terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Aproveitem porque o livro passará por um Hiatus (para aumentar o suspense)

Capitulo XXVIII
Todos à postos em seus Sídhes, conforme o plano eles deveriam usar sua forma invisível aos olhos mortais para não chamar atenção para si, os dois únicos que não estejam invisíveis eram Bree, afinal ela era uma mortal e Adam, que poderia usar sua forma invisível, mas ficaria estranho se alguém visse Bree conversando sozinha.

O tempo todo eles estavam em comunicação pelo rádio, totalmente sintonizados, as criaturas encantadas ficavam andando pelo local sem saber ao certo se o portal entre os mundos já estavam mais fino, todos estavam alertas ao menor sinal do mundo encantado.

Porém foi apenas quando a noite chegou que todos puderam notar uma névoa com uma coloração púrpura, apenas em duas Sídhes essa névoa purpura não pode ser vista, na que estava o grupo de Velkan e o grupo de Lucian que rapidamente foram para os Sídhes mais próximos que ainda pareciam ativados.

Fora isso, não tiveram grandes problemas, todos os grupos de uma forma ou outra chegaram no mundo encantado, os primeiros a passar eram a caça que rapidamente procurava sinais de ameaça e se escondiam próximo a passagem, alerta para os demais que passavam, assim que todos do grupo chegavam no mundo encantado eles iam as escondidas procurar um ponto de referência descobrir aonde estavam para então abrirem o mapa e irem para o ponto de encontro final.

O ponto de encontro ficava nas ruínas do antigo castelo das sombras, quando o mundo encantado era ainda dividido em cortes, dentro dos limites do castelo tinha uma parte que tinha sido destinado aos soldados, o centro de treinamento, ali tinha espaço suficiente para abrigar todos que tinham ido para resgatar Lauren e Fay. Lucian conhecia muito bem aquele local, sabia as armadilhas que poderiam ser ativadas e por isso o local foi o escolhido.

O local não era nem de longe o mais confortável, mas era o mais útil, tinha camas estreitas empoeiradas, uma sala de reunião, uma cozinha que não seria usada e a área de treinamento. Durante as noites os grupos que já estavam no local montavam a guarda e a alimentação deles era baseado em algumas reservas que tinham levadas do mundo mortal e frutas que conseguiam ao redor no castelo.

Alguns dos Sídhes deram em lugares próximo às ruínas, outros deram na outra extremidade do reino encantado, próximo ao castelo que pertencera ao reino da luz, por saber que poderiam parar em qualquer lugar do mundo encantado, foi dado o limite de dois dias para que todos os grupos dessem sinais de que estariam à caminho

Novamente a caça aí seria importante, eles eram mais rápidos do que qualquer um, por isso um dos membros da caça seria o responsável por irem à frente para dar a noticia de como o grupo estava e onde tinham parado.

Conforme os grupos foram chegando e se agrupando cada um pode relatar um pouco do que tinham visto do mundo encantado e as noticias eram péssimas, mesmo eles tendo se esgueirado para seguir por caminhos com pouca civilização, era possível ver o que a corte das sombras tinha feito com aquele local, a natureza tinha sido prejudicada e próximo ao castelo central, o castelo construído com a união das duas cortes e que agora era o único ativo, o tempo parecia quase congelado.

O clima de medo, terror e raiva tinha dominado o mundo encantado, só de chegarem lá todas as criaturas mágicas puderam sentir, mas Math sentiu isso mais do que todos, ele sentia a agonia das criaturas encantadas e isso foi tomando conta dele de uma forma que Math não conseguia distinguir os próprios sentimentos dos sentimentos causados pelo local, ele estava ficando depressivo, de forma que não conseguia mais se concentrar na missão, quase entregando tudo, a esperança de salvar as rainhas e de que elas poderiam restaurar a paz entre os mundos estava quase se extinguindo.

A que menos se afetava com os sentimentos foi Bree, ela conseguia sentir o clima pesado do local, mas por não ter a mesma ligação que as criaturas mágicas tinham com o mundo encantado, Bree conseguia não se deixar deprimir muito por aquilo e foi necessário essa distancia para que conseguisse pensar de forma clara.

No final do quinto dia todos os grupos haviam chegado ao ponto de encontro, mas nenhum deles estava com clima de vitória, de terem conseguido, eles estavam piores do que quando não faziam ideia se conseguiriam atravessar algum portal.

Talvez fosse o cansaço, eles pensavam, mas era impossível para quem tinha conhecido o mundo encantado na sua mulher fase, encontrar quase um mundo congelado e sombrio e mesmo assim continuar feliz.

Durante aquela noite, quase todos descansavam, até os que haviam chegado ao ponto de encontro desde o primeiro dia, menos Bree, ela estava sob papeis, fazendo anotações, desenhando, criando um plano para entrarem no mundo encantado, de forma que no sexto dia quando todos acordaram Bree os esperava, mostrando grandes olheiras mas um olhar determinado.

— Eu criei um plano. — Ela anunciou. — Todos na sala de reunião em vinte minutos.

E em vinte minutos a sala de reunião estava cheia de criaturas mágicas, além dos membros da caça, quando Bree viu todos a olhando esperando pelos planos dela, foi impossível não se sentir meio nervosa. No mundo encantado ela tinha que fingir que não existia, parecer invisível, no pouco tempo que esteve no mundo mortal não teve tempo de fazer muito para si, por isso nunca chamou atenção, era sempre Math, Lauren, Fay, Lucian, Dial, algum outro que reunia todos, agora ela estava ali, com todas as criaturas encantadas que ela por anos aprendeu que eram superiores a ela olhando para ela, esperando ela dar as ordens, aquilo era estranho, Bree respirou fundo e então começou a contar o plano.

— Eu conheço passagens de dentro do castelo que nem mesmo os monarcas conheceram, os empregados, principalmente os mortais tem que saber entrar e sair do castelo sem ser percebido, somos treinados para isso. — Bree começou a explicar. — E são os mortais que são enviados para serviços mais... Considerados nojentos... Existe uma forma de entrarmos lá sem sermos visto, posso indica-los todo o mapa de corredores pouco conhecido por ali, nos dividirmos em grupos para entrar e sair. — Bree abriu um pergaminho velho com um desenho que ela mesmo tinha feito, uma planta do castelo. — Se Lauren e Fay estiverem vivas, elas estarão presas e estarão em alguma dessas prisões que são feitas para prender criaturas encantadas, existem várias passagens que dá para chegarmos nelas, então vamos fazer vários grupos, cobrir todas as passagens, quem chegar até elas primeiro irá retira-las em segurança, essa é nossa maior preocupação, encontrar apenas uma ou as duas.

— Podemos fazer isso. — Lucian informou — A caça é mais rápida e podemos enfrentar qualquer um.

— Não, vocês tem que ser o ultimo recurso. — Bree disse. — Tem muitos inocentes no castelo que trabalham lá, então vamos tentar evitar maiores danos, caso nenhum grupo volte, vocês entrem e acabem com tudo por lá, precisamos ter um ataque bomba para caso tudo dê errado.

— Então ficaremos a espreita, perto das saídas para ajudarmos se for necessário. — Lucian respondeu.

— Sim. Os demais... Entraremos pelos esgotos, pelos dutos subterrâneos... Pode ser que alguns de nós não saia de lá, por isso hoje precisamos ter certeza quem deseja continuar em frente. — Bree disse de forma séria. — Esse não é meu mundo, não é o local que quero ficar, mas esse de agora, não é o mundo encantado, não o que conheço. Fay e Lauren daria a vida por qualquer um de vocês, sei que Fay enfrentaria tudo por alguém que fosse inocente, mesmo que ela não gostasse dessa pessoa. Então, façam o mesmo por elas.

Talvez tivesse sido os nomes de Fay e Lauren, ou talvez tivesse sido o fato de uma mortal está demonstrando esperança, alguns poderiam até dizer que foi a noite de sono tranquila, mas todos pareceram mais animadas e nenhum deu para trás, ninguém.

Todos queriam sair naquele exato momento mas as equipes precisaram ser feitas conforme as habilidades de cada um, equipes foram montadas, equipes de resgate, equipes reservas e a equipes de ataque da caça, Math montou as equipes e então todos partiram de forma silenciosa e ao se aproximar do castelo principal as equipes se separaram, cada um entraria por um lado, todos se despediram ali, sem saber se um dia voltariam a se ver.

