que eu não
gostava dela. E Blake... Bem, foi ele que alertou Fay sobre isso, fiquei
sabendo depois... Eu não sou uma rainha e nunca serei metade do que Fay é...
Mas queria ter o poder de ir lá e salva-la, não para ficarmos quites, mas
porque é o certo a se fazer. Ela tem que ser a rainha, ela é a rainha que o
mundo encantado precisa, sempre soube disso.
—
Nós vamos salva-los tudo bem? Salvar eles três e também Lauren, Derek, Savannah
e Dial. Vamos salvar o mundo encantado e você verá que não é necessário ter uma
coroa ou poderes para isso. — Eu disse de forma a conforta-la, pensei em usar
meu poder para acalma-la mas achei melhor não, não seria o correto.
— Eu
só espero que a gente consiga chegar a tempo. — Bree disse.
—
Vamos conseguir, você vai ver... — Respondi de forma confiante, tinha muita
gente envolvida para isso dar errado.
O
show de encerramento foi ainda melhor que o show de abertura, pois nem todos
tinham ido ver uma banda “desconhecida” abrir o show, mas todos queriam ver
como seria o encerramento, não era muito comum mesclarem a banda de abertura
com a principal, mas foi a própria banda principal que nos convidou. Tivemos um
pouco mais de trabalho, não eram apenas nossos instrumentos ali tocando, mas
aquilo rendeu outro convite para shows antes de a gente deixar os palcos,
Mauren estava sendo nossa agente musical, já que ela entendia melhor sobre os
tramites das musica no mundo mortal graças a Alan.
Nas
semanas que se seguiram shows foram feitos, conseguíamos manter um pouco de paz
em parte da população, mas ainda era muito pouco, a caça já tinha rodado um
continente inteiro e até agora nada, tentava manter as esperanças, mas elas
estavam indo embora com grande velocidade.
Não
foi apenas a tensão entre os mortais que foi aumentando o clima ficava cada vez
pior, mais frio, em alguns lugares diversos desastres naturais estavam
ocorrendo, Furacão no Pacífico, Sismo por diversos continentes, Avalanches,
Ciclones... Não tinha como mantermos calma ao ver tudo isso acontecendo.
Diversos
solitários abandonaram seus empregos para sair em busca de algum contato, algo
que ajudasse, estávamos sentido na pele as mudanças graças ao reinado de Ariel
e Macsen, a maioria dos solitários passavam o dia inteiro sobre os livros e
Bree quando não assistia nossos shows estava com um livro na mão, liam e reliam
os livros, esperando que alguém achasse algo que outra pessoa deixou escapar.
A
banda foi ganhando cada vez mais espaço, nossas músicas eram tocadas na rádio e
baixadas na internet, como nunca quisemos lucros, disponibilizávamos as músicas
de forma gratuita em nosso site oficial e Alan conseguiu uma licença especial
para elas, para que pudessem ser usadas, se fosse de forma original em vídeos
em qualquer rede social, queríamos que escutassem nossa música, que ela se
tornasse um hino, pode parecer egocentrismo, mas sabíamos que era tudo o que
podíamos fazer de mais concreto.
Fizemos
shows beneficentes, assim além de ganharmos notoriedade atingíamos mais
pessoas, não demorou muito para que fossemos chamados para televisão e eu
começava a me preocupar com isso, todo ser encantado sabe que tem que passar
despercebido no mundo mortal, o que estávamos fazendo era exatamente o oposto,
estávamos não apenas chamando atenção para nós mesmos, mas também para nossos
poderes.
— É
por uma boa causa. — Bree me disse quando falei sobre minha preocupação.
—
Sim, mas estamos chamando atenção não apenas para nós, como para toda
comunidade mágica. — Eu disse exasperado, com um certo pânico tomando conta de
mim. — Se descobrirem sobre nós, se alguém perceber que nós não somos
mortais... Todos os seres encantados serão descobertos.
