Capitulo
XXXI
Savannah
Desde
que fomos capturadas não sabíamos quanto tempo tinha se passado,
não tínhamos a menor noção de hora e durante todo o tempo que
estivemos presos, eles fizeram de tudo para que não soubéssemos
quanto tempo estava passando, não existia uma rotina, até nosso
próprio corpo se confundiu já que até isso Ariel e Macsen
conseguiam controla-lo, já que as vezes estávamos bem alertas e
segundos depois nossos corpo desabava de cansaço.
Apesar
de todos estarem em celas separadas, conseguíamos saber os medos e
horrores de todos ali, já que comum acordamos com gritos vindo das
celas ao lado, os gritos eram mais constantes vindos da Fay e da
Lauren e por mais que eu tivesse aprendido à gostar da Rainha da
Luz, meu coração se apertava mais com os gritos da Lauren, me
lembravam os gritos de Amélia quando essa acordava de um pesadelo, o
que apenas me fazia me sentir pior por não poder acalma-la, por ser
inútil ali.
Foram
poucas as vezes que conseguíamos ver um ao outro e pude notar a
diferença que cada um esbouçava com as torturas ali sofridas,
apesar da aparência horrível Seth tinha um olhar sempre
determinado, Derek desde a morte de Blake estava totalmente desolado,
eu nunca o tinha visto assim. Fay tinha sempre um tom vermelho nos
olhos de quem chora silenciosamente, mas ao mesmo tempo mantendo sua
pose de rainha, já Lauren... Eu não a reconhecia, seu olhos estavam
vazios, era como se ela não estivesse mesmo ali e ao seu redor era
sempre possível ver claramente uma sombra escura, eu sabia que ela
estava sendo dominada pelas sombras e me perguntava se quando
saíssemos dali seria tarde demais para trazê-la de volta.
O
tempo passava e eu me via definhar ali, eu era uma assassina, minha
raça nascia preparada para aguentar as piores situações e eu via
as minhas forças sendo esgotadas, os outros não estavam preparadas
para isso, eu não sabia quanto tempo eu resistiria e muito menos
quanto tempo resistiriam os demais, por vezes acreditei que nossa
vida acabaria ali e se a vida das duas rainhas acabassem ali,
provavelmente do mundo encantado e do mundo mortal também.
Mas
então veio o resgate, parecia um sonho até o momento que Lauren não
estava ali, foi quando a ideia de sairmos de lá sem ela se tornou um
pesadelo, eu não abandonaria a filha de Amélia, eu não abandonaria
a minha filha.
Assim
que saí do castelo, eu queria voltar para lá e procurar por Lauren,
mas como uma assassina eu sempre pensei em tudo o que poderia dar
errado e sabia que estando saudável eu poderia acabar com qualquer
um, porém na minha situação atual, eu provavelmente iria
atrapalhar o plano dos solitários e da caçada e mais uma vez me
senti imponente, eu sabia que não poderia entrar lá e resgatar
Lauren como eu queria, mas não iria sair dali sem ela, por isso
aguardei junto com Derek, não sabia qual era os planos dele, mas se
por acaso a Caça fosse embora sem Lauren, eu entraria ali em uma
missão suicida, mas eu não iria sair do castelo sem Lauren, mas que
isso significasse nunca mais sair dali.
Passou
um tempo, que era uma eternidade, quando finalmente pessoas começaram
a sair do castelo, foi quando vi que parte dessas pessoas era a caça
e alguns solitários, dois membros da caça se aproximaram de mim e
do Derek.
— Temos
que sair daqui. — Um deles falou.
— Vamos
ajuda-los. — O outro completou
— Aonde
está Lauren? — Derek perguntou.
Mas
não esperamos pela resposta, vimos Lucian carregando Lauren
desacordada no colo e corremos na direção dele.
— Ela
está viva, mas precisamos correr para o castelo para ela ficar bem,
agora vão com Donaghy e Drew, não me façam ter que me preocupar
com vocês dois. — Lucian respondeu antes mesmo que eu ou Derek
perguntasse alguma coisa.
Aquela
foi a primeira vez em muito tempo que vi Lauren na claridade e pude
vê-la por um bom tempo, ela tinha marcas de queimadura, estava
extremamente magra e mesmo desacordada parecia estar sofrendo, eu
iria me recuperar e eu mesma mataria Macsen, Declan e Ariel.
Drew
me ajudou pelo caminho, se oferecendo me carregar pelo caminho, o que
recusei nas primeiras vezes, eu iria correndo, eu estava bem para
isso, Derek recusara a ajuda de Donaghy também e isso acabou fazendo
com que nós quatro ficássemos para trás, apenas aceitamos ser
carregados por eles quando depois de muito tempo um deles usou um
argumento válido.
— Se
nos deixarem carregar vocês, iremos mais rápido e logo poderão
saber como estão a rainha. — Foi Drew que deu essa sugestão e
vimos que ele estava certo, baixamos nossas guardas e deixamos que
eles nos levassem.
Realmente
demoramos um tempo muito menor para conseguirmos percorrer o resto do
percurso e então chegamos no castelo da luz. Por motivos óbvios eu
nunca tinha estado lá e por isso não pude deixar de admirar suas
diferenças do castelo atual e do antigo castelo das sombras.
Mesmo
depois de abandonado por tantos anos, o castelo da luz mantinha um
grande jardim florido, ele era todo branco e só de entrar no mesmo
senti um pouco de paz momentânea, Lucian estava logo no saguão de
entrada à nossa espera.
— Lauren
e Fay estão sendo medicadas assim como Seth. — Lucian disse quando
nos viu. — Vocês também serão cuidados e medicados, devem
descansar agora.
— Ela
está bem? — Perguntei, eu sabia que Fay estava bem dentro do
possível, ela estava acordada quando saímos do castelo e apesar de
bem fraca conseguia falar e ficar de pé, já Lauren eu não sabia.
— Ela
está viva e é isso que importa. — Lucian respondeu. — Está
protegida agora e sendo cuidada, se ela sobreviveu esse tempo todo,
sobreviverá agora. Os dois precisam ser cuidados e descansar. —
Ele suspirou. — Olha, eu sei que é difícil, mas entenda,
precisamos de vocês e quando Lauren acordar ela precisará também,
por isso vão descansar pelo menos essa noite.