O grupo de Math era formado por Math, Bree, Bernardo, Flávio, Lorena, Larissa, Victor e Leticia, eles iriam seguir rumo ao andar mais subterrâneo e dali ir para as celas inferiores, o cuidado era total, cada passo era quase ensaiado, Bree ia na frente acompanhada de perto de Math, andaram pelas longas tubulações.

Encontraram dois mortais pelo caminho que pareceram assustados ao vê-los, não pareciam apresentar perigo, mas não podiam apostar na sorte, em movimentos rápidos deixaram os mortais inconscientes e os esconderam, torcendo para conseguir entrar e sair do castelo antes dos mortais acordarem.

— Estão vendo aquela escada? Ela dá para um dos corredores, devemos subir e sairemos em um dos corredores do castelo. — Bree disse apontando uma escada precária dessas de ferro. — Corremos em frente, terceira direita, segunda esquerda, vai dar em um corredor longo com uma escada no fim, essa escada dá para o andar das celas de segurança máxima, o nosso ponto. — Bree falava em sussurro.

— Provavelmente teremos mortais guardando essas celas. — Math começou a explicar. — Pois elas usam ferro para impedir que seja feito magia, por isso precisamos que Bree ou Victor cheguem lá. — Math repassou o plano. — Se Bree chegar iremos imobilizar os guardas mortais para que ela possa ver as celas, se Bree não chegar... — Era visível que Math queria dizer alguma palavra reconfortante mas Bree apenas confirmou com a cabeça para que ele seguisse. — Se Bree não chegar, Victor terá que se concentrar para controlar a mente dos guardas mortais para que libertem os prisioneiros, então precisaremos cuidar de qualquer problema que surgir.

— Lembrem-se, terceira direita, segunda esquerda e reto. — Bree deixou claro o caminho e então

O primeiro a sair foi Flávio que montou a guarda enquanto os demais saiam do túnel, o corredor parecia calmo, andaram em passos rápidos na direção indicada por Bree. Bernardo que era um excelente lutador foi na frente, Math e Lorena logo atrás deles, Leticia, Larissa, Bree e Victor em seguida e por ultimo Bernardo.

Tudo parecia calmo, parecia, mas o grupo encontrou uma surpresa ao subir a escada, foi mais rápido que todos eles, Math não conseguiu sentir a presença de dois guardas que de alguma forma já sabiam da chegada de intrusos, antes que Flávio pudesse reagir, Math e Lorena só viram a espada atravessar o corpo de Flávio.

Em um ato rápido Leticia e Larissa empurraram Victor e Bree para trás de si, Larissa invocou em sua mão uma bola de fogo avançando sobre os guardas e Leticia criou uma sombra que rondou os guardas diminuindo a visibilidade deles.

Lorena, Math e Flávio puxaram Bree e Victor os fazendo avançar, agora sem tentar passar despercebidos, apenas indo em direção as celas, deixando Leticia e Larissa cuidando dos dois guardas, eles não tinham tempo a perder teriam que ser rápido.

Como previsto, tinham dois guardas na frente da entrada da onde estariam as celas, a distancia mesmo Victor usou seu poder para tentar um controle a mente dos seres encantados, pela proximidade ao ferro era muito esforço isso, Lorena e Flávio avançaram aproveitando que a magia de Victor estava distraindo-os um pouco e em golpes rápidos conseguiram desarmar os mortais e como haviam prometido a Bree, apenas os fizeram desacordar.

Bree foi até os guardas procurando em suas vestes a chave, achando um molho de chaves, antes que ela conseguisse encontrar a chave correta um novo barulho alertou a todos, passos rápidos vindo de um grupo grande de pessoas.

— São pelo menos uns vinte. — Math disse, ele não conseguia usar totalmente seu poder para identificar quem era.

Flávio e Lorena puxaram as espadas dos guardas mortais caídos no chão e se prepararam para lutar.

— Encontre a chave, encontre eles e fuja, não olhe para trás. — Flávio disse para Bree vendo as sombras surgirem.



Capitulo XXIX
Bree
Eu não tinha vindo tão longe para perder, não mesmo, sabia que eu não tinha a mínima chance contra qualquer guarda encantado, mas eu só precisava me preocupar em tirar Lauren e Fay dali, elas tinham que estar ali, quem mais de perigoso poderia estar preso e colocado lá a ponto de precisar de guardas sem ser elas? Se eu as tirasse dali, elas saberiam o que fazer e se eu tivesse sorte Derek, Savannah, Dial, Blake e Seth estariam ali também.
A chave estava presa na armadura do segundo guarda, o problema é que eram muitas, mas consegui encontrar a chave correta e destrancar o portão antes de saber quem estava vindo, corri pelas celas e naquele momento escutei o barulho vindo de alguns, tinha gente ali.
— Fay... Lauren!!! — Chamei por elas e então mais barulho de uma cela à minha direita, pude ver um rosto pálido e magro surgir de relance.
— Bree? — Uma voz rouca, fraca mas uma vez que eu conhecia e naquele momento eu quase desabei.
— Seth! — Corri até a cela me assustando com a visão fraca que tive dele. — O que fizeram com você? — Perguntei me distraindo por um momento mas logo me focando e pegando o molho de chaves e começando a abrir a cela.
— Você é real? É mesmo real? — Seth me perguntava olhando para mim como se estivesse vendo uma assombração, meu coração se partia naquele momento por termos demorado tanto. — Como você está aqui?
— Não importa... — Eu disse tentando me manter. — Aonde estão os outros? — Finalmente consegui virar uma das chaves.
— Acho que estão todos aqui... — Seth disse. — Eles aparecem e vão embora, eles levam alguém e nem sempre conseguimos saber quem é.
— Se afasta da porta. — Eu pedi quando Seth o fez eu a abri, entrando pela porta na mesma velocidade que abri e o abracei, tentando esconder o horror que senti ao notar o quão magro, ferido, abatido ele estava, era como se alguém tivesse dado vida a um rascunho mal feito de Seth.
— Temos que salvar os outros. — Seth disse me abraçando forte. — Se isso não for um sonho, provavelmente não temos tempo.
— Onde eles estão? — Perguntei
— Não tenho tanta certeza. — Seth disse segurando a minha mão apertando-a tão fortemente que parecia que ele tinha medo de se solta-la eu iria fugir.
Seth foi na porta das celas, olhando para dentro dessas, localizando as celas de Fay, Savannah e Derek e eu comecei a abri-las, Seth continuou a procurar pelas celas enquanto eu abri a cela de Fay, ela assim como Seth estava acabada, seus olhos fundos e vermelhos de quem chorava a dias o tempo inteiro, quando me viu me abraçou e me agradeceu e naquele momento eu me senti mal por todo sentimento ruim que eu tinha nutrido por ela.
Talvez fosse o ferro das celas, mas Fay estava ainda mais fraca que Seth, de forma que eu a ajudei a se sentar no chão enquanto abri as celas de Savannah e Derek, esperei Seth me indicar as próximas celas, mas ele não o fez, depois de ver todas as celas ele olhou para mim e para Derek ainda mais horrorizado.
— Lauren não está aqui. — Ele disse.
Derek e Savannah que pareciam não se aguentar em pé assim como Fay, tiraram forças de onde não tinham e se levantaram indo na direção das celas próximas as deles procurando-a, a cada vez que encostavam na porta de uma das celas, suas mãos queimavam, mas isso não parecia surgir efeito agora.
— Olha, temos que sair daqui, eu preciso tirar vocês daqui, tirar Fay daqui. — Eu disse para eles fazendo-os parar de procurar.
— Não sairemos daqui sem a Lauren, leve a Fay e o Seth com você. — Savannah disse tentando se mostrar feroz, mas ela parecia tão fraca, tão abatida, que duvidava que até mesmo eu teria trabalho em desacorda-la.
— Temos outras equipes de busca pelo castelo, pessoas que estão mais fortes que vocês, temos a caça, a nossa missão é tirar vocês, Fay e Lauren daqui. — Na verdade a missão principal era apenas Fay e Lauren. — Ninguém desistirá até encontra-las, agora se vocês não vieram conosco terão colocado tudo a perder.  — Eles pareciam não querer me seguir.
— Se alguém ver algum de nós pelos corredores, verão que escapamos. — Seth disse — E se descobrirem que vocês escaparam, vão machucar a Lauren, além do que... Savannah e Derek, vocês não estão em condições de enfrentar ninguém, eles vieram nos salvar, confiem neles, confiem que poderão salvar Lauren.
Seth foi mais convincente que eu, eu me aproximei de Fay e a ajudei a ficar de pé, deixando que ela se apoiasse em mim para andarmos, Seth, Derek e Savannah vieram logo atrás, porém notei que Lauren não era a única que faltava.
— Aonde estão Dial e Blake? — Perguntei para Fay, mas obviamente que os demais escutaram.
— A ultima vez que vimos Dial foi quando passamos pelo portal. — Fay respondeu com voz baixa e fraca.
— E Blake? — Eu perguntei, mas a falta de resposta anterior já me dizia que algo ruim estava por vir.
— Meu irmão está morto. — Derek respondeu com um grande remorso na voz.
Não, Blake não... Ele não podia estar morto, ele não merecia estar morto, senti meus olhos encherem de lagrimas e por isso a minha resposta foi apenas o silêncio, até o final do corredor, até a porta que estava fechada como eu a deixei, ao me aproximar da porta me lembrei do grupo de pessoas que viravam o corredor, se eram guardas, provavelmente o meu grupo estava morto.
— Seth, segure a Fay aqui. — Eu disse, teria que abrir a porta e se fosse os guardas ali do outro lado teria que conseguir fazer Seth tirar Fay de lá, precisaria distrair os guardas. Assim que Seth se aproximou segurando Fay, juntei ele, Derek e Savannah.
— A missão na verdade é tirar Fay e Lauren daqui... Quando passarmos a porta, eu não sei se encontrarei o meu grupo esperando, ou se encontraremos os guardas com meu grupo morto, se for essa segunda opção, eu preciso que vocês tirem Fay daqui, irei distrair os guardas. — Seth fez menção de me interromper, mas não o deixei. — Sigam reto à esquerda, encontrarão uma escada segunda entrada à direita, terceira à esquerda, vão encontrar a abertura de um bueiro, desçam por ele e sigam esse mapa. — Entreguei o mapa do meu bolso à Seth. — Encontro vocês lá fora.
— Bree não seria melhor... — Seth começou.
— Ficamos meses estudando esse plano, apenas siga ele que dará tudo certo okay? — Esperava que eles seguissem, na verdade eu esperava que não precisássemos seguir esse meu plano. Respirei fundo e abri a porta.