— Convivi
tempo demais com os mortais Adam. — Math tentava me acalmar também. — E sabe o
que eu descobri? Que por mais que muitos se achem extremamente místicos, eles
são bastante cético, não é como antigamente onde todos acreditavam em magia...
Os tempos são outros, agora eles querem provas, se você falar que faz magia,
terá que provar que faz, temos muita tecnologia hoje em dia e truques de ilusão
que pode fazer quase tudo.
— E
como provamos que não tenho magia? — Perguntei.
—
Não se prova. — Bree falou. — Eu sempre li coisas do mundo mortal quando estava
no mundo encantado, se começarem o boato, entre no jogo deles, não responda,
deixa isso no ar, mude de assunto, irão surgir teorias sobre isso, uma hora
irão pedir para você provar se realmente existe magia nas músicas como falam e
você não faça, eles não vão duvidar se você é normal, vão duvidar que você seja
especial, apenas não prove que é especial e pronto... Ficou confuso, eu sei...
—
Mas a Bree está certa... Para alguns mortais, mesmo que você vire o tocha
humana na frente deles eles ainda vão duvidar que magia existe, então fica
tranquilo. — Math completou. — Isso é temporário, em breve vamos salvar as
rainhas, o reino encantado, vocês podem voltar para lá e ficar lá por um tempo,
podemos até dizer fingir um acidente onde a banda toda morre e pronto.
Eu
ainda não estava totalmente convencido daquilo, mas era a nossa única
alternativa, porém a banda não foi a única a ficar no holofote da mídia local,
logo perceberam a presença constante da Bree conosco e ela virou mais um alvo,
porém diferente de mim, Bree lidou extremamente bem com aquilo.
Havia
vários rumores sobre ela e sempre que alguém comentava algum dos rumores, Bree
simplesmente ignorava ou fazia alguma piada, até sugeri que ela se afastasse um
pouco, mas ela não ligava, dizia que tínhamos que nos focar em achar o portal e
não em ler sobre fofocas dos mortais.
Vinte
semanas haviam se passado desde que “Os Solitários” deixaram de ser uma banda secreta
para começarem a ganhar o mundo, estávamos indo extremamente bem, claro que
nosso sucesso não dependia apenas de nós, mas de todos que estavam mexendo os
pauzinhos para nos colocar em shows, divulgar e outros, a comunidade mágica
inteira ajudava da forma que podia nisso, nem que fosse indicando para amigos,
tocando em festas, todas as formas possíveis, nós nos sentíamos cansados, e a
única certeza que tínhamos que Lauren estava viva era porque saberíamos se o
laço com ela fosse desfeito, mas era possível sentir o quão fraca ela parecia
estar.
As
coisas pareciam estar ocorrendo sem grandes mudanças até que com a chegada de
Lucian correndo disse que algo estava para acontecer, estávamos na casa de
Math, Bree afogada em livros, Mauren fechando nossa agência, Math parecendo que
estava em um programa do CSI, cheio de monitores a sua frente monitorando as
noticias de várias partes do mundo ao mesmo tempo que mandava mensagens para
diversos solitários por todo o mundo, foi quando Lucian entrou afobado pela
porta.
Todos
olharam para ele na expectativa de que ele dissesse sobre um novo portal, se
bem que se ele soubesse sobre um novo portal teria nos ligado e não vindo até
aqui.
—
Lucian... Me diga que tem boas noticias. — Math foi o primeiro a falar.
—
Sim, de certa forma. — Ele tirou de dentro de um bolso um livro surrado e jogou
para Math. — Isso é o melhor que conseguimos até agora, um velho me entregou e
disse que aqui tem tudo sobre o mundo mortal e encantado... Mas tem uma espécie
de enigma para resolver antes...