— Eu
quero ficar com ela. — Derek disse. — Eu preciso ficar com ela,
ela também vai precisar disso, quando ela acordar não vai saber o
que está acontecendo, passamos todo esse tempo separados, cada um
sofrendo sozinho em sua cela, agora estamos livres, deixe que
fiquemos juntos, eu não vou fazer nenhuma outra objeção, mas todas
as noites escutei Lauren gritar durante os sonhos, gritos de dor,
medo e tristeza, nunca pude fazer nada, eu quero que ela saiba que
está segura, caso acorde gritando e acalma-la.
— Tudo
bem, se isso fizer você e ela ficarem bem... — Lucian respondeu. —
Eu não sei o que aconteceu Derek, apenas sei que ela me nomeou seu
herdeiro de trono e para ela ter feito isso... Eu quero apenas que
vocês fiquem bem. — Lucian me olhou. — Vou providenciar para que
vocês fiquem juntos, se quiser posso coloca-la no quarto também
Savannah. — Eu confirmei com a cabeça — Tudo bem, apenas vou
pedir para que deixem examina-los antes.
Lucian
nos levou até uma área hospitalar onde tinham roupas limpas nos
esperando, tomamos banhos, alguns dos solitários nos examinaram e
então fomos medicados, fizeram curativos e então nos levaram para
um quarto onde Lauren estava deitada em uma cama, tinha uma cama
igual a dela vazia e uma cama de armar tinha sido colocada lá
também.
Derek
foi direto para o lado da Lauren, se abaixando ao lado da cama dela e
pegando em uma das suas mãos, eu a olhei por um tempo, curativos
cobriam quase todo seu corpo e ela havia sido ligada à algumas
máquinas que a monitoravam e lhe davam medicamentos.
— Você
acha que ela ficará bem? — Derek me perguntou, pude ver a tristeza
em seus olhos.
— Ela
nunca será como antes Derek. — Eu o respondi. — Não tem como
ser, não depois de tudo. Nenhum de nós será como antes. Mas isso
não quer dizer que ela não vai ficar bem... Talvez não fique 100%
bem, mas ela é igual a mãe, forte. — Eu o olhei. — Amélia foi
estuprada diversas vezes pelo rei e apesar de todos os pesadelos, era
ela a me confortar às vezes, apesar da dor e da humilhação ao
saber que estava grávida nunca deixou de amar Lauren. Um pouco antes
de eu a matar, nos segundos antes de eu perder a consciência, eu não
vi medo nela e escutei ela dizendo “cuide da nossa filha”, ela
sabia que ia morrer, mas não teve medo, nem nessa hora demonstrou
fraqueza... Lauren é assim, então mesmo que ela não fique
totalmente recuperada eu sei que ela ficará bem, assim como você,
assim como eu, como Fay e como Seth.
Nenhum
de nós ficaria bem, eu sabia que certas marcas seriam para sempre,
mas Lucian tinham razão e o que ele disse não se aplicava apenas à
Lauren, mas à todos nós, se tínhamos sobrevivido à todas as
torturas, iriamos ficar bem no final das contas.
Apesar
do cansaço, nem eu e nem Derek queríamos dormir, queríamos
garantir que Lauren ficaria bem, por isso escolhemos revezar, um
dormia enquanto o outro ficava de olho para ver se ela estava bem,
depois trocávamos, começamos a ficar de olho na hora e conversar
com alguns solitários que apareciam no quarto para nos ajudar, ver
se estávamos bem, coisas assim, descobrimos que passamos meses
presos, descobri também que existia um grande sistema de segurança
feito no castelo pela caça, além da segurança padrão do castelo.
No
dia seguinte ao que chegamos, Fay foi ao quarto ver Lauren que ainda
não tinha acordado, Seth também estava desacordado, mas ele havia
sido induzido à isso por medicamentos, por ser mortal sua
recuperação era mais lenta e ele estava muito mal, Bree às vezes
ficava lá com ele.
Fay
ficou conosco o dia inteiro e acabou adormecendo em uma das camas,
como eu e Derek revezávamos o sono, uma das camas estava sobrando
mesmo, então não teve problemas de ela ficar por lá.
Durante
quatro dias Lauren ficou desacordada, à essa altura Fay se revezava
entre nosso quarto e o quarto em que Seth ainda dormia e foi apenas
no quarto dia que Lauren acordou, era final da tarde, turno do Derek,
mas o grito que deu ao acordar, me acordou também.
Capitulo
XXXII
Lauren
Nem
nos meus piores pesadelos eu poderia imaginar as coisas que foram
feitas nos últimos meses, me machucavam mais pela diversão deles,
pois eles sabiam que não seria assim que eu iria ceder, confesso que
de certa forma era um pouco aliviante quando eu me via sozinha na
sala, sem vidros para ver a sala seguinte, pois eu sabia que quando
eu estava sozinha seria apenas a mim que eles iriam torturar, sempre
tentava me segurar, segurar meu grito de dor até o fim, tentando ser
forte, não demonstraria a eles e na maioria das vezes conseguia
resistir quase até o fim, nenhum machucado, nenhum soco, nem mesmo o
ferro doía tanto quanto ver alguém ser torturado na minha frente,
não importava se eu conhecia ou não a vítima, todos tinham o mesmo
olhar desesperado, o olhar que me acompanharia durante toda a minha
vida.
Eu
vi homens, mulheres, crianças e idosos sendo torturados e mortos na
minha frente, todos desconhecidos, exceto um, após a morte de Blake
eles me levaram para uma sala com Dial, o torturaram até que ele
morresse, eu não fazia ideia de como contaria isso para Math, de
como olharia nos olhos dele e falaria que seu pai tinha morrido, bem,
talvez seria menos difícil do que olhar para Derek após Blake ser
decapitado na minha frente e eu não ter feito nada.
Eu
não tinha matado ninguém, nem mesmo ferido qualquer um deles, mas
carregava em mim a morte de todos, sabia que cada uma daquelas vidas
que foram brutalmente ceifadas eram responsabilidade minha e por isso
carregava cada grito, cada choro comigo, carregaria para sempre.