Capitulo XXX
Lucian
Ficar e esperar, isso não era algo fácil para a caça, não éramos de ficar sentados e esperando, éramos de agir, se fosse a caça não teríamos nem nos dado ao trabalho de entrar pelas passagens subterrâneas, entraríamos pela porta da frente, duvido de que algum guarda iria conseguir nos parar, mas Bree tinha razão, nem todos que estariam no castelo eram perigosos, nem todos eram culpados, apenas pelos inocentes que ali viviam e se machucariam eu aceitei a ideia dela, mas se fosse necessário que nós agíssemos... Infelizmente não poderíamos nos preocupar com os inocentes, nossa missão seria entrar no castelo, levar a duas rainhas à salvo a qualquer custo.
A caça foi posicionada próximo às entradas que as equipes de solitários tinham utilizados, todos ficaram atentos à qualquer movimentação vindo dessas áreas, seja alguma equipe voltando ou seja algum guarda saindo dessa, qualquer movimento poderia significar sucesso ou problema na missão.
Cahalith e Drew eram os mais impacientes, eles andavam de um lado para o outro fazendo com que o tempo que já parecia demorar para passar demorasse ainda mais, olhando de forma impaciente o relógio o tempo todo.
— Noventa minutos é tempo demais. — Drew disse. — Eles não precisam de uma hora, uma hora e podem ter matado todos.
— Acalme-se. — Eu disse tentando me acalmar também. — Combinamos que daremos noventa minutos para que eles possam entrar, resgata-las e voltar, não sabemos o que eles podem encontrar no caminho, então eles precisam que a gente respeite esse tempo.
— A caça não é de ficar parada. — Cahalith veio reclamar. — Aonde você estava com a cabeça ao aceitar a sugestão de uma mortal?
— Ela pode ser mortal, mas assim como todos se dedicaram a essa missão. — Eu respondi — Não a desmereça. Existem inocentes por lá que merecem uma chance de serem poupados, se passar o tempo, entramos lá e colocamos pra quebrar, fazemos da nossa maneira, mas antes de noventa minutos, se nada parecer suspeito, iremos esperar aqui.
Aquilo encerrou a discursão, mas não acalmou os ânimos da caça, aos poucos não eram apenas Cahalith e Drew a ficarem impacientes, quase todos estavam se movimentando de um lado para o outro, os poucos que permaneciam em seu lugar estavam totalmente atentos à qualquer movimento, mal piscavam.
Vinte, trinta, quarenta minutos se passou e nada, aquilo estava preocupante, eu só sabia que Lauren ainda estava viva porque se ela tivesse morrido eu saberia, não apenas pela ligação de caça e rainha, mas porque eu era seu herdeiro no momento.
Quando o relógio deu sessenta minutos, a caça toda se preparou, ali ninguém esperaria mais de um minuto além do horário, a tensão estava no ar e todos estavam à espera pelo meu comando para simplesmente correr.
— Iremos direto para as celas — Eu comecei a dizer. — Velkan, Friedrich e Drew, procurem por Ariel e Macsen, vamos arranca-los daquele castelo, se puderem os traga vivos, a caça precisa se divertir.
Foi então que uma movimentação foi vista de uma das entradas, nos preparamos e assim que vimos solitários saindo alertas, todos da caça ficaram também em alerta, foi quando vimos de longe a rainha da corte da luz.
Eu não precisei indicar para que alguns membros da caça me seguissem, indo até os solitários ajudando a pegar os resgatados, que não era apenas Fay, mas também Seth, Derek e Savannah, coincidência ou não, eu me encarreguei de ajudar Savannah.
— Nunca pensei que uma assassina precisaria da ajuda da caça. — Disse de forma marota.
Savannah apenas resmungou algo, olhei a procura de Lauren, acho que Math entendeu meu olhar e apenas balançou a cabeça de forma negativa. Levamos os resgatados até o ponto seguro onde os demais membros da caça poderiam ajudar a vigia-los.
— Perdermos Bernardo e Flávio do nosso grupo — Math começou a me colocar a par do que tinham acontecido. — Encontramos os outros três grupos que ficaram responsáveis pela celas de segurança máxima, tivemos outras baixas nesses grupos também. — Ele me explicava de forma rápida.  — Seth, Derek, Savannah e Fay estavam nas celas de segurança máxima, eu não sei onde Lauren está, eles disseram que ela estava presa com eles, mas diversas vezes algum guarda aparecia para levar algum deles para ser torturado, provavelmente levaram Lauren. Blake foi morto e ninguém... Ninguém sabe onde está Dial... — Ao falar o nome do pai foi possível notar que a voz de Math vacilou. — Cuidem deles, eu vou entrar de novo, procurar por Lauren e os outros grupos...
— Não... Você vai ficar aqui. — Falei segurando Math. — Os próximos a entrar será a caça, nenhum outro grupo saiu, então existe ainda a possibilidade de algum dos grupos encontrarem Lauren e o seu pai.
— Não podemos ficar aqui parados. — Math falava perdendo totalmente o controle.
Ele provavelmente esperava encontrar seu pai junto com os outros e descobrir sobre a morte de Blake, não ter noticias do pai, com certeza estava afetando o discernimento dele. Olhei para os resgatados, de Fay até Seth, todos estavam desnutridos, machucados, abatidos, era notável o sofrimento que passaram e isso deve ter contribuido para que Math perdesse o controle.
— Não vão ficar. — Eu disse. — Você não está apto para pensar, então eu tomarei as decisões por você. Pegue os solitários que aqui estão e leve todos para o antigo castelo da corte da Luz, aquele castelo precisa de um regente da Corte da Luz para abri-lo e só quem o regente autorizar pode entrar. Fay poderá abrir o castelo para vocês e autoriza-los, ele terá uma proteção natural para que ninguém indesejado entre. Mandarei membros da caça para protegê-los pelo caminho, nossa missão era salvar as rainhas, de nada vai adiantar ter tirado Fay do castelo se ela não ficar segura.
— Mas e... — Math começou a falar.
— Se não trouxerem Lauren, a caça entrará no castelo e mandarei alguém procurar por seu pai, mas no momento precisamos salvar as duas rainhas, ou vamos colocar tudo a perder. — Eu disse para ele.
Math continuou relutante mas acatou vendo que não tinha desculpas, me aproximei portanto de Fay que estava sendo cuidada por alguns membros da caça.
— Majestade. — Fiz uma breve reverência. — Irão leva-la em segurança para o antigo castelo da corte da luz, somente você poderá desativar a segurança para que entre junto com os solitários e a caça que será sua escolta, é a melhor forma de garantir sua segurança no momento. Acha que consegue fazer isso?
Fay confirmou com a cabeça e se esforçou para se colocar de pé, duas solitárias a ajudaram a se manter em pé, ela estava extremamente fraca.
— Obrigada por me tirarem de lá... Mas Lauren... — Fay começou a falar e eu a interrompi.
— Iremos salva-la — Disse tentando poupar os esforços de Fay
— Façam isso e logo. — Fay disse e se aproximou de mim falando em meu ouvido tão baixo que tinha certeza que apenas eu escutei. — Lauren está perdida, não pelo castelo, mas dentro de si, salvem-a e ajude-a antes que seja tarde.
— Farei isso. — Disse para Fay sem conseguir esconder a preocupação que passei a sentir. — Wesley e Biorach façam a escolta da Fay junto com os solitários, mantenham todos à salvo.
Os dois na mesma hora se prontificaram, eram os mais calmos e apesar de a força de Biorach assustar até a mim, ele odiava conflitos, mas meu problema não foi com os solitários e nem mesmo com os membros da caça e sim com dois resgatados.
— Nós ficaremos. — Derek respondeu.
— Não sairemos daqui sem a Lauren — Savannah completou.
— Vocês não vão ajudar em nada ficando aqui, os dois vão em segurança para o castelo, serão mais úteis por lá. — Eu disse.
— Na verdade não, não seremos nada útil por lá. — Savannah disse. — A missão de vocês é resgatar as duas rainhas, nem eu e nem Derek somos alguma das rainhas, eu não sairei daqui sem a minha filha e não existe nada que você possa dizer que me fará mudar de ideia.
— E também não tem utilidade aqui, ou você acha que tem condições de lutar? — Perguntei.
— Tenho certeza que não poderei lutar, mas quero estar aqui quando Lauren sair — Savannah respondeu. — Independente de como Lauren saia desse castelo, eu tenho que estar aqui.
— Eu sou o guarda dela, é contra a minha natureza abandona-la, vai precisar nos matar ou nos fazer perder os sentidos para nos tirar daqui. — Derek respondeu e eu revirei os olhos.
— Okay, fiquem, mas não achem que irei colocar meus homens em perigo para salva-los. — Respondi e eles balançaram a cabeça mostrando que tinham entendido.
Dessa forma os dois da caça, os solitários que tinham saído, Bree, Fay e Seth foram direto para o castelo da luz, era agora torcer para que nenhum deles enfrentasse problemas pelo caminho, enquanto nós. Tinha ainda mais quinze minutos antes de entrarmos.
Outros dois grupos saíram, dizendo que não encontraram nenhuma das princesas, faltando cinco minutos outro grupo saiu, nenhum deles trouxe tinha trago nenhum prisioneiro, nenhum deles tinha trago ou tinha tido notícias de Lauren, todos que chegaram eram orientados à ir para o antigo castelo na corte da luz.
Oitenta e cinco minutos tinham se passado a caça estava em alerta, todos atiçados, todos à espera do meu comando para partir e assim que o meu relógio firmou os noventa minutos, a caça toda saiu junta.
Fomos direto para os tuneis subterrâneos, como nem todos os grupos tinham retornados, a nossa esperança era encontra-los perdido no meio do caminho perdido, mas não foi preciso andar muito para encontra-los, o último grupo, próximo as saídas de subterrâneas, travando uma luta com alguns guardas mortais nas galerias de esgoto, provavelmente o fato dos guardas serem mortais eram a única vantagem que o grupo, que agora se resumia à apenas quatro solitários, tinha. Sem pensar duas vezes a caça partiu para cima dos guardas mortais, que com certeza não tinham preparo e nem esperavam nos enfrentar, tornado assim a luta desleal, mas rápida.
Velkan e Drew foram os primeiros a atacar, indo para cima dos guardas mais distantes impedindo que esses fugissem, eu fui para cima de dois guardas que atacavam Huey, uma das solitárias com aspecto oriental, que brandia uma espada ensanguentada com fúria e maestria em golpes defensivos.
Saltei sobre ela, atacando os dois com minhas mãos direto em seu pescoço, um golpe rápido que os fez ir para o chão junto comigo, finquei minhas garras em seu pescoço, senti Huey se unir a mim fincando a espada no coração do da minha direita, finalizando-o, me dando assim a liberdade de usar a outra mão para quebrar o pescoço do guarda à minha direita.
— Pegue os sobreviventes e saia daqui, vão para o antigo castelo da luz — Disse para Huey. — Vamos encontrar Lauren.
— Mas nós a encontramos... — Huey disse exasperada. — Não a levaram até vocês?
— Não. — Eu respondi. — Com quem ela estava?
— Com Adam e Benjamin. — Huey respondeu. — Eles chegaram até aqui, eles deveriam ter saído...
— Geal, Velkan, Drew, Friedrich. Não deixem ninguém chegar, cubram as saídas! — Gritei para eles. — Os demais, encontrem Lauren!!!
Ela não tinha saído, teríamos visto se ela saísse, ela tinha que estar ali, o cheiro de sangue e esgoto atrapalhava a caça de encontra-la com facilidade, mas com tantos à procura dela, não foi surpresa quando alguém gritou.
— Achei!!! — Foi a voz de Donaghy, ele estava abaixado perto de um canto.
Corri até ele, vendo-o erguer Lauren com cuidado, ela estava desacordada, com as roupas molhadas, pálida, com olheiras grandes e extremamente magra, Donaghy era um ótimo lutador, extremamente grande e talvez isso fizesse com que Lauren parecesse ainda mais delicada em seu colo.
A respiração dela estava fraca e mesmo desacordada Lauren demonstrava uma face cheia de dor, marcas de queimadura, provavelmente de ferro em seu pescoço, pulso e em outras partes do seu corpo me faziam entender o porque ela tinha tido a necessidade de escolher um herdeiro.
— Um deles está vivo. — A voz Brianda me fez perceber que Lauren não era a única caída ali, Math e Benjamin estavam caídos ao lado da onde ela deveria estar.
Existia muito sangue ao redor dos dois, mas um punhal estava cravado no peito de Benjamin, então dava para entender quem Brianda disse que ainda estava vivo.
— Temos que sair logo daqui. — Morgana, uma das solitárias, disse.
— Encontramos Lauren com a escolta de guardas mortais na escada que dava acesso às celas especiais, derrubamos um dos soldados por lá e provavelmente à essa hora já encontraram o corpo. — Huey completou.
— Encontraram Fay? — Morgana perguntou.
— Sim, faltava apenas vocês. — Eu respondi. — Velkan pegue Adam, talvez conseguiremos salva-lo. Donaghy deixa que eu levo a Lauren — Falei pegando Lauren com cuidado do colo dele. — Você e Drew ajudem Derek e Savannah, vamos todos para o castelo da luz, por mais que eu queira acabar com Ariel e Macsen, precisamos cuidar de Fay e Lauren antes.
E dito isso deixamos corpos mortais para trás e alguns dos nossos amigos solitários, mas não tínhamos tempo de enterrar e chorar pelos nossos mortos, faríamos isso depois, agora precisávamos cuidar de nossas rainhas, tínhamos resgatado-as, mas ainda precisávamos salva-las, para salvar o mundo encantado.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Novos - Pós Luto