Math
olhou diversas vezes para o livro de forma intrigada, como se não acreditasse
no que estava vendo, era para mim um livro de aspecto surrado mas a forma que
Math olhava para ele maravilhado, era como se aquilo fosse um portal na mão
dele.
—
Esse é o livro antigo, o livro do começo, o livro do final. — Math disse depois
de um tempo e olhou para Lucian. — Onde você conseguiu? Como conseguiu?
— Um
homem, uma criatura encantada, me entregou, ele encontrou um dos meus e pediu
para falar com o líder e me entregou isso. — Lucian balançou a cabeça. — O livro
do final... Podemos descobrir como será o final de tudo aí?
—
Sim. — Math respondeu. — Mas não devemos, nunca devemos saber sobre nosso
futuro, é muito perigoso. Esse livro Lucian, não está disponível para que
qualquer um tenha acesso, somente os Finns tem acesso a esse livro e se um
deles deu a você...
— O
mundo está em um grande perigo. — Lucian confirmou e mostrou a palma da mão,
onde pudemos ver a marca de uma lua crescente. — Isso surgiu faz um bom
tempo... Lauren está desistindo... Eu sei que ela está viva ainda pois eu não
virei rei, só não sei por quanto tempo.
— Se
os Finns entregaram isso, é porque aí tem a reposta que precisamos. — Bree
respondeu. — O que diz aí?
— Eu
já abri. — Math respondeu. — Mas as páginas estão em branco...
—
Impossível, tem uma espécie de charada. — Lucian respondeu. — Olhe por um
tempo.
Math
abriu o livro de novo e eu e Bree nos colocamos ao lado dele e nada surgiu, nem
mesmo uma sombra.
—
Deixa eu ver isso aqui. — Lucian respondeu pegando o livro, assim que ele tocou
no livro as palavras começaram a surgir.
—
Foi dado a você, só você pode ler. — Math concluiu e então vimos a charada que
falava dos cinco animais mais antigos e mais sábios da Terra. — O melro, o
cervo, a coruja, a água e o salmão. — Math enumerou.
— A noite e o dia se equilibram nos
equinócios. — Eu respondi, Bree então abriu o calendário do computador de Math.
— Temos duas semanas para reunir esses
animais. — Bree respondeu vendo as datas.
Nenhum de nós fazia ideia de como
conseguiríamos esses animais, principalmente reuni-los, mas isso não importava,
porque depois de meses, aquilo foi o mais próximo que conseguimos de uma pista
real de como chegar no mundo encantado.
Capitulo
XXVII
Math
Planos
alterados, com o surgimento do livro de Lucian, tudo foi mudado, mensagens e
SMS foram enviadas dizendo a todos que tínhamos que conseguir aqueles animais.
O cervo seria de fato o mais difícil, não apenas para conseguir, mas para
termos ele por perto, animais pequenos eram mais fáceis de esconder, agora um
cervo, eu não fazia ideia de como iriamos transportar um para perto de nós, se
conhecêssemos alguém que tivesse um poderíamos levar os demais animais para lá,
mas quem é que tem cervos como animais de estimação?
A
vontade de Lucian era nos entregar o livro e voltar para perto da caça que
continuavam a procura de portais, afinal, poderiam conseguir achar antes do
equinócio e resolveriam nossos problemas, mas como ficou obvio que o livro foi
destinado à Lucian, não podíamos nos dar ao luxo de ele estar longe quando
conseguíssemos reunir tudo o necessário.
Mesmo
todos os esforços agora estarem voltados ao local onde esconderíamos um cervo e
aos animais que precisávamos, Os Solitários continuaram tocando, afinal o fato
de acharmos um vislumbre de esperança não fazia com que o mundo voltasse à
ficar em paz.
E
usando isso como uma missão própria, Bree acompanhava a banda para todos os
lados, de forma que logo que a banda começou a aparecer em alguns jornais
locais, Bree aparecia também como a garota misteriosa da banda, várias
especulações sobre quem ela era surgiram, mas Bree ou não prestava atenção ou
não ligava, o foco dela era o mesmo que o nosso, conseguir uma forma de chegar
no mundo encantado.