Talvez
fosse mais fácil eu aceitar abrir mão do reino, talvez fosse mais
fácil eu acabar com minha vida e deixar para Lucian essa
responsabilidade, mas se eu fizesse isso, a vida de todos aqueles que
morreram na batalha ou morreram sendo torturados para que eu
aceitasse o acordo de Macsen, teria sido em vão. Eu não podia
desistir, por Blake, por Dial, por Jeremy, por muitos outros e
principalmente por minha mãe.
A
única coisa que me manteve ali forte inicialmente foi lembrar dos
bons momentos, dos momentos que me sentia segura com Derek, mas desde
a morte de Blake, eu não conseguia pensar assim, porque pensar em
Derek me lembrava da decapitação e do olhar de Derek, eu era a
culpada pela morte do irmão dele, ele nunca me perdoaria.
Foi
então que eu tive que recorrer para mim mesma, não para uma
lembrança mas para um desejo, o desejo de conseguir escapar, o
desejo de fazer Ariel e Macsen passarem por tudo o que eu passei, um
desejo de vingança, que me alimentava cada vez mais e me fazia me
sentir mais forte para tudo o que eu teria que passar.
A
cada soco, a cada grito, eu imaginava o momento em que os faria
sentir tudo aquilo e foi esse pensamento que me manteve viva, que me
manteve sã para quando eu saísse do castelo, não sei como sairia,
mas eu sairia, me fortaleceria e acabaria com Macsen e Ariel.
Enquanto
acordada eu era agredida e culpada pela morte de inocentes, enquanto
dormia, eu tinha pesadelos, revivendo as coisas que tinham
acontecido, mas de todos os pesadelos os piores era sempre os que
envolviam Derek e Blake.
Fui
acordada por Declan e sabia o que estava por vir, ou eu veria alguém
ser torturado ou eu seria torturada, respirei fundo me preparando
para os dois, me refugiando dentro de mim enquanto Declan me puxava
pelo corredor, escadas que eu não via devido o capuz na minha
cabeça, até que paramos minhas mãos foram soltas e eu fui
empurrada para frente, escutando uma porta ser trancada atrás de
mim.
Caí
no chão, foi quando o capuz caiu da minha cabeça, eu me levantei
sem saber o que estava por vir, eles nunca me soltavam, foi quando me
vi em uma sala mal iluminada como o corredor das celas e a minha
frente duas pessoas, uma abaixada e a outra pessoa deitada, quando
olhei melhor na direção da pessoa abaixada o reconheci mesmo de
costas, era Derek e na sua frente deitado era o corpo de Blake.
Levei
a mão ao rosto segurando um soluço na mesma hora e senti meus olhos
se encherem de lágrimas.
-
Derek... - Eu o chamei baixinho.
-
Sai daqui sua assassina. - Ele gritou para mim e sua voz demonstrava
toda a dor que ele estava sentido.
-
Derek... Por favor... Me perdoe... - Eu o pedi.
-
Você matou meu irmão!!!! - Ele gritou comigo se levantando e vindo
na minha direção. - Sua ambição de ser rainha matou meu único
irmão e ele traiu ao rei para te salvar!
-
Não foi por isso Derek, você sabe que eu nunca quis isso. - Eu
falei com voz de choro incapaz de me mover.
- Eu
não sei mais se conheço você, a Lauren por quem eu daria a minha
vida nunca deixaria ninguém se machucar. - Derek continuou avançando
em minha direção e então puxa uma espada que eu não vi que ele
tinha e estava em uma bainha em sua cintura. - Talvez a Lauren que eu
conheci não exista mais e essa aqui deva ser morta. - Ele disse
apontando a espada para mim.
-
Apenas um de vocês sairá vivo daí. - Escutei a voz de Ariel vindo
das caixas de som da sala. - E se ficarem conversando nenhum dos dois
sai.
-
Porque você não me mata como fez com meu irmão? - Derek perguntou
e ele tinha ódio no olhar.
- Eu
te amo Derek... E você sabe que não fui eu que matei Blake... - Eu
não tinha medo de morrer se fosse necessário, eu não mataria Derek
então não sairia viva dali, eu só queria o perdão dele.
-
Então diga que a morte do meu irmão não foi responsabilidade
minha... Diga! - Derek pediu, mas eu não conseguia dizer, a morte de
Blake foi minha responsabilidade. - Eu sabia... Eu não terei pena em
te matar... - Ele falou de forma ameaçadora ainda com a espada
apontada para mim.
-
Então me mate. - Eu o pedi e me ajoelhei na frente dele, não
demonstrando resistência. - Apenas me perdoe pelo o que aconteceu.
- Te
vejo no inferno. - Foi a ultima coisa que Derek falou.
Mas
antes que Derek me matasse apenas pude ver o brilhar de uma espada
passando pelo pescoço dele e sua cabeça caindo em cima de mim.
-
Não... Derek não... - Eu comecei a gritar e chorar, vendo o corpo
dele desabar e Declan aparecendo atrás dele com a espada
ensanguentada. - Não!!!!!!!!
E
então tudo se desfez na minha frente, abri os olhos assustada
olhando ao redor, tentando entender aonde eu estava, não mais estava
na minha cela, eu estava em um quarto com algumas coisas presas em
mim, Derek e Savannah ao meu lado e minha respiração acelerada.
Demorei
um tempo para entender que tinha apenas tido mais um pesadelo, um
tempo maior ainda para tentar me localizar e chegar a conclusão que
eu provavelmente estava sonhando novamente, pois ali ao meu lado
estava Derek e Savannah e eu estava em um lugar diferente, um quarto
que eu nunca vi, deitada em uma cama.
-
Lauren... Está tudo bem? - Derek me perguntou com aquele olhar
preocupado e eu não sabia o quanto ele me odiava por ser a
responsável pela morte do irmão dele, mas aquela preocupação
comigo em seu olhar, eu sabia que nunca mais veria, então só podia
ser um sonho.
-
Isso não é verdade... É apenas um sonho... - Eu disse para mim,
mas segurando a mão dele,eu queria sentir o contato dele, o calor da
sua mão.