Capitulo XXV
Lucian

A caça estava se esforçando ao máximo tentando detectar portais, não parávamos em lugar algum, assim que chegávamos em uma cidade nova, eu os dividia em duplas onde cada dupla ficava responsável por uma parte da cidade, combinávamos um ponto de encontro e uma data e cada um ia para um lado, infelizmente quando retornavam, nenhuma boa noticia, tentamos contato com os solitários dos locais, mas ninguém parecia nos ajudar, iriamos rodar o mundo mortal inteiro, até mesmo debaixo d’agua se fosse necessário, mas não iríamos desistir, não enquanto nossa rainha não estivesse segura.

Não passou pela cabeça de nenhum de nós que não pudéssemos achar o portal de volta, éramos a caça, nosso poder de luta e rastreamento não se comparava à nenhuma criatura encantada, por isso a certeza de que em algum momento encontraríamos uma passagem a única preocupação de todos era a saúde de nossa rainha. Mas essa era uma boa preocupação, não admitíamos falhas e por isso tínhamos que nos empenhar cada vez mais, mesmo quando nosso corpo fraquejasse, mesmo quando o cansaço surgisse, mesmo quando nossos pés reclamassem, estávamos de pé, correndo farejando, em busca de mostrar o porque nós éramos a caça e o porque a caça nunca fraqueja.

Mas tudo isso pareceu fraquejar dentro de mim em um momento, quando minha mão começou a formigar e na parte interna dela apareceu a marca, a meia lua, a marca de herdeiro da coroa da corte das sombras, eu não tinha nenhuma ligação com a corte, nunca nenhum membro da caça foi escolhido para herdar o trono, geralmente eram os familiares mais próximos dos reis e rainhas das cortes que herdavam a coroa, eu nem ao menos tinha algum possível laço de sangue com alguém que morasse no castelo, se fosse pelo destino que eu recebesse a marca, eu deveria ter recebido quando Owen foi morto e Lauren virou rainha, não agora. Se eu estava agora recebendo essa marca, foi Lauren que me nomeou e para Lauren ter me nomeado seu herdeiro de coroa, era porque ela estava próximo a morte, eu sabia disso, fazia dias que eu sentia a depressão dela e receber aquela marca apenas mostrava que ela tinha se entregue à esse destino.

— Lauren, aguenta mais, estamos à caminho. — Eu disse olhando para a marca, mais para mim do que na esperança de que ela me escutasse.

Quando nos encontramos após cobrir mais uma cidade e descobrir que não tínhamos achado nenhuma pista, não fiz com que a caça partisse em seguida, eu lhes contaria sobre a marca, não tinha segredo entre nós e precisava que eles soubessem o quão serio era aquilo.

O ponto de encontro tinha sido em um prédio abandonado e quando todos chegaram já se preparando para partir de novo eu chamei a atenção deles para mim.

— Eu sei que vocês estão dando tudo de vocês para encontrar esse portal, vejo que estou pedindo mais do que vocês podem, mas precisamos achar uma passagem logo para o mundo encantado. — Eu comecei a dizer, ninguém me interrompia, apenas olhavam para mim, Wesley provavelmente sentindo como eu estava se aproximou de mim. — Tenho sentido alguns sentimentos ruins vindos de nossa rainha, mas nada tão forte como senti hoje.

Mostrei a marca na minha mão, disse o que significava ela ter surgido agora e não após a morte de Owen.

— Eu não sei o porque essa decisão da Lauren, mas para ela ter me deixado como seu herdeiro, é porque acredita que não sairá viva de lá, precisamos provar o contrário, que ela terá muitos anos para reinar, é nosso dever como a caça e espero que isso apenas os motive a tentar ir além, a buscar novos limites, a vida da nossa rainha corre perigos sérios, essa é a prova disso, ela está acordada, está lucida e mesmo assim não consegue nos contactar, vamos mostrar que os Finns estavam certos ao nos escolher entre muitos para ser da caça, está na hora de provar nossos valores, ou salvaremos Lauren, ou morreremos tentando.

Não sei se foi apenas o um discurso ou se foi também algo que Wesley fez, mas todos pareceram renovados, como se tivessem acabado de se tornar um membro da caça e estivessem em sua primeira missão e assumindo nossa forma invisível aos olhos humanos, todos saíram de lá, gritando e correndo de forma livre, como era a caça, eu esperava realmente que tivéssemos tempo para que eu não me tornasse o novo rei das sombras, mas se isso acontecesse, Macsen e Ariel iriam descobrir o porque a caça é sempre tão temida.

Conforme avançávamos as cidades eu mantinha contato com Math, dizendo onde estavamos, algumas pistas que recebíamos, o humor dos mortais naqueles lugares e Math me atualizava também sobre os planos dos solitários, sobre a banda e sobre os esforços de todos. Desde que me tornei um membro da caça eu soube que nós éramos sempre os últimos recursos, que devíamos viver sempre em junto, ali na caça um dependia do outro, mas não podíamos contar com mais ninguém, quando fui eleito o líder eu sabia que tinha que alimentar esse tipo de alimento em meu grupo, porém saber que não estávamos totalmente sozinhos e saber que tinha outras pessoas cobrindo partes mais burocráticas era mais reconfortante, assim eu me sentia livre em deixar o bando como precisávamos ser, seguir nossos instintos, correr, farejar, sem nos preocuparmos em ficar parados atrás de livros lendo.

O sistema de duplas era feito por dois motivos, primeiro motivo, nunca nenhum de nós ficar sozinho, segundo motivo, não bastava apenas procurar indícios mágicos, precisávamos também procurar pistar, seres encantados, qualquer um que pudesse dar alguma informação que viesse ser útil, conseguimos diversas informações, algumas se mostraram infundadas, outras se mostraram reais de certa forma, mas nada que fosse realmente útil.

Mas a pista mais próxima da realidade foi uma de um velho senhor, uma criatura encantada que me entregou um livro que parecia ser extremamente velho, ele disse que ali eu encontraria todas as respostas, falava sobre o início, a criação de tudo, tudo relacionado ao mundo mortal e ao mundo encantado seria encontrado ali, o livro não era muito grande, ele tinha o tamanho da minha mão, uma capa de couro cru e nem mesmo era muito grosso, ao falar isso para o velho, ele me disse que nem tudo pode ser visto tão facilmente.

Ao abrir o livro me deparei com páginas em branco, pensei ser uma piada mas ao olhar de forma mais firme vi que algumas letras começaram a surgir.

“Se deseja saber meus segredos
Quando o dia e a noite se equilibrar
Una-me aos cinco animais mais antigos e mais sábios da Terra
E tudo o que é meu, também será seu.”

Os cinco animais mais antigos e mais sábios da Terra, eu me lembro da minha mãe me contando algumas historias sobre isso, tinha uma coruja... Mas os outros eu não conseguia me lembrar... Isso foi quando eu era muito pequeno, antes de virar membro da caça, os demais da caça não sabiam o que aquilo queria dizer, já tinha se passado meses desde que havia deixado os solitários, mas estava na hora de eu encontra-los de novo, se tinha alguém que eu confiava que poderia desvendar isso, eram eles, era o pessoal de Math.

Combinei com os solitários o percurso que eles deveriam seguir, ponto de encontro, deixei Velkan e Wesley responsáveis pelo grupo e então voltei para o início, de encontro com os solitários