Ela
agora lia alguns livros de direito sobre animais, tentando descobrir se
poderíamos ter algum grande problema com a lei dos mortais por levarmos um
cervo para ser domesticado.
Os
poucos momentos em que ela não estava com a cara enfiada no livro ou assistindo
um show da banda ela estava com Adam, eles se entrosavam bem, enquanto Bree
colocava Adam a parte de todo o mundo encantado, Adam colocava Bree a parte de
todo mundo mortal, desde costumes até mesmo a moda de roupas e principalmente
músicas.
As duas semanas pareceram voar com uma
velocidade surpreendente, porém graças aos esforços de todos os seres
encantados, faltando 3 dias para o Equinócio, todos os animais estavam conosco,
não tivemos muitas dificuldades em encontrar esses animais ou “captura-los”,
éramos seres encantados, tínhamos um contato grande com esses animais, então
era basicamente usar algum dos seres encantados que tinham dom de se comunicar
com os animais e mandar o recado adiante, nossa maior dificuldade mesmo foi
levar o cervo, ele não era um animal de origem nativa, de forma que precisamos
usar o de um zoológico, então fizemos um plano onde um dos nossos verificaria
que um dos cervos do zoológico estaria doente, usando nossos dons de persuasão,
tiramos o animal do zoológico para ser tratado e depois seria devolvido, uma
semana para a recuperação do cervo, foi dito ao zoológico e aquele tempo para
nós seria mais do que necessário.
Então no Equinócio estavam todos ali, os
solitários, Bree, Lucian, o livro e os animais, Lucian se sentou com o livro na
mão, os animais fizeram um circulo ao redor de Lucian (o salmão estava dentro
de um grande aquário) e nós fizemos um circulo ao redor dos animais, no momento
exato em que a lua e o sol dividiam os céus, fios prateados saíram dos animais
direto para o livro que se abriu sozinho no colo de Lucian e suas páginas começaram
a ser preenchidas rapidamente com aquela luz prateada. O processo inteiro
demorou cerca de uma hora até que os fios desaparecessem e o livro voltasse a
se fechar.
— Deu certo? — Bree foi a primeira a
perguntar quando tudo pareceu voltar ao normal.
Lucian pegou o livro, todos torcíamos para
que tivesse dado certo, acho que por alguns minutos alguns de nós até mesmo se
esqueceu de respirar e eu jurava que ouvia a batida do meu coração tão alta que
parecia um solo de bateria. Lucian folheou diversas páginas, de forma rápida
antes de nos olhar.
— Está tudo escrito... Todas as páginas estão
escritas. — Ele respondeu se levantando e vindo até a mim rapidamente. — Veja
se você consegue ver sem minha influência. — Ele respondeu fechando o livro e
entregando esse a mim.
Eu o abri, mas rapidamente os fios prateados
mudaram totalmente formando uma nova frase.
— Autorização do portador você deve ter, se a
mim quiser ler. — Eu li o que estava escrito. — Acho que você tem que dizer ao
livro que me autoriza a lê-lo — Disse para Lucian.
Lucian abriu o livro e começou a ler esse a
procura de como dar autorização para outro ler, ele achou perto da página 5,
ali tinha diversas linhas onde Lucian poderia escrever os nomes de quem ele
autorizava, no livro também o alertava de que se algo acontecesse com as
informações ali contidas, a responsabilidade seria dele.
Por questões de segurança, o nome de alguns
só foram colocados, como o meu, o de Bree e de mais seis outros solitários que
meu pai confiava, seriamos ao todo oito solitários, já que Lucian provavelmente
não iria ter paciência para ficar lendo, nos revezando para achar as
informações necessárias de como chegar ao mundo encantado, mesmo.