-
Foi apenas um pesadelo... Calma. - Derek disse se aproximando de mim,
foi quando notei todos os fios à minha volta, ele se sentou ao meu
lado e mesmo eu sabendo que era apenas um sonho eu me aproximei dele,
deitando minha cabeça em sua perna e estiquei a mão para Savannah
segurando na mão dela.
- Eu
sei que é apenas um sonho... Mas vocês parecem tão reais... - Eu
disse. - Eu nunca sonhei com algo tão real assim... Mas eu quero
sonhar e fingir que isso é real só mais um pouco para eu lembrar
como é.
-
Filha... O que você sonhou antes era um pesadelo... Isso é real. -
Savannah disse de forma doce.
-
Não é... Estamos presos... Eu sei disso... - Eu disse. - Eu sei que
em breve vão me acordar e eu estarei de novo sozinha na cela, mas
por enquanto, deixa eu fingir que estou com vocês.
-
Isso não é fingimento. Nós estamos aqui... Fomos resgatados...
Vamos ficar bem, você vai ficar bem. - Escutei a voz de Derek.
Eu
pensei em dizer que se aquilo fosse mesmo verdade, Derek não estaria
assim comigo, ele estaria irritado, chateado, mas não carinhoso, mas
preferi não dizer, vai que o Derek do meu sonho acabasse se
lembrando disso, era melhor ele não se lembrar do que aconteceu,
pelo menos por enquanto.
Mas
eu não acordei, em nenhum momento, mesmo que nós três estivessemos
em silêncio, eles não sumiram simplesmente do sonho, nem mesmo
Blake apareceu bem ali, dizem que quando temos noção de que estamos
sonhando podemos moldar nossos sonhos e eu tentei moda-lo para que
Blake estivesse vivo e aparecesse ali, mas nada, a única pessoa que
apareceu foi Fay e quando me viu acordada pareceu feliz de verdade,
ela estava extremamente magra, como eu me lembrava e tinha várias
bandagens, mas estava com roupas limpas, simples, porém além das
marcas que simbolizavam que ela era a rainha, qualquer um que a visse
com aquelas roupas conseguiria saber que ela era uma rainha, ela
havia nascido para isso e mesmo cansada, machucada, fraca ela ainda
parecia brilhar.
Foi
então que aos poucos eu comecei a perceber que aquilo era real, eu
não estava sonhando, tínhamos sido resgatados, Fay e Savannah me
contaram o que aconteceu e eu chorei de alivio ao saber que não mais
veria pessoas morrendo por minha causa e eu sem poder fazer nada,
agora eu estava livre, Derek permaneceu o tempo todo calado e apesar
de o tempo todo ele ter ficado junto de mim, fazendo carinho em mim
eu acreditava que ele deveria estar com raiva de mim, não sei
porque, ele não demonstrava isso, eu apenas sentia isso.
Apesar
da preocupação de todos ali, eu sentia também um certo receio
vindo deles, eles pareciam esconder algo ou com medo de algo, mas eu
já tinha tido muitas informações e me perguntava se eles já
sabiam de quantas pessoas haviam morrido por minha causa, foi quando
me lembrei de Dial.
-
Math veio também? - Perguntei
-
Sim, foi ele que me trouxe. - Fay respondeu.
- Eu
quero vê-lo... - Respondi me levantando da cama.
- Eu
o chamo aqui. - Fay respondeu de forma cuidadosa. - É melhor você
ficar deitada.
-
Fay... Sobrevivemos à coisas horríveis sem nenhum equipamento desse
para ficarmos vivas. - Comecei a dizer. - Eu não vou morrer agora em
segurança em um castelo por procurar uma pessoa.
- Eu
só me preocupo com você. - Fay disse levemente magoada.
- Eu
sei... E eu com você – Respondi. - Pelo o que me disseram, eu
estou à 4 dias deitada descansado e você não. - Continuei. - Eu
estou melhor do que você provavelmente, é por isso que não é
justo eu ficar aqui enquanto você anda pelo castelo a procura de
Math.
-
Mas você não conhece as coisas aqui... - Fay disse.
-
Deixe um de nós ir com você Lauren. - Savannah disse. - Você
acabou de acordar, não conhece nada aqui, só por precaução.
-
Okay... Então, você pode ir comigo Fay? - Perguntei à ela, eu e
Fay nunca fomos muito próximas e como eu não queria muito conversar
com ninguém, seria uma ótima companhia.
Fay
deu um sorriso e confirmou com a cabeça, sugeriram que eu esperasse
alguém para tirar aqueles fios todos ligados à mim, mas eu mesmo os
tirei, queria andar com meus próprios pés para onde eu quisesse
logo.
Fay
começou a andar comigo, passamos por corredores e ela me indicou
onde ela estava e onde Seth estava, para caso eu precisasse, me
indicou também a enfermaria, caso eu me sentisse mal, fazendo um
pequeno tour comigo pelo castelo, sem me perguntar sobre nada, sobre
o porque na minha urgência em ver Math.
-
Esse era o castelo da corte da luz, antes da unificação entre as
duas cortes, provavelmente foi aqui que minha mãe cresceu. - Ela
completou. - Eu nunca tinha vindo para cá antes, mas não tenho
muito o que fazer por enquanto e nas coisas da minha mãe tinha um
mapa do castelo que eu decorei quando era mais nova, por isso se
precisar de algo, é só me falar.
- Eu
preciso, mas não de algo do castelo. - Eu disse, ainda não sabia
como contar à Math sobre a morte de seu pai. - Dial foi morto...
Como eu conto isso para o Math.
Eu
sabia que eu tinha sido fria, sabia que aquilo não era uma simples
conversa casual e sabia que Fay sentiria sobre a morte de Dial, mas
precisava saber como contar isso à ele. Não me surpreendi quando
Fay parou.
- O
que? Dial... Como? - Fay me perguntou.
- É
melhor você não saber... - Eu a respondi. - Eu não queria nem
mesmo contar isso para ele, porém é necessário.
Fay
ficou muda por um tempo talvez ainda sentindo a morte de Dial, mas
logo se recompôs.
- É
comum soldados morrerem e o rei ou a rainha tem que dar a noticia aos
familiares, por isso eu tive aula disso. - Fay respondeu. - Você tem
que ser forte e saber que vai precisar amparar os familiares. - Ela
começou a dizer como se falasse algo que tinha decorado. - Então
você dirá sobre os valores do soldado, como ele foi bravo em
batalha e que sua memória será honrada para sempre na mente
daqueles que sobreviveram com seu sacrifício.