Capitulo XXVI
Adam
As coisas estavam complicadas, mesmo com a banda fazendo sucesso aos poucos, não conseguíamos atingir pessoas o suficiente, eram diversas as noticias sobre guerras e mortes, Math até colocou um alerta em seu e-mail para receber esse tipo de noticia e cada vez mais e-mails chegavam para ele, claro que não era tudo culpa do mundo encantado, os mortais já demonstravam a muito tempo que possuíam um ódio dentro de si do qual nosso mundo não era responsável, mas o desiquilíbrio entre as duas cortes apenas ajudava mais isso. Avisos de guerras que estavam para acontecer em diversos países eram alarmantes, o pior que muitos desses países eram contra músicas estrangeiras, então nossa banda nunca chegaria lá.
Estavamos vendo a hora que uma nova guerra mundial iria surgir e eu temia que com a Corte das Sombras no poder, quando essa guerra eclodisse, não sobraria muita coisa. Os mortais dependiam do nosso mundo e o nosso mundo dependia dos mortais.
Bree ficou com a gente, apesar de ela ter passado a vida no mundo encantado, ela era uma mortal e nos ajudava a ver o quanto nossa música conseguia afetar aos mortais. Era até curioso o quanto Bree, que vivia falando que queria ser uma simples mortal e deixar o mundo encantado de vez, se empenhava em nos ajudar, enquanto ela não estava servindo de cobaia voluntária para as músicas e shows, ela estava com a cara enfiada em um livro tentando descobrir uma forma de se comunicar com o mundo encantado.
“Os Solitários” tinham sido chamados para abrir um show de uma banda famosa, aquilo foi um marco para nós, pois o show era um evento beneficente onde a entrada era alimento não perecível, então o local estava lotado de gente e nossa música alcançou milhares de pessoas provavelmente, ainda mais porque era um evento transmitido ao vivo para diversos canais, quando nosso show acabou fomos para o camarim e não demorou muito para que Bree entrasse por lá.
— Vocês foram maravilhosos. — Ela falou e como acontecia sempre que tocávamos bem, ela entrava de forma serena e calma no camarim. — Tinha um casal do meu lado, estavam brigando discutindo mesmo antes do show. — Ela começou a explicar. — O cara estava meio puto com a garota, no final do show ele falou sobre se casarem.
— Ótimo. — Respondi de forma aliviada, sempre ficava ansioso por esse momento. — Iremos tocar com a banda principal no encerramento, então temos que ficar aqui, se importa? Pode ficar lá vendo o show, ou aqui com a gente. — Bree não era obrigada a assistir cada um de nossos shows, mas ela nunca se recusava.
— Sem problemas. — Ela respondeu. — Mas prefiro ficar aqui, aproveitar o tempo livre... — ela disse mexendo na mochila e pegando um dos livros da biblioteca encantada que tinha trago.
Bree começou a ler com afinco, enquanto eu e os rapazes conversamos sobre a música de encerramento, descansamos, mesmo com as conversas e os risos, Bree não se desconcentrava, os garotos foram ver um pouco do show e eu fiquei no camarim, não gostava de assistir show antes de fazer o meu show, porque isso aumentava meu nervosismo, acabei me sentando ao lado de Bree pegando um dos livros para pesquisar, durante um longo tempo o silêncio predominou o lugar até ser quebrado por mim.
— Posso fazer uma pergunta?
— Pode, claro. Só não te garanto que irei responder. — Bree disse dando um meio sorriso mas sem tirar os olhos do livro que estava lendo.
— Você diz que não se importa com o mundo encantado, que não quer mais saber dele... Mas é a pessoa que vejo pesquisando com mais afinco para salva-lo... Ou seria para salvar Seth? — Perguntei olhando para ela.
Bree parou por um instante, deu um suspiro e por um momento eu me arrependi da pergunta, porque ficou óbvio que ela não se sentiu a vontade com a mesma.
— Quem comando o mundo encantado agora é Ariel e Macsen — Bree me respondeu e fechou o livro. — Eu servi a Ariel desde que ela retornou ao mundo encantado, eu sei quem ela é de verdade, eu sei como ela pode ser fatal para o mundo encantado e os dois mundos estão interligados não é mesmo? Se algo ruim acontecer lá, acontecerá aqui também.
— É só por isso mesmo? — Eu perguntei, sentindo que ela escondia algo.
— Sabe o quanto eu odeio vocês criaturas mágicas que conseguem detectar a omissão tão facilmente? — Apesar de a frase parecer raivosa ela estava rindo, demonstrando que estava brincando. — É também por Seth, por Fay e por Blake... — Ela disse. — Eu amo o Seth e acho que nunca mais amarei alguém como o amei... Ele me protegeu e foi o único que me deu motivos para acordar todos os dias... Era o único que se importava verdadeiramente comigo para fazer algo bobo, como comemorar o meu aniversário, mesmo sem ter certeza da data do meu aniversário. — Ela sorriu, um sorriso nostálgico. — E Fay, mesmo eu odiando o fato de que ela tinha tudo inclusive o coração de Seth, ela salvou a minha vida, peitando Ariel por isso. — Bree se arrumou e levantou a parte de trás da blusa me mostrando uma cicatriz nas costas. — Eu fui condenada a chicotadas, eram para ser muitas outras, mas Fay chegou a tempo e impediu, mesmo sabendo que eu não gostava dela. E Blake... Bem, foi ele que alertou Fay sobre isso, fiquei sabendo depois... Eu não sou uma rainha e nunca serei metade do que Fay é... Mas queria ter o poder de ir lá e salva-la, não para ficarmos quites, mas porque é o certo a se fazer. Ela tem que ser a rainha, ela é a rainha que o mundo encantado precisa, sempre soube disso.
— Nós vamos salva-los tudo bem? Salvar eles três e também Lauren, Derek, Savannah e Dial. Vamos salvar o mundo encantado e você verá que não é necessário ter uma coroa ou poderes para isso. — Eu disse de forma a conforta-la, pensei em usar meu poder para acalma-la mas achei melhor não, não seria o correto.
— Eu só espero que a gente consiga chegar a tempo. — Bree disse.
— Vamos conseguir, você vai ver... — Respondi de forma confiante, tinha muita gente envolvida para isso dar errado.
O show de encerramento foi ainda melhor que o show de abertura, pois nem todos tinham ido ver uma banda “desconhecida” abrir o show, mas todos queriam ver como seria o encerramento, não era muito comum mesclarem a banda de abertura com a principal, mas foi a própria banda principal que nos convidou. Tivemos um pouco mais de trabalho, não eram apenas nossos instrumentos ali tocando, mas aquilo rendeu outro convite para shows antes de a gente deixar os palcos, Mauren estava sendo nossa agente musical, já que ela entendia melhor sobre os tramites das musica no mundo mortal graças a Alan.
Nas semanas que se seguiram shows foram feitos, conseguíamos manter um pouco de paz em parte da população, mas ainda era muito pouco, a caça já tinha rodado um continente inteiro e até agora nada, tentava manter as esperanças, mas elas estavam indo embora com grande velocidade.
Não foi apenas a tensão entre os mortais que foi aumentando o clima ficava cada vez pior, mais frio, em alguns lugares diversos desastres naturais estavam ocorrendo, Furacão no Pacífico, Sismo por diversos continentes, Avalanches, Ciclones... Não tinha como mantermos calma ao ver tudo isso acontecendo.