Fiz os turnos de horários em que nós oito
iriamos ler, a resposta sobre como salvar nossas rainhas estava ali em nossas
mãos, bastava procurar, o livro não parecia ser tão grande, então seria fácil,
tinha que ser.
Mas assim que eu comecei o primeiro turno de
leitura vi que não seria tão fácil assim, o livro tinha uma espécie de encanto
para parecer menor, ele tinha numerado 394 páginas, mas quando se virava da
página 1 para o que seria a página 2 por exemplo, outras páginas surgiam no
meio dessa, então depois da página 1, tinha a página 1A, depois a 1B, 1C, 1D e
por aí vai, essas páginas escondidas dentro de outras páginas não tinha uma
quantidade correta, de forma que a página 1 ia até a 1K e a página 2 ia até a
2P. Abri aleatoriamente na pagina 25 e pude ver que a mesma chegava até 25AG,
agora era torcer para que não precisássemos chegar até a página 100 para
descobrir o que tinha.
Porém no meu terceiro turno, quando minha
vista embaralhou e eu fui conferir mais sobre o livro vi que na página 172
havia uma marcação, era uma página preta e na mesma estava escrito que aquele
que almejasse ver do futuro antes que esse chegasse, poderia nunca mais ver
nada no presente. Peguei diversos elástico e passei pelo livro, prendendo as
folhas a partir da 172 com um bilhete para ninguém ler além dali, tinha
escolhido como os de maior confiança para ter direito de ler aquele livro, eu
sabia que podia confiar neles para não desrespeitar esse meu pedido.
Algumas semanas se passaram e com ele minha
frustração foi aumentando, andávamos, andávamos e não saímos do lugar, do que
adiantava um livro com toda a explicação que precisávamos se não conseguíamos
encontra-la? O que Lucian tinha me falado martelava a minha cabeça, Lauren
tinha escolhido alguém para ser seu sucessor, ela não faria isso se não
estivesse correndo perigo sério, na verdade se o mundo encantado inteiro não
tivesse correndo, não teríamos recebido o livro dos Finns.
Mas quando tudo parecia ser trevas, a luz
surgiu, enquanto eu vazia o jantar para mim e para Bree que estava em seu turno
de leitura.
— Math!!! Acho que descobri uma forma!!!! —
Ela surgiu na minha cozinha correndo, com olhos fundos que demonstrava as
noites em claro, mas um brilho de esperança neles. — Leia e me fale que estou
certa, que isso quer mesmo dizer que existe uma forma de irmos para o mundo
encantado e não sou eu imaginando coisas. — Peguei o livro na mesma hora, no
local em que Bree me mostrava e comecei a ler.
“...A
única forma de cruzar os dois mundos é através de um dos portais que deverá ser
feito pelos reis ou rainhas das duas cortes, os portais devem ser
constantemente verificado para garantir que nenhum mortal os atravesse sem
querer e se perca para sempre no mundo encantado...
...
Além disso os herdeiros dos tronos tem que aprender desde cedo à tomarem
cuidado com as noites em que os antigos povos celebravam Beltane e Samhain,
pois nessas noites, o véu entre o nosso mundo e o mundo mortal se torna mais
tênue, sendo épocas propícias para mortais entrarem no mundo encantado ou seres
encantados entrarem no mundo mortal sem ao menos perceber a mudança entre os
dois mundos...
... Alguns
lugares considerados místicos pelos mortais se tornam um portal para o mundo
encantado nessas noites, não existe magia que possa ser feita pelos reis de
ambas as cortes que fechem esse portal temporário, por isso é indicado que
coloquem guardas que possam afastar os mortais em todas as Sídhe,
princiaplmente Stonehenge e Newgrange...”
— Você está certa Bree... Temos um portal
temporário que se abrirá em... — Eu comecei a fazer as contas mas Bree foi mais
rápida.
— Treze dias... — Bree respondeu.