-
Dial não era um soldado desconhecido e Math não é um familiar
qualquer. - Eu respondi. - Não posso falar assim com ele.
- Eu
não sei... - Fay se demonstrava abalada com a noticia. - Eu não sei
Lauren... Apenas seja forte porque Math vai precisar de você... Ele
ao nos encontrar quis procurar por Dial. Você quer que eu vá com
você?
-
Não... A morte dele foi culpa minha... - Eu disse de forma
determinada. - Eu tenho que falar com ele, eu preciso me desculpar
por ele.
- Eu
tenho certeza que isso não é verdade, que a morte dele não foi sua
culpa. - Fay respondeu. - Mas se você precisa do perdão dele... Eu
te apoio... - Ela respondeu parando em um corredor cheio de quartos.
- Esse é o quarto dele, ele deve estar aí ou já deve estar vindo
para cá.
Bati
a porta do quarto e a voz de Math pedindo para esperar me gelou a
espinha, agora era hora de encarar a consequência da morte de Dial.
-
Você quer que eu espere aqui? - Fay me perguntou.
-
Não.... Está tudo bem... - Eu respondi. - Eu não sei quanto tempo
irei demorar e decorei o caminho, se eu me perder será de propósito.
-
Tudo bem. - Fay respondeu e então a porta abriu.
Math
pelo visto tinha saído do banho pois estava com o cabelo molhado e
quando me viu me deu um grande sorriso feliz em me ver, aquilo
apertou meu coração.
-
Lauren!!! Você acordou!!! Está bem. - Ele disse realmente feliz por
isso.
-
Math... Precisamos conversar. - Eu disse de forma séria e na mesma
hora aquele lampejo de felicidade pareceu ir embora, com um olhar
preocupado Math me disse para entrar, eu respirei fundo e me mantive
forte.
Eu
ia dizer ao garoto que abriu mundo de viver no castelo do mundo
encantado para viver no mundo mortal com seu pai, que o pai que ele
tanto amava estava morto.
Capitulo
XXXIII
Fay
Foi
quase como um sonho quando finalmente deixamos o castelo e a prisão
para trás, eu ainda não tinha sido informada das baixas que
tivemos, não queriam me preocupar. Apesar de me sentir fraca e
cansada a maior parte do tempo eu evitava ao máximo ficar em meu
quarto sozinha, além de querer finalmente conhecer o castelo por
onde minha mãe cresceu, eu já tinha ficado tempo demais sozinha.
Inicialmente
passei mais tempo no quarto de Seth que estava desacordado devido as
medicações, mas ficar ali me fazia sentir tão sozinha quanto antes
e o pior, me sentir péssima por não poder ajudar o Seth, ele era
sempre tão corajoso, bravo, determinado e agora estava ali tão
indefeso e vulnerável, eu não conseguia ver Seth daquele jeito, era
como se não fosse ele, fosse alguém muito parecido com ele, mas não
ele.
Bree
as vezes entrava no quarto e eu não sabia bem a situação deles,
mas os deixava a sós e ia ver como estava Derek, Savannah, Lauren e
os demais, tentando fazer algo para não pirar, para não deixar as
lembranças do ocorrido tomarem conta de mim.
Lauren
tinha acordado e isso era bom, ela já estava se recuperando, todos
nós estavamos, apenas Seth que ainda não tinha acordado, mas por
ele ser mortal, era de se esperar que tivesse uma recuperação mais
lenta, mesmo assim a demora dele em acordar era preocupante.
Assim
que deixei Lauren com Math eu pensei em voltar para algum dos quartos
e ler um pouco um diário que eu tinha achado da minha mãe no quarto
que ela ocupava, estava escondido em tábuas soltas no assoalho,
sabia que era errado ler o diário dela, mas aquela era a única
forma de conhecer mesmo a minha mãe.
Fui
até meu quarto, peguei o diário da minha mãe e fui para o quarto
de Seth, eu sabia que tinha equipamentos monitorando ele, mas não
queria deixá-lo sozinho e diferente de mim, Bree andava ocupada na
maioria das vezes, na verdade Lucian tinha dado tarefas à todos,
menos à nos que fomos resgatados, ele dizia o tempo todo que
precisávamos descansar.
Quando
eu cheguei no quarto Bree estava na poltrona ao lado da cama do Seth
e parecia ter adormecido, peguei uma coberta e fui colocar nela, mas
assim que Bree sentiu eu a cobrindo ela acordou imediatamente,
parecendo assustada.
-
Desculpa, eu não queria te acordar. - Disse para ela se acalmar.
Bree
se acalmou e se ajeitou na poltrona se sentando, acordando, ela olhou
ao redor procurando o relógio e se espreguiçou.
-
Tudo bem, eu não queria ter dormido, devo ter pego no sono. - Ela
disse. - Acho que está na hora de eu ir. - Ela falou se levantando.
Eu
não era de conversar com Bree porque sabia que ela não gostava de
mim, eu não queria forçar uma amizade que sei que não daria certo
e eu sabia também o porque ela não gostava de mim, o mesmo motivo
que me fazia me sentir afastada dela, tanto eu quanto ela éramos
apaixonadas pelo mesmo garoto, Seth. Mas Bree tinha motivos para
odiar o mundo encantado e odiar entrar lá, mas ela, mesmo livre,
voltou ao mundo encantado, para salvar Seth e todos nós, sabendo que
isso era arriscado. Deixei de lado meu orgulho e antes que ela
saísse.
-
Bree. - Eu a chamei e ela parou perto da porta. - Eu sei que você e
eu nunca fomos próximas, nunca fomos amigas ou algo do tipo... Mas
eu quero que você saiba que seu ato... De ter se arriscado para
salvar a mim e aos outros, nunca será esquecido e quando tudo voltar
ao normal, eu irei recompensa-la por ajudar o mundo encantado, então
obrigada. - Eu não sabia como encontrar palavras para agradece-la,
queria que ela soubesse que reconhecia tudo o que ela fez.