Diversos solitários abandonaram seus empregos para sair em busca de algum contato, algo que ajudasse, estávamos sentido na pele as mudanças graças ao reinado de Ariel e Macsen, a maioria dos solitários passavam o dia inteiro sobre os livros e Bree quando não assistia nossos shows estava com um livro na mão, liam e reliam os livros, esperando que alguém achasse algo que outra pessoa deixou escapar.
A banda foi ganhando cada vez mais espaço, nossas músicas eram tocadas na rádio e baixadas na internet, como nunca quisemos lucros, disponibilizávamos as músicas de forma gratuita em nosso site oficial e Alan conseguiu uma licença especial para elas, para que pudessem ser usadas, se fosse de forma original em vídeos em qualquer rede social, queríamos que escutassem nossa música, que ela se tornasse um hino, pode parecer egocentrismo, mas sabíamos que era tudo o que podíamos fazer de mais concreto.
Fizemos shows beneficentes, assim além de ganharmos notoriedade atingíamos mais pessoas, não demorou muito para que fossemos chamados para televisão e eu começava a me preocupar com isso, todo ser encantado sabe que tem que passar despercebido no mundo mortal, o que estávamos fazendo era exatamente o oposto, estávamos não apenas chamando atenção para nós mesmos, mas também para nossos poderes.
— É por uma boa causa. — Bree me disse quando falei sobre minha preocupação.
— Sim, mas estamos chamando atenção não apenas para nós, como para toda comunidade mágica. — Eu disse exasperado, com um certo pânico tomando conta de mim. — Se descobrirem sobre nós, se alguém perceber que nós não somos mortais... Todos os seres encantados serão descobertos.
— Convivi tempo demais com os mortais Adam. — Math tentava me acalmar também. — E sabe o que eu descobri? Que por mais que muitos se achem extremamente místicos, eles são bastante cético, não é como antigamente onde todos acreditavam em magia... Os tempos são outros, agora eles querem provas, se você falar que faz magia, terá que provar que faz, temos muita tecnologia hoje em dia e truques de ilusão que pode fazer quase tudo.
— E como provamos que não tenho magia? — Perguntei.
— Não se prova. — Bree falou. — Eu sempre li coisas do mundo mortal quando estava no mundo encantado, se começarem o boato, entre no jogo deles, não responda, deixa isso no ar, mude de assunto, irão surgir teorias sobre isso, uma hora irão pedir para você provar se realmente existe magia nas músicas como falam e você não faça, eles não vão duvidar se você é normal, vão duvidar que você seja especial, apenas não prove que é especial e pronto... Ficou confuso, eu sei...
— Mas a Bree está certa... Para alguns mortais, mesmo que você vire o tocha humana na frente deles eles ainda vão duvidar que magia existe, então fica tranquilo. — Math completou. — Isso é temporário, em breve vamos salvar as rainhas, o reino encantado, vocês podem voltar para lá e ficar lá por um tempo, podemos até dizer fingir um acidente onde a banda toda morre e pronto.
Eu ainda não estava totalmente convencido daquilo, mas era a nossa única alternativa, porém a banda não foi a única a ficar no holofote da mídia local, logo perceberam a presença constante da Bree conosco e ela virou mais um alvo, porém diferente de mim, Bree lidou extremamente bem com aquilo.
Havia vários rumores sobre ela e sempre que alguém comentava algum dos rumores, Bree simplesmente ignorava ou fazia alguma piada, até sugeri que ela se afastasse um pouco, mas ela não ligava, dizia que tínhamos que nos focar em achar o portal e não em ler sobre fofocas dos mortais.
Vinte semanas haviam se passado desde que “Os Solitários” deixaram de ser uma banda secreta para começarem a ganhar o mundo, estávamos indo extremamente bem, claro que nosso sucesso não dependia apenas de nós, mas de todos que estavam mexendo os pauzinhos para nos colocar em shows, divulgar e outros, a comunidade mágica inteira ajudava da forma que podia nisso, nem que fosse indicando para amigos, tocando em festas, todas as formas possíveis, nós nos sentíamos cansados, e a única certeza que tínhamos que Lauren estava viva era porque saberíamos se o laço com ela fosse desfeito, mas era possível sentir o quão fraca ela parecia estar.
As coisas pareciam estar ocorrendo sem grandes mudanças até que com a chegada de Lucian correndo disse que algo estava para acontecer, estávamos na casa de Math, Bree afogada em livros, Mauren fechando nossa agência, Math parecendo que estava em um programa do CSI, cheio de monitores a sua frente monitorando as noticias de várias partes do mundo ao mesmo tempo que mandava mensagens para diversos solitários por todo o mundo, foi quando Lucian entrou afobado pela porta.
Todos olharam para ele na expectativa de que ele dissesse sobre um novo portal, se bem que se ele soubesse sobre um novo portal teria nos ligado e não vindo até aqui.
— Lucian... Me diga que tem boas noticias. — Math foi o primeiro a falar.
— Sim, de certa forma. — Ele tirou de dentro de um bolso um livro surrado e jogou para Math. — Isso é o melhor que conseguimos até agora, um velho me entregou e disse que aqui tem tudo sobre o mundo mortal e encantado... Mas tem uma espécie de enigma para resolver antes...
Math olhou diversas vezes para o livro de forma intrigada, como se não acreditasse no que estava vendo, era para mim um livro de aspecto surrado mas a forma que Math olhava para ele maravilhado, era como se aquilo fosse um portal na mão dele.
— Esse é o livro antigo, o livro do começo, o livro do final. — Math disse depois de um tempo e olhou para Lucian. — Onde você conseguiu? Como conseguiu?
— Um homem, uma criatura encantada, me entregou, ele encontrou um dos meus e pediu para falar com o líder e me entregou isso. — Lucian balançou a cabeça. — O livro do final... Podemos descobrir como será o final de tudo aí?
— Sim. — Math respondeu. — Mas não devemos, nunca devemos saber sobre nosso futuro, é muito perigoso. Esse livro Lucian, não está disponível para que qualquer um tenha acesso, somente os Finns tem acesso a esse livro e se um deles deu a você...
— O mundo está em um grande perigo. — Lucian confirmou e mostrou a palma da mão, onde pudemos ver a marca de uma lua crescente. — Isso surgiu faz um bom tempo... Lauren está desistindo... Eu sei que ela está viva ainda pois eu não virei rei, só não sei por quanto tempo.
— Se os Finns entregaram isso, é porque aí tem a reposta que precisamos. — Bree respondeu. — O que diz aí?
— Eu já abri. — Math respondeu. — Mas as páginas estão em branco...
— Impossível, tem uma espécie de charada. — Lucian respondeu. — Olhe por um tempo.
Math abriu o livro de novo e eu e Bree nos colocamos ao lado dele e nada surgiu, nem mesmo uma sombra.
— Deixa eu ver isso aqui. — Lucian respondeu pegando o livro, assim que ele tocou no livro as palavras começaram a surgir.
— Foi dado a você, só você pode ler. — Math concluiu e então vimos a charada que falava dos cinco animais mais antigos e mais sábios da Terra. — O melro, o cervo, a coruja, a água e o salmão. — Math enumerou.