— Precisamos avisar a todos, fazer grupos, ir
em cada Sídhe, o véu fica mais fraco o dia inteiro, então se alguém conseguir
passar todos vão para aquele mesmo lugar. — Comecei a falar rápido, mais comigo
do que com Bree, costumava agir assim quando tinha uma ideia. — Temos que
marcar um ponto de encontro no mundo encantado, para onde todos devem ir,
independente aonde apareçam... Cada grupo deverá ter pelo menos uma pessoa que
conheça bem o reino encanto.
— As Sídhe ficam todas na Europa — Bree disse
me cortando com o celular na mão. — Precisamos ir todos para lá.
— Eu resolvo isso...- Eu falei e largando a
comida para trás fui até a minha mesa, marquei a data no calendário.
Se conseguíssemos entrar no portal naquela dia, teriam se passado
exatos 196 dias desde o dia em que Lauren, Derek, Seth, Fay, Savannah e meu pai
teriam atravessado o portal, aproximadamente 7 meses, um medo se apossou de mim
de que eles não estivessem vivos, somente Lauren estivesse, mas se estivessem
vivo, o que será que teriam passado... Pelo o que Bree falava de Ariel e
Macsen, talvez o melhor para eles teria sido se tivessem morrido ao atravessar
o portal.
Tentei tirar da minha cabeça qualquer imagem
do meu pai sendo torturado, sofrendo, porque agora não era hora de pensar sobre
isso, era hora de nos prepararmos para resgata-los e quando chegássemos no
mundo encantado, precisaríamos de um plano para entrar no castelo, precisava me
concentrar nisso agora.
Nos dias que se seguiram reuni todos os que
iriam querer lutar e estavam dispostos a arriscar suas vidas pela rainha,
fiquei feliz em ver que não era um grupo pequeno. Com ajuda de pesquisas
descobrimos onde ficavam todas as Sídhe e nos dividi em grupos, todos tendo
pelo menos uma pessoa que conhecesse bem o Reino Encantado, meu grupo ficou com
Stonehenge coloquei Bree em Newgrange, ela cresceu no Reino Encantado, sabia
andar por lá, nas Sídhe menores coloquei seres encantados que tinham mais
ligação com o ocultismo, afinal eles poderiam ter que fazer algo.
Os treze dias foram suficientes para
repassarmos o plano diversas vezes, criamos mapas do mundo encantado para todos
que tentariam passar pelo portal, se algo acontecesse na passagem cada um
deveria ter a chance de chegar sozinho ao ponto de encontro. O plano ainda
cobria o fato de nem todas as Sídhes oferecerem essa passagem, assim que a primeira
pessoa do primeiro grupo passasse para o outro lado, os responsáveis pelo contato
deveriam manter os demais em aviso através de rádios, o responsável pelo
contato seria o ultimo a passar do grupo, assim poderia nos manter em alerta se
todos tinham conseguido passar, já que sabíamos que o rádio provavelmente não
iria funcionar no mundo encantado.
Chegamos na Europa com três dias de
antecedência, fizemos a ultima reunião para ver se não tinha nenhuma ponta
solta, foi combinado novamente o plano e as estratégias de cada grupo caso
fossem pegos, depois os grupos se
separaram para conhecer melhor o local por onde tentariam a passagem, se tudo
desse certo em três dias todos nós estariamos no reino encantado.
A caça também foi dividida entre os grupos,
quatro membros da caça para cada grupo, tínhamos pensando em todas as
possibilidades mas algo sempre poderia dar errado e era esse algo, algum
detalhe passado despercebido que me preocupava.
Por mais que eu passasse as noites em claro,
por mais que eu pensasse em qualquer falha, eu sabia que nem tudo eu poderia
prever, por isso tentei manter a calma e simplesmente no dia de Samhain eu e
meu grupo fomos para Stonehenge, torcendo para que tudo desse certo.
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