- Um
simples obrigada, seria o suficiente. - Bree respondeu da onde estava
e então fechou a porta e se aproximou de mim. - Eu não gosto de
você Fay, nunca gostei e acho que nunca vou gostar. - Ela respondeu
de forma fria e foi um choque para mim sua sinceridade. - Mas não
porque você é uma má pessoa ou algo assim, exatamente pelo
contrário, você é uma boa pessoa, foi uma boa princesa e será uma
boa rainha não apenas para o seu povo mas para os mortais também e
é isso que eu odeio em você. - Ela continuou. - Eu amo o Seth,
sempre vou ama-lo, mas ele não me ama, não como ama você. - Senti
meu rosto ficar quente nesse momento. - Eu pensei que se eu pudesse
tê-lo para mim, só para mim, se ele fosse meu namorado que eu o
faria me olhar da mesma forma que ele te olha, mas não... Quando se
acha alguém que se ama de verdade, nada pode te fazer mudar.
Bree
se aproximou de Seth e eu a olhei, ela tinha um enorme carinho por
ele, isso era vísivel e Seth por ela e por isso eu tinha ciumes de
ver os dois juntos, com medo de ela me rouba-lo. Bree se sentou do
lado dele e acareciou o seu rosto, voltando a falar comigo.
-
Ariel é terrível eu sempre soube e agora vocês sabem, eu sempre
fui tratada como um lixo, algo desprezível por ela e pelo pai dela,
enquanto tenho certeza que minha família a tratou bem quando fomos
trocadas. - Bree falava com uma grande magoa. - Eu por um tempo me
senti inferior à tudo e todos, eu não tinha nada, nem ninguém...
Até conhecer bem Seth... Eu passei a não me importar mais com
Ariel, Macsen ou qualquer outro, porque eu tinha o Seth, ele era um
mortal como eu e eu queria ser corajosa, brava como ele. - Ela voltou
a olhar para Seth. - Por isso quando comecei a perceber que você
tinha algo dele que poderia fazê-lo se afastar de mim, eu a odiei,
se você fosse como Ariel, seria fácil fazê-lo mudar de ideia e
dizer “Você não pode gostar dela, ela é horrível, ela é má”,
mas você não era e eu odiava isso, odiava perceber que você era a
pessoa certa para ele, afinal você era uma princesa, você tinha
tudo que quisesse, precisava roubar a única coisa que eu tinha?
Eu
nunca havia pensado por esse lado, eu sabia que Ariel era má, mas
confesso que não sabia o quão má ela era até eu estar nas mãos
dela e por um momento me perguntei, de tudo o que nós passamos
enquanto estávamos presos, o que ela já tinha feito com aqueles que
serviam a ela?
- Eu
pensei que quando se amava uma pessoa você precisava que essa pessoa
estivesse sempre ao seu lado... - Bree continuou e se levantou. - Mas
quando o amor é verdadeiro o que realmente se precisa é que a
pessoa que você ama esteja bem, esteja feliz e Seth era mais feliz
com você do que comigo e sempre será, você é o verdadeiro amor da
vida dele, vocês tem que ficar juntos, uma corte que terá como
rainha uma Fae sábia e bondosa e como rei um mortal corajoso e leal.
É isso que o mundo encantado precisa. - Bree se aproximou de mim. -
Eu te odeio porque você tem o que eu quero e é o que eu sonhei em
ser, mas odeio mais Ariel, ela não pode ser rainha, eu sei disso,
pelo bem do mundo encantado e pelo bem do mundo mortal, você e a
Lauren tem que pegar o lugar que é de vocês por direito. Então
destrua Ariel, tome o seu lugar e governe sendo você. Você deve
isso à todos os que morreram para que você chegasse ao trono. -
Bree disse de forma veroz. - E se quer realmente me recompensar por
eu ter salvo a sua vida... Assim que Seth acordar fala o quanto você
o ama, o quanto precisa dele, que não importa ele ser um mortal e
você uma Fae, que o que vocês sentem um pelo outro é o que
realmente importa e o faça feliz... Ou eu mesma venho tomar
satisfações...
Eu
fiquei sem palavras, nunca poderia esperar isso de Bree, na verdade
eu nunca esperaria nem que ela tivesse me salvado, muito menos que
ela falasse essas coisas, olhei para Seth na cama e apenas concordei
com a cabeça.
-
Quanto essa guerra acabar, nenhuma criatura encantada poderá
menosprezar um mortal, Faes e mortais serão iguais e será um crime
menosprezar alguém por sua raça. - Eu garanti. - Afinal se
ganharmos essa guerra contra Ariel e Macsen será porque tivemos dois
mortais corajosos dispostos à arriscar suas vidas pela segurança de
milhares de criaturas encantadas.
Bree
confirmou com a cabeça, disse “cuide bem dele” e saiu e eu sabia
que provavelmente nunca me tornaria amiga de Bree, mas sabia que algo
tinha mudado entre nós duas.
Fiquei
ali com Seth o resto do dia e apesar de ele ainda não demonstrar que
iria acordar, era possível ver as melhorias em seu estado de saúde,
até mesmo seu rosto que inicialmente tinha um ar preocupado estava
mais sereno, peguei o diário da minha mãe novamente e voltei a ler
adormecendo um tempo depois sem
perceber.
Capitulo
XXXIIII
Derek
Um
dia de cada vez, era assim que eu estava vivendo, tentando não
pensar em Blake, tentando afasta-lo de qualquer sonho meu, preferia
pensar que as coisas estavam sendo como antes, quando eu e Blake
tínhamos nos afastado e que ele estaria bem, só que em um mundo
diferente do meu, o que não deixava de ser verdade, uma vez que os
mortos vão para um outro mundo, onde só existe paz, com certeza
Blake estava olhando por nós e com certeza ele ajudou os solitários
e a caça à nos resgatar, não podia me preocupar com os mortos eu
tinha que me preocupar com os vivos, tinha que me preocupar com
Lauren e foi um alivio imenso quando ela acordou, acho que se
perdesse Lauren também, eu não conseguiria seguir em frente.