— A noite e o dia se equilibram nos equinócios. — Eu respondi, Bree então abriu o calendário do computador de Math.

— Temos duas semanas para reunir esses animais. — Bree respondeu vendo as datas.

Nenhum de nós fazia ideia de como conseguiríamos esses animais, principalmente reuni-los, mas isso não importava, porque depois de meses, aquilo foi o mais próximo que conseguimos de uma pista real de como chegar no mundo encantado.




Capitulo XXVII
Math
Planos alterados, com o surgimento do livro de Lucian, tudo foi mudado, mensagens e SMS foram enviadas dizendo a todos que tínhamos que conseguir aqueles animais. O cervo seria de fato o mais difícil, não apenas para conseguir, mas para termos ele por perto, animais pequenos eram mais fáceis de esconder, agora um cervo, eu não fazia ideia de como iriamos transportar um para perto de nós, se conhecêssemos alguém que tivesse um poderíamos levar os demais animais para lá, mas quem é que tem cervos como animais de estimação?
A vontade de Lucian era nos entregar o livro e voltar para perto da caça que continuavam a procura de portais, afinal, poderiam conseguir achar antes do equinócio e resolveriam nossos problemas, mas como ficou obvio que o livro foi destinado à Lucian, não podíamos nos dar ao luxo de ele estar longe quando conseguíssemos reunir tudo o necessário.
Mesmo todos os esforços agora estarem voltados ao local onde esconderíamos um cervo e aos animais que precisávamos, Os Solitários continuaram tocando, afinal o fato de acharmos um vislumbre de esperança não fazia com que o mundo voltasse à ficar em paz.
E usando isso como uma missão própria, Bree acompanhava a banda para todos os lados, de forma que logo que a banda começou a aparecer em alguns jornais locais, Bree aparecia também como a garota misteriosa da banda, várias especulações sobre quem ela era surgiram, mas Bree ou não prestava atenção ou não ligava, o foco dela era o mesmo que o nosso, conseguir uma forma de chegar no mundo encantado.
Ela agora lia alguns livros de direito sobre animais, tentando descobrir se poderíamos ter algum grande problema com a lei dos mortais por levarmos um cervo para ser domesticado.
Os poucos momentos em que ela não estava com a cara enfiada no livro ou assistindo um show da banda ela estava com Adam, eles se entrosavam bem, enquanto Bree colocava Adam a parte de todo o mundo encantado, Adam colocava Bree a parte de todo mundo mortal, desde costumes até mesmo a moda de roupas e principalmente músicas.

As duas semanas pareceram voar com uma velocidade surpreendente, porém graças aos esforços de todos os seres encantados, faltando 3 dias para o Equinócio, todos os animais estavam conosco, não tivemos muitas dificuldades em encontrar esses animais ou “captura-los”, éramos seres encantados, tínhamos um contato grande com esses animais, então era basicamente usar algum dos seres encantados que tinham dom de se comunicar com os animais e mandar o recado adiante, nossa maior dificuldade mesmo foi levar o cervo, ele não era um animal de origem nativa, de forma que precisamos usar o de um zoológico, então fizemos um plano onde um dos nossos verificaria que um dos cervos do zoológico estaria doente, usando nossos dons de persuasão, tiramos o animal do zoológico para ser tratado e depois seria devolvido, uma semana para a recuperação do cervo, foi dito ao zoológico e aquele tempo para nós seria mais do que necessário.

Então no Equinócio estavam todos ali, os solitários, Bree, Lucian, o livro e os animais, Lucian se sentou com o livro na mão, os animais fizeram um circulo ao redor de Lucian (o salmão estava dentro de um grande aquário) e nós fizemos um circulo ao redor dos animais, no momento exato em que a lua e o sol dividiam os céus, fios prateados saíram dos animais direto para o livro que se abriu sozinho no colo de Lucian e suas páginas começaram a ser preenchidas rapidamente com aquela luz prateada. O processo inteiro demorou cerca de uma hora até que os fios desaparecessem e o livro voltasse a se fechar.

— Deu certo? — Bree foi a primeira a perguntar quando tudo pareceu voltar ao normal.

Lucian pegou o livro, todos torcíamos para que tivesse dado certo, acho que por alguns minutos alguns de nós até mesmo se esqueceu de respirar e eu jurava que ouvia a batida do meu coração tão alta que parecia um solo de bateria. Lucian folheou diversas páginas, de forma rápida antes de nos olhar.