Mas
Lauren estava sendo alguém de poucas palavras, ela não falou muito,
apenas escutou o que a gente disse e apesar de eu não ver mais uma
sombra negra ao redor dela, ela estava introspectiva como antes,
parecia querer se manter afastada de nós, principalmente de mim e
isso me preocupou, sei que ela tinha passado por muitas coisas, mas
se afastar de quem a ama e protege só iria piorar as coisas.
Lauren
foi ver Math, não sabia o que ela queria com ele, ela não me deixou
ir, foi com Fay, por um lado achei bom ela tentar aumentar a amizade
com a irmã, mas por outro me senti chateado por ela não querer a
minha presença, eu queria ter ido com ela, eu deveria ter ido, mas
Savannah me impediu, dizendo que as vezes precisamos ficar sozinhos,
porém quando eu vi Lauren voltar o seu olhar pesado e vermelho eu vi
que nunca deveria tê-la deixado ir sozinha, todos nós tínhamos
ficado tempo demais sozinhos, agora não era mais necessário isso.
Agora
com Lauren acordada acabamos adormecendo todos no mesmo horário e no
mesmo quarto, acordei algumas vezes a noite com resmungos dela como
se Lauren tivesse tendo novos pesadelos e percebi que parecia mais
fácil me aproximar dela e falar com ela com ela dormindo do que
acordada, toda vez que a via se mexendo muito durante a noite eu a
acalmava, assim até o dia amanhecer e o castelo começar a acordar.
Mas
o dia seria agitado, já no café da manhã Lucian apareceu
convocando à todos para uma reunião a tarde:
- Eu
sei que você acabou de começar a se recuperar Lauren e os demais
ainda estão em processo de recuperação, mas tenho certeza que
assim como eu vocês entenderão que temos muito o que resolver e
nosso tempo é curto. - Lucian se pronunciou. - Agora com vocês duas
acordadas, podemos começar a planejar nosso ataque.
- É
muito cedo para atacar o castelo agora. - Savannah respondeu.
-
Não será agora, mas tenho um plano e para que o plano dê certo,
precisaremos de tempo. - Lucian respondeu. - Nos falamos mais tarde,
depois do almoço, na sala de reuniões.
E
falando isso, ele se retirou, fazendo com que uma certa tensão
voltasse ao ar. Nenhum de nós estava preparado ainda para qualquer
tipo de ação, mas
todos sabiam que não podiamos ficar ali para sempre.
Então
durante a manhã Lauren continuou me evitando, eu não sabia o
porque, falei com Savannah que disse que poderia ser apenas algum
trauma que passou e para que eu desse um tempo para ela se recuperar
mentalmente, era horrível me sentir totalmente impotente sem poder
ajuda-la, principalmente porque eu havia falhado com ela, tentei me
distrair, fazer algo, ser útil, apesar de não estar preparado para
uma batalha, eu estava apto à realizar funções mais leves e eu
precisava disso, precisava me manter ocupado, não apenas com o
corpo, mas a mente ocupada.
Quando
a tarde chegou todos se reuniram na sala de reunião, solitários e
caça, todos que estavam bem o suficiente para sair de uma cama
estavam por lá, os que estavam ainda desacordados foram transferidos
para as macas da ala hospitalar para que apenas uma pessoa ficasse
responsável por todos.
Os
que estavam bem ficaram em pé ao redor da grande mesa da sala de
reuniões e os que haviam se machucado no resgato ficaram sentados,
assim que todos chegaram e se ajeitaram Lucian começou a reunião.
-
Não podemos ficar aqui nesse castelo para sempre, ele oferece toda a
segurança que precisamos, mas o mundo encantado precisa ficar seguro
também. - Ele iniciou. - E ele precisa de nós. Tivemos
algumas perdas mas não é hora para desanimar, todos que estavam
conosco sabiam desde o começo que a morte estava a nossa espreita e
tenho certeza que nenhum dos que morreram serão esquecidos, todos
serão lembrados na história e nas músicas. - Nesse momento ele
olhou para Adam que apesar de parecer bem machucado estava ali
atento.
-
Mas somos poucos. - Lauren disse. - O exército da Ariel é enorme,
de criaturas encantadas à mortais e por mais que eu saiba que vocês
são imbatíveis... Os demais não são.
-
Não somos totalmente imbatíveis Lauren. - Lucian respondeu. -
Sinto desaponta-la minha rainha, mas até a caça pode morrer em uma
batalha, se não já teríamos invadido o castelo e matado todos por
lá. - Lauren confirmou com a cabeça. - Mas podemos ter uma certa
ajuda. - E ele olhou para Fay. - Majestade,
precisamos de você para despertar os guerreiros da luz, eu odeio
falar isso e pensar que um dia eu irei sugerir conseguir ajuda
daqueles eruditos, mas até mesmo os Aelf
podem ser úteis.
-
Porque eu não pensei neles antes. - Fay falou. - É claro, estamos
no castelo da luz, eles estão aqui e agora que eu sou a rainha, eu
posso despertá-los.
-
Okay... Alguém pode me explicar o que são esses Alef... Alfe... -
Lauren falou tentando pronunciar o nome.
Eu
tinha ouvido falar um pouco sobre os Aelf, eles eram a guarda de
elite da luz, os únicos capazes de lutar de igual para igual contra
a caça, apesar de não serem selvagens como a caça, eles eram bem
estratégicos e ágeis e por isso eles eram tão mortais.
-
Aelf é como se fosse a caça para a corte da luz. - Savannah começou
a explicar. - Só que enquanto a caça vive solta pelo mundo em
momentos de paz, os aelf ficam adormecidos e só podem ser acordados
pelo rei ou rainha da corte da luz.
-
Então
seriamos nós, a caça e os aelf para lutar contra os soldados da
Ariel. - Eu perguntei. - Você acha que será o suficiente?
-
Provavelmente sim. - Lucian respondeu. - Mas essa não é uma guerra
para entrarmos com um provavel, temos que ter certeza que iremos
ganhar.
- E
como iremos conseguir ter essa certeza? - Bianca, uma das solitárias
perguntou.
-
Indo até Avalon, chamando os Lycans e os Ellyllon, duvido muito que
os frescos dos Ellyllon irão aceitar, mas tenho certeza que todos da
minha raça vão topar na hora e se os Lycans se unirem à nós. -
Lucian falou com um brilho no olhar. - Com certeza iremos ganhar sem
ter muitas perdas.
-
Mas é impossível chegar à Avalon. - Leticia respondeu.
- Eu
vim de lá, não é impossível, é apenas muito difícil. - Lucian
respondeu.- Iremos precisar do líder dos Aelf e de mim, além das
duas rainhas. Os
Finns estão ao nosso lado, precisaremos apenas de escolta até o mar
e depois é com as nossas rainhas. - Lucian olhou para Fay e para
Lauren que parecia perdida ali. - Só que não será nada fácil para
vocês duas... Por isso precisam ter certeza que querem fazer isso.
-
Qualquer coisa para salvar o mundo encantado. - Fay disse pesarosa,
ela com certeza já sabia sobre tudo o que teria que passar para
entrar em Avalon.
- Eu
não faço ideia do que você falou, mas se você acha que essa
galera aí irá nos ajudar... Então
tudo bem. - Lauren respondeu, ela não fazia ideia do que estava se
metendo, mas conhecendo-a como a conheço, Lauren não iria dizer
não, mesmo sabendo que isso colocaria sua vida em perigo.
- Eu
te explico tudo o que você precisa saber. - Lucian respondeu. - Fay,
você sabe como acordar os Aelf?
-
Mais
ou menos... - Fay disse pensativa. - Eu aprendi isso... - Ela por um
momento ficou concentrada e então sorriu. - Pode deixar, eu farei
isso.
-
Tudo bem, mas antes de deixa-los sair, os coloque a parte de tudo o
que está acontecendo ou teremos problemas aqui. - Lucian disse. -
Quanto aos demais, enquanto estivermos em Avalon, a caça irá
treiná-los à lutar, estamos no mundo encantado, então
conseguiremos fazer mais armas, qualquer um que já tenha entrado no
castelo, deve procurar o Math que está fazendo o mapa do castelo,
precisaremos saber de todas as passagens possíveis.
Lucian
deu mais alguns avisos, sobre turnos de dormir, atualizações dos
que estavam doentes e respondeu algumas perguntas, já tinha se
passado algumas horas de reunião quando todos foram dispensados, na
verdade quase todos.
-
Derek e
Lauren, vocês podem esperar um pouco por favor? - Ele pediu e eu
concordei com a cabeça e
Lauren
também e depois que todos se retiraram Lucian fechou a porta. -
Lauren eu sei que você tem muitas perguntas, eu vou te explicar tudo
o que você precisa saber, pois preciso que você tenha certeza do
que irá enfrentar.
Então
Lucian começou a explicar sobre como o mundo encantado tinha
surgido, sobre
o surgimento dos Finns, seres que representavam as diferentes formas,
o masculino e o feminino, morte, a anciã, a mãe e a donzela e por
fim o mortal que era o único Finn que mudava. Foi deles que tudo foi
criado, eles permaneceram na sua ilha onde inicialmente existiam
apenas eles, os Lycans e os Ellyllon
e
então o primeiro mortal se relacionou com um Ellyllon tendo um filho
e assim dando origem aos seres encantados.
E
dos seres encantados teve a necessidade de criação de um lugar
apenas para eles, que foi a ilha que crescia conforme a necessidade
de caber mais seres encantados e até que se transformou em algo
maior que Avalon, virando o mundo encantado.
Depois
vieram os mortais e devido algumas guerras entre seres encantados e
mortais, eles foram separados em mundos diferentes que existiam um
dentro do outro e que precisavam um do outro para existir.
E
foi com a diferença entre os Lycans e os Ellyllon que surgiram as
cortes da luz e das sombras, os filhos de mortais com Ellyllon
viravam seres da corte da luz e os mortais com Lycans seres das
cortes das sombras, alguns Lycans resolveram viver no mundo encantado
e receberam a marca da corte das sombras, isso enfraqueceu a corte da
luz e por isso os Ellyllon mandaram guerreiros para proteger a corte
da luz, foi assim que surgiram os Aelf e a Caça.
Lauren
prestava atenção em toda a história e Lucian lhe explicou que
Avalon era uma área sagrada e por isso não era fácil chegar lá,
ali era o começo de tudo e por isso toda a proteção para entrar,
você tinha que ser puro de coração e realmente querer ir para lá,
por isso que só se podia chegar em Avalon sendo da realeza e com a
ajuda do líder da Caça e dos Aelf, porém não era apenas isso o
necessário, ao chegar em Avalon a única passagem para se entrar na
ilha existia um grande espinheiro negro, que poderia assustar
qualquer um, já que um espinheiro negro pode matar as pessoas, por
isso os Finns o colocaram, apenas aqueles que não temiam a morte
conseguiriam entrar lá.
-
Então eu posso morrer tentando chegar lá? - Lauren perguntou.
-
Antes que você morra, os Finns terão visto se seu coração é puro
e se suas intenções são boas, se forem você conseguirá entrar em
Avalon – Lucian respondeu. - Eles não vão te deixar morrer
Lauren.
-
Bem, não é como se tivessemos muitas escolhas. - Lauren respondeu.
- Ou a gente aceita isso, ou o mundo encantado pode acabar. Tudo bem.
Apesar
da voz de confiante eu notei medo no olhar de Lauren e uma certa
decepção? Se Lucian não estivesse certo sobre tudo o que falou, se
eu soubesse que existia outro modo faria ela na mesma hora dizer que
não aceitava.
-
Derek
você foi destinado para tomar conta dela, então preciso saber se
você está disposto à ir também. - Lucian me perguntou.
- Eu
nunca vou deixar Lauren sozinha. - Eu o respondi e olhei para Lauren,
esperando que ela entendesse aquilo, mas Lauren apenas olhou para
baixo parecendo triste e envergonhada.
-
Tudo bem, eu vou ajudar Fay agora. - Lucian respondeu. - Era só isso
podem ir.
Lauren
se levantou e eu também, mas assim que cruzamos a porta ela
finalmente trocou uma frase direta comigo.
-
Nós precisamos conversar, a sós. - Ela disse.
- Eu
conheço um lugar... Vamos – Eu a respondi preocupado e então a
levei para um dos quartos que eu sabia que estava vazio, pois tinha
entrado lá por engano logo que chegamos ao castelo.
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