— Está tudo escrito... Todas as páginas estão escritas. — Ele respondeu se levantando e vindo até a mim rapidamente. — Veja se você consegue ver sem minha influência. — Ele respondeu fechando o livro e entregando esse a mim.

Eu o abri, mas rapidamente os fios prateados mudaram totalmente formando uma nova frase.

— Autorização do portador você deve ter, se a mim quiser ler. — Eu li o que estava escrito. — Acho que você tem que dizer ao livro que me autoriza a lê-lo — Disse para Lucian.

Lucian abriu o livro e começou a ler esse a procura de como dar autorização para outro ler, ele achou perto da página 5, ali tinha diversas linhas onde Lucian poderia escrever os nomes de quem ele autorizava, no livro também o alertava de que se algo acontecesse com as informações ali contidas, a responsabilidade seria dele.

Por questões de segurança, o nome de alguns só foram colocados, como o meu, o de Bree e de mais seis outros solitários que meu pai confiava, seriamos ao todo oito solitários, já que Lucian provavelmente não iria ter paciência para ficar lendo, nos revezando para achar as informações necessárias de como chegar ao mundo encantado, mesmo.

Fiz os turnos de horários em que nós oito iriamos ler, a resposta sobre como salvar nossas rainhas estava ali em nossas mãos, bastava procurar, o livro não parecia ser tão grande, então seria fácil, tinha que ser.

Mas assim que eu comecei o primeiro turno de leitura vi que não seria tão fácil assim, o livro tinha uma espécie de encanto para parecer menor, ele tinha numerado 394 páginas, mas quando se virava da página 1 para o que seria a página 2 por exemplo, outras páginas surgiam no meio dessa, então depois da página 1, tinha a página 1A, depois a 1B, 1C, 1D e por aí vai, essas páginas escondidas dentro de outras páginas não tinha uma quantidade correta, de forma que a página 1 ia até a 1K e a página 2 ia até a 2P. Abri aleatoriamente na pagina 25 e pude ver que a mesma chegava até 25AG, agora era torcer para que não precisássemos chegar até a página 100 para descobrir o que tinha.

Porém no meu terceiro turno, quando minha vista embaralhou e eu fui conferir mais sobre o livro vi que na página 172 havia uma marcação, era uma página preta e na mesma estava escrito que aquele que almejasse ver do futuro antes que esse chegasse, poderia nunca mais ver nada no presente. Peguei diversos elástico e passei pelo livro, prendendo as folhas a partir da 172 com um bilhete para ninguém ler além dali, tinha escolhido como os de maior confiança para ter direito de ler aquele livro, eu sabia que podia confiar neles para não desrespeitar esse meu pedido.

Algumas semanas se passaram e com ele minha frustração foi aumentando, andávamos, andávamos e não saímos do lugar, do que adiantava um livro com toda a explicação que precisávamos se não conseguíamos encontra-la? O que Lucian tinha me falado martelava a minha cabeça, Lauren tinha escolhido alguém para ser seu sucessor, ela não faria isso se não estivesse correndo perigo sério, na verdade se o mundo encantado inteiro não tivesse correndo, não teríamos recebido o livro dos Finns.

Mas quando tudo parecia ser trevas, a luz surgiu, enquanto eu vazia o jantar para mim e para Bree que estava em seu turno de leitura.

— Math!!! Acho que descobri uma forma!!!! — Ela surgiu na minha cozinha correndo, com olhos fundos que demonstrava as noites em claro, mas um brilho de esperança neles. — Leia e me fale que estou certa, que isso quer mesmo dizer que existe uma forma de irmos para o mundo encantado e não sou eu imaginando coisas. — Peguei o livro na mesma hora, no local em que Bree me mostrava e comecei a ler.

“...A única forma de cruzar os dois mundos é através de um dos portais que deverá ser feito pelos reis ou rainhas das duas cortes, os portais devem ser constantemente verificado para garantir que nenhum mortal os atravesse sem querer e se perca para sempre no mundo encantado...

... Além disso os herdeiros dos tronos tem que aprender desde cedo à tomarem cuidado com as noites em que os antigos povos celebravam Beltane e Samhain, pois nessas noites, o véu entre o nosso mundo e o mundo mortal se torna mais tênue, sendo épocas propícias para mortais entrarem no mundo encantado ou seres encantados entrarem no mundo mortal sem ao menos perceber a mudança entre os dois mundos...

... Alguns lugares considerados místicos pelos mortais se tornam um portal para o mundo encantado nessas noites, não existe magia que possa ser feita pelos reis de ambas as cortes que fechem esse portal temporário, por isso é indicado que coloquem guardas que possam afastar os mortais em todas as Sídhe, princiaplmente Stonehenge e Newgrange...”

— Você está certa Bree... Temos um portal temporário que se abrirá em... — Eu comecei a fazer as contas mas Bree foi mais rápida.

— Treze dias... — Bree respondeu.

— Precisamos avisar a todos, fazer grupos, ir em cada Sídhe, o véu fica mais fraco o dia inteiro, então se alguém conseguir passar todos vão para aquele mesmo lugar. — Comecei a falar rápido, mais comigo do que com Bree, costumava agir assim quando tinha uma ideia. — Temos que marcar um ponto de encontro no mundo encantado, para onde todos devem ir, independente aonde apareçam... Cada grupo deverá ter pelo menos uma pessoa que conheça bem o reino encanto.

— As Sídhe ficam todas na Europa — Bree disse me cortando com o celular na mão. — Precisamos ir todos para lá.
— Eu resolvo isso...- Eu falei e largando a comida para trás fui até a minha mesa, marquei a data no calendário.

Se conseguíssemos entrar no portal naquela dia, teriam se passado exatos 196 dias desde o dia em que Lauren, Derek, Seth, Fay, Savannah e meu pai teriam atravessado o portal, aproximadamente 7 meses, um medo se apossou de mim de que eles não estivessem vivos, somente Lauren estivesse, mas se estivessem vivo, o que será que teriam passado... Pelo o que Bree falava de Ariel e Macsen, talvez o melhor para eles teria sido se tivessem morrido ao atravessar o portal.

Tentei tirar da minha cabeça qualquer imagem do meu pai sendo torturado, sofrendo, porque agora não era hora de pensar sobre isso, era hora de nos prepararmos para resgata-los e quando chegássemos no mundo encantado, precisaríamos de um plano para entrar no castelo, precisava me concentrar nisso agora.

Nos dias que se seguiram reuni todos os que iriam querer lutar e estavam dispostos a arriscar suas vidas pela rainha, fiquei feliz em ver que não era um grupo pequeno. Com ajuda de pesquisas descobrimos onde ficavam todas as Sídhe e nos dividi em grupos, todos tendo pelo menos uma pessoa que conhecesse bem o Reino Encantado, meu grupo ficou com Stonehenge coloquei Bree em Newgrange, ela cresceu no Reino Encantado, sabia andar por lá, nas Sídhe menores coloquei seres encantados que tinham mais ligação com o ocultismo, afinal eles poderiam ter que fazer algo.

Os treze dias foram suficientes para repassarmos o plano diversas vezes, criamos mapas do mundo encantado para todos que tentariam passar pelo portal, se algo acontecesse na passagem cada um deveria ter a chance de chegar sozinho ao ponto de encontro. O plano ainda cobria o fato de nem todas as Sídhes oferecerem essa passagem, assim que a primeira pessoa do primeiro grupo passasse para o outro lado, os responsáveis pelo contato deveriam manter os demais em aviso através de rádios, o responsável pelo contato seria o ultimo a passar do grupo, assim poderia nos manter em alerta se todos tinham conseguido passar, já que sabíamos que o rádio provavelmente não iria funcionar no mundo encantado.

Chegamos na Europa com três dias de antecedência, fizemos a ultima reunião para ver se não tinha nenhuma ponta solta, foi combinado novamente o plano e as estratégias de cada grupo caso fossem pegos,  depois os grupos se separaram para conhecer melhor o local por onde tentariam a passagem, se tudo desse certo em três dias todos nós estariamos no reino encantado.

A caça também foi dividida entre os grupos, quatro membros da caça para cada grupo, tínhamos pensando em todas as possibilidades mas algo sempre poderia dar errado e era esse algo, algum detalhe passado despercebido que me preocupava.


Por mais que eu passasse as noites em claro, por mais que eu pensasse em qualquer falha, eu sabia que nem tudo eu poderia prever, por isso tentei manter a calma e simplesmente no dia de Samhain eu e meu grupo fomos para Stonehenge, torcendo para que tudo desse certo.